Devo corrigir publicamente um irmão?

Mario Persona.

Devo corrigir publicamente um irmão?

De vez em quando recebo queixas de irmãos dizendo que foram tratados publicamente de forma rude por algum irmão, e isso em alguma exortação feita durante ou após as reuniões da assembleia. Não estou falando aqui de pecados graves que exijam a intervenção da assembleia, e não de um único irmão, mas de algum deslize na oração, ao confundir as Pessoas da Trindade e chamar, por exemplo, o Senhor Jesus de Pai; ou por usar algum termo não totalmente correto, mas que de modo nenhum seria ofensivo ou desrespeitoso.

Poucos percebem que admoestações públicas para coisas que não comprometem pontos importantes da doutrina, como a divindade do Senhor Jesus por exemplo, são um ótimo combustível para a carne daquele que corrige, pois ela acabará aproveitando a oportunidade para se gloriar aos olhos de todos. Às vezes a repreensão pública ocorre por algum irmão menos experiente ter sugerido um hino ou uma passagem bíblica que não estaria em conformidade com o caráter daquela reunião em particular. Por exemplo, um hino de experiência pessoal ou uma passagem evangelística durante a ceia do Senhor.

Mais ofensivo que o deslize por falta de experiência ou conhecimento eu considero alguém interromper o andamento da reunião para fazer uma admoestação pública repreendendo o irmão. Isso inevitavelmente atrai os holofotes para o que faz a repreensão e humilha o que falhou. Coisas que não ferem doutrinas fundamentais devem ser tratadas em particular, fora do andamento das reuniões e longe dos olhos e ouvidos de outros irmãos. Devemos tratar nossos irmãos como tratamos nossos filhos, evitando constrangê-los e envergonhá-los em público para não desanimá-los.

Se existe necessidade de um melhor ensino sobre o assunto ou motivo do deslize, que aquele que sentir essa necessidade traga o tema em uma próxima reunião, mas sem endereçar a este ou àquele irmão. Igualmente perverso seria usar da reunião para mandar recados, tipo ler uma passagem ou dar um hino que tenha o mesmo efeito de cozinhar cabritos. Refiro-me a Êxodo 23:19: “não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.”. O sentido aí é usar o que Deus deu para alimentar e dar vida como instrumento de morte. É o que fazemos quando escolhemos passagens bíblicas e as disparamos contra algum irmão com o claro objetivo de feri-lo.

O apóstolo Paulo trata de algo assim ao escrever aos Gálatas: “Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. Mas prove cada um a sua própria obra, e terá glória só em si mesmo, e não noutro.” (Gl 6:1-4).

Provar cada um a sua própria obra significa não comparar-se a outros para se promover e nem usar outros de “escada”. Em humorismo o termo “escada” é usado para o parceiro do comediante que constrói a escada ou levanta a bola para o comediante principal cortar e finalizar. O “escada” nunca é famoso porque só serve de alavanca para o outro, e nossa carne adora usar outros de escada para sermos vistos como mais cultos e esclarecidos. Em meu papel de responder dúvidas na Web eu preciso lidar com isso todos os dias porque minha carne adora se promover às custas da ignorância alheia. Não é novidade que todos temos nossa carne, a questão é saber se nós a alimentamos ou a lançamos na morte.

Levar “as cargas uns dos outros” significa colocar-me sob o mesmo fardo daquele que necessita ser admoestado. Uma coisa é atirar de longe e de cima minhas críticas na direção de um irmão ainda novo na fé e pouco experiente em certos assuntos. Outra é eu me colocar ao lado dele e, com a mão sobre seu ombro e sofrendo suas dificuldades, sussurrando em seu ouvido a maneira correta de se agir sem constrangê-lo em público. Eu nunca deveria querer me promover às custas do vexame alheio, e pode ter certeza de que todos os dias sou tentado a fazer isso ao responder dúvidas das mais absurdas. Quão grande minha necessidade de ser lembrado a todo momento da Lei de Cristo: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6:2). Nosso combustível para agir deveria ser “o amor de Cristo” (2 Co 5:14), não o desejo de vanglória e autopromoção.

Às vezes nos esquecemos de que a assembleia deve funcionar como um organismo, com cada membro do corpo funcionando de forma interligada e dependente dos outros. Infligir sofrimento vexaminoso a um irmão e não me sentir triste com isso revela que existe algo de muito errado com minha comunhão e que estou me considerando independente do corpo. Se a mesma reprimenda pública que fez meu irmão se envergonhar causou em mim um sentimento de superioridade e vanglória, é melhor eu avaliar quem está mais errado nessa situação. Eu deveria sentir a mesma fraqueza que fez meu irmão deslizar em algo de somenos importância. “De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.” (1 Co 12:26).

Mario Persona.

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Apegar-se à Humildade

APEGAR-SE À HUMILDADE

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Vejamos um incidente na vida e ministério do Senhor Jesus quando surgiu uma disputa entre Seus discípulos. Podemos obter algumas lições muito úteis de nosso Senhor sobre este assunto. Vamos abrir em Marcos 9:33-37:

“E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho? Mas eles calaram-se, porque, pelo caminho, tinham disputado entre si qual era o maior. E Ele, assentando-Se, chamou os doze e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. E, lançando mão de uma criança, pô-la no meio deles e, tomando-a nos Seus braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma destas crianças em Meu nome a Mim Me recebe; e qualquer que a Mim Me receber recebe não a Mim, mas ao que Me enviou”.

Na segunda metade de Marcos 9, o Senhor apontou três grandes causas para a ruptura da paz entre os discípulos e, em seguida, estabeleceu um remédio para cada uma. A primeira coisa é querer ser grande.

Pouco antes disso, no Monte da Transfiguração, os discípulos foram privilegiados por ter um vislumbre do reino vindouro. Ver o Senhor em Sua glória oficial quando Ele reinaria em poder em Seu reino, deu origem a alguns pensamentos e desejos carnais entre os discípulos. Eles especularam sobre quem entre eles teria o maior lugar no reino, mas isso só criou uma disputa.

O desejo de “ser o primeiro” (Mc 9:35) tem sido a causa de muita contenda entre o povo do Senhor ao longo dos anos. Eu compreendo que ninguém nunca vai sair e dizer que quer ser grande ou proeminente entre os seus irmãos, mas suas ações, muitas vezes, irão contar a história. Querer ter supremacia sobre nossos irmãos – tendo um lugar de importância – desperta um espírito de competição, que invariavelmente resulta em ciúme e conflitos, e na ruptura da paz. No fundo está aquele sutil inimigo – orgulho. Provérbios 28:25 diz: “O altivo de ânimo levanta contendas”. E outro provérbio diz: “Da soberba só provém a contenda” (Pv 13:10).

O Sr. C. Koehler costumava dizer que antes de ser salvo ele queria fazer algo de si mesmo no mundo. Então, quando ele foi salvo e veio entre o povo do Senhor queria fazer algo de si mesmo na assembleia. Mas ele disse que tinha que aprender que ambos os desejos estavam errados! Ele teve que aprender que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pe 5:5). Essa é uma lição que temos que aprender também!

Quando trabalhava na empresa atacadista de materiais de meu pai, havia certo indivíduo que trabalhava numa companhia concorrente que era bem conhecido por se achar importante. Seu nome era Morely Brown. Meu pai tinha cruzado com ele algumas vezes no local de trabalho de um cliente mútuo, e costumava nos contar sobre ele. Ele era uma figura grande e imponente que pensava muito em si mesmo. Eu tinha ouvido histórias sobre ele de outras pessoas também, e tinha curiosidade de conhecê-lo pessoalmente. Mas isso nunca ocorreu. De qualquer modo, basta dizer que sua reputação ia adiante dele. Um dia ouvimos dizer que a empresa para a qual trabalhava faliu. Fizemos contato com a empresa falida e acabamos comprando uma parte do inventário ao preço de 25% e 30% do valor. Num velho armazém havia apenas a pessoa que tinha sido nosso contato e o chefe do armazém que tinha estado na empresa por anos. Enquanto estávamos trabalhando, pensei que esta seria uma boa oportunidade para perguntar sobre Morely Brown. Ele disse: Morely Brown? Todos nós o odiávamos! Tínhamos um apelido para ele que usávamos secretamente. Nós o chamávamos de “O gordo e estufado Brown”! A parte triste é que Morely Brown não sabia que sua arrogante confiança e importância própria faziam dele uma pessoa desagradável. Tenho certeza de que ele ficaria surpreso ao saber que as pessoas não o apreciavam.

