Apegar-se à Humildade

APEGAR-SE À HUMILDADE

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Vejamos um incidente na vida e ministério do Senhor Jesus quando surgiu uma disputa entre Seus discípulos. Podemos obter algumas lições muito úteis de nosso Senhor sobre este assunto. Vamos abrir em Marcos 9:33-37:

“E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho? Mas eles calaram-se, porque, pelo caminho, tinham disputado entre si qual era o maior. E Ele, assentando-Se, chamou os doze e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. E, lançando mão de uma criança, pô-la no meio deles e, tomando-a nos Seus braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma destas crianças em Meu nome a Mim Me recebe; e qualquer que a Mim Me receber recebe não a Mim, mas ao que Me enviou”.

Na segunda metade de Marcos 9, o Senhor apontou três grandes causas para a ruptura da paz entre os discípulos e, em seguida, estabeleceu um remédio para cada uma. A primeira coisa é querer ser grande.

Pouco antes disso, no Monte da Transfiguração, os discípulos foram privilegiados por ter um vislumbre do reino vindouro. Ver o Senhor em Sua glória oficial quando Ele reinaria em poder em Seu reino, deu origem a alguns pensamentos e desejos carnais entre os discípulos. Eles especularam sobre quem entre eles teria o maior lugar no reino, mas isso só criou uma disputa.

O desejo de “ser o primeiro” (Mc 9:35) tem sido a causa de muita contenda entre o povo do Senhor ao longo dos anos. Eu compreendo que ninguém nunca vai sair e dizer que quer ser grande ou proeminente entre os seus irmãos, mas suas ações, muitas vezes, irão contar a história. Querer ter supremacia sobre nossos irmãos – tendo um lugar de importância – desperta um espírito de competição, que invariavelmente resulta em ciúme e conflitos, e na ruptura da paz. No fundo está aquele sutil inimigo – orgulho. Provérbios 28:25 diz: “O altivo de ânimo levanta contendas”. E outro provérbio diz: “Da soberba só provém a contenda” (Pv 13:10).

O Sr. C. Koehler costumava dizer que antes de ser salvo ele queria fazer algo de si mesmo no mundo. Então, quando ele foi salvo e veio entre o povo do Senhor queria fazer algo de si mesmo na assembleia. Mas ele disse que tinha que aprender que ambos os desejos estavam errados! Ele teve que aprender que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pe 5:5). Essa é uma lição que temos que aprender também!

Quando trabalhava na empresa atacadista de materiais de meu pai, havia certo indivíduo que trabalhava numa companhia concorrente que era bem conhecido por se achar importante. Seu nome era Morely Brown. Meu pai tinha cruzado com ele algumas vezes no local de trabalho de um cliente mútuo, e costumava nos contar sobre ele. Ele era uma figura grande e imponente que pensava muito em si mesmo. Eu tinha ouvido histórias sobre ele de outras pessoas também, e tinha curiosidade de conhecê-lo pessoalmente. Mas isso nunca ocorreu. De qualquer modo, basta dizer que sua reputação ia adiante dele. Um dia ouvimos dizer que a empresa para a qual trabalhava faliu. Fizemos contato com a empresa falida e acabamos comprando uma parte do inventário ao preço de 25% e 30% do valor. Num velho armazém havia apenas a pessoa que tinha sido nosso contato e o chefe do armazém que tinha estado na empresa por anos. Enquanto estávamos trabalhando, pensei que esta seria uma boa oportunidade para perguntar sobre Morely Brown. Ele disse: Morely Brown? Todos nós o odiávamos! Tínhamos um apelido para ele que usávamos secretamente. Nós o chamávamos de “O gordo e estufado Brown”! A parte triste é que Morely Brown não sabia que sua arrogante confiança e importância própria faziam dele uma pessoa desagradável. Tenho certeza de que ele ficaria surpreso ao saber que as pessoas não o apreciavam.

Agora, irmãos, pode ser possível que nos comportemos na assembleia de tal maneira que as pessoas digam às nossas costas: “Lá vai o estufado irmão, fulano de tal!” Chegamos ao salão de reuniões com um ar de importância? Não devemos usar a assembleia como um local para exaltar a nós mesmos, mas nossas ações dizem sobre nós, sem percebermos isso. Outros podem ver isso em nós, mas muitas vezes nós não podemos. Lembremo-nos de que “qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc 18: 14).

O Senhor dirigiu-se aos apóstolos que desejavam “ser o primeiro”, dando-lhes uma lição objetiva sobre humildade. Primeiro, “assentando-Se”, os chamou. Tomar um lugar baixo para se dirigir aos discípulos era uma ação simbólica apontando para a necessidade de sujeição e humildade. Ele então “lançando mão de uma criança” e colocando-a em Seu colo disse-lhes para “receber” uma criança em Seu nome. Isso não é lindo? O Senhor Jesus era tão humilde que teve tempo para as crianças! Suponho que receber uma criança significa ajudar a criança de alguma forma, e isso seria uma coisa insignificante aos olhos da maioria das pessoas. Não é algo que faz uma pessoa se destacar publicamente, mas Deus vê isso e aprova tal trabalho. Nisso, o Senhor estava ensinando a Seus discípulos que eles deveriam se contentar em servir fazendo pequenas coisas que poderiam não ser notadas pelos outros.

Mas tal coisa é contrária à natureza humana. Queremos fazer as coisas para sermos notados, mas precisamos julgar nossos corações sobre isso. Queremos ir a algum país distante para distribuir folhetos, porque isso nos fará notados? Você poderá ter o seu nome no “Notes Of Interest” (publicação bimestral nos Estados Unidos entre os irmãos), mas esta não é a razão porque deveríamos servir o Senhor. Talvez sua assembleia promova alguma atividade; é interessante ver quem é voluntário para os trabalhos que os fazem ser notados! Já vimos irmãos mais novos em conferências querendo orar ou dizer alguma coisa, mas quando chega a hora da oração pelo evangelho na sala dos fundos, eles não estão lá! Não quero desencorajar nenhum de nossos irmãos mais jovens a participar das reuniões, mas pense em como isso será visto. Tal comportamento não ajuda em nada, apenas nos deixa pasmados.

Tivemos o prazer de ter o irmão Cam Wilkin e sua esposa em nossa casa recentemente. Conversamos sobre os irmãos mais velhos que nos passaram um conselho útil. Pedi-lhe que me contasse sobre os conselhos que recebeu. Ele me deu uma joiadigna de nota. Ele disse que o velho irmão Millar (já com o Senhor há muito tempo) disse a ele: “Cameron, mantenha-se pequeno, aqueles que ficam grandes são removidos” – Que bom conselho foi esse!

Quando nos ocupamos com nossa importância, estamos em uma zona de perigo, pois não estamos pensando com sobriedade. Paulo disse: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12:3 – ARA). Eu simplesmente amo o versículo, “não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes”. A tradução de J. N. Darby diz, indo junto com os humildes” (Rm 12:16). Esse é o caminho para nós.

Estivemos lendo o evangelho de Lucas em casa e a única pessoa que encontramos (corrija-me se estiver errado) que o Senhor especificamente entrou em sua casa foi um homem de pouca estatura – Zaqueu. Isso não é significativo? O Senhor habita com aqueles que são de pouca estatura, espiritualmente falando! Isso me faz lembrar Isaías 57:15: Pois assim diz o Altíssimo e Santo que habita a eternidade, e cujo nome é Santo: Eu habito no alto e santo lugar, e com aquele que é de espírito contrito e humilde”(JND). Estas são as duas moradas de nosso Senhor – no “alto e santo lugar” acima, e com os “humildes” e contritos aqui embaixo na Terra. Isso nos mostra que o Senhor não Se identificará com os que são grandes e poderosos. Jeremias disse a Baruque: “Buscas tu para ti mesmo coisas grandes? Não as busques” (Jr 45:5 – TB). Essa é uma boa palavra para nós.

Pedro nos exorta: “E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros” (1 Pe 5:5 – AIBB). Se chegarmos a um impasse na assembleia onde possa haver uma disputa sobre alguma coisa, o remédio é ‘se rebaixar’ – tomar um lugar baixo. Sr. Darby disse: “A submissão é o princípio de cura da humanidade”. Ele também disse: “O orgulho é a causa da divisão e a humildade é o segredo da comunhão”.

Lembro-me de ter ouvido falar de um homem que estava viajando em um desfiladeiro nos Andes com sua mula totalmente carregada. A estrada era extremamente estreita, o suficiente para apenas um viajante de cada vez. A estrada era esculpida na montanha com um precipício íngreme do lado. Ele seguiu em frente, uma curva após outra. Quando chegou a uma curva, o que você acha que ele viu? Outro homem com sua mula totalmente carregada olhando para ele! O que eles iam fazer? Os dois homens discutiram as possibilidades. Perguntaram um ao outro se podiam se lembrar da distância de algum lugar onde o caminho se alargava para que dois pudessem passar. Talvez eles pudessem conduzir os animais até aquele ponto. Outra ideia era descarregar os animais. Mas enquanto os homens discutiam, as duas mulas resolveram o problema. Uma ficou de joelhos e chegou o mais perto possível da montanha, então a outra deu um passo em torno dela! Veja: isso é a própria natureza ensinando você! (1 Co 11:14).

Esta é realmente a resposta para cada impasse que possamos ter na assembleia. Cada um de nós deve descer, estimando o outro superior do que a si mesmo! (Fp 2:3). É a forma como cada assembleia local deve “operar” a sua “salvação com temor e tremor” – que é o verdadeiro significado desse versículo (Fp 2:12). Somos responsáveis por operá-la, imitando o padrão de Cristo que a Si mesmo Se humilhou (Fp 2:5-8). Cada um fazendo isso, a assembleia fica a salvo das invasões do inimigo que está procurando estragar a unidade.

O problema com o orgulho é que não podemos vê-lo em nós mesmos. Assim como Morely Brown, que imaginava ser bem considerado por todos, podemos ser enganados por nossa importância própria. Havia um homem de quem o Sr. Hayhoe costumava nos contar que tinha orgulho de ser humilde! Eram os dias da Grande Depressão e aquele irmão estava criticando outro por gastar dinheiro desnecessariamente. Ele disse: “Eu não vou gastar dinheiro em roupas, eu vou me virar com as roupas que eu tenho!” Quando o irmão dobrava os braços, seu cotovelo podia ser visto através de um buraco em sua camisa. Sr. Hayhoe disse que dava para ver o orgulho saindo através do furo!

Querer ser grande é um sinal claro de que não estamos verdadeiramente vivendo na presença do Senhor, porque nenhuma carne se glorifica em Sua presença (1 Co 1:29). Na verdade, estamos deixando todo mundo saber do nosso estado real – mesmo que nós mesmos não o saibamos. Assim, o remédio para querer ser grande é entrar, de fato, na presença do Senhor e então seremos humildes. O profeta Miqueias disse: “que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6:8).

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Julgar um Espírito Crítico

JULGAR UM ESPÍRITO CRÍTICO

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Enquanto o Senhor falava sobre receber os pequeninos, João lembrou-se de um homem que eles viram, o qual, acreditavam, devia ser rejeitado. Ele disse:

“Mestre, vimos um que, em Teu nome, expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue” (Mc 9:38).

Sem dúvida, ao dizer isso ao Senhor, João pensava que iria receber d’Ele tapinhas nas costas e Sua aprovação quanto ao que foi dito ao homem. Mas, em vez disso, o Senhor, nessa passagem, mansamente repreendeu o seu espírito crítico e censurador, dizendo:
“Não lho proibais, porque ninguém há que faça milagre em Meu nome e possa logo falar mal de Mim. Porque quem não é contra nós é por nós. Porquanto qualquer que vos der a beber um copo de água em Meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão” (Mc 9:39-41). Nisso, o Senhor apontou uma segunda coisa que seguramente perturba a paz entre os santos – ser crítico com os outros.

Você pode ver como o criticismo teria naturalmente surgido nos corações dos discípulos. O que aquele homem estava fazendo era particularmente embaraçoso para os apóstolos, porque era algo que eles não podiam fazer! Um pouco antes no capítulo, um homem veio até eles e lhes pediu para expulsar um espírito maligno de seu filho, mas “não puderam” (Mc 9:18). E aqui se deparam com um homem que estava expulsando demônios – a coisa exata que não podiam fazer! Naturalmente, não gostaram e acharam culpa nele. Oh, irmãos, sejamos cuidadosos ao ter descontentamento pela excelência de outra pessoa. Encontrar defeito nos outros normalmente tem o próprio EGO por detrás! Muitas vezes, quando uma pessoa quer se colocar à frente, vai rebaixar a outros. É uma coisa comum e temos visto isso frequentemente.

Isso me lembra duma história que D. L. Moody, o famoso pregador do século 19, costumava contar sobre si mesmo. Ele e Sankey estiveram na Inglaterra em uma turnê de pregação e encontraram um jovem chamado Henry Moorhouse, que pregou e também disse que gostaria de ir para a América e pregar. Então o Sr. Moody o convidou para ir a Chicago pregar em sua igreja, pensando que o homem nunca iria. Bem, algum tempo depois, quando Moody estava de volta na América, ele recebeu um telegrama de Nova York de Henry Moorhouse, perguntando se estaria bem ele ir a Chicago para pregar. Moody relutantemente lhe disse para ir, mas disse que ele não estaria lá, pois tinha um compromisso anterior em outra cidade. Moorhouse foi e pregou sobre João 3:16 – o amor de Deus. Noite após noite ele usou a mesma passagem e teve um efeito significativo em seus ouvintes. Quando Moody voltou, perguntou à esposa como o inglês estava se saindo. Ela não sabia como responder a ele, então disse: “Bem, ele não prega do modo como você prega”. Moody disse, “Logo de cara eu não gostei dele!” Mas o Sr. Moody foi ouvi-lo pregar naquela noite e aquilo teve um efeito tão profundo sobre ele que mudou sua pregação para toda a vida. Moody sempre pregava mensagens do evangelho sobre o fogo do inferno, mas aquele homem conquistava as almas por meio do amor de Deus. Henry Moorhouse tornou-se conhecido como “o homem que abalou o homem que abalou o mundo!” No final, o Sr. Moody teve que engolir suas palavras. Eu acho que o velho ditado, “Em boca fechada não entra mosquito!” ainda é verdadeiro. Talvez não gostemos de alguém porque está fazendo algo pelo Senhor que não é exatamente como pensamos que deveria ser feito, mas isso não é bom. Não vamos ser críticos.

Nas palavras de João, podemos ver qual era realmente o problema dos discípulos. Ele disse: “(nós) vimos um que, em Teu nome, expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue”. Observe quantas vezes João usa “nós” e “nos”. Isso mostra que os apóstolos perderam de vista que o Senhor era o centro e se viam como sendo o centro das coisas! E julgaram a obra daquele homem de acordo com isso. Desnecessário será dizer que o foco deles estava totalmente errado.

Irmãos, precisamos nos proteger de um espírito partidário. É tão fácil cair nisso. Tanto nos tem sido dado – estou falando dos privilégios de sermos reunidos ao nome do Senhor – mas temos que ter cuidado para não pensar que estamos acima de outros Cristãos. É somente pela graça que o Senhor nos reuniu ao Seu nome. Não temos nada para nos orgulhar. Se formos um testemunho, seremos do fato de que a Igreja, como testemunho público do Senhor, está em ruína. Não haveria testemunho remanescente se não houvesse ruína. Isso certamente não é algo para se orgulhar!

Você encontrará nas Escrituras que sempre que o povo desviava os olhos do Senhor e se ocupavam consigo mesmos e com seus privilégios, Deus pronunciava um juízo por meio do qual esses privilégios eram tirados. Vê-se isto em 1 Samuel 4 quando os filhos de Israel estavam numa batalha contra os filisteus. Eles estavam fracos e pensaram que se eles levassem a arca para o campo de batalha iriam ganhá-la. Eles disseram: “Tragamos (nós) de Siló a arca do concerto do Senhor, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos” (1 Sm 4:3). Observe, novamente, que era tudo “Nós”! Quando a arca chegou entre eles, gritaram com grande voz. Era uma espécie de júbilo porque tinham a arca e porque eram o povo escolhido de Deus. Não que isso não fosse verdade, mas o foco deles estava em si mesmos e não no Senhor, e Ele não Se identificaria com isso, e permitiu que a arca fosse tomada deles.

De novo, nos dias de Jeremias, o povo estava fraco, e se gloriava no fato de que pertenciam a um lugar onde a presença do Senhor estava, e onde Ele tinha colocado Seu nome, dizendo: “Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jr 7:4). O Senhor disse (por intermédio de Jeremias) que deveriam se lembrar do que aconteceu em Siló, onde Ele estabeleceu Seu nome inicialmente. Ele tirou o Seu nome de Siló e iria tirar deles também em Jerusalém (Jr 7:12-16).

Também nos dias de Miquéias, o profeta disse: “edificando a Sião com sangue e a Jerusalém com injustiça. Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nossobrevirá. Portanto, por causa de vós, Sião será lavrado como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa, em lugares altos de um bosque” (Mq 3:10-12). As pessoas estavam fracas e ocupadas com Jerusalém como o centro divino onde a presença do Senhor estava, mas novamente, o Senhor prometeu tirar o centro divino deles.

E em Apocalipse 3:14-22, a assembleia em Laodicéia estava ocupada com ela mesma e com o que tinha, mas pouco sabiam que o Senhor estava prestes a vomitá-los da Sua boca! Não é um alerta para nós? O que o Senhor fará conosco hoje se estivermos ocupados com o nosso lugar no centro divino de reunião? Ele nos humilhará como Ele prometeu fazer com Seu povo Israel. “Porque então tirarei do meio de ti os que exultam na sua soberba, e tu nunca mais te ensoberbecerás no Meu monte santo. Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; e eles confiarão no nome do Senhor” (Zc 3:11-12). Talvez seja por isso que temos tais dificuldades.

O Senhor repreendeu os apóstolos por terem um espírito crítico para com aquele homem que evidentemente não era contra eles. O homem não estava andando no caminho em que o Senhor chamou os apóstolos, mas eles deveriam deixar isso com Deus. Note: o Senhor não disse a Seus discípulos para se juntarem ao homem. E eu não acredito que o Senhor queria que nós seguíssemos um caminho pelo qual outros Cristãos podem estar andando, só porque pode haver alguma bênção aparente nele. Estamos cercados de denominações religiosas que professamente dizem estar fazendo algo para o Senhor, mas Ele nos chamou para fora disso. Reunimo-nos somente em Seu nome. Devemos deixar isso com o Senhor. Isso me lembra de “Eldade” e “Medade”que permaneceram no campo e profetizaram. Josué falou a Moisés, mas Moisés disse: “Tens tu ciúmes por mim? Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o Seu Espírito!” (Nm 11:29). Note novamente, que Moisés não disse a Josué para se juntar a eles. Ele devia deixá-los com Deus. Paulo tinha a atitude apropriada quando disse: “Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda” (Fp. 1:18).

Assim, não vamos nos concentrar em nós mesmos, e nem nos erros de outras pessoas como parece ter ocorrido com o profeta Isaías. Ele era como um homem em um quarto com seis janelas. Ele olhou por uma janela e viu o monopolista, e lamentou: “Ai!” (Is 5:8-9). Ele olhou pela outra janela e viu o bêbado, e gritou: “Ai!” (Is 5:11-12). Ele se virou e olhou pela terceira janela e viu o libertino e novamente gritou: “Ai!” (Is 5:18-19). Ele olhou pela quarta janela e viu o hipócrita, e gritou outro “Ai!” (Is 5:20). Depois olhou para a quinta janela e viu o filósofo satisfeito com sua sabedoria, e novamente gritou: “Ai!” (Is 5:21). Ele olhou para fora da sexta janela e viu os líderes e magistrados injustos, e clamou: “Ai!”novamente (Is 5:22-23). Isaías viu muitas coisas que não eram certas entre o povo de Deus, e ele lamentou com um “Ai” sobre tudo o que ele viu que estava errado.

Então no próximo capítulo (6) essas janelas se fecham e uma janela no topo de sua câmara é aberta. Através dela flui a glória de Deus e de repente Isaías vê a si mesmo à luz da santidade de Deus – como Deus o viu. Ele viu sua própria condição miserável e gritou um sétimo Ai, mas desta vez era sobre si mesmo! “Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros” (Is 6:5).

É fácil apontar as falhas de outros, mas lembre-se, “Aquele que joga lama perde chão!” Independentemente de quão verdadeira possa ser a falha, só as apontar não vai ajudar a melhorar a situação. Precisamos chegar ao sétimo Ai, por assim dizer, em nossas almas, onde veremos que fracassamos e contribuímos para o estado de fraqueza entre o povo de Deus. Precisamos ver que não somos melhores do que nossos irmãos. Só depois de Isaías colocar a mão em seu próprio coração e assumir seu próprio fracasso e parte na ruína entre o povo de Deus que o Senhor pôde usá-lo! No oitavo versículo, o Senhor o chamou para uma obra pela qual profetizaria para ajudar o povo de Deus. Ele ainda apontou os erros, mas também foi capaz de trazer os princípios da restauração, como visto no resto de suas profecias.

Em outra ocasião, os filhos dos profetas clamaram: “há morte na panela”. Eles podiam ver que algo estava errado. Mas não é preciso uma pessoa espiritual para identificar isso. As coisas que estão erradas são relativamente fáceis de identificar, mas é preciso um homem de Deus como Eliseu para trazer um remédio. Ele disse: “Trazei, pois, farinha. E deitou-a na panela” (2 Rs 4:38-41). Isso mudou tudo – o problema foi resolvido. A farinha fala de Cristo. Precisamos introduzir Cristo e Seus direitos, e então as questões serão resolvidas. Quando Cristo tem Seu lugar legítimo na assembleia haverá cura e bênção. “As mil peças de prata são para ti, ó Salomão [uma figura de Cristo], e duzentas, para os guardas do seu fruto” (Ct 8:12).

Este princípio é válido para este mundo também. Hoje o mundo está cheio de violência e corrupção, mas nos é dito no Salmo 72: “Ele [Cristo] descerá como a chuva sobre a erva ceifada, como os chuveiros que umedecem a terra. Nos Seus dias florescerá o justo, e abundância de paz haverá enquanto durar a Lua” (Sl 72:6-7). Quando Deus trouxer Seu Primogênito ao mundo e Ele tomar Seu lugar de direito, haverá paz e bênção.

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Tenha Cuidado para Não Ofender em Palavra ou Ação

TENHA CUIDADO PARA NÃO OFENDER EM PALAVRA OU AÇÃO

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O Senhor prosseguiu e disse:

“E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma grande pedra de moinho e que fosse lançado no mar. E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no Reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo do inferno, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga” (Mc 9:42-48).

Aqui, o Senhor toca em outra coisa que perturba a paz entre Seu povo – ofender com palavras ou ações. Oh! quão cuidadosos precisamos ser em tudo que dizemos e fazemos! Às vezes pensamos que se não temos intenção de causar dano, nem temos algum mau sentimento contra uma pessoa, não tem importância se dissermos algo negativo a seu respeito ou que a diminua. Muitas vezes o faríamos em forma de brincadeira, mas ainda assim isso machucará e ainda assim isso é errado.

Se verdadeiramente vivemos na presença do Senhor, aprenderemos Sua mansidão e Sua humildade. Ele disse: “aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”(Mt 11:29). Humildade mantém o ego baixo e mansidão cede seu lugar aos outros. Humildadeé um caráter, mas mansidão é uma conduta. Alguém que é manso tem o cuidado de não ofender. É por isso que muitas vezes tem sido dito, “mansidão não ofende, e humildade não se ofende”. Alguém pode falar imprudentemente com seus lábios e ofender, mas se estamos vivendo em comunhão com o Senhor, seremos humildes o suficiente para não nos ofendermos com tais comentários. “Grande paz têm os que amam a Tua lei, para eles não há tropeço [ofensa – KJV] (Sl 119:165 – ARA). No entanto, isso não nos dá licença para falar com as pessoas como quisermos.

Deus deu a cada um de nós um mostrador ou um filtro em nossas mentes que devemos usar ao interagir com os outros. Antes de abrirmos a boca, precisamos pesar o que vamos dizer no santuário de Sua presença. Você vai notar que as crianças não têm esse filtro, ou pelo menos não têm o discernimento moral para usá-lo. Elas apenas dirão o que vier à mente, e muitas vezes isso pode ser embaraçoso para seus pais. Mas quando ficamos mais velhos, nosso senso de discernimento moral começa a se desenvolver e filtramos as coisas que vêm à mente antes de deixá-las sair por nossas bocas. Aparentemente, no entanto, algumas pessoas, nunca desenvolvem isso. Elas são conhecidas por abrir suas bocas e deixar voar palavras descuidadas que deixam uma trilha de ofensa por onde passam. Precisamos orar: “Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” (Sl 141:3). Provérbios 13:3 diz: “aquele que abre grandemente os seus lábios, será destruído” (AIBB). Eu observei que aqueles que têm o hábito de criticar sem pensar no que falam são os que têm menor capacidade de aceitar as críticas quando elas vêm em sua direção!

Na passagem de Marcos 9, os apóstolos podem ter pensado que estavam sendo fiéis repreendendo aquele homem que expulsava demônios, mas na realidade eles estavam ofendendo-o. Algumas pessoas pensam que podem ofender as pessoas com suas observações e rotular tal atitude como sendo fidelidade. Elas pensam que são justificadas por falar de certa maneira, porque estão a favor da justiça, mas realmente é apenas a carne agindo. Podemos estar tão ocupados com a justiça – isto é, em fazer o que é certo – que perdemos nosso foco no Senhor. Mas o Cristianismo é mais do que apenas fazer o que é certo. O princípio que governa o Cristianismo não é justiça, mas graça que reina pela [por meio da – JND] justiça (Rm 5:21), caso contrário, se entrarmos nessa disposição mental (a da justiça), o inimigo de nossas almas poderá agir para nos enganar. Em 2 Coríntios 11:14-15 nos é dito que Satanás muitas vezes age num contexto de justiça. “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça

Não me entendam mal; a justiça não deve ser posta de lado, mas deve ter seu próprio lugar e, se assim for, levará “paz e alegria no Espírito Santo” para a assembleia (Rm 14:17; Tg 3:18). Mas se a justiça é o nosso foco, isso levará ao legalismo e Satanás certamente trabalhará nesse contexto para nos enganar. Digo mais uma vez: a “graça” deve “reinar por meio da justiça” (JND). Quando as pessoas adotam em um padrão “demasiadamente justo”(Ec 7:16), elas se transformam em críticos de ‘poltrona’ na assembleia e acabam sendo um estorvo para si próprios. Muitas vezes, esse espírito se manifestará passando a rondar a assembleia como se fosse um policial, gritando “Ai” por tudo e por todos que não alcancem os seus padrões.

Eu conheci um irmão jovem (que não está mais entre nós) que, por ser novo na assembleia não tinha convivido muito conosco, mas já tinha tido um confronto com quase todas as pessoas na reunião. Que testemunho vergonhoso! Se bem me lembro, ele sempre foi mais justo do que o resto de nós. Ao longo dos anos muitos foram enganados dessa forma, pois pensam que estão fazendo o certo, mas estão apenas buscando problemas, embora não percebam isso, pois pensam que são melhores do que seus irmãos. Eu ouso dizer que esse é um terreno perigoso para se estar.

Houve milhares que tropeçaram na pedra da justiça. Tivemos um irmão que deixou a assembleia por Deus! Em sua mente, ele tinha que sair, caso contrário, pensava estar desapontando o Senhor! Ele acreditava que era a única coisa certa a fazer; mas estava certo? Claro que não! Estar ocupado com a justiça pode se tornar um engano. Pensem em todos aqueles que partiram por causa das divisões nos últimos 150 anos. Eles fizeram o que fizeram porque pensavam que estavam sendo fiéis e ao lado de Deus. Eu lhes digo: se o Senhor não for o nosso foco e tivermos apenas a justiça diante de nós, em vez de ter a Ele, poderemos ser enganados pelo inimigo. Precisamos ter cuidado com isso, irmãos.

Como remédio para a ofensa o Senhor estabeleceu um princípio universal que pode ser aplicado a santos ou pecadores. Ele disse: “Se a tua mão te ofender, corta-a”. Ele disse o mesmo para o nosso “pé” e para o nosso “olho”. É claro que estava falando figurativamente. A questão é que tudo o que estamos fazendo com nossa “mão” ou “pé” ou “olho” que esteja ofendendo as pessoas e estragando nosso testemunho, por mais prezados que esses membros possam ser, devemos desistir deles. Em outras palavras, devemos praticar o julgamento próprio.

Para concluir as orientações acima, o Senhor tratou o estado de alma de Seus discípulos (vs. 49-50), o que se fez necessário para a implementação dessas coisas em suas vidas. Ele disse: “Tende sal em vós mesmos e paz, uns com os outros” (Mc 9:50). O sal nas Escrituras é uma figura da energia da devoção pessoal ao Senhor. Se houver real devoção de coração ao Senhor em nós, estaremos em um estado correto de alma, desejando somente Sua glória. Consequentemente, não seremos uma fonte de problemas entre nossos irmãos. Isso significa que alcançar uma condição de paz entre os irmãos começa por nós mesmos! Precisamos desenhar um círculo ao redor de nós mesmos e começar por aí. Se mantivermos nossa devoção ao Senhor (tendo “sal” em nós mesmos), estaremos em paz conosco e em paz com nossos irmãos. Um homem que não está em paz consigo mesmo não estará propenso a ter paz com os outros. Então seremos como Aser, que mergulhou seu pé em óleo e agradou a seus irmãos (Dt 33:24). O óleo é um tipo do Espírito Santo, e nossos pés falam do nosso andar. Essa é uma figura de alguém andando no Espírito. Se estamos fazendo isso, vamos manter o passo com nossos irmãos, como os homens de Zebulom que puderam “manter o posto” (1 Cr 12:33 – JND). Então seremos pacificadores e não perturbadores.

“Salgado com fogo” (Mc 9:49a) é uma referência à vida do crente como um sacrifício misturado com o julgamento próprio. “Fogo” é uma figura de julgamento. “Salgado com sal” (v. 49b) é uma referência à vida do crente como um sacrifício oferecido com uma garantia de inalterável devoção a Deus, uma aliança, por assim dizer, que não podemos voltar atrás. (Compare Nm 18:19).

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Desarme a malícia com atos de bondade

DESARME A MALÍCIA COM ATOS DE BONDADE
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Vamos ler agora Romanos 12:18-21:

“Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; Eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.

Essa exortação é ampla o bastante para ser aplicada tanto aos santos quanto aos pecadores. Podemos nos exercitar nisso com incrédulos que não gostam de nós, assim como com aqueles entre nossos irmãos que talvez não gostem de nós. O ponto aqui é que podemos promover a paz com os outros (pacificamente), desarmando sua maldade com atos de bondade. Tais atos farão a pessoa ter vergonha de sua hostilidade e os conduzirá a mudar os pensamentos dela sobre você.

O fato de haver animosidade em um Cristão contra o outro, mostra que há algo seriamente errado. Certamente não é uma condição que Deus deseja entre Seu povo. A primeira coisa que o apóstolo diz na passagem é que não devemos pagar o mal com o mal. A ordem é “dai lugar à ira” – a ira de Deus, não a nossa. Devemos deixá-la com o Senhor que tratará com essa pessoa por Seus meios governamentais. Não é nossa esfera e nem nossa responsabilidade castigá-las, embora possamos achar que mereçam.

Você pode dizer, ‘“qual é a minha responsabilidade então? O que posso fazer a respeito?” Bem, o apóstolo está dizendo aqui que podemos fazer alguma coisa. Podemos tentar desarmar a maldade das pessoas, retribuindo com atos de bondade, para que sejam atingidas em suas consciências e se envergonhem da animosidade. No entanto, retribuir a animosidade de uma pessoa da mesma forma é deixar que o mal nos vença e isso nos fará descer ao nível dos meios maldosos dessa pessoa.

J. N. Darby disse: “Se o meu mau humor colocar você de mau humor, você foi vencido com o mal”. Portanto, cabe a nós não deixar que isso nos aconteça! George W. Carver disse: “Eu nunca vou deixar outra pessoa arruinar a minha vida, fazendo-me odiá-la!”

Às vezes, uma pessoa guarda rancor contra outra, se afasta dela, e dá como desculpa que está procurando exercitar essa pessoa quanto ao seu erro. Isso pode parecer espiritual e piedoso, mas na realidade é apenas maldade. Dizer, “eu posso perdoar, mas não posso esquecer” é somente outra maneira de dizer: “eu não perdoarei!” Não enganamos ninguém quando falamos dessa maneira – mostra que temos um espírito implacável, e isso é tão claro quanto o dia! Podemos enterrar a machadinha, mas ainda segurar seu cabo! Somos advertidos de que, se prosseguirmos com esse tipo de coisa, uma “raiz de amargura”se manifestará na assembleia, e assim muitos serão “contaminados” (Hb 12:15).

Isso também acontece quando as pessoas se envolvem em disputas pessoais e linhas são traçadas e lados são tomados o que resulta em divisão na assembleia. Isso é vergonhoso, mas acontece.

Mas alguém pode dizer: “E quanto à Lucas 17:3?” “Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe”. Diz que não devemos perdoar uma pessoa até que ela se desculpe. Com base nessa Escritura podemos nos sentir justificados e continuar com um rancor ou uma disputa contra alguém que nos ofendeu até que ele, arrependido, nos peça desculpas. O problema desta ideia é que isolamos um versículo e não estamos olhando para o assunto do perdão fraterno em sua totalidade, como a Escritura o apresenta. Lembre-se, uma das grandes máximas que têm a ver com a interpretação da Bíblia é que devemosinterpretar as Escrituras à luz de todas as outras Escrituras.

Precisamos da luz de outras Escrituras sobre o assunto de perdão para compreender corretamente este verso. Somos informados em Mateus 18:35 que devemos “perdoar” em nossos “corações” todos os que nos ofendem. Não há nenhuma condição imposta nessa passagem dizendo que deve haver arrependimento e confissão do erro para que possamos perdoar. Isso significa que devemos ter um espírito de perdão para com os que nos magoam, mesmo que condições de hostilidade ainda existam neles. E isso não está contradizendo Lucas 17. Lucas supõe que chegará um tempo em que a pessoa reconhecerá o seu erro e então poderemos administrar esse perdão a ela formalmente.

Nós já a perdoamos em nossos corações, mas então podemos fazê-lo com nossas bocas. Wayne Coleman, certa vez colocou desta forma: “Mantemos um reservatório de perdão em nossos corações para com essa pessoa, e quando ela se arrepende e assume o seu erro, abrimos as comportas e expressamos o nosso perdão formalmente”.

Assim, se alguém nos ofende, devemos ter nossos corações livres de rancor, mantendo um espírito de perdão para com ele. O Senhor nos adverte que, se não fizermos isso, seremos entregues aos “atormentadores” (Mt 18:34). Isso não está falando de juízo eterno, como alguns pensam, porque o Senhor sugere que há uma possibilidade de sair desse tormento, dizendo: “até que ele pagasse tudo”. Todos sabemos que não haverá libertação daquele juízo – ele será eterno! Fala antes de sermos entregues ao nosso próprio espírito implacável, o qual se torna o nosso atormentador.

Cada vez que vemos, ou mesmo pensamos na pessoa contra quem guardamos rancor, somos atormentados com sentimentos maldosos. Trata-se de uma ação governamental de Deus, ensinando-nos em Sua escola que não é proveitoso ter um espírito imperdoável para com alguém.

Enquanto isso, conforme Deus trabalha no coração do ofensor para trazê-lo ao arrependimento, devemos mostrar-lhe um amor genuíno, expresso em atos de bondade. Isso tocará sua consciência, por meio da qual se envergonhará de sua maldade, e se julgará a si mesmo.

Vemos que não só precisamos ter um espírito de perdão, mas também devemos ter um espírito benevolente para com aqueles que mostram animosidade em relação a nós. Agindo assim, estaremos fazendo a nossa parte para promover a “paz” na assembleia.

H E. Hayhoe disse que houve um tempo em que alguns de seus irmãos locais não gostavam dele. Ele chegou mesmo a ouvi-los falando dele entre si. Então ele foi para seus irmãos mais velhos e pediu-lhes conselho. Eles disseram: “Permaneça com o Senhor, e eles mudarão de ideia!” E isso foi exatamente o que aconteceu!


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Daniel o segredo para vencer

Daniel livro.png

 

Título: DANIEL – O SEGREDO PARA VENCER

Autor: BRUCE ANSTEY

Literaturas em formato digital:
www.acervodigitalcristao.com.br

Literaturas em formato Impresso:
www.verdadesvivas.com.br

Evangelho em 03 Minutos:
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O que respondi:
www.respondi.com.br

 


Índice

VENCEDORES E COMO VENCER……………………………………………………………………………………………4
O GRANDE CONFLITO ESPIRITUAL………………………………………………………………………………………5
OS PROJETOS DO REI DA BABILÔNIA PARA OS JOVENS DO POVO DE DEUS…………………….6
1) Ele Mudou os Jovens para outro Lugar…………………………………………………………………………….7
2) Ele Tornou Seus Jovens em Eunucos………………………………………………………………………………..9
3) Ele Mudou o Propósito da Existência Deles……………………………………………………………………10
4) Ele Mudou a Linguagem dos Jovens……………………………………………………………………………….12
5) Ele Mudou a Dieta dos Jovens…………………………………………………………………………………………13
6) Ele Mudou os Nomes dos Jovens…………………………………………………………………………………….14
O SEGREDO DE DANIEL PARA VENCER……………………………………………………………………………..16
1) Ele Teve um Exercício para Manter-se Separado da Corrupção da Babilônia……………16
2) Ele se Associou com Bons Companheiros………………………………………………………………………18
3) Dedicou Tempo Ficando a Sós com o Senhor em Oração……………………………………………..22
As Condições Morais para a Resposta da Oração………………………………………………………………23
Coisas sobre as Quais Podemos Orar………………………………………………………………………………….24
4) Ele Era um Estudante da Palavra de Deus…………………………………………………………………….25
5) Ele Teve a Glória de Deus Final Diante de Sua Alma…………………………………………………….26
RESUMO DOS EXERCÍCIOS MORAIS DE DANIEL……………………………………………………………….27


DANIEL – O SEGREDO PARA VENCER
(Tacoma, WA – julho 17, 2005)

VENCEDORES E COMO VENCER

Eu gostaria de falar esta tarde sobre o assunto de como vencer. Um vencedor é alguém que se eleva acima do normal em seus dias sendo continuamente fiel ao Senhor. A própria palavra “vencedor” implica que existe uma condição entre o povo de Deus que requer superação. Penso que não seja necessário lhes dizer sobre o dia em que vivemos. Tempo de ruína geral e de fracasso entre o povo de Deus. Há muita apatia no testemunho Cristão hoje em dia e uma grande necessidade de superação.

Outra expressão que aparece nas Escrituras e que está conectado com superação é “o homem de Deus” (1 Samuel 2. 27; 9.10; 1 Timóteo 6.11; 2 Timóteo 3.17, etc.). Isso fala de um homem que se levanta para Deus e age para Deus em um dia em que aqueles que professam o nome do Senhor dão provas de serem infiéis. É significativo que a expressão “o homem de Deus” não é usada nas Escrituras quando as circunstâncias são boas entre o povo do Senhor, mas quando são ruins. Além disso, é sempre usada no singular. As Escrituras nunca dizem “homens de Deus”. Isso significa que a fidelidade deve ser encontrada em uma base individual nos dias de ruína pública. As segundas epístolas no Novo Testamento são particularmente aplicáveis em tais ocasiões, porque antecipam o fracasso público do povo de Deus, e enfatizam a necessidade da fidelidade individual ao Senhor.

Em vista do fracasso público na profissão Cristã hoje, há realmente somente dois tipos de pessoas – aquelas que são as vencedoras (Apocalipse 2-3) e aquelas que são vencidas (2 Pedro 2.19). Eu suponho que podemos dizer que somos um ou outro. Nós, ou estamos vivendo a vida dos vencedores e vivemos para a causa de Cristo, ou somos vencidos pelo caráter da atualidade e estamos vivendo mais ou menos para nossos próprios interesses. É verdade que aqueles que “são vencidos” no sentido falado por Pedro não são verdadeiros crentes. Entretanto, o caráter dos tais pode marcar um crente verdadeiro se ele não andar com o Senhor. Pedro adverte sobre isso no final de sua segunda epístola, dizendo: “… guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza” (2 Pedro 3.17). Assim, quando um crente verdadeiro não puder ser vencedor como acontece com um apóstata, ele pode ser arrebatado “junto” com a corrente da apostasia, e ser vencido pela apatia e pela indiferença que marca os dias atuais.

Esta tarde eu quero ler sobre um “homem de Deus” o qual definitivamente se colocou acima das condições de seu tempo e foi grandemente usado pelo Senhor. Seu nome é Daniel. Sua vida ilustra belamente como nós devemos vencer em um dia mal. Eu gostaria de olhar algumas das características morais que o identificaram e fizeram dele um modelo de superação.

O GRANDE CONFLITO ESPIRITUAL

Antes de iniciar, porém, sinto que é necessário falar um pouco do grande conflito espiritual que todos os cristãos experimentam. Muitos não parecem notá-lo, mas enquanto nós falamos, há uma batalha espiritual enorme que está sendo empreendida sobre nossas cabeças. Em Efésios 6.11 é dito que o diabo tem seus “estratagemas (ciladas)” e os está usando presentemente entre o povo de Deus. Um “estratagema” é uma palavra feita da raiz da palavra “estratégia” e tem a ver com a ciência de guerra militar. O que isso quer dizer é que, o diabo tem projetos específicos em sua vida e na minha. Quer nos fazer tropeçar e nos puxar para fora da senda da fé quando seguimos a Cristo.

Você talvez pergunte: “O que o diabo quer com os Cristãos? Qual é sua finalidade em nos atacar?” Em uma palavra, Satã odeia a Deus e odeia a Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Quer fazer o possível para frustrar o propósito de Deus de glorificar Seu Filho neste mundo. Ele sabe que a maneira pela qual Cristo é glorificado neste mundo é através da vida dos crentes. Quando as pessoas veem nossa alegria no Senhor, são levadas a Cristo. Seu propósito, consequentemente, ao atacar Cristãos é fazer suas vidas inúteis no serviço e no testemunho do Senhor. Se ele puder nos puxar para fora do caminho da obediência, nós seremos completamente infelizes, e o nome de Cristo será desonrado de alguma maneira.

Há duas coisas que nós precisamos ter em mente nessa batalha espiritual. Primeiramente, nosso inimigo, o diabo, é muito mais forte e mais inteligente do que nós somos. Em nossa própria força não teríamos chance contra ele e seus emissários. Ele nos tiraria rapidamente do caminho na vida com o Senhor. Em segundo lugar, o Senhor é mais forte do que o diabo e pode derrotar cada um de seus ardis. A Bíblia diz, “ …porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo”. (1 João 4.4). Se nós nos mantivermos perto do Senhor e seguirmos os princípios de Sua Palavra, seremos livres de cada tática que o diabo tiver contra nós. Outro versículo diz, “…porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”. (1 João 2.14). Isso mostra que os projetos de alguém que seja mau podem ser derrotados pela nossa simples obediência à Palavra de Deus. O diabo não pode nos tocar contanto que nossos pés estejam colocados no caminho que a Palavra delimita para nós. Mas isso, naturalmente, supõe que estamos familiarizados com os princípios da Palavra de Deus. Se uma pessoa não souber qual é a vontade de Deus nas várias questões e problemas da vida, é vulnerável às táticas do inimigo e poderia ser tragado para fora do caminho. Esse é realmente meu interesse ao falar com vocês. Eu sei que muitos de vocês, jovens, não são versados nas Escrituras. Precisamos absorver mais seriamente a Palavra de Deus. Precisamos nos saturar com ela e viver por seus princípios em comunhão com o Senhor e nós seremos sustentados.

Assim, o que eu estou dizendo, amigos, – e isso é absolutamente sério – é que o diabo tem projetos específicos para nossas vidas! Ele é capaz de trazer muitos danos ao testemunho Cristão se puder nos fazer viver para nós mesmos, ao invés de viver para a glória de Cristo. Incrédulos verão isso e serão convencidos que não há nada no evangelho de Cristo, porque aqueles que professam conhecer o Senhor não estão felizes apreciando as coisas divinas. Consequentemente, muita da energia do diabo é usada em tentar levar o crente, o filho de Deus, fora da senda da fé.

OS PROJETOS DO REI DA BABILÔNIA PARA OS JOVENS DO POVO DE DEUS

Vamos abrir o livro de Daniel e ler os primeiros sete versículos do capítulo um. “No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. E o Senhor entregou em suas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pós os utensílios na casa do tesouro do seu deus. E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus. E o rei lhes determinou a porção diária, das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para que no fim destes pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias; E o chefe dos eunucos lhes pós outros nomes, a saber: a Daniel pós o de Beltessazar, e a Hananias o de Sadraque, e a Misael o de Mesaque, e a Azarias o de Abednego”

O livro não começa com Daniel, mas com uma triste descrição das coisas que prevaleciam naqueles dias. Nós aprendemos, desses versículos, que os filhos de Israel tinham sido conquistados por seus inimigos (os babilônicos) e deportados para a terra de
Sinar. Aprendemos também que o rei da Babilônia (Nabucodonosor) teve um plano organizado e sistematizado para incorporar os filhos de Israel em seu reino de modo que pudessem promover sua causa.

“O rei da Babilônia” é um tipo do diabo. Assim como o rei reinava sobre o mundo conhecido naquele tempo, o diabo é o “deus” e “príncipe” deste mundo (2 Cor.4. 4; João 14.30). Como seu “deus,” é a cabeça de sua religião; como seu “príncipe” é a cabeça de suas atividades seculares, sociais e políticas. O programa de Nabucodonosor direcionado aos “jovens” do povo de Deus tipifica os planos e as táticas do diabo para os jovens Cristãos hoje. Nesse programa, Deus tem nos dado uma figura clara do que, exatamente, o inimigo de nossas almas está tentando fazer aos jovens. Assim, interpretados simbolicamente, esses versículos da abertura do livro de Daniel desmascaram os projetos de Satanás para nossos jovens.

O rei de Babilônia quis incorporar os jovens israelitas em seu reino com o fim de promoverem sua glória. Seu plano envolveria trazer determinadas mudanças na vida dos jovens que alterariam o propósito de sua existência, e os fariam úteis para a realização de seus objetivos. Há pelo menos seis coisas distintas que o rei de Babilônia fez para alcançar seu objetivo. Vamos olhá-las e procurar aprender as lições que Deus poderia ter para nós.

1) Ele Mudou os Jovens para outro Lugar

A primeira coisa que nós lemos é que o rei da Babilônia deportou os judeus para “a terra de Sinar” (Dan.1. 1-2). Removeu-os para um lugar onde não mais poderiam apreciar a herança que Deus lhes havia dado. A terra de Canaã que tinha sido dado ao Seu povo como herança era uma terra bonita onde leite e mel eram produzidos. Mas o rei de Babilônia os levou centenas de milhas longe dessa terra, onde já não poderiam apreciá la.

Amigos, isso é exatamente o que o diabo está tentando fazer conosco. Quer nos levar para longe da apreciação de nossa “porção” em Cristo. Como para Israel, Deus nos deu uma herança. Mas ao contrário da herança de Israel, que é terrenal, a nossa é celestial. Na primeira epístola de Pedro é dito que nossa herança está reservada no céu para nós. “… Deus …, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos; Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós,” (1 Pedro 1.3-4). É também chamada nossa “porção” em Cristo, em Colossenses 1.12 (Trad. J. N. Darby) e Atos 26.18 (na nota do rodapé).

Deus quer que apreciemos nossa porção celestial (nossas bênçãos celestiais) mesmo antes que lá estejamos. Fez uma provisão completa para isso nos dando o Espírito Santo. Se andarmos em comunhão com o Senhor, o Espírito de Deus tomará as coisas de Cristo e as “mostrará” para nós (João 16.15). O Senhor é verdadeiramente suficiente para encher e satisfazer o nosso coração. O diabo, entretanto, está fazendo tudo o que ele pode para estragar nossa apreciação do que temos em Cristo. Não pode tirar nossa herança, mas pode nos tirar a apreciação dela enquanto vivermos aqui neste mundo. Se puder nos tirar a apreciação da nossa porção em Cristo, terá conseguido seu primeiro objetivo.

É significativo que os jovens de Israel foram deportados para “a terra de Sinar”. “Sinar” significa “soltar as amarras” ou “livrar-se de”. Aparentemente, livrar-se da restrição era o caráter dessa terra – tanto que ela foi chamada como foi! Isso nos lembra o que Salomão disse Provérbios 29.18 – Trad. J. N.Darby: {Onde não há visão o povo livra-se (solta as amarras) da restrição} “A terra de Sinar” é um tipo deste mundo onde livrar-se da restrição moral e espiritual é a ordem normal das coisas. Satã, como o “deus” e o “príncipe” deste mundo “cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Coríntios 4.4). As pessoas deste mundo têm suas mentes “cegas” e não têm “nenhuma visão” das coisas divinas e eternas. Consequentemente, “livram-se” da restrição divina. Não querem viver de acordo com a Bíblia. Eu não preciso dizer-lhes que esta é uma época sem lei – todos estão fazendo o que bem entendem. Esse é o padrão dos dias de hoje. As reivindicações de Cristo não são determinantes na vida de muitos.

É nesta “terra de Sinar,” espiritualmente falando, que o diabo quer conduzir o povo de Deus – particularmente os jovens! Caros jovens, ele quer que você se livre de toda restrição divina em sua vida e viva somente como todos os demais neste mundo. Triste dizer, ele teve muito sucesso em convencer crentes a fazer o mesmo. Há muitos cristãos que vivem “na terra de Sinar,” por assim dizer. Estão longe de apreciar sua porção em Cristo. Na verdade, o diabo fez um trabalho tão completo que muitos Cristãos nem mesmo sabem quais são suas bênçãos! Não têm nenhuma ideia quão ricamente eles têm sido abençoados em Cristo – e muito menos estão vivendo na apreciação dela. Assim, amigos, essa é a primeira coisa que o diabo está tentando fazer – colocá-los em um lugar (um estado) onde vocês não podem apreciar suas bênçãos em Cristo. Daí, será relativamente fácil para ele introduzir outras coisas que os conduzirão para longe do Senhor. Se vocês não estiverem apreciando a porção que têm em Cristo, serão mais inclinados a buscar algo que vocês pensam que lhes trará a satisfação e a felicidade. No melhor dos casos será somente temporário (Hebreus 11. 25) e não os fará felizes realmente. Isso é um fato: se uma pessoa não estiver apreciando sua porção em Cristo, não será um Cristão verdadeiramente feliz e satisfeito. Eu vejo muitos Cristãos infelizes hoje, assim, eu sei que o diabo teve um sucesso tremendo em seu trabalho de “deportar” pessoas desta maneira.

2) Ele Tornou Seus Jovens em Eunucos

A próxima coisa que os babilônicos fizeram aos “jovens” do povo de Deus foi torná-los “eunucos” (v. 3). Isaías profetizou que isso aconteceria. Ele disse: “E até de teus filhos, que procederem de ti, e tu gerares, tomarão, para que sejam eunucos no palácio do rei de Babilônia” (Isaías.39.7). Literalmente, eles fizeram uma cirurgia (castração), assim eles não poderiam mais procriar. Fizeram isso para que aqueles que pertenciam à “semente real” não dessem continuidade à linhagem dos reis de Israel na terra. Logo, seria menos provável o crescimento dos judeus como uma nação e a consequente ameaça ao domínio da Babilônia.

Essa ação do rei da Babilônia tipifica os esforços de Satã de nos fazer espiritualmente improdutivos. Como vocês sabem, Deus quer que sejamos frutíferos. Quer nos fazer gerar frutos em nossas vidas, no sentido de sermos uma bênção espiritual para outros. O apóstolo Paulo orou para esse fim, dizendo: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Col.1.9-10). Satã, naturalmente, não quer que em nossas vidas haja frutos para Deus. Quer-nos improdutivos, de modo que sejamos de nenhum uso prático no serviço e no testemunho do Senhor.

Observe que eram aqueles que tinham “talento” e “habilidade” que o rei de Babilônia quis particularmente. Do mesmo modo, Satã mira naqueles que são talentosos e espertos. Ele sabe que, se tais pessoas forem vitoriosas nas reivindicações do Senhor em suas vidas, poderiam ser muito produtivas no reino de Deus – elas poderiam fazer muito na maneira de promover a causa de Cristo neste mundo. Assim, as faz seus alvos especiais. Parece trabalhar fazendo hora extra para conseguir que aqueles que são bonitos, talentosos, inteligentes e tal, tornem-se adeptos de seu sistema. Queridos jovens (irmão ou irmã), vocês têm alguns talento ou são inteligentes em algum campo? O diabo gostaria de manter vocês absorvidos num tal propósito a ponto de vocês se tornarem improdutivos nas coisas de Deus. Um irmão que já partiu, chamava Cristãos como esses de “fracassos na assembleia”. Podem estar na assembleia – e nós somos gratos que estejam – mas, tirando toda a aparência externa, eles são pouco úteis ou de pouca ajuda prática. Estão tão absorvidos buscando as coisas da terra que têm pouco ou nada para contribuir com a assembleia. Eu suponho que você poderia dizer que eles são um peso morto, e é isso o que o diabo quer para sua vida! Eu lhes pergunto diretamente do meu coração, “Vocês querem ser conhecidos como sendo um “fracasso” no que se refere à sua vida Cristã?” Vocês, certamente, querem que o resultado em suas vidas seja algo mais do que isso. Satã está tentando nos fazer improdutivos nas coisas do Senhor. Nós necessitamos ser como Daniel – para quem estamos olhando neste momento – e vencer os esforços do inimigo, assim, seremos uma ajuda e uma bênção no reino de Deus, onde e como pudermos.

3) Ele Mudou o Propósito da Existência Deles

O que lemos a seguir é que o rei da Babilônia teve um propósito específico para incorporar aquela “juventude” promissora em seu sistema – isso foi assim de modo que “estivessem no palácio do rei”. Literalmente, os quis lá para promover sua causa. Isso era inteiramente diferente do que Deus tinha proposto para os filhos de Israel. Isaías 43.21 nos fala sobre o propósito de Deus para Seu povo. Diz, “ao povo que formei para mim mesmo, a fim de que manifestassem o meu louvor” (versão brasileira). Seu desejo era que “manifestassem o meu louvor” na terra e Lhe trouxessem glória. Mas o rei da Babilônia teve um propósito completamente diferente para a vida deles – quis que promovessem a causa da Babilônia.

Isso é exatamente o que Satã está tentando fazer com nossos jovens. Quer que eles gastem suas energias em promover o sistema deste mundo – e se trabalharem duramente
o bastante em algum campo de empreendimento, poderão fazer uma vida boa para si mesmos. Ele quer que os jovens fiquem totalmente absorvidos nisso e que façam disso o
foco de suas vidas.

Para realizar seu objetivo, o rei de Babilônia teve uma escola. Levou esses “jovens” para longe de seus pais e os colocou em sua escola na Babilônia. O plano era dar-lhes forma de algo que poderia ser usado para promover a causa da Babilônia. Esta é uma velha tática do diabo – separar os filhos de seus pais. Faraó, outra pessoa na Bíblia que tipifica o diabo, tentou similarmente separar os filhos de seus pais em Israel. Quis que esses deixassem seus “jovens” para trás no Egito (um tipo do mundo) enquanto “os homens” sairiam e adorariam o Senhor (Êxodo. 10.11). Eu não estou dizendo que seja ruim ir para a escola, mas que a tentativa de levar os filhos para longe de seus pais, espiritualmente falando, é definitivamente satânico. Queridos jovens, ainda que você viva na mesma casa que seus pais, você pode estar a quilômetros de distância deles, no espírito. Esse é o trabalho do inimigo. Naquela escola, na Babilônia, já não estavam sob a autoridade dos seus pais. Estando naquela posição, podiam facilmente ser influenciados pelo modo de vida da Babilônia.

Nós temos dito que o programa usado pelo rei da Babilônia teve a duração de “ três anos” (vers. 5). Isso mostra que Satanás compreende que leva tempo para que o povo do Senhor seja completamente corrompido. Geralmente, não acontece da noite para o dia. É um pouco aqui e um pouco lá, até que uma pessoa esteja completamente mundana. O diabo sempre está disposto a esperar e trabalha lentamente para essa finalidade. Em tudo ele tem em vista a alteração do propósito de sua existência neste mundo. Você terminará sendo completamente inútil no serviço do Senhor, e sujeito a ir junto com o sistema desse mundo que está tão somente caminhando para o juízo. Aquilo para o que você trabalha, tanto quanto este mundo, está caminhando para ser destruído no final. Somente o que é feito para Cristo vai permanecer, vocês sabem isso. Se sua vida for consumida em buscas mundanas, o que você terá quando deixar este mundo?

Agora, queridos amigos, cada dia que vivemos na terra estamos escrevendo nossa própria história. Uma vez que seja escrita não poderá ser mudada. Como vocês gostariam que os registros da vida de vocês fossem escritos? Gostariam de ler que a estiveram usando para si mesmos e para os prazeres e os interesses mundanos? A Bíblia diz, “Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Marcos 8.36) Vocês não querem chegar ao fim da vida e perceber que atuaram como tolos e que compraram a mentira de Satã, desperdiçando suas vidas com coisas fugazes que servem somente por um tempo. Não querem antes que suas vidas estejam sendo registradas como tendo sido usadas para promover a glória do Senhor? Somente VOCÊ pode fazer algo sobre isso.

4) Ele Mudou a Linguagem dos Jovens

A seguir lemos que o rei de Babilônia mudou a linguagem dos jovens. O plano do rei para integrar os filhos de Israel em seu reino envolveu mudar a maneira como falavam. Não os queria andando pela Babilônia usando a linguagem dos judeus, pois isso naturalmente os manteria unidos. Quis integrá-los na sociedade dos babilônicos – ajustá-los ao estilo de vida da Babilônia – e isso envolveu falar a “língua dos caldeus”. De modo similar, no esforço do diabo para ter os filhos de Deus dentro do sistema deste mundo, ele os impele a falar da maneira como o mundo fala. Incentiva-nos a usar suas gírias e suas corruptas maneiras de falar. Geralmente, é uma maneira que não mostra cortesia ou respeito àqueles que deveriam ter. Eu tenho certeza que você já observou que é um jeito “descolado” no mundo falar de forma rude, e não mostrar respeito às autoridades.

É surpreendente, mas você pode dizer como uma pessoa foi afetada pelo mundo apenas escutando sua maneira de falar. Aqueles que estão sob a influência desse tipo de conversa, de certa maneira, mostram como são em suas almas. É lamentável, mas quando os cristãos tentam falar como o mundo, sem perceber, estão dizendo que procuram pela aceitação deste mundo – embora nunca o admitam. Não que seja errado querer ser aceito, mas por quem nós queremos ser aceitos? Essa é a questão.