Agora, irmãos, pode ser possível que nos comportemos na assembleia de tal maneira que as pessoas digam às nossas costas: “Lá vai o estufado irmão, fulano de tal!” Chegamos ao salão de reuniões com um ar de importância? Não devemos usar a assembleia como um local para exaltar a nós mesmos, mas nossas ações dizem sobre nós, sem percebermos isso. Outros podem ver isso em nós, mas muitas vezes nós não podemos. Lembremo-nos de que “qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc 18: 14).

O Senhor dirigiu-se aos apóstolos que desejavam “ser o primeiro”, dando-lhes uma lição objetiva sobre humildade. Primeiro, “assentando-Se”, os chamou. Tomar um lugar baixo para se dirigir aos discípulos era uma ação simbólica apontando para a necessidade de sujeição e humildade. Ele então “lançando mão de uma criança” e colocando-a em Seu colo disse-lhes para “receber” uma criança em Seu nome. Isso não é lindo? O Senhor Jesus era tão humilde que teve tempo para as crianças! Suponho que receber uma criança significa ajudar a criança de alguma forma, e isso seria uma coisa insignificante aos olhos da maioria das pessoas. Não é algo que faz uma pessoa se destacar publicamente, mas Deus vê isso e aprova tal trabalho. Nisso, o Senhor estava ensinando a Seus discípulos que eles deveriam se contentar em servir fazendo pequenas coisas que poderiam não ser notadas pelos outros.

Mas tal coisa é contrária à natureza humana. Queremos fazer as coisas para sermos notados, mas precisamos julgar nossos corações sobre isso. Queremos ir a algum país distante para distribuir folhetos, porque isso nos fará notados? Você poderá ter o seu nome no “Notes Of Interest” (publicação bimestral nos Estados Unidos entre os irmãos), mas esta não é a razão porque deveríamos servir o Senhor. Talvez sua assembleia promova alguma atividade; é interessante ver quem é voluntário para os trabalhos que os fazem ser notados! Já vimos irmãos mais novos em conferências querendo orar ou dizer alguma coisa, mas quando chega a hora da oração pelo evangelho na sala dos fundos, eles não estão lá! Não quero desencorajar nenhum de nossos irmãos mais jovens a participar das reuniões, mas pense em como isso será visto. Tal comportamento não ajuda em nada, apenas nos deixa pasmados.

Tivemos o prazer de ter o irmão Cam Wilkin e sua esposa em nossa casa recentemente. Conversamos sobre os irmãos mais velhos que nos passaram um conselho útil. Pedi-lhe que me contasse sobre os conselhos que recebeu. Ele me deu uma joiadigna de nota. Ele disse que o velho irmão Millar (já com o Senhor há muito tempo) disse a ele: “Cameron, mantenha-se pequeno, aqueles que ficam grandes são removidos” – Que bom conselho foi esse!

Quando nos ocupamos com nossa importância, estamos em uma zona de perigo, pois não estamos pensando com sobriedade. Paulo disse: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12:3 – ARA). Eu simplesmente amo o versículo, “não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes”. A tradução de J. N. Darby diz, indo junto com os humildes” (Rm 12:16). Esse é o caminho para nós.

Estivemos lendo o evangelho de Lucas em casa e a única pessoa que encontramos (corrija-me se estiver errado) que o Senhor especificamente entrou em sua casa foi um homem de pouca estatura – Zaqueu. Isso não é significativo? O Senhor habita com aqueles que são de pouca estatura, espiritualmente falando! Isso me faz lembrar Isaías 57:15: Pois assim diz o Altíssimo e Santo que habita a eternidade, e cujo nome é Santo: Eu habito no alto e santo lugar, e com aquele que é de espírito contrito e humilde”(JND). Estas são as duas moradas de nosso Senhor – no “alto e santo lugar” acima, e com os “humildes” e contritos aqui embaixo na Terra. Isso nos mostra que o Senhor não Se identificará com os que são grandes e poderosos. Jeremias disse a Baruque: “Buscas tu para ti mesmo coisas grandes? Não as busques” (Jr 45:5 – TB). Essa é uma boa palavra para nós.

Pedro nos exorta: “E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros” (1 Pe 5:5 – AIBB). Se chegarmos a um impasse na assembleia onde possa haver uma disputa sobre alguma coisa, o remédio é ‘se rebaixar’ – tomar um lugar baixo. Sr. Darby disse: “A submissão é o princípio de cura da humanidade”. Ele também disse: “O orgulho é a causa da divisão e a humildade é o segredo da comunhão”.

Lembro-me de ter ouvido falar de um homem que estava viajando em um desfiladeiro nos Andes com sua mula totalmente carregada. A estrada era extremamente estreita, o suficiente para apenas um viajante de cada vez. A estrada era esculpida na montanha com um precipício íngreme do lado. Ele seguiu em frente, uma curva após outra. Quando chegou a uma curva, o que você acha que ele viu? Outro homem com sua mula totalmente carregada olhando para ele! O que eles iam fazer? Os dois homens discutiram as possibilidades. Perguntaram um ao outro se podiam se lembrar da distância de algum lugar onde o caminho se alargava para que dois pudessem passar. Talvez eles pudessem conduzir os animais até aquele ponto. Outra ideia era descarregar os animais. Mas enquanto os homens discutiam, as duas mulas resolveram o problema. Uma ficou de joelhos e chegou o mais perto possível da montanha, então a outra deu um passo em torno dela! Veja: isso é a própria natureza ensinando você! (1 Co 11:14).

Esta é realmente a resposta para cada impasse que possamos ter na assembleia. Cada um de nós deve descer, estimando o outro superior do que a si mesmo! (Fp 2:3). É a forma como cada assembleia local deve “operar” a sua “salvação com temor e tremor” – que é o verdadeiro significado desse versículo (Fp 2:12). Somos responsáveis por operá-la, imitando o padrão de Cristo que a Si mesmo Se humilhou (Fp 2:5-8). Cada um fazendo isso, a assembleia fica a salvo das invasões do inimigo que está procurando estragar a unidade.

O problema com o orgulho é que não podemos vê-lo em nós mesmos. Assim como Morely Brown, que imaginava ser bem considerado por todos, podemos ser enganados por nossa importância própria. Havia um homem de quem o Sr. Hayhoe costumava nos contar que tinha orgulho de ser humilde! Eram os dias da Grande Depressão e aquele irmão estava criticando outro por gastar dinheiro desnecessariamente. Ele disse: “Eu não vou gastar dinheiro em roupas, eu vou me virar com as roupas que eu tenho!” Quando o irmão dobrava os braços, seu cotovelo podia ser visto através de um buraco em sua camisa. Sr. Hayhoe disse que dava para ver o orgulho saindo através do furo!

Querer ser grande é um sinal claro de que não estamos verdadeiramente vivendo na presença do Senhor, porque nenhuma carne se glorifica em Sua presença (1 Co 1:29). Na verdade, estamos deixando todo mundo saber do nosso estado real – mesmo que nós mesmos não o saibamos. Assim, o remédio para querer ser grande é entrar, de fato, na presença do Senhor e então seremos humildes. O profeta Miqueias disse: “que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6:8).

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Julgar um Espírito Crítico

JULGAR UM ESPÍRITO CRÍTICO

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Enquanto o Senhor falava sobre receber os pequeninos, João lembrou-se de um homem que eles viram, o qual, acreditavam, devia ser rejeitado. Ele disse:

“Mestre, vimos um que, em Teu nome, expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue” (Mc 9:38).