Nós realmente precisamos falar à maneira do mundo? Pense no Senhor e na maneira como Ele falou. É dito que os povos se maravilharam “das palavras de graça que saíam da sua boca” (Lucas 4.22). Disseram, “Nunca homem algum falou assim como este homem” (João 7.46). A maneira como se comunicou com os povos era um testemunho claro e brilhante que Ele tinha algo que eles não tinham. E quanto a nós, é realmente uma maneira muito boa de testemunhar o fato de que conhecemos o Senhor como nosso Salvador. As pessoas deveriam ser capazes de dizer pela maneira como nós falamos que não marchamos conforme a batida do ritmo do mundo. Não quero dizer que nós devemos tentar ser estranhos e diferentes, mas que nós vivemos considerando diferentes valores que são divinos e eternos. Sobre Davi é dito que era “prudente em palavras” (1 Samuel 16.18). Esse é um bom testemunho para o jovem ter neste mundo corrupto. Não deixemos o mundo ditar como nós devemos falar. O apóstolo disse, “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Efésios 4.29).

5) Ele Mudou a Dieta dos Jovens

O versículo 5 diz que o rei da Babilônia mudou também a dieta dos jovens. Designou para cada um deles “uma provisão diária das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia” (Daniel 1.5). Quis que aqueles “jovens” comessem o que os babilônicos comiam. De uma maneira similar, o diabo quer nos alimentar com o que as pessoas deste mundo se alimentam, em um sentido moral. As coisas que as pessoas deste mundo digerem, tanto quanto o que sustenta suas vidas, intelectual e socialmente, é o mesmo que o inimigo de nossas almas nos quer alimentar. Eu estou falando sobre a política do mundo, seu entretenimento com música, teatro, esportes, etc. Se o diabo puder nos manter ocupados com essas coisas (alimentar-nos com elas) sabe que enfraquecerá nossa capacidade espiritual. Logo não teremos força espiritual para ficar contra toda a corrupção que nos cerca – e cairemos nela. Se nos alimentarmos de forma imprudente dessa sorte de coisas, seremos totalmente afastados para longe do Senhor. Assim, do ponto de vista de Satã, se ele deve alcançar seu objetivo principal com os filhos de Deus, é importante para ele começar a alimentá-las nas coisas que o homem do mundo se alimenta.

Nós estamos vivendo em dias em que os avanços tecnológicos estão sendo feitos em um ritmo inacreditável. Graças à TV, CDs, Walkmans, Ipods, DVDs, a Internet, e quem sabe o que mais, uma pessoa pode literalmente ter o que quer que ela escolha fluindo deste mundo em sua vida ininterruptamente. Onde quer que você esteja, ou o que quer que você faça, com esses meios você poderá literalmente ter as coisas lançadas em sua alma de manhã à noite. Você pode tê-los quando estiver indo para uma caminhada ou fazendo exercícios, em seu carro, enquanto você trabalha, quando você estiver sentado ou quando estiver deitado. Caros jovens, é extremamente necessário que se diga – nós temos que ter cuidado com o que nos alimentamos. Se tais “brinquedos” forem encontrados em mãos não santificadas eles podem se transformar em ferramentas de Satã para corromper nossas almas.

Tome como exemplo a música pulsante do rock. O diabo está dizendo que nossos jovens têm que ter isso em suas vidas de forma irrestrita. Alguém, libertado disso recentemente, disse-me que 90% das letras têm a ver com sexo, drogas, e rebelião. Eu pergunto, “como isso pode ser bom para sua alma?” E quanto aos filmes? Talvez você esteja dizendo, “o que há de errado em assistir aos filmes?” Você sabe que eu não estou falando sobre “Anne of Green Gables” (clássico da literatura infantil canadense transformado em filme) e afins. Eu não sou tão ingênuo para pensar que os jovens querem ver esse tipo de filme. Vamos ser honestos, tais filmes são os últimos, dos que são anunciados nas revistas especializadas, que eles querem provavelmente ver. Nós todos sabemos que para vender filmes, atualmente e em geral, tem que ter crime, violência, uma cena de sexo, uma cena de perseguição e humor – alguns dos quais não são os mais limpos. As mulheres geralmente se vestem de maneira provocante, a linguagem é frequentemente má, e há geralmente alguma promiscuidade. Como podemos nós possivelmente pensar que, se nos alimentarmos deles, não haverá nenhum efeito em nós?

Se você olhar por trás dessas coisas, tais invenções são realmente o “golpe de mestre” de Satanás. Ele tem realmente enganado os Cristãos levando-os a pensar que necessitam todos esses mais recentes dispositivos. Fazem parte de seu plano mestre para desviar a atenção dos santos para muitas coisas, exceto para Cristo. Desse modo ele nos faz comer sua “carne”. Caros jovens, vocês percebem que essas coisas que o rei da Babilônia está lhes dando para comer são prejudiciais a suas almas? Consumindo sua energia espiritual, estragando seu apetite para coisas divinas, enganando suas almas, e impedindo-os de fazer progresso nas coisas do Senhor. Em toda minha vida eu nunca vi que qualquer um que se alimenta de tais coisas tenha qualquer apetite sério para a Palavra de Deus! Ou faça algum progresso significativo em suas almas! Isso não é uma coincidência: é a prova de que, quem se alimentar daquelas coisas será levado para longe do Senhor e de Suas coisas.

É realmente triste, mas muitos dos nossos jovens aceitaram de todo o coração as ofertas do rei da Babilônia e estão comendo sua “carne.” E os jovens não são os únicos, tampouco! O antigo provérbio que diz, “você é o que você come” é tão verdadeiro em coisas morais e espirituais como em coisas naturais. Aquilo que alimenta vocês intelectualmente dá forma à sua alma. Vocês se transformam moralmente no que vocês contemplam! Esse é um princípio de vida – seja para bem ou para o mal. A Escritura diz “Porque, como imaginou no seu coração, assim é ele” (Provérbios 23. 7). Assim, se aquelas coisas estiverem diante de sua alma, você certamente será afetado por isso – e não será para seu bem espiritual.

6) Ele Mudou os Nomes dos Jovens

Os versículos 6 e 7 dizem-nos que o rei de Babilônia fez uma coisa a mais – ele mudou os nomes deles. Fez isso de modo que a verdadeira identidade deles, como filhos de Israel, fosse escondida. Não queria que fossem reconhecidos, na Babilônia, como israelitas. Por exemplo, se alguém lá perguntasse o nome a um deles e ele dissesse, “Ananias”, seria imediatamente identificado como judeu. Seus nomes judeus eram provas inconfundíveis a respeito deles. Similarmente, hoje, se você encontrar um homem cujo nome seja Sol Goldstein, não precisa perguntar se ele é um judeu!

Da mesma maneira o diabo quer esconder nossa identidade como filhos de Deus. Não quer que nós nos apresentemos como Cristãos – que pertencemos ao Senhor Jesus Cristo. Aplica uma pressão incrível sobre os jovens para conformá-los ao mundo e a suas maneiras e para mantê-los calados. Quer nos misturar de modo que fiquemos parecidos com as pessoas deste mundo e que falemos como eles, e então não haverá nenhuma diferença externa ou visível. O resultado, naturalmente, é que não haverá nenhum testemunho rendido ao Senhor.

O diabo usa a pressão do grupo, por isso, talvez, vocês tenham receio de confessar o Senhor a alguém do grupo, pois, eles rirão de vocês. É completamente possível que isso aconteça. O diabo quer fazê-los sentir tal pressão, pois assim vocês se manterão quietos. Mas lembrem-se do aviso: “O temor do homem armará laços” (Provérbios 29.25). Se você caminhar sob a influência de pessoas mundanas, e não falar de Cristo para eles, você será responsável se cair nos laços de seus caminhos.

Há muitos cristãos “escondidos” hoje. O que eu quero dizer com isso é que há Cristãos que não têm a coragem moral e espiritual de levantar-se e declarar que pertencem ao Senhor. Mantêm seu Cristianismo no seu “esconderijo”. José de Arimateia era esse tipo de pessoa. Dizia que era “… discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus” (João 19.38). Estava receoso de identificar-se publicamente com o Senhor Jesus, assim manteve sua crença para si mesmo. (Compare também João 9.22 e 12.42.) Mas é agradável notar que quando viu o Senhor morrer na cruz, isso o afetou de maneira tão positiva que resolveu não ser mais um covarde espiritual. Saiu de seu “esconderijo” e identificou-se publicamente com o Senhor no enterro dele. Bastou um vislumbre dos sofrimentos de Cristo para que José de Arimateia mudasse seu comportamento. Que os sofrimentos de Cristo façam o mesmo em nós.

Nós nunca devemos recuar na questão de testemunhar para Cristo – nossos rostos brilharão e nós seremos felizes fazendo isso. O apóstolo Pedro disse, “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1 Pedro 4.14). Você provavelmente não notará, mas quando você confessa a Cristo diante de outro “o Espírito da glória e de Deus” repousará em você, e aquele a quem você fala verá um testemunho brilhante e reluzente.


Assim, nesses versos da abertura do livro de Daniel nós temos uma exposição detalhada das táticas de nosso inimigo com respeito à sua tentativa de tornar-nos inúteis no reino de Deus. O diabo está procurando:

1) Levar-nos para longe de apreciar nossa porção em Cristo.
2) Fazer-nos espiritualmente improdutivos.
3) Fazer-nos desperdiçar nosso tempo e energia edificando este sistema mundano.
4) Fazer-nos falar como as pessoas deste mundo.
5) Alimentar-nos com os entretenimentos deste mundo.
6) Pressionar-nos para não confessarmos a Cristo.


O SEGREDO DE DANIEL PARA VENCER

Como disse antes, eu quero olhar Daniel como um “homem do Deus”, o qual se posicionou acima das condições de seu dia como um vencedor, e como ele foi usado por Deus. Sua vida ilustra como nós devemos vencer em um dia mal. Eu gostaria de olhar algumas qualidades morais que o caracterizaram, fazer dele um modelo de superação e exibi-lo como aquele que nós devemos imitar. Afinal de contas, a Escritura nos encoraja a seguir a fé daqueles que andaram nessa senda antes de nós (Hebreus 13. 7).

1) Ele Teve um Exercício para Manter-se Separado da Corrupção da Babilônia

A primeira coisa que nós lemos sobre Daniel é que ele teve um exercício para não se contaminar com as coisas que o rei de Babilônia ofereceu para ele comer. No versículo 8 diz, “E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar”. Ele sabia pelas Santas Escrituras que aquelas coisas que o rei de Babilônia quis que ele comesse eram impuras e consequentemente proibidas para os filhos de Deus (Levítico 11. 1-47). Assim, agiu em simples obediência à Palavra de Deus, e não se contaminou com as coisas que o rei de Babilônia lhe ofereceu.

Caros jovens, os exercícios de Daniel vieram da vontade dele de agradar ao Senhor. Eu espero que vocês tenham um desejo de agradar ao Senhor em suas vidas. Isso veio do coração dele – é dito que ele “propôs em seu coração”. Todo exercício espiritual começa – no coração. O nosso coração pode ser inclinado de muitas maneiras e para muitas coisas, mas é bonito ver alguém que tem um coração que quer agradar ao Senhor. É bonito ver o Senhor tocar no coração dos jovens (irmão e irmã) e exercitá-los para andar em separação do mundo. 2 Coríntios 6.17-18 diz: “Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo- Poderoso”. Daniel agiu nesse princípio, e Deus o abençoou por isso. Os amigos: esses são os primeiros na questão do controle da separação. Esse exercício fez de Daniel um homem santo.

Vemos também que ele teve coragem de resistir e agir segundo suas convicções. Mas observe, não fez nada de maneira ofensiva, “jogando na cara” do chefe dos eunucos aquilo que cria. Está escrito “pediu”, a fim de que não se contaminasse com “a comida do rei”. Eu menciono isso porque é possível defender aquilo que é correto de uma maneira carnal, e o Senhor não Se identificará com tal atitude (Isaías 65.5). Mas Daniel não se comportou de tal maneira, e isso resultou no fato dele contar com o favor do chefe dos eunucos. Nós necessitamos andar em separação, mas isso não quer dizer que precisamos usar a antipática atitude de repreender.

Daniel teve muitas oportunidades de se justificar se quisesse ceder naquilo que estava em torno dele. Poderia ter usado grande número de argumentos plausíveis para acatar as demandas e os pedidos do rei – acredito que muitos de seus irmãos não o criticariam, porque estavam fazendo tais coisas (versículo 15). Por exemplo, poderia ter usado o argumento que, por terem sido conquistados deveriam se submeter ao rei e fazer o que ele disse. Afinal, Jeremias havia profetizado que quando fossem levados cativos para uma terra distante deveriam “procurar a paz da cidade” (Jeremias 29.7). Consequentemente, ele deveria concordar com aquilo que os babilônicos quisessem. Ou poderia ter argumentado que os princípios na lei de Moisés aplicavam-se, na realidade, somente aos filhos de Israel quando estavam na terra deles. No livro de Deuteronômio, onde Moisés deu várias ordens a respeito de como deveriam viver, diz especificamente, “quando entrares na terra…” E assim, como não estavam na terra deles, não seria necessário manter todas aquelas leis e os estatutos. Poderia ter feito um acordo e dito, “bem, meus irmãos estão fazendo isso (versículo 15), então farei o mesmo que eles e não causarei problemas”. Teria sido a maneira mais fácil de livrar-se, mas Daniel não o faria.

Nos versículos de 11 a 14 vemos que quando o exercício começou com Daniel, outros foram afetados. “Hananias, Misael e Azarias” tomaram coragem e juntaram-se a Daniel no exercício. Isso mostra que se nos levantarmos para o Senhor, Deus nos dará coragem para agir e pessoas com quem poderemos andar nessa senda. Isso mostra que nossas vidas afetam a outros seja para o bem ou para o mal. Independente de quão insignificantes possamos nos sentir, nossas vidas afetam outras de alguma maneira. Em Romanos 14.7 diz: “Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si”. Você pode não acreditar, mas sua vida está tendo um efeito sobre alguém! E eu pergunto: “Isso é para o bem ou para o mal?”

Nos versículos 15 a 20 vemos que Deus recompensou o exercício deles que se abstinham “da comida do rei,” o que se tornou evidente a todos. Primeiramente, a saúde deles ficou melhor. “Eles estavam mais gordos” do que todos os outros jovens que tinham se comprometido. Isso nos ensina que se abstendo da alimentação das coisas do mundo e se alimentando das coisas divinas, sua saúde espiritual – seu estado espiritual – será próspero. Em segundo lugar, Deus os recompensou com “conhecimento e habilidade” mais do que a todos os outros na Babilônia, e Daniel teve uma especial “compreensão em todas as visões e sonhos”. Isso significa que fizeram grandes ganhos espirituais. E eu ouso dizer que você ganhará espiritualmente também – tanto quanto for seu interesse intelectual nas coisas divinas.

Essas coisas eram preparatórias para Daniel ser usado pelo Senhor em Babilônia. Queridos jovens irmãos ou irmãs, o Senhor quer usá-los (as) em Seu serviço, e o início é o que vimos aqui. Você necessitará ter esse exercício que Daniel e seus três amigos tiveram. Em 2 Timóteo 2.19-21 diz: “Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade. Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra”. Essa passagem nos mostra que antes de sermos usados pelo nosso Mestre temos que nos purificar das coisas que representam uma desonra para Ele. Há, naturalmente, mais o que fazer além disso, como veremos nas características que se seguem e que marcaram a vida de Daniel, mas tudo começa por essa purificação.

2) Ele se Associou com Bons Companheiros

No capítulo 2 há o relato de uma crise no reino. Todos os profetas e adivinhos seriam mortos se o sonho de Nabucodosor não fosse tornado conhecido. Nos versículos 17 e 18 diz: “Então, Daniel foi para a sua casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, para que pedissem misericórdia ao Deus dos céus sobre este segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia”. Vemos que Daniel teve outra coisa que foi importante para vencer em um dia em que a massa do povo de Deus estava comprometida – isto é, tinha “companheiros” que tinham um exercício similar.

No capítulo 1 nos foi dito que a vida de Daniel tinha afetado outros jovens, mas agora lemos que eles passaram a ser “seus companheiros”. Ele buscou bons companheiros e andou com eles. É muito bom ter aqueles com quem vocês podem andar e em quem podem confiar. Todos querem ter amigos, mas o tipo de amigos que a Bíblia nos diz para ter são aqueles que estão interessados em viver de acordo com os princípios da palavra de Deus. No Salmo 119.63 diz: “Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos”. Há duas coisas nesse versículo que qualificam o tipo de companheiros que devemos ter. Primeiramente, deve haver “temor” de Deus em nossas vidas. Isto será evidente se queremos estar distantes do pecado. Provérbios 14.16 diz, “O sábio teme e desvia-se do mal”. No primeiro capítulo nós vimos que os companheiros de Daniel deram provas disso ao recusar a comida do rei. Se você souber de jovens que estão fazendo coisas erradas, isso é um sinal indicador de que eles não têm temor de Deus em suas vidas. As Escrituras são claras a respeito dessa questão quando fala que não devemos ser seus companheiros. E não pensem que vocês só encontram o pecado no mundo. A Palavra Deus diz, “No meio da congregação e da assembleia foi que eu me achei em quase todo o mal” (Provérbios 5.14). Podemos encontrar tal coisa entre o povo do Senhor! Lembrem-se, estamos em dias de ruína da profissão cristã. Então, a segunda coisa que deve marcar alguém que seria um bom companheiro é que ele terá um exercício para manter os “preceitos” da Palavra de Deus. Os preceitos são os menores detalhes de Sua Palavra. Isso aponta para uma obediência rigorosa à Palavra de Deus. Se virem essas duas coisas em um crente, podem estar certos que ele será um bom companheiro para vocês. Agora posso lhes perguntar: “Que tipo de companheiros vocês têm? São aqueles que os ajudarão a seguir adiante? Ou são os que representam um impedimento mais do que qualquer outra coisa?” E posso ainda perguntar, “que tipo de companheiro temos sido para nossos amigos?”


Há boas e positivas razões pelas quais vocês devem procurar bons companheiros, e eu gostaria de mencionar algumas delas.

1) Encorajamento.

Em 1 Samuel 14.6 – 7 diz, “Disse, pois, Jônatas ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura, operará o SENHOR por nós, porque para com o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos. Então, o seu pajem de armas lhe disse: Faze tudo o que tens no coração; volta, eis-me aqui contigo, conforme o teu coração”. Aqui temos um exemplo de como um amigo pode nos ser um encorajamento. Jônatas desejou fazer um trabalho para o Senhor e para a libertação de Seu povo. Saiu com seu pajem a fim de impedir a entrada dos filisteus em sua terra. Mas quando estava a ponto de pôr seu plano em ação, teve, aparentemente, outro pensamento, e considerou desistir dele. Foi quando seu pajem o pressionou e o incentivou a ir adiante. Isso é o que os bons companheiros farão para vocês.

2) Preservação.

Em 1 Samuel 25.14 – 16 diz, “Porém um dentre os jovens o anunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que Davi enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém ele se lançou a eles; Todavia, aqueles homens têm-nos sido muito bons, e nunca fomos agravados deles, e nada nos faltou em todos os dias que conversamos com eles, quando estávamos no campo: De muro em redor nos serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que andamos com eles apascentando as ovelhas”.

Essa é parte de uma história dos feitos de Davi e de seus homens poderosos. Davi é um tipo de Cristo. Aqueles que viveram e andaram com ele são uma figura dos crentes fiéis que andam na companhia do Senhor Jesus Cristo. São esses tipos de companheiros que devemos ter. Os moços de Nabal concluíram que ao manter a companhia dos moços de Davi estariam seguros dos perigos no deserto. Relataram a Abigail que os moços de Davi eram como “um muro” para eles. Um muro nas Escrituras fala de separação e de proteção. A lição aqui é que se nós nos cercarmos com bons companheiros -aqueles que andam com Senhor- seremos preservados dos perigos do mundo. Há proteção na companhia de cristãos fiéis e piedosos.

Ter amigos como os homens de Davi será definitivamente uma ajuda em sua vida espiritual. Por exemplo, vocês podem ser tentados a fazer algo errado num assim chamado “momento de fraqueza”, mas os bons companheiros os ajudarão a agir de forma correta. Ou, se forem levados pela correnteza e andarem fora dos trilhos, seus companheiros piedosos os alcançarão e os avisarão dos perigos para os quais vocês estão sendo levados. Alguém que seja verdadeiramente amigo não os deixarão ir até o fim sem um aviso. Diz nas Escrituras: “Leais são as feridas feitas pelo amigo” (Provérbios 27.6). Essa é uma proteção que faltará se vocês andarem com companheiros descuidados.

3) Ajuda e Instrução Espirituais.

Em Josué 14.12-13 lemos: “Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou aquele dia; pois naquele dia tu ouviste que estavam ali os anaquins, e grandes e fortes cidades. Porventura o SENHOR será comigo, para os expulsar, como o SENHOR disse. E Josué o abençoou, e deu a Calebe, filho de Jefoné, a Hebrom em herança”. E no capítulo 21.12 – 13 diz: “Porém o campo da cidade, e as suas aldeias, deram a Calebe, filho de Jefoné, por sua possessão. Assim aos filhos de Arão, o sacerdote, deram Hebrom, cidade do refúgio do homicida, e os seus arrabaldes, Libna e os seus arrabaldes”. Os filhos de Israel deram a Calebe a oportunidade de ter a parte da herança que quis, e ele escolheu “Hebrom”. Hebrom significa comunhão. Isso não é encantador? No capítulo 21 nós aprendemos que Hebrom era a cidade onde os sacerdotes viveram! Os sacerdotes eram aqueles que viviam e trabalhavam na presença do Senhor no santuário. Quando estavam fora de seus deveres no tabernáculo (e mais tarde no templo), viviam nessa cidade. Isso significa que Calebe esteve cercado literalmente por sacerdotes. Essa, pois, é a boa companhia para se ter por perto! Isso mostra que ele teve um exercício para andar na companhia de sacerdotes!

Todos têm necessidade de companheiros deste tipo – que possam ser uma ajuda espiritual. A Bíblia diz: “Como o ferro com ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo” (Provérbios 27.17). Isso significa que a troca de pensamentos e exercícios entre amigos que querem andar nos caminhos do Senhor, nos tornam mais afiados em nossa espiritualidade e também mais equilibrados em nossas vidas.

4) Suporte em Tempos de Provação.

Em Jó 6.14 nós lemos: “Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão”. Este é outro grande benefício que temos em ter bons companheiros – solidariedade e suporte em época de provação! Jó se queixava de que seus amigos não lhe davam isso, e no capítulo 42. 7-9 nós aprendemos que estavam definitivamente no erro. Certamente é uma ajuda positiva ter companheiros piedosos – que compreendem as nossas provas da fé e tudo o que estamos passando – aqueles em quem podemos confiar. O perigo na provação é ficarmos tão para baixo que nossa fé pode falhar até o ponto de querermos desistir. Mas que bom é ter companheiros que podem nos levantar num sentido espiritual! Assim, o que eu estou dizendo aqui, amigos, é que vocês devem se cercar de outros cristãos que têm esse desejo de caminhar com o Senhor. Isso será uma ajuda e uma bênção na vida de vocês. Se a separação do mal fez de Daniel um homem santo, o bom companheirismo fez dele um homem feliz.


3) Dedicou Tempo Ficando a Sós com o Senhor em Oração

No sexto capítulo de Daniel vemos outra característica na vida de Daniel que foi essencial para ele vencer – dedicou tempo sozinho em oração. Diz em Daniel 6.10, “Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa (ora havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer”. Isso mostra que Daniel teve uma vida secreta de oração que o sustentou nessa terra ímpia. O fato que era “… como antes costumava fazer” indica que era um hábito em sua vida. Que bom ter esse tipo de hábito! O salmista disse, “De tarde e de manhã e ao meio dia orarei; e clamarei, e ele ouvirá a minha voz” (Salmos 55.17). Ele orava três vezes ao dia, assim como Daniel! Talvez Daniel tenha aprendido com esse salmo a respeito da oração, o que nos mostra que ele era um homem dependente.

A oração é baseada no privilégio de ter interesses comuns com Deus. É a expressão da nossa dependência Nele para todas as nossas necessidades. Diz em Mateus 6.8, “…vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes”. Ele sabe exatamente o que nós necessitamos, mas quer que tenhamos comunhão com Ele a respeito de todas as coisas que tocam nossas vidas. Quer que nós “derramemos” nosso coração diante Dele e contemos a Ele como nos sentimos a respeito de tudo o que passamos (Salmos 62.8). Propagandas das operadoras de telefonia alardeiam ter as melhores conexões wireless. Mas isso não é verdade, pois a oração é a melhor conexão wireless! Triste dizer que alguns cristãos parecem não acreditar nisso, pois usam a oração como um extintor de fogo: “Para uso de emergência somente!” Mas essa não é a intenção de Deus. Há uma história de um menino pequeno a quem foi perguntado se tinha orado naquele dia. Ele respondeu, “Não”. Quando lhe perguntaram por que, ele disse, “eu não precisei de nada”. Alguns de nós somos como ele: vamos ao Senhor somente quando necessitamos algo. Entretanto, a oração é muito mais do que apenas pedir coisas. É o recurso vital para nossa comunhão com o Senhor. Ele é o melhor Amigo que você terá sempre! E sendo assim, você irá querer passar tempo com Ele.

Nós necessitamos olhar para o Senhor todos os dias de nossas vidas buscando Sua ajuda. O próprio Senhor é nosso exemplo. Ele orava todos os dias, “Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio” (Salmos16.1). Se sairmos cada dia sem orar e sem confiar nosso caminho ao Senhor, podemos estar certos que cometeremos erros na vida, pois, necessitamos a ajuda do Senhor. Devemos sentir nossa fraqueza e nossa necessidade Dele, e olhar para Ele para nossa orientação.

O cristão que vive sem orar está sem comunhão. Pode não dizê-lo, mas confia em suas próprias habilidades de orientar-se a si mesmo através da vida e não acredita que necessita entregar seu caminho ao Senhor. Nos caminhos de Deus terá que ser ensinado quanto à dependência no Senhor. E isso provavelmente envolverá uma queda permitida por Deus, de modo que experimente uma amarga tristeza ligada ao fato de andar em seus próprios caminhos.

É triste, mas parece que muitos cristãos não pensam que a oração é tão importante. Se você não acreditar, tudo o que você tem que fazer é verificar o comparecimento em reuniões de oração programadas e você saberá o que quero dizer. Acontece o mesmo através de todo o país – nas denominações e com aqueles reunidos ao nome do Senhor, e todo cristão reunido entre eles – reuniões de oração são pouco frequentadas. Aparentemente os cristãos de hoje não pensam na importância que é ir a tais reuniões e derramar seus corações de forma coletiva, o que mostra o estado de fraqueza da igreja.

As Condições Morais para a Resposta da Oração

Uma boa consciência (Hebreus 13.18; 1 João 3.19-22). Nós mantemos uma boa consciência confessando e abandonando todo o pecado conhecido (1 João 1.9; Provérbios 28.13). Comunhão (João 15.7). O Senhor disse, “Se vós estiverdes em mim… pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. Na medida em que andamos em comunhão com o Senhor, nós discerniremos o que está em Seu coração e o que Ele está prestes a fazer, e nossa oração será adequada. Inteligência (João 15.7). O Senhor disse, “Se… as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. Enquanto lemos a Palavra de Deus aprendemos Seus princípios, e assim, oraremos de acordo com Sua vontade (1 João 5.14-15). Confiança (Fé) (Mateus 21.22). O Senhor disse, “E, tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis”. Muitas vezes oramos, mas não acreditamos que teremos a resposta (Tiago 1.6-7; Atos 12.5,12-17). Precisão (Lucas 11.5). Nós precisamos ser específicos. Muitas vezes nossas orações são muito vagas. O homem que foi a seu vizinho disse: “Amigo, empresta-me três pães”. Importunação (Lucas 11.8). O que é urgente e feito com seriedade. Porque nós esperamos a resposta, Deus usa esse exercício para humilhação de nosso espírito e para corrigir nossas atitudes, se for necessário (Daniel 10.12). Perseverança (Efésios 6.18). Nós desistimos muito rapidamente, mas precisamos “perseverar em oração” (Colossenses 4.2). Paulo falou sobre o combate juntos em oração. Eu penso que nós não sabemos muito sobre o que isso significa (Rom.15.30). Neemias perseverou em oração por 4 meses antes de ver uma resposta (Neemias 1. 1, 5; 2. 1-8).

Coisas sobre as Quais Podemos Orar

Para o perdão dos pecados – se você não for salvo (Salmos 32. 5-6).

Para que a vontade de Deus seja feita na terra de acordo com Seu propósito (Lucas 11.2). Para expressar nossa dependência de Deus por causa das nossas necessidades diárias (Lucas 11.3).

Para que não entremos em tentação (Lucas 11.4; 22.40).

Para o perdão governamental, para nós mesmos (Lucas 11.4) e para outros (2 Timóteo 4.16-17), se eles ou nós falharmos, que haja restauração (1 João 1.9).

Para sabedoria, orientação e ajuda em assuntos práticos na senda da fé (Tiago 1.5).

Para o crescimento da compreensão dos santos e o progresso prático na verdade (Efésios 1.15-20; 3.14-21; Col.1. 9-12).

Para aqueles que estão doentes e sofrendo (Tiago 5.14). Para que o Senhor da seara envie obreiros (Mateus.9. 38).

Para os servos do Senhor que pregam o evangelho (Efésios 6.18-20).

Para misericórdia em suas viagens (Marcos 13.18). Para os reis e todos aqueles que tenham autoridade (1Timóteo 2.1-2).

Para aqueles que nos acusam falsamente (Lucas 6.28). Para paz no centro divino de comunhão (Salmos 122.6; Mateus 18.20).

Para um reavivamento do interesse entre o povo do Senhor (Salmos 81.3 4).

O tempo que Daniel passou sozinho com o Senhor em oração deu a ele, mais do nunca, uma profunda convicção, pois fez dele um homem devotado. Deu-lhe força para sair e falar corajosamente ao rei, como podemos ver no capítulo 5.13 – 28. Saiu da presença secreta do Senhor e falou ao rei sem nada amenizar. Disse ao rei da Babilônia, de forma direta, a verdade do julgamento que pairava sobre seu reino.

4) Ele Era um Estudante da Palavra de Deus

No capítulo 9.1 – 2 está escrito: “No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos”. Isso nos diz que Daniel era um estudante da Palavra. Essa é outra coisa que é essencial para vencer – a compreensão da palavra de Deus. Isso não acontece de um dia para o outro, mas vem somente através da busca diária na palavra de Deus, e nos lembramos de Bereia onde “foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17.11).

Lendo os escritos do profeta Jeremias, Daniel aprendeu algumas coisas valiosas que lhe deram uma compreensão dos tempos em que viveu. As três passagens que leu foram: Jeremias 24.5 – 10; 25.9-14; 29.10-14. Daniel aprendeu que “setenta anos” se completariam e seria o fim do cativeiro, quando então os judeus poderiam retornar à sua terra. Era “o primeiro ano de Dario” quando aprendeu isso, e era o 68º ano do cativeiro. Isso significava que haveria dois anos ainda até que os judeus estivessem livres do cativeiro na Babilônia. Assim, ao ler as Escrituras, Daniel soube que Deus estava a ponto de fazer algo a favor de Seu povo. Isso fez de Daniel um homem esclarecido.

Ter compreensão dos tempos em que vivemos é muito importante para vencer. Nós necessitamos saber sobre o dia em que vivemos, assim, não estamos em tempos de Pentecostes, mas estamos no fim da dispensação do dia do graça, não no começo. As coisas no testemunho Cristão estão em ruína, e não ficarão melhor. Paulo disse a Timóteo que nos últimos dias “…os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3.13).

Nós vivemos nos últimos dias do testemunho, havendo ainda um pequeno testemunho na terra da verdade de como os cristãos devem se reunir para a adoração e o ministério. Nós necessitamos buscar na Palavra para ver a ordem de Deus para a adoração e o ministério, fazendo dela nosso guia. Quando nós comparamos a ordem de Deus nas Escrituras com o que vemos em torno de nós hoje no mundo cristão, nós veremos claramente que não há muita coisa de acordo com a Palavra. E, se estivermos exercitados sobre estar onde Deus quer que estejamos, tanto quanto em tudo o que diga respeito a isso, acredito que Deus lhes mostrará. Eu tenho ouvido que alguns dizem: “eu não sou um leitor” – como se isso os absolvesse da leitura da Palavra de Deus ou de qualquer outro ministério escrito. Bem, Daniel o vencedor, era certamente um leitor! Se vocês quiserem ser vencedores nestes dias, precisam começar a ler a Palavra também. Eu espero que vocês estejam lendo a Palavra diariamente. Se estiverem tendo problemas com falta de concentração e de interesse, eu acredito que se perseverarem, Deus aumentará sua vontade para ler mais. Aprofundará seu interesse e sua compreensão, e vocês crescerão nas coisas divinas. Também os fará eficazes no serviço do Senhor. Há muito que está sendo feito hoje para Deus, mas isso não é de Deus. O que eu quero dizer é que muito do serviço que está sendo conduzido hoje é feito na ignorância dos propósitos de Deus. Alguns deles são contraproducentes. Pode ser bem feito, mas não está de acordo com Sua Palavra. Paulo disse: “Se um homem também milita, não é coroado se não militar legitimamente” (2 Timóteo 2.5). Isso significa que nós devemos trabalhar no serviço do Senhor de acordo com o plano divino – a Palavra de Deus – se nós estivermos indo obter uma recompensa. Se vocês aplicarem seu tempo aprendendo a verdade, serão muito mais eficazes no serviço ao Senhor (Atos 18.24 – 28).

5) Ele Teve a Glória de Deus Final Diante de Sua Alma

Mais adiante, no capítulo 9, vemos que Deus deu a Daniel uma compreensão de suas futuras atividades com seu povo Israel no que foi chamado as “setenta semanas” de Daniel. Nós não o leremos agora, mas isso está nos versículos 20-27. Os estudantes da Bíblia dedicaram um estudo profundo a esses versículos e aprenderam muito sobre o futuro deste mundo – em particular, a Grande Tribulação. Nós faríamos bem em estudá-los também.

Essas coisas permitiram a Daniel ver o final glorioso que Deus dará a Seu povo Israel e tudo o que lhe diz respeito. Teve uma visão, por assim dizer, diante de sua alma que lhe deu energia para continuar na senda da fé por muitos anos, sendo um testemunho fiel do Senhor. E isso o fez um homem útil.

Nós necessitamos também ter, diante de nossas almas, esse final glorioso que virá de Deus. Certamente, o propósito de Deus para Israel e para a igreja é completamente diferente um do outro, mas nós devemos ainda ter nossos pensamentos projetados no futuro e ver o final glorioso que Deus dará para a Igreja, e então, servirmos a Ele até o fim. Qual é o propósito de Deus para a Igreja? É glorificar a Cristo no dia de Sua vinda visível, conhecido como o Milênio. Naquele dia, Deus mostrará a glória de Cristo diante deste mundo através da Igreja! (2 Tessalonicenses.1.10; Apocalipse 21.9 – 22.5) A Igreja no seu glorioso estado transmitirá a glória de Cristo para a terra – e eu ouso dizer, para todo o universo. E Deus será glorificado em Cristo nas duas esferas – no céu e na terra (Efésios1.10).

Se nós tivermos esse final diante de nossas almas, e tudo o que lhe pertence, acredito que teremos, agora, energia no serviço do Senhor. Há muito a fazer, ajudando e instruindo aos santos, edificando-os “na santíssima fé”, etc. Deus os quer tomando parte de Seu trabalho, mas se vocês forem vencidos pelas coisas que os cercam e absorverem essas coisas, vocês serão completamente inúteis em Seu serviço. Por outro lado, se vocês tiverem as características morais de Daniel em suas vidas, serão vencedores em todo o sentido da palavra – e vocês serão usados pelo Senhor em Seu serviço hoje. Possa Deus dar a vocês a graça para agir assim.


RESUMO DOS EXERCÍCIOS MORAIS DE DANIEL

1. O exercício para manter-se separado da contaminação da Babilônia o fez um homem santo.
2. Cercar-se de bons companheiros que eram “da mesma fé preciosa” o fez um homem feliz.
3. Criar o hábito de orar ao Deus do céu o fez um homem dependente.
4. Ser um estudante da palavra de Deus o fez um homem esclarecido.
5. Ter o final glorioso das coisas de Deus diante de sua alma o fez um homem dinâmico e útil.

 

B. Anstey
(Adaptado)
Christian Truth Publishing
12048-59th Ave.
Surrey, BC V3X 3L3
CANADÁ

A graça restauradora de Deus

A graça restauradora de Deus

W. T. P. Wolston

Prefácio

Tem-se visto muitos verdadeiros cristãos frequentemente perturbados devido ao errôneo ensinamento tratado neste livro. Temem poder voltar para onde vieram e perder a salvação. Isto tem levado muitas almas ao desespero, quando deveriam recordar que o mesmo Senhor garantiu segurança eterna. A segurança deles está em Suas mãos, e nas mãos do Seu Pai, das mãos de Quem ninguém – nem homem, nem diabo – pode jamais arrebatar a nenhum dos Seus redimidos. Ele e o Pai são um só (João 10:17-30).

Sem dúvida, é possível que almas verdadeiramente salvas tornem-se frias em suas afeições para com Cristo e abandonem seu primeiro amor (Apocalipse 2:4). Este é o início do declínio, e imediatamente outros passos se seguem, até que o crente perca o gozo da salvação e ande por um caminho que desonra o seu Senhor, e finalmente atrai dor e prejuízo em sua própria vida, conforme o governo de Deus para com Seus filhos.

Porém, há restauração para estas as almas. O Senhor está sempre disposto a restaurar o santo que fracassa. Até mesmo Pedro em seu fracasso nunca perdeu a salvação, ainda que tenha fracassado da maneira mais triste, porém, quando restaurado o Senhor recomendou Seus preciosos cordeiros e ovelhas aos cuidados dele para pastoreá-los e apascentá-los.

Este livro que sai em nova edição está cheio de ministério consolador, animador e instrutivo que recomendamos aos cristãos. Os seis capítulos que aqui apresentamos são as notas de seis reuniões do bem conhecido servo de Deus, W.T.P. Wolston, M.D. Que o Senhor possa utilizar estas reuniões aqui transcritas para benção dos Seus.

Paul Wilson


CONTEÚDO

Capítulo

1 Infidelidade de Coração
2 Apartando-se do Caminho
3 Confissão e Purificação
4 Ministério de Restauração
5 Ministério de Prevenção
6 Cardos e Espinhos: ou a Apostasia


A GRAÇA RESTAURADORA DE DEUS

CAPÍTULO 1

Infidelidade de coração

Jeremias 2, 3, 4

No capítulo 14 de Provérbios lemos: “ Dos seus caminhos se fartará o infiel de coração, mas o homem bom se fartará de si mesmo.” Versículo 14, A.R.C. 2009. Tenho muito em meu coração, e creio ser da parte do Senhor, o tema da recaída no pecado que podemos ver em várias passagens do Novo Testamento. E me parece que isso tem a ver conosco, pois não precisamos ir muito longe para encontrar tal coisa em nossa própria história.

As passagens citadas no topo deste capítulo dão um bonito desenvolvimento da profunda angústia que é para o Senhor o fato de que Seu povo não O procure. E isto é sempre certo como princípio. Ah! Amados, nada pode satisfazer o coração de Jesus como nos ter, a você e a mim, perto dEle! E nada pode satisfazer os nossos corações se não estivermos perto dEle, porque “ Dos seus caminhos se fartará o infiel de coração.” Não fala do infiel em pecado exteriormente, e sim do infiel de coração.

Deus é muito sábio em dizer: “Sobretudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.” (Prov.4:23) A.R.C. 2009. Assim o homem é, “como imaginou na sua alma, assim é; ele te dirá: Come e bebe; mas o seu coração não estará contigo”. (Prov. 23:7) A.R.C. 2009. Não é o que eu faça, nem o que diga : é o que realmente sou, é o que meu coração é, é aquilo em que tenho posto minhas afeições. Vivemos em dias em que a inteligência está muito à frente das afeições. Não falarei de forma desconsiderada se digo que o motivo da ausência de poder espiritual é o orgulho do coração. Por isso, quero dizer na presença de Deus, cuidemos para não cair em pecado em nossos corações. Que Deus veja autenticidade em nós.

Agora examinemos estes três interessantíssimos capítulos em Jeremias. Eles nos mostram como, em épocas passadas, Deus tinha um povo a quem amava com um amor muito profundo – um amor expressado de forma contínua. Mostra também a linda forma com que Ele ganha outra vez Seu povo, depois que eles haviam se apartado dEle. Nada poderia ser mais comovedor,. considerando a profunda afeição de Deus para com Seu povo! Naquele mesmo povo, podemos ver uma figura dos nossos próprios corações; e a única maneira, quando nos apartamos de Deus, de voltar para Ele.

É bem certo que a maneira com que Deus trata com um desviado não é mesma com que nós trataríamos. A maneira de Deus é bonita e perfeita. Nos dias de Josias houve um grande avivamento aparente (II Coríntios. 34; 35). Mas Deus vê o interior, e podia ver que tudo era fingimento. “E, contudo, nem por tudo isso voltou para mim a sua aleivosa irmã Judá com sincero coração, mas falsamente, diz o SENHOR” (Jeremias 3:10). O avivamento não foi genuíno. Por isso Jeremias foi designado para proclamar esta palavra a eles.

“E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo. Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da beneficência da tua mocidade, e do amor dos teus desposórios (juramento de casamento), quando andavas após mim no deserto, numa terra que se não semeava. Então Israel era santidade para o SENHOR, e as primícias da sua novidade: todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o SENHOR.”(Jeremias 2:1-3). Oitocentos e cinquenta anos havia passado desde que aquele povo, em obediência a Deus, tinha virado as costas para o Egito e para suas panelas de carne, e saído após o SENHOR. Eram, então, santos para JEOVÁ. Um povo separado para o SENHOR, como nos diz o terceiro versículo. Que prazer ver as afeições da alma, e a energia e o fervor que marcam um recém-convertido. Porém, você, velho, frio, cristão crítico, pensa que seu coração está tão exuberante agora como estava no primeiro mês após receber a salvação? Oh! Dirias, agora muito mais! Porém, é sincero o amor por Jesus, o deleite em Jesus, a santidade prática, e o desejo de ser qualquer coisa e tudo por Jesus, o mesmo de antes? Você pode ter esquecido aquele estremecimento do primeiro amor, mas Deus não o esqueceu. Ele diz: não esqueci teu primeiro amor. “Lembro-me de ti, da fidelidade da tua juventude, do amor do teu desposório, quando andavas após mim.” Aonde? Em um deserto. Quando cruzaram o Mar Vermelho se encontraram em um deserto. E o que havia no deserto? Somente duas coisas. O quê? Deus e o seco e árido terreno, nada mais. Não havia uma lâmina de grama, não havia água, nem o que comer. Tinham somente a Deus e a árida terra.

Acredito que o segundo capítulo de Jeremias é muito parecido com o segundo de Apocalipse. O Senhor disse ali à Igreja em Éfeso, “Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade (o teu primeiro amor)” (Apocalipse 2:4). Não diz “perdido teu primeiro amor”. Não acredito que este seja um pensamento bíblico. Trata-se de haver “deixado teu primeiro amor”. E Aquele Bendito que ama em Apocalipse 2 disse: “Algo se interpôs, que eclipsou a Mim, e a todas as tuas afeições por Mim, e o interesse por Mim se dissipou, e agora pode seguir sem Mim, mesmo que não tenha sido sempre assim”. Ah, amados irmãos e irmãs! Onde estão nossas almas com respeito a Cristo? Bom, se a consciência inquieta-se, e o coração está sensível diante de algo em declínio, é muito importante que o saibamos.

O grande pecado de Israel era a decadência que existia, porém eles não sabiam. Deus já havia Se dirigido a eles anos antes mediante outro profeta, Oseias, dizendo, “Efraim com os povos se mistura; Efraim é um bolo que não foi virado. Estrangeiros lhe comeram a força, e ele não sabe; também as cãs se espalharam sobre ele, e não sabe.” (Oseias 7:8-9). Quando um homem vê cabelos grisalhos sobre a sua cabeça, está consciente de que sua idade e velhice, estão próximas. Foi assim com Israel: as dez tribos (que nos profetas recebem o nome de Efraim) já havia declinado atrozmente, mas não o sabiam.

Deixe-me implorar a todos, especialmente aos jovens ouvintes, que vos guardeis da infidelidade. O primeiro movimento para que isso aconteça é quando algo se coloca como obstáculo para dificultar a alegria do amor de Cristo, o vosso coração perde a doce consciência do Seu amor e da Sua graça. Esqueceram-se dEle? De qualquer forma Ele não Se esquece de vocês. Acredito que Paulo nos expõe este mesmo pensamento ao dizer: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como esposa virgem pura a um marido, a saber, a Cristo. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte (maneira) corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” (II Coríntios 11:2-3). Era uma grande preocupação do amado apóstolo naquele tempo, que nada se entremetesse para fazer Cristo menos precioso aos seus olhos. E disse também aos Tessalonicenses: “Porque agora vivemos, se estais firmes no Senhor” (I Tessalonicenses 3:8). Se vos afastardes, disse Paulo, morrerei de dor. Caíram estas linhas em mãos de alguém que se afastou? Ouço-te dizer, a ti mesmo, me afastei do Senhor? Bom, espero que o saibas e o reconheças. Nem sempre o sabemos. O Senhor sabe, e sempre quer que voltemos para Ele. Para isso, por acaso faz uma crítica severa? Não. Pode ser que tenha que admoestar e disciplinar. Porém, faz a restauração por Sua Palavra. O Senhor diz: Não esqueço vossa devoção; pode ser que a tenhas esquecido, mas para Mim foi algo doce, disse o Senhor, porque nunca me esqueci de quando veio a Mim, e Eu era tudo para você. Através de palavras parecidas às ditas anteriormente Ele buscava recuperar Israel e, amado amigo, o Senhor é o mesmo hoje! É o mesmo ontem, hoje, e eternamente!

Quando Israel saiu do Egito tinha profunda consciência do cuidado e da proteção que Deus lhe dava. “Assim diz o Senhor: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim, indo após a vaidade, e tornando-se levianos? E não disseram: Onde está o Senhor, que nos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de charnecas e de covas por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava, e na qual não morava homem algum”(Jeremias 2:5-6). Que súplica comovente o Senhor apresenta diante do povo! Por acaso Ele mudou daquele tempo até então? Não, não mudou da Sua Parte! Eles haviam perdido a Sua presença, e estavam insensíveis à perda. “E não disseram: Onde está o Senhor, que nos fez subir da terra do Egito?” Todos juntos tinham esquecido a graça do Senhor, e a Sua bondade.

Neste momento vem a acusação que Deus faz a eles. “E eu os introduzi numa terra fértil, para comerdes o seu fruto e o seu bem: mas quando nela entrastes contaminastes a minha terra, e da minha herança fizestes uma abominação.” (Jeremias 2:7). Ele os havia tirado do Egito, e os havia introduzido em Canaã, porém, por algum motivo eles perderam o contato com Deus, e caíram em grosseira idolatria. “Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da Lei não me conheceram, e os pastores prevaricaram contra mim, e os profetas profetizavam por Baal e andaram após o que é de nenhum proveito.” (Jeremias 2:8). Tal era o caído estado de Israel. Os sacerdotes, os pastores, os profetas, e o povo, todos igualmente esqueceram-se do Senhor. Temos aqui o que poderíamos chamar de um claro distanciamento de coração. E hoje, quantos crentes não se acham neste estado!

Se o gozo do amor de Cristo desapareceu, meu querido amigo, estás em um estado de alma muito miserável. Tua vida está em um estado muito, muito triste. Sim, mas agora pare, pois o Senhor deseja que estejas em um bom estado, assim como Ele quis trazer Israel a uma correta condição.

E então Ele disse: “Portanto ainda pleitearei convosco, diz o Senhor; e até com os filhos de vossos filhos pleitearei. Porquanto, passai as ilhas de Quitim, e vede; e enviai a Quedar, e atentai bem, e vede se sucedeu cousa semelhante. Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto não serem deuses? Todavia o meu povo trocou a sua glória pelo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor. Porque o meu povo fez duas maldades: A mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”. (Jeremias 2:9-13). Esta é a Sua súplica . O que as nações jamais fizeram – os pagãos – o Meu povo fez? Meu povo trocou sua glória por aquilo que não se aproveita. Tudo o que nos é de proveito está nas Escrituras e o que se aproveita é o ponto importante. Se você se afastou de Deus, por acaso foi para seu proveito?

As coisas do tempo e dos sentidos, os negócios, os deveres, e inclusive os cuidados com a vida, são coisas que temos que enfrentar. Porém, se eclipsam a Cristo, são proveitosas? Pergunta ao teu próprio coração. Ele te dirá um redondo, NÃO! Temos na Bíblia uma palavra notável: “E Ele satisfez-lhes o desejo, mas fez definhar as suas almas.” (Salmo 106:15). Desejas o mundo? O terás. Deus nunca exige devoção. Os dois que iam a Emaús tiveram que persuadir a Cristo para que ficasse com eles. Cristo nunca imporá Sua companhia. Eles O constrangeram a entrar, “e entrou para ficar com eles.”(Lucas 24:13-32). Certo, primeiramente é o amor de Cristo que nos constrange, porém, Ele deseja que O apreciemos.

Meu amigo, não existe alimento para a alma, nem paz, nem repouso, fora de Cristo. Pode ser que te encontres apoiado no mundo; pode ser que tenhas conseguido as coisas que buscava nele. Porém, qual foi o preço que pagou por tudo isso? O que dizer do Senhor, do amor do Senhor, da companhia e da comunhão do Senhor, e o sentir em tua alma de que está nesta cena por Ele? Se perder isto, não há proveito algum. Não é extraordinário que Deus chame os céus que contemplam assombrados um povo que O deixou? (Jeremias 2:12). “…a Mim Me deixaram, o manancial de águas vivas.” (Jeremias 2:13). Ah, que título maravilhoso, “manancial de águas vivas”! Que maravilhoso é estarmos relacionados ao manancial de águas vivas! Como Deus traz a Ele mesmo diante de nós com todo o frescor da Sua graça, e com a energia viva do Seu amor! “…e cavaram cisterna, cisternas rotas, que não retêm as águas.”(Jeremias 2:13). Cisternas rotas! Não importa se são grandes ou pequenas. O ponto crucial é que, se minha cisterna não é Cristo, é uma cisterna rota. Oh, quantos santos estão atualmente buscando beber de cisternas rotas! Uma cisterna rota não pode reter água. Nada que não seja Cristo poderá satisfazer minha sede.

Esta acusação vem seguida de uma comovedora pergunta: Israel é servo? É Escravo? “Por que pois veio a ser presa?” (Jeremias 2:14) Como pode ser assim? “…do Egito chamei a meu filho.”(Êxodo 4:23; Oseias 11:1). Havia sido escravo, e Deus havia dado a liberdade. “Por que pois veio a ser presa?” (Jeremias 2:14). Por acaso Israel sendo livre, e no conhecimento do amor de Deus, há de voltar à escravidão?

Aconteceu assim no caso de Israel, e em retribuição, angústias e dores vieram sobre eles em juízo. Tudo foi consequência dos seus próprios atos. Que Deus nos guarde da infidelidade. Seja você quem for , viva decididamente para Cristo, imploro, e não permitas que seu coração se aparte dEle.

Leia cuidadosamente este segundo capítulo. Observe você mesmo como Deus busca chegar à consciência e também ao coração. “Porventura não procuras isto para ti mesmo, deixando o Senhor teu Deus no tempo em que Ele te guia pelo caminho?” (Jeremias 2:17) Tudo o que lhes sobreveio foi fruto de suas próprias ações. “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.”(Gálatas 6:7-8). Não podemos semear um punhado de sementes sem obter a consequente colheita que aquela semente produz. Se virem dores e provas, da onde veem? Veem de alguma semente que plantamos há muitos, muitos anos, quando estávamos longe do Senhor. Se voltei para Ele, posso perguntar-me qual será a planta que estou plantando, porém não posso esquecer que eu semeei a semente. “Agora, pois, que te importa a ti o caminho do Egito, para beberdes as águas de Sior? E que te importa a ti o caminho da Assíria, para beberes as águas do rio?” (Jeremias 2:18). Depois da sua redenção, nem Egito, nem Assíria, tiveram nada a ver com Israel até que Israel se apartou de Deus. Porém seus corações, longe de Deus, desejavam más companhias, e receberam sua recompensa correspondente. É com toda verdade que Deus disse: “A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias (rebeldias) te repreenderão: sabe, pois, e vê, que mau e quão amargo é deixares ao Senhor teu Deus, e não teres o Meu temor contigo, diz o Senhor Jeová dos Exércitos.” (Jeremias 2:19). Infidelidade, esta palavra implica num abandono ativo de andar com Deus para seguir os próprios caminhos. Encontramos também uma palavra derivada, infiel, no capítulo 3 versículos 6, 8, 11, 12, 14 e 22. É a palavra característica da primeira parte de Jeremias. Em hebraico significa literalmente voltar para trás ou apartar-se. E pressupõe recuperação, e que o coração voltará para Deus, porque isto é o que o Senhor deseja. Ele anseia ter-nos perto de Si. E não anseiam o mesmo nossos corações? Se me distanciei dEle, não posso atribuir a Ele a culpa. Por acaso é culpa dEle? Ah, não; conheço-O muito bem para dizer tal coisa.

Se houve um distanciamento de coração do Senhor, “Meu temor não está contigo”, diz o versículo 19. Esta é a verdade sobre este coração. Acredito que este seja o primeiro passo para voltar atrás; o sentimento de temor ao Senhor apaga-se, seja qual for a causa na alma, e então começa o declínio.

Não serve de nada a quem se aparta tentar corrigir as coisas externamente. Este é o ponto seguinte a tratar. Limpeza externa não servirá para nada. É o interno, o coração, o que tens que corrigir. “Pelo que, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão, a tua iniquidade estará gravada diante de Mim, diz o Senhor Jeová.” (Jeremias 2:22). Então Ele continua para mostrar que Israel era como a “Jumenta montês” (Jeremias 2:24), e como “o ladrão quando o apanham” (Jeremias 2:26) “confundidos” pelo que caíram em uma clara idolatria (Jeremias 2:27). Que bom que o Senhor sabe como são nossos corações! Se alguma vez nos achamos tão longe do Senhor, e nos encontramos em meio a angústias e dores, o que deveríamos fazer? O Senhor nos diz que “no tempo de seu aperto dirão: Levanta-Te, e livra-nos.”(Jeremias 2:27). Bem que Ele poderia responder, “Onde estão os teus deuses, que fizeste para ti? Que se levantem, se te podem livrar no tempo da tua tribulação…” (Jeremias 2:28). Isto é, aquilo com o que teu coração tem se ocupado te livre. Tal coisa não poderá acontecer.

Nada poderia ser mais comovedor que a pergunta que Deus faz aqui: “tenho Eu sido para Israel um deserto?” (Jeremias 2:31). Tenho sido estéril? Houve esterilidade na Minha terra? Há esterilidade nas coisas celestiais? Não é esta uma expressão notável a que Deus utiliza para Seu povo? Porém, assim é como é. Se o coração perde o sentimento da graça, perde seu deleite em Cristo, “e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil.” (Números 21:5), seguramente este será o resultado que se seguirá.

Então Ele adiciona, “Porventura esquece-se a virgem dos seus enfeites, ou a esposa dos seus cendais? Todavia o meu povo se esqueceu de Mim por inumeráveis dias.”(Jeremias 2:32). O que Ele fez cada dia? Esteve cuidando deles continuamente. Sim, bendito seja Seu nome, estava pensando neles continuamente. Talvez O tenhamos esquecido, mas Ele nunca nos esquece. Estamos escritos nas palmas de Suas mãos, e o que Ele tem em mente é que os que se apartaram do caminho voltem para Ele.

Em Jeremias 3 o Senhor adota uma figura diferente, e compara o pecado do Seu povo à fornicação. Ainda que o pecado deles houvesse chegado a tal profundidade, lemos: “Mas ainda assim, torna para Mim, diz o Senhor.”(Jeremias 3:1). Tão profundo era o desejo dEle de conseguir a restauração do Seu povo.

Em seguida o contraste da ação de Israel e Judá. “Disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: Viste o que fez a rebelde Israel? ela foi a todo o monte alto, e debaixo de toda a árvore verde, e ali andou prostituindo-se. E eu disse, depois que fez tudo isto: Volta para mim; mas não voltou; e viu isto a sua aleivosa irmã Judá. E vi, quando por causa de tudo isto, por ter cometido adultério a rebelde Israel, a despedi, e lhe dei o seu libelo de divórcio, que a aleivosa Judá, sua irmã, não temeu; mas foi-se e também ela mesma se prostituiu. E sucedeu que pela fama da sua prostituição, contaminou a terra; porque adulterou com a pedra e com o pau. E, contudo, nem por tudo isso voltou para Mim a sua aleivosa irmã Judá com sincero coração, mas falsamente, diz o Senhor.” (Jeremias 3:6-10). Deus prefere realidade, ainda que as almas estejam distantes, do que irrealidade, e uma legítima proximidade, quando estamos longe. Houve uma aberta rebelião, um aberto distanciamento, por parte das dez tribos. Mas, o que fez Judá? “Judá, sua irmã, não temeu” (Jeremias 3:8). “nem por tudo isso voltou para Mim a sua aleivosa irmã Judá com sincero coração, mas falsamente, diz o Senhor.” (Jeremias 3:10). Aprendemos uma grande lição aqui queridos irmãos. O Senhor não quer nada em nós que não seja real. Como já temos visto, nos dias do rei Josias houve um avivamento. Alguém poderia pensar que realmente se voltaram ao Senhor, mas tratava-se apenas do afeto e da influência de Josias. Era somente afeição. Que o Senhor nos ajude a nos apartarmos das afeições que nos apresenta aqui.

Observemos agora quão maravilhosamente Se dedica a trabalhar com estas dez tribos infiéis, para atraí-las novamente. “E o Senhor me disse: Já a rebelde Israel justificou mais sua alma do que a aleivosa Judá. Vai, pois, e apregoa estas palavras para a banda do norte, e dize: Volta, ó rebelde Israel, diz o Senhor, e não farei cair a minha ira sobre vós; porque benigno Sou, diz o Senhor, e não conservarei para sempre a Minha ira. Somente reconhece a tua iniquidade, que contra o Senhor teu Deus transgrediste, e estendeste os teus caminhos aos estranhos, debaixo de toda a árvore verde; e não destes ouvidos à minha voz, diz o Senhor. Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o Senhor; pois eu vos desposarei, e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma geração; e vos levarei a Sião. E vos darei pastores segundo o Meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência.”(Jeremias 3:11-15). Perdidos! Depois Ele os chama, e os exorta a voltarem a Ele. Da mesma maneira chama você para que volte a Ele. Pode ser que perguntes: Como posso voltar? Dizes: Acredito que Deus tenha falado comigo através da Sua Palavra, estou bebendo de cisternas rotas. Como posso voltar? Escute: “reconhece a tua iniquidade” (Jeremias 3:13). Só existe uma maneira de voltar, e qual é? A confissão. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.”(I João 1:9). Que comovedoramente terna é a chamada! “Convertei-vos, ó filhos rebeldes, diz o Senhor; porque eu vos desposarei” (Jeremias 3:14). Da parte de Deus não havia nenhum rompimento na relação. Veja também como Ele encoraja o coração no versículo 15. Realmente é algo maravilhoso, amados, a maneira que o Senhor busca recuperar e ligar a alma com Ele. Do versículo 16 ao 20, nos é mostrado como Deus, no futuro, recuperará e restaurará Israel. O versículo 21 mostra o estado moral em que se inicia a restauração, o choro e a oração. Então vem outro amoroso chamamento. “Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões.”(Jeremias 3:22) quem poderia resistir a tal chamamento? Muitas vezes uma pobre alma diz: Como posso voltar, e pelo que terei que passar para voltar? Olhe este versículo, “Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões” e tome nota do resultado do chamamento, “Viemos a Ti; porque Tu és o Senhor nosso Deus.” (Jeremias 3:22). Eis-nos aqui. E está feito. A alma que escuta o chamamento diz: “Viemos a Ti; porque Tu és o Senhor nosso Deus.”