Sem dúvida, ao dizer isso ao Senhor, João pensava que iria receber d’Ele tapinhas nas costas e Sua aprovação quanto ao que foi dito ao homem. Mas, em vez disso, o Senhor, nessa passagem, mansamente repreendeu o seu espírito crítico e censurador, dizendo:
“Não lho proibais, porque ninguém há que faça milagre em Meu nome e possa logo falar mal de Mim. Porque quem não é contra nós é por nós. Porquanto qualquer que vos der a beber um copo de água em Meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão” (Mc 9:39-41). Nisso, o Senhor apontou uma segunda coisa que seguramente perturba a paz entre os santos – ser crítico com os outros.

Você pode ver como o criticismo teria naturalmente surgido nos corações dos discípulos. O que aquele homem estava fazendo era particularmente embaraçoso para os apóstolos, porque era algo que eles não podiam fazer! Um pouco antes no capítulo, um homem veio até eles e lhes pediu para expulsar um espírito maligno de seu filho, mas “não puderam” (Mc 9:18). E aqui se deparam com um homem que estava expulsando demônios – a coisa exata que não podiam fazer! Naturalmente, não gostaram e acharam culpa nele. Oh, irmãos, sejamos cuidadosos ao ter descontentamento pela excelência de outra pessoa. Encontrar defeito nos outros normalmente tem o próprio EGO por detrás! Muitas vezes, quando uma pessoa quer se colocar à frente, vai rebaixar a outros. É uma coisa comum e temos visto isso frequentemente.

Isso me lembra duma história que D. L. Moody, o famoso pregador do século 19, costumava contar sobre si mesmo. Ele e Sankey estiveram na Inglaterra em uma turnê de pregação e encontraram um jovem chamado Henry Moorhouse, que pregou e também disse que gostaria de ir para a América e pregar. Então o Sr. Moody o convidou para ir a Chicago pregar em sua igreja, pensando que o homem nunca iria. Bem, algum tempo depois, quando Moody estava de volta na América, ele recebeu um telegrama de Nova York de Henry Moorhouse, perguntando se estaria bem ele ir a Chicago para pregar. Moody relutantemente lhe disse para ir, mas disse que ele não estaria lá, pois tinha um compromisso anterior em outra cidade. Moorhouse foi e pregou sobre João 3:16 – o amor de Deus. Noite após noite ele usou a mesma passagem e teve um efeito significativo em seus ouvintes. Quando Moody voltou, perguntou à esposa como o inglês estava se saindo. Ela não sabia como responder a ele, então disse: “Bem, ele não prega do modo como você prega”. Moody disse, “Logo de cara eu não gostei dele!” Mas o Sr. Moody foi ouvi-lo pregar naquela noite e aquilo teve um efeito tão profundo sobre ele que mudou sua pregação para toda a vida. Moody sempre pregava mensagens do evangelho sobre o fogo do inferno, mas aquele homem conquistava as almas por meio do amor de Deus. Henry Moorhouse tornou-se conhecido como “o homem que abalou o homem que abalou o mundo!” No final, o Sr. Moody teve que engolir suas palavras. Eu acho que o velho ditado, “Em boca fechada não entra mosquito!” ainda é verdadeiro. Talvez não gostemos de alguém porque está fazendo algo pelo Senhor que não é exatamente como pensamos que deveria ser feito, mas isso não é bom. Não vamos ser críticos.

Nas palavras de João, podemos ver qual era realmente o problema dos discípulos. Ele disse: “(nós) vimos um que, em Teu nome, expulsava demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não nos segue”. Observe quantas vezes João usa “nós” e “nos”. Isso mostra que os apóstolos perderam de vista que o Senhor era o centro e se viam como sendo o centro das coisas! E julgaram a obra daquele homem de acordo com isso. Desnecessário será dizer que o foco deles estava totalmente errado.

Irmãos, precisamos nos proteger de um espírito partidário. É tão fácil cair nisso. Tanto nos tem sido dado – estou falando dos privilégios de sermos reunidos ao nome do Senhor – mas temos que ter cuidado para não pensar que estamos acima de outros Cristãos. É somente pela graça que o Senhor nos reuniu ao Seu nome. Não temos nada para nos orgulhar. Se formos um testemunho, seremos do fato de que a Igreja, como testemunho público do Senhor, está em ruína. Não haveria testemunho remanescente se não houvesse ruína. Isso certamente não é algo para se orgulhar!

Você encontrará nas Escrituras que sempre que o povo desviava os olhos do Senhor e se ocupavam consigo mesmos e com seus privilégios, Deus pronunciava um juízo por meio do qual esses privilégios eram tirados. Vê-se isto em 1 Samuel 4 quando os filhos de Israel estavam numa batalha contra os filisteus. Eles estavam fracos e pensaram que se eles levassem a arca para o campo de batalha iriam ganhá-la. Eles disseram: “Tragamos (nós) de Siló a arca do concerto do Senhor, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos” (1 Sm 4:3). Observe, novamente, que era tudo “Nós”! Quando a arca chegou entre eles, gritaram com grande voz. Era uma espécie de júbilo porque tinham a arca e porque eram o povo escolhido de Deus. Não que isso não fosse verdade, mas o foco deles estava em si mesmos e não no Senhor, e Ele não Se identificaria com isso, e permitiu que a arca fosse tomada deles.

De novo, nos dias de Jeremias, o povo estava fraco, e se gloriava no fato de que pertenciam a um lugar onde a presença do Senhor estava, e onde Ele tinha colocado Seu nome, dizendo: “Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jr 7:4). O Senhor disse (por intermédio de Jeremias) que deveriam se lembrar do que aconteceu em Siló, onde Ele estabeleceu Seu nome inicialmente. Ele tirou o Seu nome de Siló e iria tirar deles também em Jerusalém (Jr 7:12-16).

Também nos dias de Miquéias, o profeta disse: “edificando a Sião com sangue e a Jerusalém com injustiça. Os seus chefes dão as sentenças por presentes, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nossobrevirá. Portanto, por causa de vós, Sião será lavrado como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa, em lugares altos de um bosque” (Mq 3:10-12). As pessoas estavam fracas e ocupadas com Jerusalém como o centro divino onde a presença do Senhor estava, mas novamente, o Senhor prometeu tirar o centro divino deles.

E em Apocalipse 3:14-22, a assembleia em Laodicéia estava ocupada com ela mesma e com o que tinha, mas pouco sabiam que o Senhor estava prestes a vomitá-los da Sua boca! Não é um alerta para nós? O que o Senhor fará conosco hoje se estivermos ocupados com o nosso lugar no centro divino de reunião? Ele nos humilhará como Ele prometeu fazer com Seu povo Israel. “Porque então tirarei do meio de ti os que exultam na sua soberba, e tu nunca mais te ensoberbecerás no Meu monte santo. Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; e eles confiarão no nome do Senhor” (Zc 3:11-12). Talvez seja por isso que temos tais dificuldades.

O Senhor repreendeu os apóstolos por terem um espírito crítico para com aquele homem que evidentemente não era contra eles. O homem não estava andando no caminho em que o Senhor chamou os apóstolos, mas eles deveriam deixar isso com Deus. Note: o Senhor não disse a Seus discípulos para se juntarem ao homem. E eu não acredito que o Senhor queria que nós seguíssemos um caminho pelo qual outros Cristãos podem estar andando, só porque pode haver alguma bênção aparente nele. Estamos cercados de denominações religiosas que professamente dizem estar fazendo algo para o Senhor, mas Ele nos chamou para fora disso. Reunimo-nos somente em Seu nome. Devemos deixar isso com o Senhor. Isso me lembra de “Eldade” e “Medade”que permaneceram no campo e profetizaram. Josué falou a Moisés, mas Moisés disse: “Tens tu ciúmes por mim? Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o Seu Espírito!” (Nm 11:29). Note novamente, que Moisés não disse a Josué para se juntar a eles. Ele devia deixá-los com Deus. Paulo tinha a atitude apropriada quando disse: “Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda” (Fp. 1:18).

Assim, não vamos nos concentrar em nós mesmos, e nem nos erros de outras pessoas como parece ter ocorrido com o profeta Isaías. Ele era como um homem em um quarto com seis janelas. Ele olhou por uma janela e viu o monopolista, e lamentou: “Ai!” (Is 5:8-9). Ele olhou pela outra janela e viu o bêbado, e gritou: “Ai!” (Is 5:11-12). Ele se virou e olhou pela terceira janela e viu o libertino e novamente gritou: “Ai!” (Is 5:18-19). Ele olhou pela quarta janela e viu o hipócrita, e gritou outro “Ai!” (Is 5:20). Depois olhou para a quinta janela e viu o filósofo satisfeito com sua sabedoria, e novamente gritou: “Ai!” (Is 5:21). Ele olhou para fora da sexta janela e viu os líderes e magistrados injustos, e clamou: “Ai!”novamente (Is 5:22-23). Isaías viu muitas coisas que não eram certas entre o povo de Deus, e ele lamentou com um “Ai” sobre tudo o que ele viu que estava errado.

Então no próximo capítulo (6) essas janelas se fecham e uma janela no topo de sua câmara é aberta. Através dela flui a glória de Deus e de repente Isaías vê a si mesmo à luz da santidade de Deus – como Deus o viu. Ele viu sua própria condição miserável e gritou um sétimo Ai, mas desta vez era sobre si mesmo! “Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros” (Is 6:5).

É fácil apontar as falhas de outros, mas lembre-se, “Aquele que joga lama perde chão!” Independentemente de quão verdadeira possa ser a falha, só as apontar não vai ajudar a melhorar a situação. Precisamos chegar ao sétimo Ai, por assim dizer, em nossas almas, onde veremos que fracassamos e contribuímos para o estado de fraqueza entre o povo de Deus. Precisamos ver que não somos melhores do que nossos irmãos. Só depois de Isaías colocar a mão em seu próprio coração e assumir seu próprio fracasso e parte na ruína entre o povo de Deus que o Senhor pôde usá-lo! No oitavo versículo, o Senhor o chamou para uma obra pela qual profetizaria para ajudar o povo de Deus. Ele ainda apontou os erros, mas também foi capaz de trazer os princípios da restauração, como visto no resto de suas profecias.

Em outra ocasião, os filhos dos profetas clamaram: “há morte na panela”. Eles podiam ver que algo estava errado. Mas não é preciso uma pessoa espiritual para identificar isso. As coisas que estão erradas são relativamente fáceis de identificar, mas é preciso um homem de Deus como Eliseu para trazer um remédio. Ele disse: “Trazei, pois, farinha. E deitou-a na panela” (2 Rs 4:38-41). Isso mudou tudo – o problema foi resolvido. A farinha fala de Cristo. Precisamos introduzir Cristo e Seus direitos, e então as questões serão resolvidas. Quando Cristo tem Seu lugar legítimo na assembleia haverá cura e bênção. “As mil peças de prata são para ti, ó Salomão [uma figura de Cristo], e duzentas, para os guardas do seu fruto” (Ct 8:12).

Este princípio é válido para este mundo também. Hoje o mundo está cheio de violência e corrupção, mas nos é dito no Salmo 72: “Ele [Cristo] descerá como a chuva sobre a erva ceifada, como os chuveiros que umedecem a terra. Nos Seus dias florescerá o justo, e abundância de paz haverá enquanto durar a Lua” (Sl 72:6-7). Quando Deus trouxer Seu Primogênito ao mundo e Ele tomar Seu lugar de direito, haverá paz e bênção.

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Tenha Cuidado para Não Ofender em Palavra ou Ação

TENHA CUIDADO PARA NÃO OFENDER EM PALAVRA OU AÇÃO

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O Senhor prosseguiu e disse:

“E qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em Mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma grande pedra de moinho e que fosse lançado no mar. E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno, no fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no Reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo do inferno, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga” (Mc 9:42-48).

Aqui, o Senhor toca em outra coisa que perturba a paz entre Seu povo – ofender com palavras ou ações. Oh! quão cuidadosos precisamos ser em tudo que dizemos e fazemos! Às vezes pensamos que se não temos intenção de causar dano, nem temos algum mau sentimento contra uma pessoa, não tem importância se dissermos algo negativo a seu respeito ou que a diminua. Muitas vezes o faríamos em forma de brincadeira, mas ainda assim isso machucará e ainda assim isso é errado.

Se verdadeiramente vivemos na presença do Senhor, aprenderemos Sua mansidão e Sua humildade. Ele disse: “aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”(Mt 11:29). Humildade mantém o ego baixo e mansidão cede seu lugar aos outros. Humildadeé um caráter, mas mansidão é uma conduta. Alguém que é manso tem o cuidado de não ofender. É por isso que muitas vezes tem sido dito, “mansidão não ofende, e humildade não se ofende”. Alguém pode falar imprudentemente com seus lábios e ofender, mas se estamos vivendo em comunhão com o Senhor, seremos humildes o suficiente para não nos ofendermos com tais comentários. “Grande paz têm os que amam a Tua lei, para eles não há tropeço [ofensa – KJV] (Sl 119:165 – ARA). No entanto, isso não nos dá licença para falar com as pessoas como quisermos.

Deus deu a cada um de nós um mostrador ou um filtro em nossas mentes que devemos usar ao interagir com os outros. Antes de abrirmos a boca, precisamos pesar o que vamos dizer no santuário de Sua presença. Você vai notar que as crianças não têm esse filtro, ou pelo menos não têm o discernimento moral para usá-lo. Elas apenas dirão o que vier à mente, e muitas vezes isso pode ser embaraçoso para seus pais. Mas quando ficamos mais velhos, nosso senso de discernimento moral começa a se desenvolver e filtramos as coisas que vêm à mente antes de deixá-las sair por nossas bocas. Aparentemente, no entanto, algumas pessoas, nunca desenvolvem isso. Elas são conhecidas por abrir suas bocas e deixar voar palavras descuidadas que deixam uma trilha de ofensa por onde passam. Precisamos orar: “Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” (Sl 141:3). Provérbios 13:3 diz: “aquele que abre grandemente os seus lábios, será destruído” (AIBB). Eu observei que aqueles que têm o hábito de criticar sem pensar no que falam são os que têm menor capacidade de aceitar as críticas quando elas vêm em sua direção!

Na passagem de Marcos 9, os apóstolos podem ter pensado que estavam sendo fiéis repreendendo aquele homem que expulsava demônios, mas na realidade eles estavam ofendendo-o. Algumas pessoas pensam que podem ofender as pessoas com suas observações e rotular tal atitude como sendo fidelidade. Elas pensam que são justificadas por falar de certa maneira, porque estão a favor da justiça, mas realmente é apenas a carne agindo. Podemos estar tão ocupados com a justiça – isto é, em fazer o que é certo – que perdemos nosso foco no Senhor. Mas o Cristianismo é mais do que apenas fazer o que é certo. O princípio que governa o Cristianismo não é justiça, mas graça que reina pela [por meio da – JND] justiça (Rm 5:21), caso contrário, se entrarmos nessa disposição mental (a da justiça), o inimigo de nossas almas poderá agir para nos enganar. Em 2 Coríntios 11:14-15 nos é dito que Satanás muitas vezes age num contexto de justiça. “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça

Não me entendam mal; a justiça não deve ser posta de lado, mas deve ter seu próprio lugar e, se assim for, levará “paz e alegria no Espírito Santo” para a assembleia (Rm 14:17; Tg 3:18). Mas se a justiça é o nosso foco, isso levará ao legalismo e Satanás certamente trabalhará nesse contexto para nos enganar. Digo mais uma vez: a “graça” deve “reinar por meio da justiça” (JND). Quando as pessoas adotam em um padrão “demasiadamente justo”(Ec 7:16), elas se transformam em críticos de ‘poltrona’ na assembleia e acabam sendo um estorvo para si próprios. Muitas vezes, esse espírito se manifestará passando a rondar a assembleia como se fosse um policial, gritando “Ai” por tudo e por todos que não alcancem os seus padrões.

Eu conheci um irmão jovem (que não está mais entre nós) que, por ser novo na assembleia não tinha convivido muito conosco, mas já tinha tido um confronto com quase todas as pessoas na reunião. Que testemunho vergonhoso! Se bem me lembro, ele sempre foi mais justo do que o resto de nós. Ao longo dos anos muitos foram enganados dessa forma, pois pensam que estão fazendo o certo, mas estão apenas buscando problemas, embora não percebam isso, pois pensam que são melhores do que seus irmãos. Eu ouso dizer que esse é um terreno perigoso para se estar.