Se você não responder a este bendito chamamento, sabe o que acontecerá? As coisas piorarão. Se não ouvimos a voz que nos chama uma e outra vez, chegaremos ao sexto versículo do capítulo 5. Deus descreve graficamente, neste livro, o que necessariamente acontecerá com quem permanece longe de Deus, em rebelião. “as tuas transgressões se multiplicaram, multiplicaram-se as suas apostasias” (Jeremias 5:6). Que trágico!

Certamente, tudo não acaba por aí, porque o pecado não julgado leva a males ainda piores. Vamos ao capítulo oito, nele o Senhor pergunta: “Por que se desvia este povo de Jerusalém com uma apostasia contínua? Retém o engano, não quer voltar.”(Jeremias 8:5). Se não ouvirmos a Sua voz e não voltarmos a Ele, passaremos para esta terrível condição de infidelidade perpétua. Melhor é escutar a palavra fiel que nos diz: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes exortai- vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado.” (Hebreus 3:12-13). Há somente uma forma de libertar-se deste terrível caminho de queda do infiel. É através do reconhecimento do estado em que está caído, e através da simples espera em Deus para conseguir libertação. Se disser assim: “Posto que as nossas maldades testifiquem contra nós, ó Senhor, opera Tu por amor do Teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra Ti pecamos” (Jeremias 14:7). Não acredito que aqui a alma esteja realmente restaurada, mas há o que se poderia chamar de exercício que pode levar à restauração.

Agora vou pedir que você leia o último capítulo de Oseias, porque acredito que ali Deus nos dá, em outras palavras, o caminho pelo qual a alma retorna ao Senhor: “Converte-te, ó Israel, ao Senhor teu Deus; porque pelos teus pecados tens caído.” (Oseias 14:1). E aqui voltamos a ter o chamado de Deus, “Tomai convosco palavras, e convertei-vos ao Senhor; dizei- Lhe: Expulsa toda a iniquidade, e recebe o bem, e daremos como bezerros os sacrifícios dos nossos lábios.” (Oseias 14:2). Esta é a resposta da alma que retorna, seu jeito de falar, consciente da Sua graça. “Não nos salvará a Assíria, não iremos montados em cavalos, e à obra das nossas mãos não diremos mais: Tu és o nosso Deus; porque por Ti o órfão alcançará misericórdia.” (Oseias 14:3). As duas coisas que sempre levam a alma de volta a Deus são: o significado de Sua graça e de Sua misericórdia. E agora, qual é a resposta de Deus? “Eu sararei a sua perversão, Eu voluntariamente os amarei; porque a Minha ira se apartou dele.” (Oseias 14:4). O que pode ser mais bendito que isto? Que outra coisa poderia encorajar mais um rebelde que volta? É a vitória do amor sobre a carência de amor.

Depois seguem os efeitos da recuperação e da restauração. “Eu serei, para Israel, como orvalho; ele florescerá como o lírio e espalhará as suas raízes como o Líbano. Estender-se-ão as suas vergônteas (seus ramos), e a sua glória será como a da oliveira, o seu odor, como o do Líbano. Voltarão os que se assentarem à sua sombra; serão vivificados como o trigo e florescerão como a vide; a sua memória será como o vinho do Líbano. Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos? Eu o tenho ouvido e isso considerarei; eu sou como a faia verde; de Mim é achado o teu fruto.” (Oseias 14:5-8). Não suponha, querido amigo, que se existiu distância e afastamento do Senhor, que já estará tudo acabado contigo, e que você não poderá ser restaurado. Oh não! Estão guardados dias mais preciosos e melhores, se você voltar. Acredito que Deus nos traz de volta a algo muito melhor do que aquilo que perdemos por nos afastarmos. Chegamos a uma comunhão mais profunda e plena com o Senhor. Acredito que Sua graça nos leva a desfrutar de um lugar muito mais profundo, pleno e mais bendito em suas afeições que nunca antes conhecemos. “Voltarão os que se assentarem à sua sombra; serão vivificados como o trigo e florescerão como a vide; a sua memória será como o vinho do Líbano.” (Oseias 14:7). Maravilhosas figuras do precioso e do refrescante estado de uma alma restaurada. Quando isso acontece, ela diz como Efraim: “Que mais tenho eu com os ídolos?” (Oseias 14:8). E Deus responde: “Eu o tenho ouvido e isso considerarei.” (Oseias 14:8). E Efraim responde: “eu sou como a faia verde”. (Oseias 14:8). Uma faia é uma das coisas mais bonitas que se pode ver. É verde o ano todo. Assim vive a alma que se encontra no pleno favor de Deus, e o amor de Deus é apreciado acima de tudo.

Mas Deus responde: “de Mim é achado o teu fruto.” (Oseias 14:8). Veja que neste versículo 8 temos um diálogo. Há arrependimento e uma consciência de benção, tudo vindo de Deus.

Bem poderia Oseias concluir seu livro com estas palavras: “Quem é sábio, para que entenda estas coisas? prudente, para que as saiba? porque os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.” (Oseias 14:9). Que Deus conceda, a cada um de nós, darmos ouvido à Sua Palavra, e que demos conta de quão entranháveis são os Seus caminhos, em particular aos infiéis. Meu amigo, se é um deles, seja duro o quanto quiser consigo mesmo, mas lembre que o coração de Deus está cheio do amor mais terno para você, e só deseja que a sua restauração a Ele. Venha, fonte de todo bem,

Venha, eterno Salvador,
Venha, ajuda-me a cantar pra Ti
Dignos hinos de louvor.
Tu, Senhor, por mim morreste;
Quero viver para Ti:
Somente Tu és minha esperança,
Somente Tu és meu porvir.
(Estava triste e perdido,
Quando Cristo me buscou;
Para me salvar
O Seu sangue derramou.
Em Sua morte afetuosa
Vida, paz, perdão achei;
E por Ele a vida eterna
No céu desfrutarei.)

Da Tua graça, oh bom Amado!
Sou devedor a cada dia;
Mais e mais a Ti me atrai
Pelos laços do Teu amor.
Venha, fonte de todo o bem,
Fonte da minha salvação:
Dou a Ti meus louvores,
Dou a Ti meu coração.


CAPÍTULO 2

APARTANDO-SE DO CAMINHO
Lucas 22:31-62

Vemos exemplos de rebelião e infidelidade tanto no Novo como no Antigo Testamento. Contudo, é evidente que não há ninguém que tenha se apartado e seja feliz. O que o Senhor quer para nossos corações, acima de tudo, é que sejamos profundamente felizes. Se você não é feliz, não está em um bom estado. Tem alguma coisa que não está bem, e o quanto antes for corrigido, melhor. Quando algo anda mal, quanto antes for corrigido melhor para evitar que piore progressivamente. Vai piorando mais e mais se não se corrige, aí está a importância, para uma alma infiel, aprender o caminho da restauração.
Não conheço nenhum coração que não diga quando ouve a respeito da infidelidade: “Que Deus me guarde de tal coisa.” Facilmente afasta-se muito do caminho sem saber. O declínio no coração não vem de repente. Aconteceu gradualmente na história de Sansão (ver Juízes 13 ao 16). Era um homem extraordinário, em certo sentido não houve outro igual no Antigo Testamento. Mas, reflita sobre sua história. Era nazireu, uma pessoa separada para Deus. Não havia demonstração de força que ele não efetuasse facilmente. E qual era o segredo dele? Era mantido por Deus, e enquanto manteve-se separado, Deus o guardou. Mas logo suas afeições se afastaram de Jeová; uma mulher chamou sua atenção, e a teve para si. Com o tempo, ela o traiu. Qual foi o primeiro passo na sua queda? Você conhece a história. Perdeu seu nazireado. Deixou de ser uma pessoa separada. O que o diabo quer, acima de qualquer coisa, é conseguir que você se conforme com o mundo. E diz que não deve estar muito separado. Sim, é precisamente isso o que o diabo diz. Diz a mim e a você. E disse também a Pedro. Acredito que o que uma anciã escocesa disse de Pedro estava certo: “Não era seu lugar estar entre os criados.” Estava aquecendo-se com o fogo dos inimigos de Jesus. O mesmo é ilustrado na história de Sansão. No momento em que eu e você deixarmos de estar separados do mundo e de seus caminhos, entraremos em declínio de alma. Não temos que nos enganar. Tão certo quanto o sol está no céu, isto é para nós. A mulher que Sansão tomou para si tentou obter o segredo de sua fortaleza. Chorou durante sete dias. Por fim, ele contou a ela que o segredo de sua fortaleza estava relacionado com seus cabelos. Era nazireu. “E sucedeu que, importunando-o ela todos os dias com as suas palavras e molestando-o, a sua alma se angustiou até a morte. E descobriu-lhe todo o seu coração e disse-lhe: Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus, desde o ventre de minha mãe; se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria e seria como todos os mais homens. Vendo, pois, Dalila que já lhe descobrira todo o seu coração, enviou e chamou os príncipes dos filisteus, dizendo: Subi esta vez, porque, agora, me descobriu ele todo o seu coração. E os príncipes dos filisteus subiram a ela e trouxeram o dinheiro na sua mão. Então, ela o fez dormir sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça; e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força. E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão. E despertou do seu sono e disse: Sairei ainda esta vez como dantes e me livrarei. Porque ele não sabia que já o SENHOR se tinha retirado dele. Então, os filisteus pegaram nele, e lhe arrancaram os olhos, e fizeram-no descer a Gaza, e amarraram-no com duas cadeias de bronze, e andava ele moendo no cárcere.” (Juízes 16:16-21) Os filisteus enviaram dinheiro para Dalila e, o que foi que aconteceu? Rapou os cabelos de Sansão. A primeira coisa que ele perdeu foi seu nazireado. E em seguida perdeu suas forças. E depois sua liberdade. E foi capturado. Já não o haviam amarrado antes? Sim, o tinham amarrado com cordas novas, mas para ele eram como teias de aranha. Havia perdido sua
separação, e agora que havia perdido sua força, perdeu sua liberdade, depois perdeu seus olhos, e no fim perdeu sua vida. Perdeu sua separação, e sua força, sua liberdade, sua visão e sua vida, tudo sequencialmente. Sansão é a terrível figura de um homem que caiu do mais alto ao mais baixo. Temos aqui a figura de um cristão que se introduziu no mundo, e que ficou totalmente inutilizado para o serviço de Cristo. Ah, irmãos! Que Deus nos guarde! A história de Sansão é uma história muito solene. Mas, vou agora falar sobre Pedro. Acredito que seja bonito ver a forma como ele foi restaurado. O capítulo 22 de Lucas nos mostra o momento em que Pedro caiu. Há quatro pontos importantes que desejo colocar diante de vocês na história de Pedro; sua conversão, consagração, queda e restauração. Já estudou alguma vez a vida de Pedro? Aconselho que o faça. Busque as partes da vida de Pedro, e junte-as. Eu mesmo escrevi um livro sobre a sua vida, e me senti muito feliz em escrevê-lo. Não peço que leia meu livro, leia o Livro de Deus. É maravilhoso ver o lugar que aquele amado homem teve. Era um homem com um grande
coração. É verdade que caiu, mas chegou a andar sobre as águas! “Oh!” me dirá: “Mas, afundou.” Certamente, mas andou antes que afundasse. Preste atenção: o ponto central não é que afundou, senão que andou. Foi sua afeição por Cristo que o fez sair do barco para a água, nossa afeição por Cristo não nos coloca a salvo a não ser que mantenhamos nosso foco em Cristo, o que é da maior importância. Temos a conversão de Pedro registrada no primeiro capítulo de João, quando conheceu a Jesus. O Senhor trocou seu nome. “E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).” (João 1:42). Foi então convertido, mas não consagrado a Cristo. Você também está convertido, e pode dizer: sou crente, e sou salvo. Sim, mas, você se entrega verdadeiramente para seguir a Cristo? Se não, é como Pedro no primeiro capítulo de João e o quinto de Lucas. Ali o Senhor queria um palco, e pegou para Si o barco de Pedro. O Senhor era o maior pregador que jamais houve, e um pregador prático também, porque “e, abrindo a boca, os ensinava” (Mateus 5:2), e o povo O escutava. O ponto central é, se você está se dirigindo ao povo, garanta que o ouçam. Ele falava com o povo na praia, e falando como falava do barco, podiam tanto vê-lo como ouvi-lo. Naquela ocasião Ele lhes deu a bela história do semeador e da semente. A verdade entrou direitamente no coração de Pedro naquele dia. Ah, deve ter sido uma cena maravilhosa. Veja Simão sentado em seu barco, e ouvindo aquele maravilhoso ministério. Ele pertencia a Cristo, mas até este ponto, ele nunca O havia seguido. E agora, quando o sermão foi finalizado, o Senhor, que jamais quer ser devedor de homem algum, quis dizer a Pedro: Pagarei pelo uso do seu barco, Pedro. Suas palavras foram: ” E, quando acabou de falar, disse a Simão: faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar. E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, porque mandas, lançarei a rede.” (Lucas 5:4-5). “E foram e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique” (Lucas 5:7). Pedro nunca em toda a sua vida, havia feito uma pesca como esta, e quando a viu, “prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, ausenta-te de mim, porque sou um homem pecador.” (Lucas 5:8). O que o levou a trazer à tona a questão de seu pecado? Foi revelada à sua alma a glória da Pessoa de seu Mestre, que Ele era Deus, apesar de ser Homem, me parece que Pedro estava completamente envergonhado da maneira com que se comportou com Ele. Pedro aprendeu naquele dia uma lição. A luz de Deus caiu sobre a sua alma, e embora tenha dito “Senhor, ausenta-te de mim, por que sou um homem pecador” no momento em que chegam em terra, ele vira as costas para tudo, e segue Jesus. Consagrou-se, e começou a seguir o Senhor. Tenho conhecido muitos homens que voltaram-se para o Senhor quando as coisas terrenas tinham falhado – muito provavelmente o banco tinha quebrado, e tudo que tinha estava perdido. Frequentemente uma alma em tais circunstâncias, diz: “Acho que agora vou me consagrar a Ele.” Mas foi quando o dia estava em seu maior resplendor, e seu negócio indo de vento em popa, que Pedro deixou tudo, e começou a seguir o Senhor. Cristo encheu seu coração, e a glória da Sua Pessoa eclipsou tudo aqui embaixo, deixou tudo e seguiu Jesus. Já houve um momento como este em seu coração, ou no meu? Há algo tão encantador na história da sua alma, ou na minha, como isto? Essa é a verdadeira questão para nós.

É muito interessante ver como Pedro estava presente em todas as partes nos Evangelhos, isso por causa da afeição que sua alma tinha pelo Senhor – uma afeição que junto com a energia que tinha, frequentemente o levava por um caminho errado, por causa de sua autoconfiança. Mas agora o fim chegou. No capítulo que se deve ler agora – Lucas 22 – o Senhor foi traído, e Ele sabe que vai morrer. Então, quando Ele tinha reunido os discípulos no cenáculo superior, e tinha dado a eles a expressão do Seu amor no partir do pão, Ele lhes disse que um deles o haveria de trair. Pedro não sabia quem era, e ele pediu para João perguntar quem era. E João reclinando no seio do Senhor, Lhe perguntou. Vocês sabem, queridos amigos, é algo muito grande estar perto de Cristo. Nunca se está suficientemente perto do Cristo. Não há nada que Ele mais queira do nossa proximidade Dele. Não havia uma só nuvem entre João e Jesus, e João perguntou: “Senhor, quem é?” (João 13:21-25) Depois que o jantar acabou, “Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos.” (Lucas 22:31-32). Essa é uma palavra muito marcante. Amados, acredito que isso seja uma grande coisa para as nossas almas, ter em mente que o inimigo está sempre à espreita. A forma como o Senhor adverte a Pedro é muito marcante. Ele diz: “Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo.”Observe que se trata de trigo. Talvez você possa dizer, eu passei várias vezes pela peneira. Bem, há uma que coisa que está clara, se você não fosse trigo, não teria sido peneirado. Se você tivesse sido meramente palha, o diabo o
teria deixado em paz. Ele nunca se preocupa com seus próprios súditos, sempre os deixa em paz. Satanás sempre ataca os santos. O pecado no pecador é ruim, mas o pecado em um santo é dez vezes pior, porque pecamos contra Cristo e na luz. Por isso, o pecado é infinitamente pior na minha vida, como um santo, do que foi quando eu era um pobre pecador perdido. No entanto, não entre em desespero se Satanás peneirar você. A autoconfiança foi o motivo da queda de Pedro, e geralmente é a causa de todas as nossas quedas; e é uma grande coisa, amados, quando se quebra em nós a mola da autoconfiança. Deus permite que isso aconteça assim. Qual é o próximo versículo? “Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos.” (Lucas 22:32). Isso é bonito! Também deveríamos orar pelos servos de Deus. Ore por aqueles que estão na linha de frente da batalha. O diabo está sempre pronto para fazê-los tropeçar. Antes de Pedro ser tentado, Jesus já havia orado. “Eu roguei por ti” Palavras maravilhosas! A intercessão do Senhor por nós é algo maravilhoso, e pode muito bem alegrar nossos corações, mas, por outro lado, temos que vigiar e também orar. Naquela oração, comumente chamada a “Oração do Senhor” – na realidade, a oração dos discípulos – ocorrem as palavras, “Não nos conduzas (deixeis cair) em tentação.” (Lucas 11:4). Acredito que frequentemente deveríamos orar assim. Quando nosso Senhor enfrentava dificuldade, sempre orava. O encontramos em oração em sete ocasiões separadas no Evangelho de Lucas. Siga-as, e considere as Suas circunstâncias. Em nosso capítulo Ele é encontrado em oração (Lucas 22:41). É chegada a hora do Seu sofrimento e da Sua rejeição, e como Messias estava para ser cortado. Por isso Ele pode dizer: – “Esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lucas 22:53). Quanto maior a necessidade mais Ele apegava-se tenazmente a Deus. Ele estava orando para Si mesmo, mas primeiro disse ao Seu fraco seguidor, ” Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos.” (Lucas 22:32). A fé é muito suscetível a falhas, e, sem dúvida, quando Pedro acordou e descobriu o que tinha feito, chorou amargamente (Lucas 22:62). Mas o amor tinha orado por ele, e foi impedido de sentir remorso e de suicidar-se como Judas. O Senhor nas alturas está sempre intercedendo por nós. Ele morreu para nos tornar limpos, e Ele vive para nos manter limpos. Ele não diz que não seremos tentados, mas diz – “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (I Coríntios 10:12-13). Algumas vezes ouve-se essa pergunta – “Se vou a um lugar, ou um evento, não serei preservado? Sei que não deveria ir, mas, se eu for, Deus vai me manter?” Se você vai contra as advertências da Palavra de Deus e da tua própria consciência, certamente vai cair. “Será que o Senhor não me manterá?” Não, absolutamente não. Você acha que Deus vai manter alguém que está em um caminho de desobediência? Se Pedro tivesse ouvido a palavra do Senhor, ele teria escapado da queda. Agora consideremos a resposta de Pedro, e sua queda. Não era de se esperar que encontraria Pedro trêmulo? Olhemos para Lucas 22:33. “Senhor, estou pronto a ir contigo até a prisão e à morte.” Que resposta! Amados, este homem caiu! Sua queda não ocorreu quando ele realmente negou o Senhor. Aqui é o lugar onde ele caiu. Ele estava ocupado com sua própria afeição. Sem dúvida ele amava o Senhor, mas em vez de estar simplesmente ocupado com Cristo, e agarrando-se a Cristo com este sentimento, “Senhor se Tu não me mantiveres, eu cairei”, estava cheio de autoconfiança. O Senhor o advertiu, e a nós através dele. “Mas Ele disse: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conheces.” (Lucas 22:34). Mas a história continua. Vamos seguir o Senhor para o Monte das Oliveiras. Vamos para o horto, e ali o bendito Senhor estava em oração. Ele disse aos discípulos: “Orai, para que não entreis em tentação.” (Lucas 22:40), e de novo, “Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar.” (Mateus 26:36). Quando Ele voltou, encontrou-os dormindo. Quando deveriam ter orado, eles estavam dormindo. Quanto eu oro? Quanto você ora? A oração é o segredo do sucesso da alma. “Vigiai e orai” (Marcos 14:38) também foi Ele quem disse. Em vez de orar eles estavam dormindo. Isso só mostra o que é a fraqueza da carne. Eles viram Sua tristeza, e ainda assim puderam dormir. Que corações temos! Nós podemos dormir na presença de Sua glória (ver Lucas 9:32), e nós podemos dormir, também, na presença de Sua tristeza. “O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”(Marcos 14:38), é o afetuoso comentário que o Senhor faz sobre isso. A tentação chegou com a multidão, liderada por Judas. “E, estando Ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela e chegou-se a Jesus para o beijar. E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem? E, vendo os que estavam com Ele o que ia suceder, disseram-lhe: Senhor, feriremos à espada? E um deles feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha direita. E, respondendo Jesus, disse: Deixai-os; basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou.” (Lucas 22:47-51). Eles disseram-Lhe: “Senhor, feriremos à espada?” e sem esperar Sua resposta, um deles feriu o servo do sumo sacerdote. Foi Pedro quem fez isso, e foi aquela ação que o revelou. “E Simão Pedro estava ali e aquentava-se. Disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos Seus discípulos? Ele negou e disse: Não sou. E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele? E Pedro negou outra vez, e logo o galo cantou.” (João 18:25-27). Quando ele entrou na sala do sumo sacerdote, o parente do ferido reconheceu o homem que usou a espada. Possivelmente Pedro achava que este ato
seria uma demonstração de dedicação, e que estava fazendo uma coisa boa. Ah, queridos
irmãos, o que precisamos é receber a palavra do Senhor. Consideremos a resposta de Jesus aqui: ” Deixai-os; basta. E, tocando-lhe a orelha, o curou.” (Lucas 22:51). A próxima coisa que eles fizeram, O pegaram e O amarraram. Sabe a última coisa que o Senhor fez antes de O amarrarem? Ele curou aquela orelha. Bendito Senhor, o último movimento de Sua mão foi para curar a orelha sangrando que o Seu pobre servo havia cortado. “Então, prendendo-O, O levaram e O meteram em casa do sumo sacerdote. E Pedro seguia-O de longe.” (versículo 54). Pobre Pedro, quando deveria desconfiar de si mesmo, estava cheio de autoconfiança; quando deveria ter orado, estava dormindo; quando deveria estar quieto, estava usando uma espada espontaneamente; quando deveria estar separado, estava sentado no fogo entre os do mundo; quando deveria estar perto de Cristo, O estava seguindo de longe; e, como consequência lógica, quando deveria dar testemunho do seu Senhor, O negou. Pobre Pedro! E como somos parecidos! Onde estava João todo esse tempo? Outra passagem nos diz que João entrou com Jesus. No início “todos os discípulos, deixando-O fugiram.” (Mateus 26:56). Ele foi deixado sozinho. Pouco a pouco João criou coragem, e voltou. Pedro O seguiu de longe. Ah, irmãos, estamos seguindo o Senhor de longe? Se assim for, não seremos preservados. E sobre João? Ninguém o desafiou. Não. Ele estava muito perto de Cristo. O homem que segue de longe está arriscando ser descoberto e o farão tropeçar. “E, havendo-se acendido fogo no meio do pátio, estando todos sentados, assentou-se Pedro entre eles.” (Lucas 22:55). Depois disso negou o Senhor três vezes, assim como Ele o havia advertido, apesar dos enérgicos protestos de Pedro. E quando ele tinha feito isso três vezes: ” E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe tinha dito: Antes que o galo cante hoje, Me negarás três vezes. E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente.” (Lucas 22:61-62). Como o Senhor recupera nossos corações? Talvez através de um olhar. Ele se virou e olhou para Pedro. Que tipo de olhar era esse? Foi um olhar de raiva e desprezo? Foi esse o tipo de olhar? Não, não, acredito que foi um olhar de coração partido, amor desapontado. Ele disse: “Você não me conhece, mas Eu te conheço e amo-te. Nada mudou meu amor por ti. Aquele olhar quebrou o coração do pobre Pedro, e ele “saiu e chorou amargamente.” Acredito que quando Pedro soube que o seu Senhor tinha sido crucificado, este deve ter sido o momento mais terrível na sua história. O que poderia sustentar o coração daquele homem? Acredito que a oração de Cristo e o olhar de Cristo o sustentaram. Se ele não tivesse ouvido a palavra: “Eu roguei por ti”, e o olhar, acredito que ele teria ido, e seguido Judas. Judas foi e se enforcou. Remorso coloca você nas mãos de Satanás, mas o arrependimento leva ao verdadeiro quebrantamento diante de Deus. Nunca haverá recuperação sem arrependimento. Pedro teve a sensação de que o Senhor o amava. Ele sabia que o Senhor o amava. Judas nunca soube disso. Se tivesse conhecido o amor de Cristo, não teria se enforcado. Alguém pode dizer: “Isto é muito parecido com a minha vida e minha história. Anos atrás eu era um cristão feliz, mas de alguma forma tenho estado longe do Senhor, me envolvi com o mundo, perdi minha alegria e paz, e tenho desfalecido tanto em minha alma, que todo o meu caminho tem sido para desonra de Cristo.” Meu caro amigo, reconhece, vai e chore sozinho; chore amargamente, e algum dia as suas lágrimas serão secadas. Oh, se você, pelo menos, reconhecer conscientemente em tua alma que Ele o amou, e Ele o ama ainda, tudo andará bem. A palavra de Deus para Israel, “Lembro-me de ti, da beneficência da tua mocidade” (Jeremias 2:2), é igualmente verdade para você. Embora houvesse transcorrido oitocentos e cinquenta anos de apostasia e rebelião, Deus não tinha esquecido o momento em que O amavam, e Ele era tudo para eles (Jeremias 2:2). Eles O haviam esquecido há muito tempo, mas Ele nunca os tinha esquecido. Existe aqui algum coração apartado? Meu caro amigo não permaneça assim, mas volte para o Senhor. Não perca nem mais uma hora. Pedro teve que esperar três dias para ser restaurado. Foi o que o Senhor tinha dito a ele, e o olhar do Senhor sobre ele, foi o que operou em seu coração. Lembrou-se de que Ele tinha orado por ele, e o último olhar que Ele lhe deu foi um olhar de tal amor e perdão, tal infinita graça, que partiu seu coração. Você vai descobrir que Pedro tem uma restauração privada, e uma restauração pública. A restauração privada é relatada em Lucas 24:34, e a restauração pública em João 21. A evidência de sua restauração é manifestada em Atos 2. O Senhor o encontrou privadamente. O que aconteceu neste encontro ninguém sabe. O Espírito de Deus tem jogado um véu sobre este encontro. Devo dizer-lhe por quê? Não faria bem algum para você saber do modo como o Senhor tratou comigo quando minha alma estava desviada dEle, nem faria bem a mim saber como Ele tratou com você. Não, absolutamente não, porque a maneira como Ele trata com você não seria apropriada para mim. Por isso, um véu foi deixado sobre a cena. Mas sabemos que ele foi magnificamente restaurado pelo Senhor. Como sabemos isso? João 21 fornece a resposta. Seus irmãos foram mais lentos que Pedro para alcançar o Senhor naquela ocasião. Ele não esperou até que o barco chegasse à praia; lançou-se ao mar em sua pressa para chegar perto do Senhor. É como se dissesse: Podem ficar com os peixes, vou até meu bendito Senhor. Por esta ação pode-se reconhecer um homem restaurado. Mas depois, naturalmente, o Senhor o restaurou publicamente. Amados amigos, acredito que nunca achará um santo fazendo o bem até que ele esteja completamente livre da autoconfiança e quebrantado diante do Senhor, é nesta condição que realmente o Senhor poderá usá-lo. Vemos Pedro restaurado à comunhão e na companhia dos apóstolos em João 21, e depois podemos vê-lo em Atos 2 pregando a Palavra e sendo poderosamente usado pelo Senhor. Eu já disse muitas vezes que acredito que quando Satanás viu a Pedro pregando no segundo capítulo de Atos, desejou ter deixado Pedro em paz no palácio do sumo sacerdote. Por quê? Porque o quebrantamento de Pedro foi para a sua edificação, e é na primeira metade do livro de Atos dos Apóstolos que ouvimos muito mais sobre Pedro do que qualquer outro servo. Repito, o quebrantamento de Pedro foi para a edificação dele. Ele foi recolhido e restaurado. Ah sim, não há nada como a graça. A graça nos salvou como pecadores, e a graça nos guarda como santos. E quando chegarmos à glória, que diremos? Foi pela graça em todo o longo caminho. E, portanto, quanto mais profundo temos em nossas almas a consciência da graça do Senhor, muito mais os nossos corações se alegrarão nEle.