Houve milhares que tropeçaram na pedra da justiça. Tivemos um irmão que deixou a assembleia por Deus! Em sua mente, ele tinha que sair, caso contrário, pensava estar desapontando o Senhor! Ele acreditava que era a única coisa certa a fazer; mas estava certo? Claro que não! Estar ocupado com a justiça pode se tornar um engano. Pensem em todos aqueles que partiram por causa das divisões nos últimos 150 anos. Eles fizeram o que fizeram porque pensavam que estavam sendo fiéis e ao lado de Deus. Eu lhes digo: se o Senhor não for o nosso foco e tivermos apenas a justiça diante de nós, em vez de ter a Ele, poderemos ser enganados pelo inimigo. Precisamos ter cuidado com isso, irmãos.

Como remédio para a ofensa o Senhor estabeleceu um princípio universal que pode ser aplicado a santos ou pecadores. Ele disse: “Se a tua mão te ofender, corta-a”. Ele disse o mesmo para o nosso “pé” e para o nosso “olho”. É claro que estava falando figurativamente. A questão é que tudo o que estamos fazendo com nossa “mão” ou “pé” ou “olho” que esteja ofendendo as pessoas e estragando nosso testemunho, por mais prezados que esses membros possam ser, devemos desistir deles. Em outras palavras, devemos praticar o julgamento próprio.

Para concluir as orientações acima, o Senhor tratou o estado de alma de Seus discípulos (vs. 49-50), o que se fez necessário para a implementação dessas coisas em suas vidas. Ele disse: “Tende sal em vós mesmos e paz, uns com os outros” (Mc 9:50). O sal nas Escrituras é uma figura da energia da devoção pessoal ao Senhor. Se houver real devoção de coração ao Senhor em nós, estaremos em um estado correto de alma, desejando somente Sua glória. Consequentemente, não seremos uma fonte de problemas entre nossos irmãos. Isso significa que alcançar uma condição de paz entre os irmãos começa por nós mesmos! Precisamos desenhar um círculo ao redor de nós mesmos e começar por aí. Se mantivermos nossa devoção ao Senhor (tendo “sal” em nós mesmos), estaremos em paz conosco e em paz com nossos irmãos. Um homem que não está em paz consigo mesmo não estará propenso a ter paz com os outros. Então seremos como Aser, que mergulhou seu pé em óleo e agradou a seus irmãos (Dt 33:24). O óleo é um tipo do Espírito Santo, e nossos pés falam do nosso andar. Essa é uma figura de alguém andando no Espírito. Se estamos fazendo isso, vamos manter o passo com nossos irmãos, como os homens de Zebulom que puderam “manter o posto” (1 Cr 12:33 – JND). Então seremos pacificadores e não perturbadores.

“Salgado com fogo” (Mc 9:49a) é uma referência à vida do crente como um sacrifício misturado com o julgamento próprio. “Fogo” é uma figura de julgamento. “Salgado com sal” (v. 49b) é uma referência à vida do crente como um sacrifício oferecido com uma garantia de inalterável devoção a Deus, uma aliança, por assim dizer, que não podemos voltar atrás. (Compare Nm 18:19).

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Desarme a malícia com atos de bondade

DESARME A MALÍCIA COM ATOS DE BONDADE
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Vamos ler agora Romanos 12:18-21:

“Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; Eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”.

Essa exortação é ampla o bastante para ser aplicada tanto aos santos quanto aos pecadores. Podemos nos exercitar nisso com incrédulos que não gostam de nós, assim como com aqueles entre nossos irmãos que talvez não gostem de nós. O ponto aqui é que podemos promover a paz com os outros (pacificamente), desarmando sua maldade com atos de bondade. Tais atos farão a pessoa ter vergonha de sua hostilidade e os conduzirá a mudar os pensamentos dela sobre você.

O fato de haver animosidade em um Cristão contra o outro, mostra que há algo seriamente errado. Certamente não é uma condição que Deus deseja entre Seu povo. A primeira coisa que o apóstolo diz na passagem é que não devemos pagar o mal com o mal. A ordem é “dai lugar à ira” – a ira de Deus, não a nossa. Devemos deixá-la com o Senhor que tratará com essa pessoa por Seus meios governamentais. Não é nossa esfera e nem nossa responsabilidade castigá-las, embora possamos achar que mereçam.

Você pode dizer, ‘“qual é a minha responsabilidade então? O que posso fazer a respeito?” Bem, o apóstolo está dizendo aqui que podemos fazer alguma coisa. Podemos tentar desarmar a maldade das pessoas, retribuindo com atos de bondade, para que sejam atingidas em suas consciências e se envergonhem da animosidade. No entanto, retribuir a animosidade de uma pessoa da mesma forma é deixar que o mal nos vença e isso nos fará descer ao nível dos meios maldosos dessa pessoa.

J. N. Darby disse: “Se o meu mau humor colocar você de mau humor, você foi vencido com o mal”. Portanto, cabe a nós não deixar que isso nos aconteça! George W. Carver disse: “Eu nunca vou deixar outra pessoa arruinar a minha vida, fazendo-me odiá-la!”

Às vezes, uma pessoa guarda rancor contra outra, se afasta dela, e dá como desculpa que está procurando exercitar essa pessoa quanto ao seu erro. Isso pode parecer espiritual e piedoso, mas na realidade é apenas maldade. Dizer, “eu posso perdoar, mas não posso esquecer” é somente outra maneira de dizer: “eu não perdoarei!” Não enganamos ninguém quando falamos dessa maneira – mostra que temos um espírito implacável, e isso é tão claro quanto o dia! Podemos enterrar a machadinha, mas ainda segurar seu cabo! Somos advertidos de que, se prosseguirmos com esse tipo de coisa, uma “raiz de amargura”se manifestará na assembleia, e assim muitos serão “contaminados” (Hb 12:15).

Isso também acontece quando as pessoas se envolvem em disputas pessoais e linhas são traçadas e lados são tomados o que resulta em divisão na assembleia. Isso é vergonhoso, mas acontece.

Mas alguém pode dizer: “E quanto à Lucas 17:3?” “Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe”. Diz que não devemos perdoar uma pessoa até que ela se desculpe. Com base nessa Escritura podemos nos sentir justificados e continuar com um rancor ou uma disputa contra alguém que nos ofendeu até que ele, arrependido, nos peça desculpas. O problema desta ideia é que isolamos um versículo e não estamos olhando para o assunto do perdão fraterno em sua totalidade, como a Escritura o apresenta. Lembre-se, uma das grandes máximas que têm a ver com a interpretação da Bíblia é que devemosinterpretar as Escrituras à luz de todas as outras Escrituras.

Precisamos da luz de outras Escrituras sobre o assunto de perdão para compreender corretamente este verso. Somos informados em Mateus 18:35 que devemos “perdoar” em nossos “corações” todos os que nos ofendem. Não há nenhuma condição imposta nessa passagem dizendo que deve haver arrependimento e confissão do erro para que possamos perdoar. Isso significa que devemos ter um espírito de perdão para com os que nos magoam, mesmo que condições de hostilidade ainda existam neles. E isso não está contradizendo Lucas 17. Lucas supõe que chegará um tempo em que a pessoa reconhecerá o seu erro e então poderemos administrar esse perdão a ela formalmente.

Nós já a perdoamos em nossos corações, mas então podemos fazê-lo com nossas bocas. Wayne Coleman, certa vez colocou desta forma: “Mantemos um reservatório de perdão em nossos corações para com essa pessoa, e quando ela se arrepende e assume o seu erro, abrimos as comportas e expressamos o nosso perdão formalmente”.

Assim, se alguém nos ofende, devemos ter nossos corações livres de rancor, mantendo um espírito de perdão para com ele. O Senhor nos adverte que, se não fizermos isso, seremos entregues aos “atormentadores” (Mt 18:34). Isso não está falando de juízo eterno, como alguns pensam, porque o Senhor sugere que há uma possibilidade de sair desse tormento, dizendo: “até que ele pagasse tudo”. Todos sabemos que não haverá libertação daquele juízo – ele será eterno! Fala antes de sermos entregues ao nosso próprio espírito implacável, o qual se torna o nosso atormentador.

Cada vez que vemos, ou mesmo pensamos na pessoa contra quem guardamos rancor, somos atormentados com sentimentos maldosos. Trata-se de uma ação governamental de Deus, ensinando-nos em Sua escola que não é proveitoso ter um espírito imperdoável para com alguém.

Enquanto isso, conforme Deus trabalha no coração do ofensor para trazê-lo ao arrependimento, devemos mostrar-lhe um amor genuíno, expresso em atos de bondade. Isso tocará sua consciência, por meio da qual se envergonhará de sua maldade, e se julgará a si mesmo.

Vemos que não só precisamos ter um espírito de perdão, mas também devemos ter um espírito benevolente para com aqueles que mostram animosidade em relação a nós. Agindo assim, estaremos fazendo a nossa parte para promover a “paz” na assembleia.

H E. Hayhoe disse que houve um tempo em que alguns de seus irmãos locais não gostavam dele. Ele chegou mesmo a ouvi-los falando dele entre si. Então ele foi para seus irmãos mais velhos e pediu-lhes conselho. Eles disseram: “Permaneça com o Senhor, e eles mudarão de ideia!” E isso foi exatamente o que aconteceu!


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Daniel o segredo para vencer

Daniel livro.png

 

Título: DANIEL – O SEGREDO PARA VENCER

Autor: BRUCE ANSTEY

Literaturas em formato digital:
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Literaturas em formato Impresso:
www.verdadesvivas.com.br

Evangelho em 03 Minutos:
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O que respondi:
www.respondi.com.br

 


Índice

VENCEDORES E COMO VENCER……………………………………………………………………………………………4
O GRANDE CONFLITO ESPIRITUAL………………………………………………………………………………………5
OS PROJETOS DO REI DA BABILÔNIA PARA OS JOVENS DO POVO DE DEUS…………………….6
1) Ele Mudou os Jovens para outro Lugar…………………………………………………………………………….7
2) Ele Tornou Seus Jovens em Eunucos………………………………………………………………………………..9
3) Ele Mudou o Propósito da Existência Deles……………………………………………………………………10
4) Ele Mudou a Linguagem dos Jovens……………………………………………………………………………….12
5) Ele Mudou a Dieta dos Jovens…………………………………………………………………………………………13
6) Ele Mudou os Nomes dos Jovens…………………………………………………………………………………….14
O SEGREDO DE DANIEL PARA VENCER……………………………………………………………………………..16
1) Ele Teve um Exercício para Manter-se Separado da Corrupção da Babilônia……………16
2) Ele se Associou com Bons Companheiros………………………………………………………………………18
3) Dedicou Tempo Ficando a Sós com o Senhor em Oração……………………………………………..22
As Condições Morais para a Resposta da Oração………………………………………………………………23
Coisas sobre as Quais Podemos Orar………………………………………………………………………………….24
4) Ele Era um Estudante da Palavra de Deus…………………………………………………………………….25
5) Ele Teve a Glória de Deus Final Diante de Sua Alma…………………………………………………….26
RESUMO DOS EXERCÍCIOS MORAIS DE DANIEL……………………………………………………………….27


DANIEL – O SEGREDO PARA VENCER
(Tacoma, WA – julho 17, 2005)

VENCEDORES E COMO VENCER

Eu gostaria de falar esta tarde sobre o assunto de como vencer. Um vencedor é alguém que se eleva acima do normal em seus dias sendo continuamente fiel ao Senhor. A própria palavra “vencedor” implica que existe uma condição entre o povo de Deus que requer superação. Penso que não seja necessário lhes dizer sobre o dia em que vivemos. Tempo de ruína geral e de fracasso entre o povo de Deus. Há muita apatia no testemunho Cristão hoje em dia e uma grande necessidade de superação.

Outra expressão que aparece nas Escrituras e que está conectado com superação é “o homem de Deus” (1 Samuel 2. 27; 9.10; 1 Timóteo 6.11; 2 Timóteo 3.17, etc.). Isso fala de um homem que se levanta para Deus e age para Deus em um dia em que aqueles que professam o nome do Senhor dão provas de serem infiéis. É significativo que a expressão “o homem de Deus” não é usada nas Escrituras quando as circunstâncias são boas entre o povo do Senhor, mas quando são ruins. Além disso, é sempre usada no singular. As Escrituras nunca dizem “homens de Deus”. Isso significa que a fidelidade deve ser encontrada em uma base individual nos dias de ruína pública. As segundas epístolas no Novo Testamento são particularmente aplicáveis em tais ocasiões, porque antecipam o fracasso público do povo de Deus, e enfatizam a necessidade da fidelidade individual ao Senhor.

Em vista do fracasso público na profissão Cristã hoje, há realmente somente dois tipos de pessoas – aquelas que são as vencedoras (Apocalipse 2-3) e aquelas que são vencidas (2 Pedro 2.19). Eu suponho que podemos dizer que somos um ou outro. Nós, ou estamos vivendo a vida dos vencedores e vivemos para a causa de Cristo, ou somos vencidos pelo caráter da atualidade e estamos vivendo mais ou menos para nossos próprios interesses. É verdade que aqueles que “são vencidos” no sentido falado por Pedro não são verdadeiros crentes. Entretanto, o caráter dos tais pode marcar um crente verdadeiro se ele não andar com o Senhor. Pedro adverte sobre isso no final de sua segunda epístola, dizendo: “… guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza” (2 Pedro 3.17). Assim, quando um crente verdadeiro não puder ser vencedor como acontece com um apóstata, ele pode ser arrebatado “junto” com a corrente da apostasia, e ser vencido pela apatia e pela indiferença que marca os dias atuais.

Esta tarde eu quero ler sobre um “homem de Deus” o qual definitivamente se colocou acima das condições de seu tempo e foi grandemente usado pelo Senhor. Seu nome é Daniel. Sua vida ilustra belamente como nós devemos vencer em um dia mal. Eu gostaria de olhar algumas das características morais que o identificaram e fizeram dele um modelo de superação.

O GRANDE CONFLITO ESPIRITUAL

Antes de iniciar, porém, sinto que é necessário falar um pouco do grande conflito espiritual que todos os cristãos experimentam. Muitos não parecem notá-lo, mas enquanto nós falamos, há uma batalha espiritual enorme que está sendo empreendida sobre nossas cabeças. Em Efésios 6.11 é dito que o diabo tem seus “estratagemas (ciladas)” e os está usando presentemente entre o povo de Deus. Um “estratagema” é uma palavra feita da raiz da palavra “estratégia” e tem a ver com a ciência de guerra militar. O que isso quer dizer é que, o diabo tem projetos específicos em sua vida e na minha. Quer nos fazer tropeçar e nos puxar para fora da senda da fé quando seguimos a Cristo.

Você talvez pergunte: “O que o diabo quer com os Cristãos? Qual é sua finalidade em nos atacar?” Em uma palavra, Satã odeia a Deus e odeia a Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo. Quer fazer o possível para frustrar o propósito de Deus de glorificar Seu Filho neste mundo. Ele sabe que a maneira pela qual Cristo é glorificado neste mundo é através da vida dos crentes. Quando as pessoas veem nossa alegria no Senhor, são levadas a Cristo. Seu propósito, consequentemente, ao atacar Cristãos é fazer suas vidas inúteis no serviço e no testemunho do Senhor. Se ele puder nos puxar para fora do caminho da obediência, nós seremos completamente infelizes, e o nome de Cristo será desonrado de alguma maneira.