Capítulo 3

CONFISSÃO E PURIFICAÇÃO
Números 19:1-22

É muito interessante ver nas Escrituras, uma figura tão especial como esta, Deus provendo para que nada venha interferir na comunhão do Seu povo Consigo mesmo. Deus gosta de ter-nos em Sua presença e Ele ama ter-nos, felizmente, para que tenhamos comunhão com Ele. E se tiver algo que venha interferir, que nos coloque fora da comunhão, é abençoado ver a forma como o Senhor age para remover o obstáculo. Vou conectar este capítulo com o que vimos antes, a queda de Pedro. Veremos agora como o Senhor o restaura. Mas refiro-me a esta passagem das Escrituras porque nos dá uma figura de tudo o que pode acontecer como interferência na comunhão, produzida por coisas que não seja falha ou pecado grave. Gênesis é o livro da criação. Êxodo é o livro da redenção. Levítico é o livro da aproximação de Deus. E Números nos apresenta o povo passando através do deserto, onde poderiam ser contaminados com coisas que viriam dificultar a comunhão, e onde o inimigo sempre estava na espreita. Nosso capítulo mostra como uma alma que ficou contaminada, em qualquer sentido, foi restaurada. O pecado é sempre resultado da ação da vontade da criatura. Se a vontade operou, o pecado entrou em atividade, a comunhão com Deus se interrompe, e em seguida, haverá distanciamento. Teria que se pegar uma novilha vermelha, sem mancha sobre a qual não se tenha posto jugo e imediatamente vemos que se trata de uma figura de Cristo. O jugo do pecado nunca esteve em Cristo. Ai de mim! Tivemos o jugo do pecado sobre nós. A perfeição do sacrifício é a primeira coisa aqui. “E a dareis a Eleazar, o sacerdote; e a tirará fora do arraial, e se degolará diante dele.” (Números 19:3). A bezerra ruiva é uma figura de Cristo, que é também o sacerdote, portanto, não é o sacerdote quem a degola. No entanto, a morte entra em cena. A única maneira em que posso voltar para Deus, se eu fui para longe dEle, é pela súplica de minha alma, no poder do Espírito Santo, da maravilhosa verdade da morte do Senhor Jesus Cristo. A bezerra estava morta, e em seguida, o sacerdote espargiu o sangue na frente da tenda da congregação sete vezes (Números 19:4). Lembramos aqui do grande pensamento da expiação. Diante de tudo isso, vemos que se trata da questão de que meus pecados serão pagos, ou o acesso a Deus, será sempre pelo sangue. E, em seguida, aqui temos a base da restauração de um santo que tem se apartado do Senhor: a coisa mais impressionante que voltamos a encontrar é o sangue. Mas aqui, observe que o sangue não é para você. Nunca pode haver qualquer reaplicação do sangue de Cristo. O sangue foi espargido, não sobre a pessoa contaminada, mas na frente da tenda da congregação, sete vezes. Ou seja, é para ser sob o olhar de Deus. Ele sempre lembra o valor da morte expiatória de Seu Filho amado. Quando você e eu tomamos o nosso próprio caminho, e ficamos contaminados em nossa consciência, qual é o caminho de volta? Oh, você diz: eu vou voltar como um pobre pecador, e ser novamente lavado pelo sangue de Cristo. Você nunca vai voltar da mesma maneira, pois não é esta a maneira de Deus, e não ver isto tem mantido muitos filhos errantes por muito tempo fora da graça restauradora. Como devemos voltar? Teremos que voltar como santos, como filhos travessos que têm vivido para fazer a própria vontade, e terão que voltar da maneira de Deus. “E Eleazar, o sacerdote, tomará do seu sangue com o dedo e dele espargirá para a frente da tenda da congregação sete vezes. Então, queimará a bezerra perante os seus olhos; o seu couro, e a sua carne, e o seu sangue, com o seu esterco se queimará.” (Números 19:4-5). Não é uma maneira agradável admito. Mas, ainda assim é a maneira de Deus. Observe o ritual aqui, pois é cheio de instruções. O animal era inteiramente consumido. Tudo ia ao fogo do juízo. O sacerdote tomava madeira de cedro, e hissopo, e carmesim, e lançava tudo no meio da bezerra queimada. A vítima era degolada, e em seguida, consumida até as cinzas. É uma figura impressionante de tudo que o bendito Senhor Jesus Cristo passou quando estava na cruz, onde Ele foi feito pecado. Ele foi feito pecado por nós, Ele que não conheceu pecado. A bezerra era queimada até que não ficasse nada mais do que as cinzas, é a figura marcante do que o primeiro homem merecia, e recebeu na Pessoa de Cristo, quando na cruz: tudo foi consumido pela morte. Tudo o que sou desaparece do olho de Deus na morte! Com a bezerra, era queimada também a árvore de cedro, que é sempre nas Escrituras, a figura do que é alto, e nobre, e imponente. E o hissopo, o que é isso? Um pequeno arbusto. É a outra extremidade do reino vegetal, é insignificante. Salomão “Também falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede” (I Reis 4:33). Eu não nego que haja algo nobre no homem, e naturalmente, admitimos que haja algo ruim no homem. Nós todos temos bons olhos para constatar isso. Você pode ver um cisco no meu olho? Sim, mas você não vê a trave no teu próprio olho? Podemos ver as falhas dos outros, é algo muito fácil. O que aprendemos aqui? Quer seja algo elevado e imponente, ou desprezível e inútil, tudo tem que ir nas chamas que consumirão a bezerra. Hissopo tem um grande lugar nas Escrituras. Um molho de hissopo foi mergulhado no sangue, e colocado nas vergas das portas e nos dois umbrais das portas no dia da Páscoa (Êxodo 12:22). O hissopo era mergulhado na água corrente quando o leproso era purificado (Levítico 14:4-6). Era queimado na passagem que estamos vendo. David em agonia de alma disse: “Purifica-me com hissopo, e ficarei puro” (Salmo 51:7). Mais uma vez: “E encheram de vinagre uma esponja e, pondo-a num hissopo, lha chegaram à boca.” (João 19:29), no momento da agonia da morte do nosso bendito Salvador e Senhor na cruz. Ela tem um significado maravilhoso nas Escrituras, relacionado com a pequenez do homem, enquanto o carmesim indica a glória do homem. Assim que, se penso que o homem é desprezível, ou grande, ou em tudo o que o homem pode gloriar-se, graças a Deus, tudo isso se vai. Há apenas um homem que vale para Deus, e este é o homem que está na glória de Deus. O primeiro homem, com todas as suas glórias, e toda a sua insignificância é eliminado no juízo. Não nego que haja qualidades no homem que são bonitas em si, mas estas não servem para Deus. O primeiro homem é absolutamente posto de lado. Um excelente ponto para se compreender de maneira inteligente é dizer como Paulo: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum”(Romanos 7:18) então, ensinados pela graça, aprender que: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). Se eu olhar para trás, lá na cruz, vejo ao homem que pecou lá. É imenso ganho ver que tudo foi queimado ali com a bezerra. Então, a próxima coisa é, o sacerdote lavará as suas vestes, e também aquele que queimou a bezerra (Números 19:7-8). “E um homem limpo ajuntará a cinza da bezerra e a porá fora do arraial, num lugar limpo, e estará ela em guarda para a congregação dos filhos de Israel, para a água da separação; expiação é.”(Números 19:9). As cinzas da bezerra certamente nos traz a memória, de uma maneira simples, do que aconteceu. É tudo o que resta dessa maravilhosa vítima. Não resta nada a não ser as cinzas. Tudo o mais foi consumido no fogo do juízo. Com as cinzas, como uma figura, o Espírito de Deus traz à memória da alma, em determinadas circunstâncias, o que custou a Cristo purificar-nos, e além do que não saberemos, após pecar, o que purificação realmente é. Não se pode tocar qualquer coisa relacionada com o primeiro homem sem ser contaminado, por isso lemos: “Aquele que tocar a algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias.”(Números 19:11). Bem, alguém poderia dizer, no curso normal do meu trabalho diário entro em contato com muitas coisas que podem me contaminar. Isso é precisamente o que se supõe aqui. “Ao terceiro dia, se purificará com a água e, ao sétimo dia, será limpo; mas, se ao terceiro dia se não purificar, não será limpo ao sétimo dia.”(Números 19:12). Mas Deus não faz de nós luz do pecado. O homem contaminado deveria se purificar no terceiro dia, e no sétimo dia, e assim estaria limpo. A dupla purificação mostra que a restauração não ocorre em um momento. Se minha alma está longe do Senhor, ela não volta em um instante. Deus me dá tempo para refletir sobre qual tem sido a minha loucura. “Todo aquele que tocar a algum morto, cadáver de algum homem que estiver morto, e não se purificar contamina o tabernáculo do Senhor; e aquela alma será extirpada de Israel; porque a água da separação não foi espargida sobre ele, imundo será; está nele ainda a sua imundícia.” (Números 19:13). Se entro no mal, e não o julgo e não me livro dele, estou ferindo outras pessoas. Um homem negligente contamina, “profanou o tabernáculo do Senhor,” e se eu insisto em fazer o que está errado, estou contaminando os meus irmãos. Eu sou um dos da assembleia, você não vê? Deveríamos ser cuidadosos em nossa caminhada para o bem dos outros. Mas o versículo 13 vai mais longe. “e aquela alma será extirpada de Israel; porque a água da separação não foi espargida sobre ele” o tal morreria. Para nós não é a morte, mas o santo imundo está fora de comunhão. Ele não recebe a alegria que pertence à assembleia. Ele está fora moralmente e na prática. Por quê? Porque havia uma maneira de purificar-se e ele não a utilizou. Ele foi negligente. “Esta é a lei, quando morrer algum homem em alguma tenda: todo aquele que entrar naquela tenda e todo aquele que estiver naquela tenda será imundo sete dias. Também todo o vaso aberto, sobre que não houver pano atado, será imundo. E todo aquele que sobre a face do campo tocar a algum que for morto pela espada, ou outro morto, ou aos ossos de algum homem, ou a uma sepultura, será imundo sete dias.” (Números 19:14-16). Contato com o mal, sob qualquer forma nos afeta, e dificulta a comunhão. É uma grande coisa manter o vaso coberto. Qual é o significado disso? Deve haver reservas. Se você vai, e caminha, e fala com o descuidado, e com os ímpios, você vai em breve encontrar-se fora da comunhão. Deus nos convida a manter a coberta sobre o vaso. Este mundo tem um ambiente sujo, e se o vaso não estiver coberto contamina-se. Queremos que Cristo cubra nossos olhos, e encha nossos corações a cada hora do dia (Números 19:16). Você não pode ajudar uma pessoa que tenha caído em pecado sem cair um pouco você mesmo. Ter que ouvir sobre o mal, mesmo na forma de julgamento, nos afeta, assim como aquele que tivesse tocado o osso humano, ou uma sepultura, era imundo sete dias. “Para um imundo, pois, tomarão do pó da queima da expiação e sobre ele porão água viva num vaso. E um homem limpo tomará hissopo, e o molhará naquela água, e a espargirá sobre aquela tenda, e sobre todo fato, e sobre as almas que ali estiverem, como também sobre aquele que tocar os ossos, ou a algum que foi morto, ou que faleceu, ou uma sepultura. E o limpo, ao terceiro e sétimo dias, espargirá sobre o imundo; e, ao sétimo dia, o purificará; e lavará as suas vestes, e se banhará na água, e à tarde será limpo. Porém, o que for imundo e se não purificar, a tal alma do meio da congregação será extirpada; porquanto contaminou o santuário do Senhor; a água da separação sobre ele não foi espargida; imundo é.”(Números 19:17-20). Observe, que uma pessoa limpa teria que espargir sobre o impuro, no terceiro dia, e no sétimo dia. Qual é o significado disso? Cada destes espargimentos estabelece um estágio diferente no processo de restauração da alma. No terceiro dia fica claro que tenho tomado a meu bel prazer as coisas que custaram a Cristo agonias e sofrimentos indizíveis da cruz. Esta medida será acompanhada pela confissão honesta e completa do pecado a Deus. Então entra na alma um profundo sentimento de tristeza pelo pecado, seja ele qual for. A alma se enche de horror ao dizer: “eu tenho pecado contra a graça”; mas, junto com isso, vem um sentimento de profunda amargura, porque afinal de contas este pecado não me será imputado, uma vez que Cristo já sofreu por causa dele. Eu tenho tido meu prazer em tudo o que Lhe custou a agonia da cruz. Ele tomou o pecado, e Ele suportou todas as suas consequências. E a alma passa por profundo, um profundo exercício – quanto mais profundo melhor. Não é no primeiro dia após o pecado que tudo isso é aprendido. Não! Deus me dá três dias para refletir sobre o efeito em minha alma de ter tomado o meu próprio caminho. As cinzas são a morte de Cristo, e a água corrente é a energia do Espírito Santo de Deus trazendo à minha alma o que Cristo passou. Ele diz: “Cristo morreu por você, e Ele carregou o juízo de Deus por você, e este mesmo pecado em que você encontrou prazer, fez sair de Sua alma aquele clamor agonizante: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?” E entra em minha alma o sentimento profundo do quão miserável sou, porque encontrei prazer no que custou dor a Ele. Então, vem o sétimo dia, e agora tenho em minha alma o sentimento da graça abundando sobre o pecado. O Senhor me perdoou? Sim! Imediatamente há um sentimento de alegria ao pensar que estou perfeitamente purificado pela obra completa de Jesus a meu favor, e que a graça que me conheceu como um pecador agora me conhece como um santo. A aspersão teve lugar no terceiro dia e no sétimo dia, e a alma é declarada limpa, e é conscientemente purificada. Em seguida, uma mudança prática ocorre igualmente na alma. Não só posso dizer: “estou perfeitamente limpo, mas que meu pecado não alterou Seu coração. Ele ainda me ama! Sua morte ainda é eficaz para limpar-me!” É terrível perder o gozo do Seu amor, e o consolo que o Espírito Santo dá. Pagamos um preço terrível por nosso próprio prazer. Mas, oh, a alegria de restauração! Quem não a cobiça? O sentido do horror do pecado em oposição à graça parece ser a primeira parte da limpeza no terceiro dia. No sétimo dia acontece a restauração perfeita, quando a mente está completamente purificada de toda mancha de pecado através da abundante graça sobre o pecado. Em primeiro lugar há um sentimento de dor, que eu pequei contra a graça, e depois, tenho o sentimento de que estou perdoado porque a Sua graça não mudou (Romanos 6).

É algo grande para a alma a compreensão disso – se eu tiver entristecido Seu amor, Seu amor está lá para ser entristecido. Mas então perco o gozo desse amor em minha alma, até que chega o dia em que me julgo e me arrependo. Sem dúvida foi o que Pedro fez. Vejo Pedro no terceiro dia em Marcos 16:7, onde um servo, que falhou como tal (Atos 13:13, Atos 15:37-39), registra sozinho as palavras enviadas para Pedro, e novamente em Lucas 24 quando o Senhor o encontra em particular, o vemos no sétimo dia (João 21:15-19), totalmente em repouso no amor de seu Senhor, e confiado nEle. Observe que o homem purificado lava suas roupas. O que significa isso? Ele muda completamente sua maneira de viver, e livra-se da coisa que era o obstáculo. Recebe de maneira prática a lavagem pela Palavra. Vamos agora para as escrituras do Novo Testamento para conectá-las com essa figura. “Se dissermos que temos comunhão com Ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-Lo mentiroso, e a Sua palavra não está em nós.” (I João 1:6-10). Entenda, jovem cristão, embora você seja convertido, e embora o sangue de Cristo tenha lavado todos os seus pecados, ainda é verdade que o pecado está em você. A carne está em nós. “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos.” Se eu fosse dizer, que não tenho pecados, poderia até ser verdade. Mas se eu disser, eu não tenho pecado, estou enganado. Isso é o que um perfeccionista tem sido muitas vezes levado crer. Não há nada no mundo mais enganoso. Por outro lado, tenho que ficar sempre com a carga do sentimento do que são meus pecados? Deus responde assim: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (I João 1:9). Assim é como somos limpos na prática, sempre por meio da confissão a Deus, não ao homem, mas será necessário confessar. Se há alguma sobrecarga na sua alma, deve confessá-la. Você nunca ficará bem até que tenha confessado tudo. “Deus já sabe tudo”, você diz. Isso é verdade, mas você nunca ficará bem até que tenha confessado tudo a Ele. Aí vem o sentimento do que é a graça, mas nunca estará bem até que você tenha dito tudo ao Senhor. Sei que muitos permanecem assim por anos, num estado infeliz e miserável. Ah, que ausência haverá de alegria e de testemunho. Essa alma não está bem com Deus. Amigo, imploro, não vá dormir até que tenha esvaziado o que você tem em seu peito diante de Deus. Se quer ser feliz e útil, não deve haver nenhuma reserva entre você e Ele. Não houve reservas da parte dEle; que não haja, pois, da sua parte. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar,
temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo.” (I João 2:1). Bonitas palavras! O
advogado é Jesus; Ele me restaura ao Pai. Se eu pequei e fugi, não posso voltar para Deus como um pecador. Eu preciso voltar para o Pai como um filho, um filho rebelde, certamente, mas um filho. É uma coisa abençoada para ver, antes de Pedro cair, Cristo o Advogado junto ao Pai, tinha orado por ele. Ah, amados, como Ele nos ama! Deixe que esta verdade entre fundo no seu coração, e você ficará bem. “E Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” (I João 2:2). Aí é onde temos realmente as cinzas da bezerra.

Se eu pecar, Ele vai orar por mim, e então o Espírito de Deus me fará sentir. É Ele o outro
Consolador, Quem, em amor fiel à minha alma, trouxe a sombra. Quando você vir o motivo da sombra, haverá juízo e confissão da sua parte. E quando confessar, Ele o perdoará. E então poderá dizer, Bendito Senhor, quanto me amas! O resultado será, sempre, que você estará mais perto dEle como nunca antes esteve. Tal é Sua graça. Claro, se fiz algo de errado para o meu irmão ou meu próximo, devo ir a ele e reconhecer. Nunca estarei em um bom estado até que tenha ajustado as coisas neste nível. Não só devo acertar as coisas com Deus, mas também com o meu próximo, caso tenha pecado contra ele, porque Deus deseja purificar-nos de toda injustiça. Agora preste atenção, se pequei contra um irmão ou uma irmã, as instruções de nosso Senhor a esse respeito são bem simples (ver Levítico 5 e 6; Mateus 18). A questão toda é essa, Cristo sempre deseja que façamos a coisa certa. Sei em meu coração que nunca crescerei espiritualmente, a menos que seja honesto e claro diante de Deus, por um lado, e diante dos meus irmãos, por outro lado. Como é esplêndido o testemunho de Paulo. “E, por isso, procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens.” (Atos 24:16). Vamos agora voltar para a restauração de Pedro por um momento. Acredito que em Lucas 24 tenhamos seu terceiro dia. Podemos ver que no terceiro dia, o dia da ressurreição, o Senhor achega-Se aos dois discípulos no caminho de Emaús, e foi com eles. É muito interessante ver a maneira com que o Senhor se faz conhecido aos Seus em Sua ressurreição. O primeiro coração que Ele encontrou, e preencheu, foi o de Maria, e depois de seus companheiros. Maria tinha um coração que se deleitava nEle profundamente, e que sentia Sua falta de uma maneira indescritível. O próximo coração que Ele buscou foi um que tinha se afastado dEle – Pedro. Os dois que iam para Emaús parecem ser os próximos. Depois disseram: “Porventura, não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras?” (Lucas 24:32). Nunca tinham ouvido tal discurso em suas vidas, como este que lhes deu no caminho de 13 km. Ora, os nossos corações não ardem, e quase explodem, quando um querido servo do Senhor, no poder do Espírito Santo, abre as Escrituras diante de nós? Imaginemos ouvir o Senhor “explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.”(Lucas 24:27). Não é de admirar que os seus corações ardiam dentro deles. “E chegaram à aldeia para onde iam, e Ele fez como quem ia para mais longe. E eles O constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles.”(Lucas 24:28-29). Ele não força Sua companhia. Mas quando chegaram em casa, e o Senhor “fez como quem ia para mais longe”, eles disseram: “Fica conosco.” Eles “O constrangeram.” Exerceram sobre Ele a pressão que o amor sempre exerce. Tinham gozado tanto de Seu ministério que não poderiam ficar sem Ele. Eles não sabiam quem Ele era, mas tinham descoberto que Ele sabia mais sobre Aquele a quem eles amavam que qualquer um que O havia conhecido, por isso O constrangeram a ficar. Bem, Ele entrou, partiu o pão, e assim O reconheceram. Agora sabiam quem Ele era, e, em seguida, Ele desapareceu. “E, na mesma hora, levantando-se, voltaram para Jerusalém e acharam congregados os onze e os que estavam com eles, os quais diziam: Ressuscitou, verdadeiramente, o Senhor e já apareceu a Simão.”(Lucas 24:33-34). Voltaram rapidamente para Jerusalém. Um momento antes era tarde para ir mais longe, mas então, cheios de alegria, não era tarde demais para eles percorrerem todo o caminho de volta. Tinham caminhado 13 km , e não importava absolutamente nada voltar os 13 km para levar as novas do encontro com Jesus, e para compartilhar a notícia. Quando chegaram lá, encontraram os onze reunidos, e os que estavam com eles. Não era uma assembleia apostólica. Eram os discípulos em geral. “O Senhor ressuscitou verdadeiramente,” eles disseram, “e apareceu a Simão.” No Evangelho de Marcos vemos que foi no terceiro dia, e não tenho dúvida de que Pedro tinha começado a provar o valor das cinzas e da água corrente naquele encontro singular. Nessa passagem acredito que tenhamos apenas a sua restauração privada. O que o Senhor disse a Pedro? Desconheço, mas o que sei é que Pedro foi restaurado. Ele havia tido um encontro com o Senhor, e tinha ouvido as palavras do Senhor. Deus jogou um véu sobre a cena. Não tenho nenhum tipo de dúvida, que foi o Senhor que procurou Pedro. No versículo doze deste mesmo capítulo vemos que Pedro tinha partido “admirando consigo aquele caso.” Para garantir, antes que o dia terminasse, maravilhou-se muito mais, ao ver como o Senhor o havia buscado, e que tudo estava perdoado, e que estava restaurado às afeições do seu Senhor. Apesar de todo o seu pecado, não havia nada no coração de seu bendito Senhor, senão um profundo amor por ele.

Quando lemos atentamente as epístolas de Pedro raramente encontramos versos em que ele não faça referência, de uma forma ou de outra, abertamente, ou secretamente, ao fato de sua queda. Por exemplo, “Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas, agora, tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas.”(I Pedro 2:25). Não tinha sido ele uma ovelha desgarrada? Tinha sim, amados, mas Jesus, o Pastor e Bispo de sua alma, o havia restaurado. Farei referência em outra ocasião, ao que chamo de restauração pública de Pedro, e veremos a maneira em que o Senhor restaura Seu querido servo, e dá a ele uma missão muito importante. É um padrão da maneira com que Ele restaura os corações que podem ter se desviado dEle. Mas, a menos que tenha havido um encontro pessoal com Ele, não se consegue nada. Você pode ouvir muito sobre a graça do Senhor e amor do Senhor, mas nunca haverá em sua alma uma restauração verdadeira até que você e Ele fiquem a sós, e resolvam juntos a pendência. Que o Senhor faça verdadeiramente Seu amor mais e mais precioso para todas as nossas almas, por amor do Seu nome.

O Lamb of God, still keep me
Close to Thy wounded side;
‘Tis only there in safety
And peace I can abide.
When foes and snares surround me,
When lusts and fears within!
The grace that sought and found me
Alone can keep me clean.
‘Tis only in Thee hiding
I feel my life secure,
Only in Thee abiding
The conflict can endure:
Thine arm the victory gaineth
O’er every hateful foe,
Thy love my heart sustaineth
In all its care and woe.
Soon shall my eyes behold Thee,
With rapture, face to face!
One-half hath not been told me
Of all Thy power and grace.
Thy beauty, Lord, and glory,
The wonders of Thy love,
Shall be the endless story
Of all Thy saints above.