Há duas coisas que nós precisamos ter em mente nessa batalha espiritual. Primeiramente, nosso inimigo, o diabo, é muito mais forte e mais inteligente do que nós somos. Em nossa própria força não teríamos chance contra ele e seus emissários. Ele nos tiraria rapidamente do caminho na vida com o Senhor. Em segundo lugar, o Senhor é mais forte do que o diabo e pode derrotar cada um de seus ardis. A Bíblia diz, “ …porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo”. (1 João 4.4). Se nós nos mantivermos perto do Senhor e seguirmos os princípios de Sua Palavra, seremos livres de cada tática que o diabo tiver contra nós. Outro versículo diz, “…porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”. (1 João 2.14). Isso mostra que os projetos de alguém que seja mau podem ser derrotados pela nossa simples obediência à Palavra de Deus. O diabo não pode nos tocar contanto que nossos pés estejam colocados no caminho que a Palavra delimita para nós. Mas isso, naturalmente, supõe que estamos familiarizados com os princípios da Palavra de Deus. Se uma pessoa não souber qual é a vontade de Deus nas várias questões e problemas da vida, é vulnerável às táticas do inimigo e poderia ser tragado para fora do caminho. Esse é realmente meu interesse ao falar com vocês. Eu sei que muitos de vocês, jovens, não são versados nas Escrituras. Precisamos absorver mais seriamente a Palavra de Deus. Precisamos nos saturar com ela e viver por seus princípios em comunhão com o Senhor e nós seremos sustentados.

Assim, o que eu estou dizendo, amigos, – e isso é absolutamente sério – é que o diabo tem projetos específicos para nossas vidas! Ele é capaz de trazer muitos danos ao testemunho Cristão se puder nos fazer viver para nós mesmos, ao invés de viver para a glória de Cristo. Incrédulos verão isso e serão convencidos que não há nada no evangelho de Cristo, porque aqueles que professam conhecer o Senhor não estão felizes apreciando as coisas divinas. Consequentemente, muita da energia do diabo é usada em tentar levar o crente, o filho de Deus, fora da senda da fé.

OS PROJETOS DO REI DA BABILÔNIA PARA OS JOVENS DO POVO DE DEUS

Vamos abrir o livro de Daniel e ler os primeiros sete versículos do capítulo um. “No ano terceiro do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. E o Senhor entregou em suas mãos a Jeoiaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da casa de Deus, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu deus, e pós os utensílios na casa do tesouro do seu deus. E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real e dos príncipes, jovens em quem não houvesse defeito algum, de boa aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e doutos em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para assistirem no palácio do rei, e que lhes ensinassem as letras e a língua dos caldeus. E o rei lhes determinou a porção diária, das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, para que no fim destes pudessem estar diante do rei. E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias; E o chefe dos eunucos lhes pós outros nomes, a saber: a Daniel pós o de Beltessazar, e a Hananias o de Sadraque, e a Misael o de Mesaque, e a Azarias o de Abednego”

O livro não começa com Daniel, mas com uma triste descrição das coisas que prevaleciam naqueles dias. Nós aprendemos, desses versículos, que os filhos de Israel tinham sido conquistados por seus inimigos (os babilônicos) e deportados para a terra de
Sinar. Aprendemos também que o rei da Babilônia (Nabucodonosor) teve um plano organizado e sistematizado para incorporar os filhos de Israel em seu reino de modo que pudessem promover sua causa.

“O rei da Babilônia” é um tipo do diabo. Assim como o rei reinava sobre o mundo conhecido naquele tempo, o diabo é o “deus” e “príncipe” deste mundo (2 Cor.4. 4; João 14.30). Como seu “deus,” é a cabeça de sua religião; como seu “príncipe” é a cabeça de suas atividades seculares, sociais e políticas. O programa de Nabucodonosor direcionado aos “jovens” do povo de Deus tipifica os planos e as táticas do diabo para os jovens Cristãos hoje. Nesse programa, Deus tem nos dado uma figura clara do que, exatamente, o inimigo de nossas almas está tentando fazer aos jovens. Assim, interpretados simbolicamente, esses versículos da abertura do livro de Daniel desmascaram os projetos de Satanás para nossos jovens.

O rei de Babilônia quis incorporar os jovens israelitas em seu reino com o fim de promoverem sua glória. Seu plano envolveria trazer determinadas mudanças na vida dos jovens que alterariam o propósito de sua existência, e os fariam úteis para a realização de seus objetivos. Há pelo menos seis coisas distintas que o rei de Babilônia fez para alcançar seu objetivo. Vamos olhá-las e procurar aprender as lições que Deus poderia ter para nós.

1) Ele Mudou os Jovens para outro Lugar

A primeira coisa que nós lemos é que o rei da Babilônia deportou os judeus para “a terra de Sinar” (Dan.1. 1-2). Removeu-os para um lugar onde não mais poderiam apreciar a herança que Deus lhes havia dado. A terra de Canaã que tinha sido dado ao Seu povo como herança era uma terra bonita onde leite e mel eram produzidos. Mas o rei de Babilônia os levou centenas de milhas longe dessa terra, onde já não poderiam apreciá la.

Amigos, isso é exatamente o que o diabo está tentando fazer conosco. Quer nos levar para longe da apreciação de nossa “porção” em Cristo. Como para Israel, Deus nos deu uma herança. Mas ao contrário da herança de Israel, que é terrenal, a nossa é celestial. Na primeira epístola de Pedro é dito que nossa herança está reservada no céu para nós. “… Deus …, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos; Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós,” (1 Pedro 1.3-4). É também chamada nossa “porção” em Cristo, em Colossenses 1.12 (Trad. J. N. Darby) e Atos 26.18 (na nota do rodapé).

Deus quer que apreciemos nossa porção celestial (nossas bênçãos celestiais) mesmo antes que lá estejamos. Fez uma provisão completa para isso nos dando o Espírito Santo. Se andarmos em comunhão com o Senhor, o Espírito de Deus tomará as coisas de Cristo e as “mostrará” para nós (João 16.15). O Senhor é verdadeiramente suficiente para encher e satisfazer o nosso coração. O diabo, entretanto, está fazendo tudo o que ele pode para estragar nossa apreciação do que temos em Cristo. Não pode tirar nossa herança, mas pode nos tirar a apreciação dela enquanto vivermos aqui neste mundo. Se puder nos tirar a apreciação da nossa porção em Cristo, terá conseguido seu primeiro objetivo.

É significativo que os jovens de Israel foram deportados para “a terra de Sinar”. “Sinar” significa “soltar as amarras” ou “livrar-se de”. Aparentemente, livrar-se da restrição era o caráter dessa terra – tanto que ela foi chamada como foi! Isso nos lembra o que Salomão disse Provérbios 29.18 – Trad. J. N.Darby: {Onde não há visão o povo livra-se (solta as amarras) da restrição} “A terra de Sinar” é um tipo deste mundo onde livrar-se da restrição moral e espiritual é a ordem normal das coisas. Satã, como o “deus” e o “príncipe” deste mundo “cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Coríntios 4.4). As pessoas deste mundo têm suas mentes “cegas” e não têm “nenhuma visão” das coisas divinas e eternas. Consequentemente, “livram-se” da restrição divina. Não querem viver de acordo com a Bíblia. Eu não preciso dizer-lhes que esta é uma época sem lei – todos estão fazendo o que bem entendem. Esse é o padrão dos dias de hoje. As reivindicações de Cristo não são determinantes na vida de muitos.

É nesta “terra de Sinar,” espiritualmente falando, que o diabo quer conduzir o povo de Deus – particularmente os jovens! Caros jovens, ele quer que você se livre de toda restrição divina em sua vida e viva somente como todos os demais neste mundo. Triste dizer, ele teve muito sucesso em convencer crentes a fazer o mesmo. Há muitos cristãos que vivem “na terra de Sinar,” por assim dizer. Estão longe de apreciar sua porção em Cristo. Na verdade, o diabo fez um trabalho tão completo que muitos Cristãos nem mesmo sabem quais são suas bênçãos! Não têm nenhuma ideia quão ricamente eles têm sido abençoados em Cristo – e muito menos estão vivendo na apreciação dela. Assim, amigos, essa é a primeira coisa que o diabo está tentando fazer – colocá-los em um lugar (um estado) onde vocês não podem apreciar suas bênçãos em Cristo. Daí, será relativamente fácil para ele introduzir outras coisas que os conduzirão para longe do Senhor. Se vocês não estiverem apreciando a porção que têm em Cristo, serão mais inclinados a buscar algo que vocês pensam que lhes trará a satisfação e a felicidade. No melhor dos casos será somente temporário (Hebreus 11. 25) e não os fará felizes realmente. Isso é um fato: se uma pessoa não estiver apreciando sua porção em Cristo, não será um Cristão verdadeiramente feliz e satisfeito. Eu vejo muitos Cristãos infelizes hoje, assim, eu sei que o diabo teve um sucesso tremendo em seu trabalho de “deportar” pessoas desta maneira.