CAPÍTULO 4

MINISTÉRIO DE RESTAURAÇÃO
João 21:1-25

Consideramos em nosso último capítulo a ocasião em que o Senhor encontrou com Pedro depois de haver ressuscitado de entre os mortos. O registro é muito simples. E o que temos a conhecer só se encontra em Lucas 24. Quando os dois discípulos de Emaús chegaram ao aposento onde os apóstolos e outros discípulos do Senhor estavam reunidos, se depararam com a certeza e a confirmação daquilo que suas próprias almas tinham testemunhado e experimentado, “Ressuscitou, verdadeiramente, o Senhor e já apareceu a Simão”. Não nos diz onde o encontro aconteceu, nem quando, nem em quais circunstâncias. Deus quis jogar um véu sobre esta cena notável, quando um Mestre, de inimitável graça, restaura o coração de um servo que falhou – um servo que, em um momento de fraqueza, havia entristecido a este Mestre, e feriu o Seu amor como só o amor pode ser ferido; mas podemos ter a certeza de que o coração de Pedro foi completamente restaurado ao Senhor. Evidentemente que alguns poucos dias se passaram entre a cena gravada em Lucas 24 e as descritas em João 21, porque diz neste capítulo, “E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos Seus discípulos depois de ter ressuscitado de entre os mortos.” (João 21:14). Diz-se que era a terceira vez, mas, historicamente, sem dúvida, era a sétima vez. Ele foi visto cinco vezes no dia da ressurreição, o dia do Senhor. Primeiro por Maria Madalena (Marcos 16:9; João 20:1-18), depois por Seus amigos galileus (Mateus 28:1-10), depois por Pedro (Lucas 24:34), depois pelos dois que iam para Emaús (Lucas 24:13-34), e depois pelos que estavam no aposento em Jerusalém, “os onze e os que estavam com eles” (Lucas 24:33; João 20:19), o que registra que o Senhor foi visto não só pelos apóstolos. Havia um bom número dos discípulos reunidos com os apóstolos naquela ocasião memorável, quando Tomé não estava com eles. Essa foi a quinta vez. O próximo Dia do Senhor, no domingo, o Senhor apareceu de novo, e Tomé então estava com eles (João 20:26-29). E agora temos historicamente a sétima vez. Na primeira das três aparições registradas em João 20:21 temos o que é especialmente relacionado à Igreja. Portas fechadas, dentro de um aposento e o Senhor no meio deles. De maneira clara temos o início da assembleia nesta cena, com Ele, e para Ele. Na semana seguinte, quando Tomé estava com eles, o Senhor apareceu novamente. Temos então realmente a prefiguração da bênção aos judeus. Tomé não acreditaria até que visse o Senhor. Os judeus não crerão n’Ele até que seja visto vindo em glória no dia em que há de vir. Em seguida, a terceira cena (João 21:1-11) nos dá figuradamente a entrada dos gentios. É uma figura da cena milenial. Assim, temos nestas três cenas, a Igreja de Deus, os judeus e os gentios. Esta sétima aparição é a bela ocasião em que o Senhor restaura Pedro publicamente. Cristo não somente restaura de maneira privada o coração que se afastou, mas se aquele servo esteve ocupado nos serviços dEle, Ele o restaura publicamente. Lembremos que antes do Senhor ser visto pelos discípulos, o anjo tinha enviado estas palavras pelas mulheres: “Eis que Ele vai adiante de vós para a Galileia; lá O vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito.” (Mateus 28:7). Apressando-se a levar a sua mensagem, as mulheres se encontraram com o próprio Senhor, que disse-lhes: “Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão para a Galileia e lá me verão.” (Mateus 28:10). Seus discípulos deveriam deixar Jerusalém, o lugar religioso, deveriam descer para a Galileia, um lugar desprezado, fora Judeia. E agora, em obediência à ordem do Senhor, encontram-se na Galileia, e encontram-se também em velhas cenas históricas, com os velhos barcos, e as antigas redes (ver Marcos 1:16- 20; Lucas 5:1-11). E o que eles estavam fazendo lá? Estavam à espera de seu Senhor e enquanto esperavam veja o que eles fizeram. Amigos, não há nada que nos teste mais do que a espera. O tempo é o maior teste para nossos corações. Nada testa-nos como o tempo. Agora o que esses homens estavam fazendo? Esperando? Não! Pescando! E Simão foi o líder. Pensavam que iriam preencher o tempo fazendo algo. “Vou pescar”, diz Simão. (João 21:3). “Também nós vamos contigo”, disseram os outros. É espantoso como um santo pode influenciar os outros. É importante vermos nas Escrituras como a influência inconsciente é descrita. Todos nós nos afetamos mutuamente, para o bem ou para o mal. Não precisamos falar. Vou dizer-lhes que há algo muito mais poderoso do que os seus discursos. É a sua vida. O espírito de um homem é infinitamente mais importante do que as suas comunicações. “Vou pescar”, foram as palavras que levaram os sete da praia para o mar, mas “e naquela noite nada apanharam” (João 21:3). Em Marcos 1:17-18, o Senhor tinha dito: “Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens. E deixando logo as suas redes, O seguiram.” Viraram as costas para seus barcos e redes; eles haviam deixado tudo para seguir a Jesus. Então, quando a manhã chegou, o Senhor apresentou-se na praia (João 21:4), mas eles não O reconheceram. Por quê? Por que, queridos amigos, por causa da distância de Cristo, um pouco de vontade própria debilitará tanto a visão, que não reconheceremos o Senhor, nem mesmo quando Ele estiver perto de nós. Estavam apenas uns duzentos covados de Cristo. Apenas uns cem metros da Praia, e ainda assim eles não O puderam reconhecer. Acredito que seja por isso que o Senhor nos diz a distância em que estavam. Ah, meus queridos amigos, se devo ser útil ao Senhor, preciso estar mais perto dEle do que isso. “Instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos.” (Salmos 32:8) Essa é a maneira com que Deus nos conduz. Você não pode ver em que direção estou olhando se está no fim do auditório, mas poderia se estivesse perto de mim. “Guiar-te-ei com os meus olhos.” é a maneira mais tocante que o Senhor tem para nos dizer, “mantenha-se perto de mim”. No entanto, lá, João reconheceu Sua voz. Então Jesus disse-lhes: “Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.” (João 21:5). Tudo o que Lhe deram foi um frio, não! Oh, a resposta grosseira e fria, que às vezes sai dos lábios de um santo! Sim, irmãos, nos tornamos ásperos longe de Cristo. Oh, seria possível que eles não sabiam que era o Senhor. Isso não é desculpa. Nem sequer disseram, Não, senhor! Esta falta de cortesia não O afetou, e adicionou: “Lançai a rede à direita do barco e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes.” (João 21:6). Imediatamente se abrem os olhos de João, e diz: “É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar.” (João 21:7). Foi até a praia tão rápido quanto podia. Ele queria estar perto do Senhor. Certa vez, quando chamado (ver Mateus 14:28-32), deu um passo para fora do barco, na água, para encontrar o Senhor. Desta vez, ele não espera por um convite. Parece dizer: “Eu sei que Ele gostaria de ter-me perto de Si.” E em um minuto ele está perto do Senhor. Se não estivesse com sua consciência limpa, apesar de ter suas afeições bem centradas, não se aproximaria, teria mantido distância. Essa atitude nos mostra aqui que ele estava bem. Tudo haviam sido perdoado, e o Senhor tinha falado de paz ao seu coração perturbado. E agora, quando se deu conta que de fato era o Senhor, disse, eu vou chegar perto dEle. “E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. Logo que saltaram em terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão.” (João 21:8-9). Não tenho nenhuma dúvida de que o fogo das brasas falou à consciência de Pedro, porque isso deve ter trazido à sua memória o fogo das brasas no vestíbulo do sumo sacerdote, quando negou o Senhor. Foi-se aquecendo-se pelo fogo do mundo, e é claro que teve seus dedos queimados. E, amados, se você e eu temos mantido relações cordiais com o mundo, sentiremos tristeza e angústia. O Senhor os convidou a trazer os peixes que tinham apanhado, por isso “Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, sendo tantos, não se rompeu a rede.” (João 21:11). Não duvido, e posso dizer que esta passagem, é uma figura do que será no milênio. Em Lucas 5 a rede se rompeu. Aqui, a rede não se rompe. É a perfeição de tudo o que Cristo introduzirá no dia em que há de vir. Quando eles trouxeram os peixes para terra, a próxima palavra foi: “Vinde, jantai.” O Senhor havia preparado o que era necessário para o corpo, certamente uma figura do que Ele dá para a alma. Ele tem o alimento necessário, e ministra-nos apenas o que precisamos. Considerem esse convite amoroso: “Vinde, jantai. E nenhum dos discípulos ousava perguntar- lhe: Quem és tu? Porque sabiam que era o Senhor.” (João 21:12). Agora, por que vocês acham que o Espírito de Deus inspirou estás palavras? Porque, acredito que cada um deles estava ansiando pela certeza de que realmente era seu Senhor. Não posso ficar longe de Cristo sem que venha um efeito indescritível sobre a alma. As coisas se tornam nubladas para a alma, e se perde a clara visão espiritual. “Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lho, e, semelhantemente, o peixe.” (João 21:13). Ele foi o Anfitrião da festa. Com Sua própria graça peculiar Ele deu de comer a eles. Deu total confiança aos Seus convidados. Já havia dado uma festa antes, para que ninguém ficasse sem sua parte, Ele fez Seus convidados assentarem-se em grupos de cinquenta sobre a grama verde (Marcos 6:39-40), e está registrado que “E havia muita relva naquele lugar.” (João 6:10). A maneira como Cristo encontra as almas é sempre perfeita em ternura e cuidadosa consideração. Não há nada que falte nEle. Depois de terem comido, o Senhor tratou com Pedro. Não era quando ele estava com frio e faminto. Primeiro Ele alimentará e aquecerá você, depois irá corrigi-lo. Disse-lhes: “Vinde, jantai.” Estavam agora perto do calor do fogo , mas tinham estado fora no frio toda a noite, sem dúvida, estavam famintos e com frio. A cura para a fome e frio, é alimento e calor. Essa é a natureza do ministério divino – o ministério de amor. Assim, lemos: “Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes, a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja;” (Efésios 5:29). Somos nutridos pelo alimento, e animados pelo calor. Ambas as coisas se veem no mar da Galileia. Se me afastei do Senhor, no momento em que Ele me trouxe de volta para Seu lado, foi quando conheci o efeito restaurador do Seu ministério que quebranta o coração pela Sua graça, e foi então que Ele pode me fazer as perguntas que quiz , e o meu coração respondeu. E foi nessa passagem que o caso de Pedro veio à tona . “E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me (ágape) mais do que estes?” (João 21:15) Em outros tempos Pedro teria atrevidamente dito: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.” (Mateus 26:33). Porém, respondeu: “Sim, Senhor; Tu sabes que te amo (fileo).” Isso era totalmente verdade, e o Senhor o aceitou. O fruto da Sua bendita graça estava perfeitamente claro aos seus olhos, e “Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.” Em seguida, pela segunda vez, Ele disse: “Simão, filho de Jonas, amas (ágape)-me ?” Observemos que em cada caso a pergunta é diferente, e a missão é diferente. A primeira pergunta é: “amas-me mais do que estes?” A próxima é “amas-me?” Você me ama? Mais uma vez Pedro respondeu: “Sim, Senhor; Tu sabes que te amo(fileo).” Então o Senhor disse-lhe: “Apascenta (pastoreia) as minhas ovelhas.” O Senhor estava indo embora, e coloca aos cuidados de Pedro aqueles que eram mais queridos por Ele. Isso mostra a confiança de Cristo neste homem, agora quebrantado. “Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas (fileo)- me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-Lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:17). Observe a mudança que o Senhor faz em Sua pergunta, ao trocar a palavra que expressa o amor (ágape). Nas duas primeiras Ele disse, “amas (ágape)-me . Pedro, em cada ocasião, responde, “amo (fileo)”. A palavra do Senhor para o “amor” é a utilizada para o amor divino, que nunca falha. Pedro, porém, expressa amor fraternal – que muitas vezes falha, como em seu próprio caso para com o Senhor. Na terceira ocasião, o Senhor se coloca no nível de Pedro, e diz: “amas (fileo) me”, ou seja, “gostas de mim?” “Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: gostas de mim?” E então, por assim dizer, abre as portas do seu coração. Querendo dizer que ao olhar para trás e contemplar o que seu caminho tinha sido, outros talvez duvidassem, mas ele diz: “Tu sabes tudo; Tu sabes que eu te amo.” Ele, por assim dizer, abre as portas, para que Cristo possa olhar para as profundezas do seu coração. Reconhece que precisava abri-lo para que o Senhor pudesse penetrar nele para descobrir que ele tinha tido pouco amor, mas tinha se vangloriado de amar mais a Cristo do que qualquer outra pessoa. Os outros apóstolos poderiam ter pensado que ele era um hipócrita. Mas não o era. A autoconfiança foi a raiz de seu fracasso, e o Senhor aqui atingiu a raiz. Não falou da sua culpa, senão do que a produziu, e não deixou sua consciência em paz até que Pedro julgou a mesma raiz. A autoconfiança em Simão Pedro foi quebrada completamente, mas para chegar a isso, Deus permitiu que caísse de tal maneira que ele jamais esqueceria.

Dificilmente encontra-se um versículo, em qualquer de suas epístolas, que não haja alguma alusão da sua queda, enquanto “que, mediante a fé, estais guardados na virtude de Deus” (1Pedro 1:5), parece ser o seu lema sempre. Leia as suas epístolas, e irá encontrar em quase todos os versículos uma espécie de alusão a esse triste episódio em sua história. Sua autoconfiança foi quebrada completamente, e no lugar dela, brotou uma sincera confiança em Cristo, confiança que o Senhor viu, e na qual Se satisfez. Quando Pedro disse: “Tu sabes tudo”, então Jesus responde “apascenta Minhas ovelhas.” Foi como se dissesse: “Vou embora Pedro, mas vou colocar em suas mãos aquilo que é mais precioso para o meu coração”. E o Senhor mostra Sua profunda afeição e confiança em Pedro, ao dizer-lhe, “Apascenta os meus cordeiros – Pastoreia minhas ovelhas – Apascenta as minhas ovelhas.” Restaurado ao Senhor, em todos os sentidos da palavra, e também docemente reintegrado na confiança de seus irmãos. Não tenho nenhuma dúvida de que no dia em que Pedro negou o Senhor, e fugiu, brotou um sentimento no resto do coração dos discípulos, ele desonrou a todos no grupo. Receio que, por vezes, podemos ficar magoados diante da queda de um irmão, porque ficamos desacreditados. Por acaso temos o sentimento em nossas almas que foi o Senhor que foi desonrado? Este sentimento é muito mais importante. Mas o Senhor aqui restaura Pedro completamente, e ele é, então, comissionado para cuidar daqueles que são tão queridos ao coração de Cristo, durante a Sua ausência. E houve ainda graça mais profunda da parte do Senhor a Seu amado servo. Pedro tinha tido uma oportunidade maravilhosa de testemunhar por Cristo, mas ele a tinha perdido. Havia salvado sua vida à custa de negar Àquele que realmente amava. E pôde sentir uma tristeza latente por ter perdido essa oportunidade em uma grande crise. O Senhor parece dizer-lhe: “Você teve uma chance antes, Pedro, mas você a perdeu, Eu estou dando a você outra oportunidade de testemunhar de Mim, e mais do que isso, você não deve desviar-se.” “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde tu não queiras. E disse isso significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isso, disse-lhe: Segue-me.” (João 21:18-19). Deu a ele uma oportunidade a mais de ser uma testemunha para Ele, e desta vez Sua graça o sustentaria. No que tinha falhado em fazer por sua própria vontade, ainda ia fazer pela vontade de Deus. Ele tinha dito que estava pronto para morrer por seu Senhor, em sua própria força. Um dia morreria por seu Senhor, energizado e sustentado por Deus. Amados, não há nada como a graça de Cristo. Fortalecei os vossos corações na infalível graça de Cristo. Certamente, “bom é que o coração se fortifique com graça” (Hebreus 13:9). Como disse Paulo para seu filho na fé: “fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (II Timóteo 2:1). Não há nada tão abençoada como a graça de Cristo. Ainda que possamos ter pecado muitas vezes contra a graça, damos graças a Deus por Sua graça continuar aqui. É importante notar que estas palavras do Senhor a Pedro foram ditas na presença de seus irmãos. Foi restaurado publicamente. O que quer que podem ter pensado sobre ele, era manifesto que o Senhor o apreciava muito e confiava nele. Somos lentos – muito lentos – em confiar num santo que tenha caído. Não é assim com Cristo. Se um servo cai, dizemos, nunca mais poderei confiar nele novamente. “Nunca confie em um cavalo com os joelhos quebrados” é um velho ditado no mundo, e os santos agem segundo este ditado com um irmão que falhou. Por quê? Porque temos tão pouco conhecimento, em nossas próprias almas, do que é a graça. Por outro lado, Deus não pode confiar em nós até que estejamos quebrantados. Se estudar a história de Pedro, verá que o quebrantamento desse homem foi sua edificação. Deus tem que levar muitos santos até a sargeta, para quebrar as molas de autoconfiança que estão neles, porque Ele quer realidade em nós, e sempre expõe o que está corrompido, mais cedo ou mais tarde. Em seguida, os eleva e os carrega, e os torna os vasos de Sua graça como nunca foram antes. Esta atrativa cena conclui-se quando o Senhor disse a Pedro: “Segue-me tu.” (João21:20). Preciosas palavras de encorajamento cheio da graça! “E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.” (João 21:20-22). João estava fazendo o que foi dito a Pedro para fazer. Este último, curioso para saber o futuro do seu companheiro, pergunta: “Senhor, e deste que será ?” Como somos aptos a descuidar da nossa própria missão, e nos ocuparmos com a dos outros – com os serviços e caminhos deles. É melhor deixar o seu irmão em paz, era a réplica do
Senhor. “Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?

Segue-me tu.” Siga-me, e deixe o seu irmão em paz, diz Cristo. Parece um grande princípio. Essa foi a última palavra que disse a este querido homem nos Evangelhos. O Senhor nos ajude, a cada um de nós, a conhecermos a imensidão da graça de Cristo. E se houver um irmão caído, que nos dê graça para ajudá-lo. E então, se o Senhor prova e restaura aquela alma, Ele pode fazer dele um vaso muito útil. Não podemos deixar de ficar impressionados com a forma notável que Pedro se destaca nos Atos dos Apóstolos. Como servo ele realmente estava sustentado pela graça. A amarga e terrível queda que ele sofreu foi um meio de fazê-lo seguir o Senhor em silêncio e sinceramente. Que Ele nos dê a conhecer o que é manter-nos perto de Si, porque se nós O seguirmos estaremos seguros. E deixe-me concluir, citarei para vocês, jovens cristãos, algumas palavras deste servo amado e restaurado: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo, como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo. E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação,”(I Pedro 1:13-17). O dia em que eu caio é sempre o dia em que deixo de temer a queda. Enquanto tiver este temor nunca cairei. Que o Senhor nos guarde a cada um de nós, com temor em nossos corações, e seguindo-O em sinceridade, por amor ao Seu nome.

Ó Senhor, o Teu amor é sem limites,
Quão doce, livre e completo em devoção!
A minha alma está extasiada;
Pensando em Ti, me arde o coração.
Mas, Salvador, lamento quão instável
Me sinto um ser débil;
Minha mente vaga por toda parte.
Mas o Teu amor é como Tu, sempre invariável,
E me faz voltar para Ti; Oh fiel Senhor!
Regozijando-me na paz estável
Que tenho debaixo do manto do Teu amor.
Sim, por ter afeições mais constantes
Minha alma poderá viver em gratidão,
Contemplando Tuas glórias, ainda mais brilhantes,
Meus olhos permanecem ungidos de virtude.
Tuas perfeições celestiais tranquilizam
Ainda eu conhecendo melhor,
E Te adorando com gozo na minh’alma,
Crescendo eu iria em Teu doce Amor.
Bom é ter segurança constante,
Se entre mim e o fulgor entremetem-se nuvens
Do sol… logo fundidos, eterno Amante,
Como antes, brilha em Teu resplendor.
A minha alma, guarda, junto ao teu peito,
E se fugir de Ti, infiel, meu bom Pastor,
Faça-me ouvir Teu chamamento terno,
Voltando junto a Ti, meu Protetor;
Te apreciarei ainda mais
Teu grande favor em minha alma e ao redor;
Provado assim, coroarás, meu Amado,
Minhas esperanças estão na Tua casa de amor.


CAPÍTULO 5

MINISTÉRIO DE PREVENÇÃO
João 13

Há dois pontos neste capítulo, queridos amigos, que quero falar nesta tarde, em relação com outras passagens das Escrituras – que são da maior importância para nossas almas que os tenhamos claros, pois, acredito não haver nada como essas duas verdades que nós, como filhos de Deus, conheçamos tão pouco, ou seja aquilo que nos ensina, nessa passagem das Escrituras, a respeito da bacia e do peito. A bacia é a expressão do ministério que coloca o coração em repouso com o Senhor Jesus, e em seguida, como fruto disso a alma toma o seu lugar, como João fez, e coloca a cabeça sobre o peito do Senhor. Agora me pergunto, e pergunto também a vocês: Sabemos alguma coisa da história da nossa alma como filhos de Deus que corresponda a isso – uma proximidade de Cristo expressa por ter a cabeça no Seu peito? Nunca será uma coisa conhecida na prática a menos que o que o precede seja conhecido e compreendido – a perfeição do amor do Senhor para com você, e tudo o mais fora da nossa visão! Seu amor por Ele nunca levará você a ter está proximidade. Somente aprendendo o que Ele é para nós que se pode ter uma noção, em qualquer medida, desta proximidade. Já contemplamos o ministério de restauração do Senhor. O que o capítulo treze de João desenvolve diante de nós é, na realidade, de uma natureza preventiva. Se realmente eu me desse conta do quão perto devo estar do Senhor, e me guardar assim, não me afastaria muito, e não seríamos infiéis. Este capítulo começa com o amor de Jesus – “como havia amado os seus.” Estas duas pequenas palavras são de grande benção. Não ocorrem frequentemente, mas não há nada tão profundamente doce do que cultivar o pensamento de que sou mesmo Seu – de que tenho valor para Ele; Ele tem algo Seu em um mundo onde não tinha lugar, onde não há lugar para Ele – algo aqui que Ele ama. Para entender melhor este ministério de Cristo, pode-se dividi-lo em três partes – passado, presente e futuro. O temos, assim, apresentado muito claramente em Efésios 5:25-27 “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela (que é passado), para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra (que é a Sua atividade presente), para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível (que é o futuro).” Há três passagens nas escrituras do Antigo Testamento que se relacionam entre si de maneira encantadora com este ministério de Cristo. Eé maravilhoso pensar que Ele se fez servo “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mateus 20:28) Ele estava aqui para servir; como Ele disse aos discípulos: “entre vós, sou como aquele que serve.” (Lucas 22:27). Agora vejamos de que maneira Ele nos serve. Vejamos por um momento o Salmo 40. Lemos: “Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos (minhas orelhas – Darby) abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste. Então disse: Eis aqui venho; … Deleito-me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu.” (Salmo 40:6-8). Algumas Bíblias fazem referência a Êxodo 21:6, muita atenção nisso. Não está certa está referência. E isso tem levado muitos ao engano. Êxodo fala de Sua morte. Salmo 40 do Seu nascimento. O que você entende por “abrir” as orelhas? É perfeitamente simples. Suponhamos que você saia e cave um poço, não há poço lá até que seja cavado. Então Ele não tinha orelhas até que foram “abertas” – Ele nunca tinha tido que ouvir antes! Ele havia criado, ordenado, governado, legislado, mas não tinha tido que ouvir. Há uma bela interpretação desta figura oriental em Hebreus 10, o que torna o significado bem claro. “Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste” (Hebreus 10:5). Ao ir para o fim desse versículo , talvez você tenha observado que o apóstolo não o cita como está escrito no Salmo. Alguns se tem incomodado com isso, e os incrédulos imediatamente têm dito: “Olhe para o seu grande apóstolo Paulo, ele não pode sequer citar as Escrituras corretamente.” Mas não há erro. É simplesmente isso, a citação é retirada do grego, e não da versão hebraica das Sagradas Escrituras do Antigo Testamento. Cerca de 200 anos antes do nascimento do Senhor Jesus, as Escrituras do Antigo Testamento foram traduzidas para o grego (tivemos uma versão revisada apenas nos últimos tempos), e quando os tradutores chegaram ao Salmo 40, é evidente que se detiveram em descobrir o que significava “abrir” as orelhas, e Deus, pelo Seu Espírito, os fez ver a respeito de Quem era falado, Ele nunca tinha tido orelhas, nunca antes tinha tido um corpo, mas ainda estava para assumir um – ou seja, para se tornar encarnado – e traduziram isso livremente e puseram: “corpo me preparaste.” Ao escrever aos hebreus, Deus, pelo Seu Espírito, levou o apóstolo a citar o grego, em vez de o hebraico, para que pudéssemos compreender que Ele agora tinha um corpo, e era um ouvinte. Qual é o valor das orelhas? Não vê, nem age ou pensa, só recebe comunicações externas. “Eis aqui Venho”, Ele diz a Deus “, “corpo me preparaste.” e naquele corpo, o Filho eterno do Pai veio fazer o que nunca ninguém tinha feito – ouvir a
vontade de Deus e fazer a Sua vontade. Temos outras passagens das Escrituras, Isaías 50, mais um passo abençoado na história deste Servo perfeito. Ele era uma Pessoa divina, o único que tinha todo o poder na Suas mãos, sim “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hebreus 1:3), a Quem ouvimos dizer: “Eu visto os céus de negridão e pôr-lhes-ei um pano de saco grosseiro por sua cobertura.” (Isaías 50:3). Temos aqui a Sua divindade exposta, enquanto o verso seguinte apresenta-O como um Homem dependente. “O Senhor Jeová me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer, a seu tempo, uma boa palavra ao que está cansado. Ele desperta-me todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça como aqueles que aprendem.” (ou como aprendiz) (Isaías 50:4). É o mesmo, aquele que ouve. Ninguém senão o Senhor Jeová despertou Jesus, exceto os discípulos uma vez grotescamente, quando não deveriam ter feito isso (ver Marcos 4:38).

A conhecida voz do Pai O despertava e Ele recebia Suas orientações diárias. Temos Sua vida aqui em Isaías. O Salmo 40 nos fala do Seu nascimento. Recebia comunicações de Deus pela manhã de qual seria o Seu caminho, e quando Ele sabia de tudo, tinha um sentido pleno e perfeito da perfeição absoluta do caminho de Deus com Ele, e Ele não voltou atrás. Os versículos seguintes revelam a Sua perfeita sujeição, e Seus recursos em um caminho de provas indescritíveis. “O Senhor JEOVÁ me abriu os ouvidos, e Eu não fui rebelde; não me retiro para trás. As costas dou aos que me ferem e a face, aos que me arrancam os cabelos; não escondo a face dos que me afrontam e me cospem. Porque o Senhor JEOVÁ me ajuda, pelo que me não confundo; por isso, pus o rosto como um seixo e sei que não serei confundido. Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Compareçamos juntamente; quem é meu adversário? Chegue-se para mim. Eis que o Senhor JEOVÁ me ajuda; quem há que me condene? Eis que todos eles, como vestes, se envelhecerão, e a traça os comerá.” (Isaías 50:5-9). Se as histórias de nossas almas fossem honestamente relatadas, a metade, ou mais, as três quartas partes dos exercícios, dificuldades, angústias e problemas que atravessamos são antecipações das dores que nunca vêm sobre nós. O Senhor Jesus sabia de todo o Seu caminho diante de Si, e foi em frente. Quantas vezes temos sido rebeldes, e dado as costas a uma situação por vermos nela um problema iminente. É tão diferente do que encontramos no Senhor. Mais uma vez digo, quando temos procurado servi-Lo, quantas vezes temos sido humilhados porque não conseguimos. Talvez tenhamos nos cercado de pessoas, e procurado ajudá-las, santos ou pecadores, e depois descobrimos que não poderíamos ajudar estas almas. Por quê? Simplesmente porque não estávamos perto o suficiente do Senhor. Por que Jesus sempre podia ajudar as almas? Porque Ele estava sempre perto de Seu Pai, as palavras que Ele falava vinham do Pai. Em toda a história de Cristo, o que marcou foi Sua perfeita e absoluta dependência . Ele sempre tinha a “palavra a seu tempo” – a palavra certa para cada alma que O conheceu, e Deus era sempre glorificado, porque a palavra necessária era dita sempre. A perfeita dependência e a espera das instruções de Deus, são vistas nas cenas notáveis e comovedoras de João 11, quando as irmãs, Marta e Maria, enviam a Jesus um recado para Ele ir ver o irmão delas, que estava morrendo, sentindo-se seguras de que as palavras “eis que está enfermo aquele que tu amas” (João 11:3) O faria vir imediatamente. Suponhamos que um mensageiro chegasse em sua casa já à noite, para lhe dizer que alguém que você ama muito está doente, o que você faria? Pegaria o primeiro meio de transporte que pudesse para estar com ele, não é? Até mesmo a pé, faria da maneira mais rápida para poder chegar lá. Claro que sim. Mas o Senhor não fez isso. O amor sempre faz o melhor para o seu objeto. Nós frequentemente não fazemos assim. Posso admitir livremente para vocês que muitas vezes não sabemos o suficiente da mente do Senhor para agir da melhor maneira. Quando o Senhor “ficou ainda dois dias no lugar onde estava” (João 11:6), o que os discípulos pensaram? Estavam, sem dúvida, surpresos com a maneira como Ele agiu. Creram que Ele estava muito unido àquela família de Betânia, mas Sua ação poderia sugerir que não. Eles não entenderam o que Ele disse, compreenderam mal o que Ele fez, e acharam muito estranho que Ele não foi imediatamente. O que pensaram as irmãs? “Ele virá no momento em que souber que Lázaro está tão enfermo.” Esperaram e observaram, e Ele não veio. Quantas vezes esperamos e observamos para receber uma resposta a uma mensagem que Lhe enviamos? O que elas disseram quando finalmente Ele chegou? “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (João 11:21) – Então fala a incredulidade cega: “Se os teus pés tivessem sido um pouco mais rápidos, se não tivesse saído tão tarde, isso não teria acontecido”. Os discípulos não O entenderam quando finalmente foi. “Depois disso, disse aos Seus discípulos: Vamos outra vez para a Judeia. Disseram-Lhe os discípulos: Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-Te, e tornas para lá? Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz. Assim falou e, depois, disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.” (João 11:7-11). O que os versículos 9 e 10 querem dizer? Aplique o a Cristo, e também ao nosso próprio caminho. Ele via a luz e andava nela. Suponhamos que tivesse ido dois dias antes, teria andado no meio da noite, porque Ele não tinha instrução para ir. Isso Lhe seria impossível! Quando foi tinha instrução para ir, andava na luz, e nunca tropeçou. Isso é o que desejo para meu próprio coração e para os de todos os santos – essa proximidade com o Senhor – a fim de podermos caminhar tão perto dEle, que se tivermos que ir a um determinado lugar, poderemos colocar a nossa mão na Sua, para que não andemos pela rua errada. Há sempre uma rua certa e uma errada, em cada viagem. Não nos esqueçamos disso. O que se conseguiu através da permanência de Cristo no mesmo lugar naqueles dois dias? Marta soube que seu irmão ressuscitaria. Sabemos destas duas simples palavras que encorajaram tantos corações diante de um túmulo aberto, “Jesus chegou.” A glória de Deus foi revelada, e o poder de Cristo se manifestou sobre a morte. Ele foi um servo perfeito, e nunca se moveu sem ter a palavra necessária. De que serve um mordomo apressado todos os dias em volta da casa? O dever de um mordomo é esperar até que a campainha toque, em seguida verificar o que o seu senhor deseja, para fazê-lo. Era sempre assim com o Senhor Jesus. Ele foi o mordomo perfeito. Em Êxodo 21:2-6, não tenho nenhuma dúvida de que temos mostrada a morte de Cristo, mas também temos o que O marcou por todo o Seu caminho aqui, a absoluta e completa submissão. Ele amava Seu Senhor, Jeová Amava Sua esposa – aqueles com quem tinha uma relação íntima, ligados a Ele; Ele amava Seus filhos, e não queria sair livre. Cristo amou a Igreja. É uma grande benção saber disso, porque molda a alma e une afetivamente o coração ao Senhor. As afeições correspondidas são da máxima importância. Pode-se ser um clérigo de primeira linha (não tenho nenhuma objeção se for um bom clérigo), mas sem essa afeição, por melhor clérigo que seja, será um cristão miserável. Você pode ser tão claro como um grande bloco de gelo, e igualmente frio. Você entende? Hoje em dia se dá muito valor à inteligência, mas direi o que penso, somos todos extraordinariamente ignorantes. Nossa tendência é crer que sabemos muito mais do realmente sabemos. E mais, todos nós damos crédito a outros por saberem muito mais do que nós. E então, quando os problemas vêm sobre nós, ou questões de doutrina, nos surpreendemos ao descobrir quão facilmente os santos são afetados. O que manterá a alma? Inteligência? Não! Afeição! O amor dEle por você! Fora isso a profissão da fé em Cristo é a coisa mais miserável. Se o seu coração não está gozando do Seu amor, você é um miserável. O servo hebreu amava o seu senhor – figura do afeto de Cristo para com Deus amava sua esposa, ilustrativa da Igreja, e seus filhos, não queria se separar deles. O furo na orelha indicava isso, e é a figura da morte de Cristo. Assim, em conexão com a orelha – o serviço de amor, o Salmo 40 fala do Seu nascimento, Isaías 50 da Sua vida, Êxodo 21 da Sua morte. Leve este pensamento na sua alma, que o Senhor não quer que você e Ele se separem, não só na eternidade, mas agora, por isso Ele vai tirar todas as partículas de pó da terra, e cada grão de refugo moral que pode separar sua alma da dEle, e assim, colocá-lo tão perto dEle que você não será feliz se estiver longe, nem mesmo se a distância for a de um fio de cabelo. Veja isso em João 13. Outro dia uma pessoa me disse: “Doutor, qual é a sua posição?” “Cristo!”, eu respondi. “Nada mais?” “Nada mais, e nada menos – aqui é onde começo, continuo, e nunca termino.” Cristianismo começa com um novo homem em um lugar novo – na glória – não com o primeiro homem em inocência, nem culpa ou pecados, morte ou qualquer coisa parecida – aquele homem se foi, e agora estou “em Cristo,” em um novo estado nunca antes conhecido e é aí que eu começo, limpo e fora de tudo o que havia estado antes. Você está em liberdade real da alma? Frequentemente as pessoas costumam dizer, “Oh, estou em uma grande angústia com relação a mim mesmo, estou decepcionado comigo mesmo.” Aí está você – eu – eu – tudo eu. Por que o homem em Romanos 7 é tão miserável? Porque ele fala quarenta vezes sobre si mesmo, e nenhuma vez a respeito de Cristo. Não merecia a miséria em que se encontrava? Acho que sim. Olhe para Cristo, veja o que Ele é para Deus. Onde está o cristão? Lá, em Cristo, diante de Deus e cada um dos seus trapos e vestígios daquele velho eu foi-se totalmente. Não desista dessa posição se você a alcançou, . E não se contente caso não a tenha até que a obtenha. Se você não tem esta realidade em sua alma pelo Espírito Santo, não começou a ser um cristão. O homem tem agora um lugar maravilhoso de favor em Cristo diante de Deus, nAquele que é a nossa vida, a nossa sabedoria, nossa justiça, o nosso tudo. Não havia nenhuma ligação real com o Senhor, até que Ele morreu e foi ressuscitado; não seria possível falar de nossa posição até que Ele ressuscitasse. Se se estuda o Evangelho de João com este pensamento, vê-se em João 1 ao 12 que Ele fala de “Meu Pai”, em João 13 ao 19 “o Pai”, e em João 20 “vosso Pai.” É evangelho do Pai de ponta a ponta. No capítulo 13 Ele é, por assim dizer, o quebra gelo levando-os a um estado de transição. No capítulo 20, toda a verdade vem para a luz, ao dizer, “meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus ”. Ele nos conecta indissoluvelmente com Ele mesmo no lugar que Ele tomou. Como em Gênesis 2:7, Deus soprou sobre o homem e ele se tornou uma alma viva, assim, em João 20:22, o Senhor soprou sobre os discípulos a Sua própria vida e natureza, e eles passaram a ser como um que havia voltado à vida dentre os mortos. “Porque Eu vivo, vós
vivereis” (João 14:19). Como uma alma vem a estar em Cristo? Evidentemente pelo Espírito Santo. A vida é a base. Está em Cristo pelo Espírito Santo, mas está em Cristo pela vida, bem como pelo Espírito Santo. Estou perante Deus “em Cristo”, que é a minha vida, e o Espírito Santo vem e habita em mim, para fazer que tudo em minha alma seja bom e verdadeiro, porque o “Espírito é a verdade” (João 5:6), assim como também é afirmado que “o Espírito vive” (Romanos 8:10). A primeira coisa que o ministério de Cristo faz por mim é, não somente varrer, raiz e ramo, tudo o que eu era, mas me colocar no lugar que a Ele pertence. Primeiro dá a mim uma posição que é Sua (o lugar de Cristo diante de Deus é o nosso lugar) e em continuação obra para trazer o meu coração de forma inteligente para o gozo dessa posição. João 13 revela o que o amor faz para seu objeto. É extremamente interessante, em conexão com a Ceia do Senhor, ver que em Mateus 26:17, os discípulos chegaram ao Senhor para saber onde deveriam preparar a ceia pascal, mas
não nos diz quem fez isso. Marcos 14:13 diz que foram dois discípulos. Lucas 22:8 nos diz que estes dois discípulos eram Pedro e João. João, com sua descrição habitual, não diz uma palavra a respeito de quem a preparou, mas quando tudo ficou pronto para eles se sentarem para jantar, ele já tinha entendido e pôde apreciar quando Jesus lhes lavou os pés e os fez idôneos para apreciá-Lo e, em seguida, encorajado pelo conhecimento desse amor, ele coloca a cabeça sobre o peito do Senhor. João 13 ilustra a diferença entre o sacerdócio e a advocacia de Cristo. Sacerdócio nos mantém diante de Deus, como Deus. Advocacia tem a ver com o Pai e os filhos. Sacerdócio tem a ver com Deus, e me mantém diante de Deus em todo o valor e eficácia do sacrifício, em virtude do qual fui trazido diante de Deus. Advocacia age quando o sacerdócio falha. Sacerdócio é preventivo – a advocacia é restauradora, aqui temos a diferença. Tudo baseado no perfeito amor. Neste capítulo 13 de João, Cristo Se humilhou em graça e Se dispôs a lavar os pés dos Seus, daqueles a quem amava. Pedro não conseguiu pensar em seu Mestre Se humilhando e diz: “Nunca me lavarás os pés” (João 13:8). E foi como se o Senhor dissesse: “Você não pode compreender e nem ter nenhum gozo, até que Me deixe fazer o que Eu quero, até que Meu coração encontre você como Eu desejo. Se eu não te lavar, não tens parte comigo.” Em seguida, diz Pedro: “Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.” Não, não se trata disso. “Aquele que está lavado não necessita lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo”, é a resposta de amor. Ele não queria nem um ponto de sujeira naqueles a quem amava. Você já ouviu falar aquele velho ditado, “O amor nunca vê uma mancha no seu objeto”? Isso não significa que o amor é cego. Não, o amor não é cego, tem a sua visão intensamente iluminada, nada mais. Vê as manchas, e trabalha para removê-las. É a coisa mais doce possível que podemos pensar do Seu amor lavando os nossos pés. Talvez você tenha ouvido alguém dizer: “Ouvi uma palavra cheia de amor, que foi de grande ajuda para minha alma, através do fulano”. De onde vinha? Vinha da parte do Senhor na glória, usando, por assim dizer, a bacia e a água. O canal por onde veio é importante. Não importa que tipo de tubulação seja, se de chumbo, ou barro, ou terracota, desde que a água chegue a você, com seu poder purificador e refrescante. Se você receber alguma elevação, de onde isso partiu? De Seu coração na glória.

Talvez haja alguém que tenha sido infiel e se apartado do caminho. É bem possível. O que Ele faz com os tais? Veja, e leia em Jeremias 2 e 4 antes de ir para a cama hoje à noite, e você verá o que Ele faz. Israel O esqueceu, mas Ele nunca esqueceu de Israel. “Ah,” você pode dizer, “passaram-se muitos meses desde que pensei muito nEle, e muitas coisas amargas aconteceram desde então.” Sim, e Ele sabe tudo o que tem acontecido. Quando chegarmos em Jeremias 4 verá que o coração foi restaurado através da graça perfeita. Infiel! Você está desviado, andando perdido, nesciamente e voluntariosamente? Mas seja o que for, Ele te ama. Agora, você pode olhá-Lo na face, e dizer: “Tomarei o meu próprio caminho”? Não, tenho certeza que você não pode dizer tal coisa. Mas dirá: “Se Ele me ama desta maneira, me apegarei a Ele, e procurarei ser para Ele o que Ele quer que eu seja.” Este é o caminho certo. O Senhor vai ajudá-lo. Há um outro ponto de grande importância em João 13. A maneira de ser inteligente e saber a mente do Senhor é estar perto dEle. João nos diz através da sua ação: “Vou te mostrar o caminho.” Ninguém, senão Judas, sabia quem trairia o Senhor, quando Ele disse: “Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair. Então, os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem de quem ele falava.”(João 13:22). Como nos parecemos quando as coisas vão mal e temos a plena consciência de que há pecado na assembleia, como nós olhamos uns
para os outros. As coisas estão muito frias, sem vida onde você vive, e estão olhando uns para os outros? Não façam isso. Não há nada como a Mesa do Senhor para expor onde as pessoas estão. Você quer estar à mesa do Senhor? Não dê esse sério passo a menos que esteja realmente desejando caminhar com o Senhor. Ali tudo é trazido para a luz, tudo fica exposto diante de todos. As pessoas falam superficialmente sobre: “Que coisa abençoada é estar à mesa do Senhor.” Será uma coisa horrível a menos que você realmente queira estar por causa do Senhor. Tudo será exposto, porque Ele está ali. Depois que Seus discípulos tinham olhado um para o outro, suas consciências começaram a trabalhar, e começaram a olhar para si mesmos, dizendo cada um: “Porventura, sou eu, Senhor?” (Mateus 26:22; Marcos 14:19). Mas isso não trouxe a resposta. Pedro, embora fosse um homem afetuoso, não era inteligente. Ele desejava saber quem era o traidor, mas não sabia fazer a pergunta de maneira adequada. Por que não perguntou ao próprio Senhor quem O haveria de trair? Porque ele sentia e sabia que, na presença do Senhor, o que temos frequentemente sentido, que um outro estava mais próximo a Ele do que o próprio Pedro. Ele não tinha liberdade. Então, fez sinal para o outro para que perguntasse. Quem era aquele outro? “Ora, um de Seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus. Então, Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem Ele falava. E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-Lhe: Senhor, quem é?” (João 13:23-25). A proximidade é o resultado da afeição, e a fonte do verdadeiro conhecimento. Pedro não estava tão próximo aos afetos divinos como aquele que encontrava-se no Seu seio. Não pode haver dúvidas de que este era João, pois ele sempre se refere desta maneira quando fala de si mesmo, como “o discípulo que Jesus amava” (João 19:26; João 20:2; João 21:7,2-,24). Poderia apontar nesta sala esta noite o discípulo a quem Jesus ama? Alguém me disse certa vez quando fiz essa pergunta :“Oh” “o senhor está querendo referir-se a esse assunto dessa maneira, talvez pense que é o senhor mesmo?” “Sim, respondi, dou graças a Deus que o sou, e eu não perderia isso por nada. Conheço o discípulo onde moro a quem Jesus ama, quando estou lá, mas não tiraria de você esse privilégio . Cada um pode conhecer o discípulo a quem Jesus ama.” As pessoas, às vezes, dizem: “Não havia algo peculiar em João?” Sim, ele era um homem muito simples, acreditava no amor que o Senhor tinha por ele, regozijava-se nisso, vivia nEle e estava sempre perto de sua fonte. É como se o ouvisse dizer: “Eu sei que Ele me ama, sei que Ele deseja que Seu amor seja apreciado, e que nada Lhe agrada mais do que eu estar tão próximo quanto puder dEle. Ele queria que eu recostasse minha cabeça no Seu seio, e eu fiz isso.” Sabe como reconheço meus amigos? Eles gostam da minha companhia. João agiu neste princípio no que diz respeito ao Senhor. Meus amados amigos, especialmente os mais jovens : “Cultivem a proximidade de Cristo”. Cultivem em suas almas o sentimento de que, se vocês se afastarem, por pouco que seja do Seu lado, Ele sentirá sua falta e desejará tê-los de volta.

O ministério de amor do bendito Senhor não cessa com o que João 13 revela. Ele continuará para sempre, até o final. Passemos agora para Lucas 12. Nesse adorável capítulo, no início, tratando do temor e da ansiedade (os dois sentimentos mais perturbadores na Igreja de Deus e no coração), temos o terceiro aspecto do ministério de Cristo. Como é que Ele expulsa o temor do homem? Através de um temor maior, o temor a Deus – e Ele expulsa a ansiedade através do cuidado que Deus tem por nós – “Permaneçam livres para pensar em Mim” e agora Ele diz: Tudo aqui falha (Lucas 12:33). A traça, a ferrugem e o ladrão danificam tudo. Se vemos o ponto de vista de uma mulher com relação à casa, a traça é a sua praga; sob o ponto de vista de um homem, a ferrugem o preocupa. Se alguém disser: “Eu tenho o que nem a traça nem a ferrugem pode tocar”, – isto é o mundo – o ladrão virá roubá-lo e impedirá a sua alegria. Você tem um tesouro nos céus? Talvez você possa dizer: “Tenho tentado fazer de Cristo o meu tesouro.” Já ouviu dizer que Cristo teve um tesouro muito precioso aqui na terra? Se pudesse olhar para João e lhe perguntar: “Quem é o tesouro de Cristo?” ele teria dito: “Eu sei, eu sei, não quero dizer o nome dele, mas sei quem é. É o discípulo a quem Ele ama.” No momento em que você descobrir que Ele tem um tesouro na terra, e que este tesouro é você, poderá dizer verdadeiramente, Ele é meu tesouro no céu. É a reciprocidade do amor. Você não pode evitá-lo. Ao entrar em você o sentimento do Seu amor e do que Ele sofreu por você, seu coração será totalmente capturado. No entanto, nunca será totalmente capturado até que você descubra quem é o Seu tesouro, ai então fará dEle o seu tesouro. Não haverá nenhum esforço. E se Ele vier a ser o seu tesouro, você não gostaria de vê-Lo? “Certamente”, você responde. Mas quando gostaria que o Senhor viesse? Esta noite. Realmente agora? Tem certeza? Está disposto, vigilante, esperando a vinda dEle? Pronto para “abrir-Lhe”’ imediatamente quando Ele bater? Algumas vezes vou a uma casa, bato e tenho que ficar esperando um bom tempo para entrar. Meus pacientes conhecem minha batida, geralmente os faço compreender muito bem que não tenho tempo a perder e que desejo, sem demora, entrar. Ainda assim me fazem esperar. Por quê? Não ouviram? Ouviram, mas procuram organizar um pouco as coisas, arrumando algumas coisas da casa do paciente, isso é comum, e me explicam o que estão fazendo enquanto estou esperando. Eles estão apenas “organizando-se um pouco” no interior, colocando as coisas em ordem, apenas arrumando o quarto do paciente um pouco. Você tem alguma coisas para “organizar” alguma coisa para fazer antes que Ele venha, ou você está pronto para Ele vir agora? Você poderia abrir-Lhe imediatamente? Sem temores, com a ansiedade eliminada, e o coração lá em cima, somos deixados para ser luzes para Ele neste mundo escuro. Há alguns dias, estava indo sozinho por um caminho em em uma cidade, e ao ver um vagalume que brilha na escuridão da noite, disse: “Isso é o deveríamos ser, vagalumes na noite, brilhando para Ele.” Você é um vagalume em seus negócios, em sua casa, no seu bairro – um vagalume celeste nesta terra escura, manchada pelo pecado, à espera do Senhor? Você está olhando para cima nesta noite, esperando Sua vinda, desejando dar-Lhe as boas-vindas? “Sim,” você dirá, “Considero a vinda do Senhor.” Deixe-me fazer-lhe uma pergunta. “Será que a vinda do Senhor o sustenta?” Se for assim, não só estará esperando, mas velando. Observe o versículo 37: “Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-se, os servirá.” (Lucas 12:37) O que significam essas palavras: “chegando-se, os servirá”? Quando Ele nos levar à glória, nunca deixará de ser Aquele que nos ministra. Ele vai servir-nos para sempre. Que amor! Ele assumiu a humanidade a fim de nos servir, e nunca deixará de ser um Homem. Assim é como O conheceremos na glória. Que Salvador! “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste;” era parte de Sua oração ( João 17:24). Há algo mais profundo do que a glória – o amor que nos leva lá. Nós não estamos na glória ainda, mas estamos no amor que nos levará lá. “Conservai a vós mesmos no amor de Deus”, é, portanto, a exortação do Espírito (Judas 21). “a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento” (Efésios 3:17-19), esta era a fervorosa oração do apóstolo pelos santos. Que o Senhor nos conceda conhecer o que é permanecer no gozo deste amor, por causa do Seu nome. Amém.


CAPÍTULO 6

ESPINHOS E ABROLHOS OU A APOSTASIA
Hebreus 6

Este capítulo é uma das três passagens do Novo Testamento que Satanás tem mais incessantemente utilizado para torturar e angustiar as almas dos filhos de Deus. Uma das três, pois, as outras duas são João 15 e Hebreus 10. Essa passagem em Hebreus descreve a condição de uma alma que apostatou e abandonou toda a verdade. Não descreve um infiel que esfriou. Se você é um filho de Deus o é para sempre, tanto em um bom ou num mau estado. Se em bom estado, desfruta de comunhão com Deus, se em mau estado perdeu o gozo e a comunhão, mas ainda é um filho de Deus, um filho desobediente. As pessoas descritas neste capítulo em questão, absolutamente nunca nasceram de Deus. Percebam que aqui se trata de uma espécie de parêntese, e este parêntese começa em Hebreus 5:11.Em Hebreus 7 Paulo continua com o seu tema, “Porque este Melquisedeque”, etc. Por isso deve-se conectar os quatro últimos versículos do capítulo 5 com o capítulo 6, a fim de compreendê-lo adequadamente. O apóstolo está escrevendo para os judeus que professavam o cristianismo. Embora houvesse entre eles muitos verdadeiros e fervorosos cristãos, ele estava dirigindo-se àqueles que tinham sido criados na religião tradicional do judaísmo. E então o cristianismo estava presente, e o que é o cristianismo? Não são formas exteriores, nem cerimônias e ordenanças, mas o conhecimento do Filho de Deus – Um homem que vive à direita de Deus – e a fé dirige-se a este Vivente – o Senhor Jesus Cristo – e encontra o seu tudo nEle, tanto para o tempo presente como para a eternidade, através da habitação do Espírito Santo. Cristianismo, portanto, é um sistema celestial porque tem a ver com o céu. Judaísmo era para a terra, era um sistema terrestre. Satanás sempre se deleita em prender as pessoas à terra. É a ocupação dele no tempo presente, ele quer que nosso coração fique ocupado com qualquer coisa, menos com Cristo vivo na glória de Deus. O objetivo do Espírito Santo, pelo contrário, é vincular o coração ao Homem Vivente, e portanto, atrair o coração daqueles a quem está escrevendo para o Cristo de Deus na glória, e, assim, desprendê-los de tudo o que é terreno e carnal.

O perigo para esses judeus convertidos era, por causa da perseguição, desistir de um Cristo celestial, e voltar novamente para o ritual terrestre que Deus tinha deixado de lado. O Judaísmo tinha recebido seu golpe de morte na cruz de Cristo. Ali foi seu fim, e é como uma coisa morta aos olhos de Deus. E o que é que Deus fez? Ele enviou Tito e Trajano para varrer o corpo morto, e enterrá-lo inteiramente, tirando-o de cena. O dia das cerimônias exteriores já havia passado, e o Espírito de Deus estava atraindo os corações do povo antigo de Deus para a Pessoa de Cristo em glória. No capítulo 5, Paulo os repreendeu como sendo bebês, quando deveriam ser homens feitos. Em I Coríntios 3, onde está escrevendo para os gregos filósofos, ele diz, “Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis; porque ainda sois carnais” (I Coríntios 3:2-3). O que dificultava o crescimento dos coríntios era a filosofia, o que dificultava aos hebreus era a religião tradicional. A religião tradicional não existe em nossos dias, vocês bem sabem, e se Deus nos reuniu em torno da Pessoa de Seu Filho, e em Seu nome, e nos mostrou que o desejo do Seu coração é para a Igreja de Deus, ao menos em certa medida, é somente por sua própria graça que tem feito isso. O manjar, ou carne, é um alimento sólido e pertence a homens feitos. Agora, como vereis, ele contrasta o cristianismo (algo espiritual, celestial) com o judaísmo (terreno, um sistema carnal). Judaísmo, embora originalmente criado pelo próprio Deus, tornou-se isso, porque Cristo veio e foi rejeitado, portanto, tudo o que Ele tinha a dizer ao homem na carne chegou ao fim, e teria que ser celestial agora, conectado com o Homem à direita de Deus. Um bebê, portanto, nesta epístola, é aquele que ainda está associado com o que simplesmente apela aos sentidos, e que não é simplesmente e somente conectado com um Cristo vivo onde Ele está. “Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição” (Hebreus 6:1). Não tenho dúvidas de que a expressão do apóstolo “os rudimentos da doutrina de Cristo” refere-se ao judaísmo divinamente estabelecido, e Cristo como o Messias, cabeça e centro de tudo. Mas o Messias, a cabeça e o centro, tinha sido morto, e assim o judaísmo chegara ao fim diante de Deus, e é por isso que ele diz que devemos deixar as coisas terrenas, e seguir adiante para a perfeição, e perfeição no livros aos Hebreus quer dizer Cristo na glória celestial. “Perfeito” é usado de várias maneiras diferentes nas Escrituras, e deve-se saber o alcance da passagem para compreender como é usado em cada uma. A Abraão, por exemplo, foi dito para andar na presença de Deus e ser perfeito, e sua perfeição referia-se a que ele deveria ser absolutamente dependente de Deus, que o tinha chamado para ser peregrino. Novamente, a perfeição de Israel significava não ter nada com ídolos – eles não foram perfeitos, eles caíram em idolatria. Nossa perfeição é que devemos ser sempre semelhantes ao nosso Pai, sempre mostrando graça, pois Ele faz nascer o Seu sol sobre maus e bons (Mateus 5:45). Depois, em Filipenses 3 menciona-se “perfeito” duas vezes: primeiro no versículo 12, Paulo diz: “Não que… já seja perfeito…”, Porque perfeito aqui significa ser como Cristo na glória, e Paulo diz: eu não estou lá ainda; mas alguns versículos mais abaixo, no versículo 15, ele diz, “Pelo que todos quantos já somos perfeitos…” ser perfeito quanto ao objeto que se tem diante de si, tendo a alma elevada a Cristo onde Ele agora está no céu, arrancados totalmente da terra e ligados com Ele onde Ele está, e caminhando em conformidade com Ele que está lá. Tudo o que temos nos dois primeiros versículos de Hebreus 6 era comum ao judaísmo e muito bem conhecido pelo judeu. Devia haver “arrependimento de obras mortas”, e certamente alguns conheciam a “fé em Deus”. Com relação aos “batismos”, vejo que a palavra significa simplesmente lavagem, dos quais sabemos que havia muitos no ritual judaico, os sacerdotes tinham de lavar suas mãos e seus pés, as vítimas tinham de ser lavadas antes de serem oferecidas, o contaminado tinha que lavar suas roupas, bem como a si mesmo, etc. Também havia a “imposição das mãos”, no judaísmo havia a imposição das mãos por parte do sacerdote, e a imposição das mãos por parte do adorador na cabeça da vítima. “Ressurreição dos mortos”, também era uma doutrina perfeitamente conhecida entre os judeus. A Ressurreição de entre os mortos era o que os judeus não conheciam, pois é a doutrina do cristianismo. No judaísmo, havia uma medida de luz, mas o véu não havia sido rasgado, Cristo havia morrido e o homem era considerado como completamente arruinado. Mas Cristo veio, foi até a morte, e foi ressuscitado de entre os mortos, e o coração está ligado a Ele onde Ele está na glória celestial. A próxima coisa que esperamos é o momento em que Ele voltará e tirará de entre os mortos Seu próprio povo, sendo Sua ressurreição o padrão e a garantia desse acontecimento. “Bem”, disse Paulo, “deixando os rudimentos”, o “juízo eterno” também, porque todo judeu acreditava nisso, prossigamos, pois, para a perfeição. Ele disse, que não era para continuarmos com essas coisas, mas prosseguir, e aprender que merecíamos o juízo, o juízo eterno. Nascemos de Outro, e temos sido suportados por Ele. Nós nunca passaremos pela morte e pelo julgamento, pois, passamos para o outro lado da morte e do julgamento. Os versículos em Hebreus 6:1-2 pertencem ao judaísmo, os versículos 4 e 5 pertencem ao cristianismo professante. Eu digo cristianismo professante porque há duas coisas ausentes que constituem a essência do cristianismo verdadeiro. Quero dizer, aqui não há nenhuma menção da vida divina, e não há nenhuma menção da posição como selo de Deus, do Espírito Santo. Mas você dirá, não foram “uma vez iluminados,” o que significa isso? Certamente isso deve significar convertido. De modo nenhum. Em João 1:9, é dito do Senhor Jesus, “Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo” Por acaso todo homem convertido? Não é isso, mas todo homem que vem ao mundo é trazido para o lugar onde a luz está brilhando. Mas será que todo homem serve-se da luz, já que ela está aqui? Você sabe que não é assim. O sol brilha sobre esta terra dia após dia e lança sua luz ao redor. Um homem cego está consciente disso? Não. E, por esse motivo, o sol deixa de brilhar? As boas novas do evangelho trás o homem até a luz . Ele é iluminado não significando que sejam aceitas por esse homem e que ele se converta Tal pessoa não é deixada na escuridão, aceite ela a luz ou não. “Provaram o dom celestial” (Hebreus 6:4). Significa que são realmente convertidos? Não, não necessariamente. Podem ter sido convertidos e tocados de uma forma carnal. Quantos vieram a uma pregação do evangelho, ouviram de Cristo, ficaram profundamente impressionados por um momento, consideraram algo maravilhoso, pretenderam ser cristãos e foram embora sem a salvação, pois não houve nenhuma obra em suas consciências! Como os ouvintes do terreno pedregoso, receberam a palavra com alegria, e a abandonaram diante de uma mínima dificuldade. E apesar disso, eles provaram da alegria dela, sentiram que era uma coisa maravilhosa que Deus poderia amá-los, por um momento foram tocados, mas nada além disso. Abandonaram o lugar onde eles ficaram impressionados por um momento, e desistiram de tudo – desistiram depois de provar da sua alegria. “E se fizeram participantes (companheiros) do Espírito Santo” (versículo 4). O que é um participante do Espírito Santo? O Espírito Santo desceu na sequência da morte, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus Cristo, e está na terra habitando em cada crente, mas também habita naquele que professa o nome do Senhor aqui embaixo, ou seja, na Casa de Deus. Portanto, se eu estou na esfera onde Ele está agindo, nesse sentido sou participante do Espírito Santo. Nos primeiros dias do Cristianismo, quando Paulo estava escrevendo esta carta, as pessoas estavam reunidas em o nome do Senhor, e com o Espírito de Deus no meio deles, e estavam muito
conscientes da presença do Espírito Santo também no meio deles, e também de seus poderes milagrosos. Olhe para o dom de línguas, por exemplo. O Espírito Santo estava na terra dando um testemunho aos corações do povo de Deus, e para o mundo também, estava presente com tal poder, que um estranho que vinha a uma reunião ficava consciente de que Deus estava ali. Havia uma atmosfera de amor, bem como do poder que não podiam deixar de sentir. Se, então, um estranho entrasse e tomasse o seu lugar ali, estava com uma assembleia de pessoas às quais o Espírito Santo havia unido, e nesse sentido, era um participante – um companheiro – do Espírito Santo. Se o Espírito Santo agia com poder, e um homem estava no lugar onde Ele estava agindo, o tal era um participante desse poder – sentia sua influência. “E provaram a boa palavra de Deus”. Não implica necessariamente que há vida divina na alma. Pergunto, não pode um homem não convertido admirar a Escritura? Vocês sabem que ele pode. Pode admirá-la, sentir sua beleza e sua profundidade, mesmo que sua consciência não esteja sendo atingida por ela. A Palavra de Deus pode estar ao seu alcance, e ele pode ver sua preciosidade, mas pode deixá-lo tão sem vida quanto antes, pode não haver sido vivificado por meio dela. “E as virtudes do século futuro” “O mundo que virá” não é a eternidade, mas o futuro da terra habitável, sob o reinado milenar do Senhor Jesus Cristo, período em que o poder de Cristo será revelado, e o poder de Satanás será eliminado desta cena, pois ele mesmo será atado no poço do abismo. Quando esse tempo chegar, e o Messias estiver reinando, os coxos andarão, os surdos ouvirão, os cegos verão, e os doentes serão curados. Nos dias apostólicos houve belos vislumbres do poder deste reino vindouro. Não andou um coxo e pulou na porta do templo (Atos 3:1-10), e o paralítico não levantou-se e fez a sua cama? (Atos 9:32-35). E Dorcas, que estava morta, não voltou à vida? (Atos 9:36-43). Não lemos também de como o povo trazia os doentes em leitos e macas, para que ao menos a sombra de Pedro pudesse cair sobre eles e serem todos curados? (Atos 5:14-16). Também que lenços e aventais se levavam do corpo de Paulo para os doentes, e que as suas doenças retiravam-se deles, e que os espíritos malignos saíam deles? (Atos 19:11-12). Estas são as “as virtudes do século futuro”, e o Espírito Santo disse que tudo isso pode ser conhecido, e ainda assim uma pessoa pode não ser convertida – não ter nem mesmo uma centelha de vida divina nela. Quando os discípulos estavam expulsando demônios, Judas, sem dúvida, expulsava-os também. Em I Coríntios 13, vemos que uma pessoa pode ter fé suficiente para mover montanhas, e ainda assim não ter a vida divina. E Judas, sem dúvida, acreditava no poder de seu Mestre, embora não houvesse vida em sua alma. Em Hebreus 6:4-6 o apóstolo diz, que as pessoas que desfrutaram de todos estes privilégios, que foram trazidas sob todo este poder do Espírito Santo e desistiram de tudo, “É impossível que…sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério”. O que tinha feito a nação? Tinha crucificado o Filho de Deus. O que essas pessoas estavam fazendo? O mesmo que seus pais fizeram. Se você abandonar o cristianismo, e rejeitar este Cristo celestial – Deus disse que não restará mais nada – todos os Seus recursos foram utilizados sem surtir efeito. Por que ele fala da impossibilidade de renová-los novamente para o arrependimento? Porque o arrependimento é sempre produzido na alma pela Palavra de Deus, e é o efeito do testemunho recebido do Espírito de Deus. Deus não tem mais nada para dar testemunho.
Quando Deus enviou o Seu Filho ao mundo, o que o homem fez? Cuspiu nEle, e O matou. O que Deus fez? Desembainhou a espada de juízo? Não! Ele O levou ao céu, e do céu enviou o Espírito Santo para dizer aos homens: “Não quiseram ter Meu Filho como um Cristo na terra, agora aceitarão a Ele como um Cristo celestial?” Se o homem se recusa a isto – se rejeita ao Cristo celestial – Deus, por assim dizer, declara que não há outros meios de produzir arrependimento e fé no Senhor Jesus Cristo. Como alguém já disse: * “Depois de ter sido o objeto da influência da presença do Espírito Santo, depois de ter provado a revelação assim feita da bondade de Deus e experimentado as provas de Seu poder, se qualquer um, em seguida, abandonar a Cristo, não restará nenhum outro meio para restaurar a alma, para conduzi-la ao arrependimento. Os tesouros celestiais já terão se esgotado, foram rejeitados como inúteis, rejeitando a revelação plena de graça e poder, depois de ter conhecido seu significado,que meios poderão ser usados para que haja arrependimento? Retornar ao judaísmo e aos primeiros rudimentos da doutrina de Cristo , quando a verdade foi revelada, será impossível, a nova luz foi conhecida e rejeitada. Em um caso como esse havia apenas a carne, não havia nova vida. Espinhos e abrolhos estavam sendo produzidos como antes. Não houve nenhuma mudança real no estado do homem.

* Sinopse dos livros da Bíblia, vol. 5. Darby

A graça restauradora de Deus

W. T. P. Wolston