2) Ele Tornou Seus Jovens em Eunucos

A próxima coisa que os babilônicos fizeram aos “jovens” do povo de Deus foi torná-los “eunucos” (v. 3). Isaías profetizou que isso aconteceria. Ele disse: “E até de teus filhos, que procederem de ti, e tu gerares, tomarão, para que sejam eunucos no palácio do rei de Babilônia” (Isaías.39.7). Literalmente, eles fizeram uma cirurgia (castração), assim eles não poderiam mais procriar. Fizeram isso para que aqueles que pertenciam à “semente real” não dessem continuidade à linhagem dos reis de Israel na terra. Logo, seria menos provável o crescimento dos judeus como uma nação e a consequente ameaça ao domínio da Babilônia.

Essa ação do rei da Babilônia tipifica os esforços de Satã de nos fazer espiritualmente improdutivos. Como vocês sabem, Deus quer que sejamos frutíferos. Quer nos fazer gerar frutos em nossas vidas, no sentido de sermos uma bênção espiritual para outros. O apóstolo Paulo orou para esse fim, dizendo: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (Col.1.9-10). Satã, naturalmente, não quer que em nossas vidas haja frutos para Deus. Quer-nos improdutivos, de modo que sejamos de nenhum uso prático no serviço e no testemunho do Senhor.

Observe que eram aqueles que tinham “talento” e “habilidade” que o rei de Babilônia quis particularmente. Do mesmo modo, Satã mira naqueles que são talentosos e espertos. Ele sabe que, se tais pessoas forem vitoriosas nas reivindicações do Senhor em suas vidas, poderiam ser muito produtivas no reino de Deus – elas poderiam fazer muito na maneira de promover a causa de Cristo neste mundo. Assim, as faz seus alvos especiais. Parece trabalhar fazendo hora extra para conseguir que aqueles que são bonitos, talentosos, inteligentes e tal, tornem-se adeptos de seu sistema. Queridos jovens (irmão ou irmã), vocês têm alguns talento ou são inteligentes em algum campo? O diabo gostaria de manter vocês absorvidos num tal propósito a ponto de vocês se tornarem improdutivos nas coisas de Deus. Um irmão que já partiu, chamava Cristãos como esses de “fracassos na assembleia”. Podem estar na assembleia – e nós somos gratos que estejam – mas, tirando toda a aparência externa, eles são pouco úteis ou de pouca ajuda prática. Estão tão absorvidos buscando as coisas da terra que têm pouco ou nada para contribuir com a assembleia. Eu suponho que você poderia dizer que eles são um peso morto, e é isso o que o diabo quer para sua vida! Eu lhes pergunto diretamente do meu coração, “Vocês querem ser conhecidos como sendo um “fracasso” no que se refere à sua vida Cristã?” Vocês, certamente, querem que o resultado em suas vidas seja algo mais do que isso. Satã está tentando nos fazer improdutivos nas coisas do Senhor. Nós necessitamos ser como Daniel – para quem estamos olhando neste momento – e vencer os esforços do inimigo, assim, seremos uma ajuda e uma bênção no reino de Deus, onde e como pudermos.

3) Ele Mudou o Propósito da Existência Deles

O que lemos a seguir é que o rei da Babilônia teve um propósito específico para incorporar aquela “juventude” promissora em seu sistema – isso foi assim de modo que “estivessem no palácio do rei”. Literalmente, os quis lá para promover sua causa. Isso era inteiramente diferente do que Deus tinha proposto para os filhos de Israel. Isaías 43.21 nos fala sobre o propósito de Deus para Seu povo. Diz, “ao povo que formei para mim mesmo, a fim de que manifestassem o meu louvor” (versão brasileira). Seu desejo era que “manifestassem o meu louvor” na terra e Lhe trouxessem glória. Mas o rei da Babilônia teve um propósito completamente diferente para a vida deles – quis que promovessem a causa da Babilônia.

Isso é exatamente o que Satã está tentando fazer com nossos jovens. Quer que eles gastem suas energias em promover o sistema deste mundo – e se trabalharem duramente
o bastante em algum campo de empreendimento, poderão fazer uma vida boa para si mesmos. Ele quer que os jovens fiquem totalmente absorvidos nisso e que façam disso o
foco de suas vidas.

Para realizar seu objetivo, o rei de Babilônia teve uma escola. Levou esses “jovens” para longe de seus pais e os colocou em sua escola na Babilônia. O plano era dar-lhes forma de algo que poderia ser usado para promover a causa da Babilônia. Esta é uma velha tática do diabo – separar os filhos de seus pais. Faraó, outra pessoa na Bíblia que tipifica o diabo, tentou similarmente separar os filhos de seus pais em Israel. Quis que esses deixassem seus “jovens” para trás no Egito (um tipo do mundo) enquanto “os homens” sairiam e adorariam o Senhor (Êxodo. 10.11). Eu não estou dizendo que seja ruim ir para a escola, mas que a tentativa de levar os filhos para longe de seus pais, espiritualmente falando, é definitivamente satânico. Queridos jovens, ainda que você viva na mesma casa que seus pais, você pode estar a quilômetros de distância deles, no espírito. Esse é o trabalho do inimigo. Naquela escola, na Babilônia, já não estavam sob a autoridade dos seus pais. Estando naquela posição, podiam facilmente ser influenciados pelo modo de vida da Babilônia.

Nós temos dito que o programa usado pelo rei da Babilônia teve a duração de “ três anos” (vers. 5). Isso mostra que Satanás compreende que leva tempo para que o povo do Senhor seja completamente corrompido. Geralmente, não acontece da noite para o dia. É um pouco aqui e um pouco lá, até que uma pessoa esteja completamente mundana. O diabo sempre está disposto a esperar e trabalha lentamente para essa finalidade. Em tudo ele tem em vista a alteração do propósito de sua existência neste mundo. Você terminará sendo completamente inútil no serviço do Senhor, e sujeito a ir junto com o sistema desse mundo que está tão somente caminhando para o juízo. Aquilo para o que você trabalha, tanto quanto este mundo, está caminhando para ser destruído no final. Somente o que é feito para Cristo vai permanecer, vocês sabem isso. Se sua vida for consumida em buscas mundanas, o que você terá quando deixar este mundo?

Agora, queridos amigos, cada dia que vivemos na terra estamos escrevendo nossa própria história. Uma vez que seja escrita não poderá ser mudada. Como vocês gostariam que os registros da vida de vocês fossem escritos? Gostariam de ler que a estiveram usando para si mesmos e para os prazeres e os interesses mundanos? A Bíblia diz, “Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?” (Marcos 8.36) Vocês não querem chegar ao fim da vida e perceber que atuaram como tolos e que compraram a mentira de Satã, desperdiçando suas vidas com coisas fugazes que servem somente por um tempo. Não querem antes que suas vidas estejam sendo registradas como tendo sido usadas para promover a glória do Senhor? Somente VOCÊ pode fazer algo sobre isso.

4) Ele Mudou a Linguagem dos Jovens

A seguir lemos que o rei de Babilônia mudou a linguagem dos jovens. O plano do rei para integrar os filhos de Israel em seu reino envolveu mudar a maneira como falavam. Não os queria andando pela Babilônia usando a linguagem dos judeus, pois isso naturalmente os manteria unidos. Quis integrá-los na sociedade dos babilônicos – ajustá-los ao estilo de vida da Babilônia – e isso envolveu falar a “língua dos caldeus”. De modo similar, no esforço do diabo para ter os filhos de Deus dentro do sistema deste mundo, ele os impele a falar da maneira como o mundo fala. Incentiva-nos a usar suas gírias e suas corruptas maneiras de falar. Geralmente, é uma maneira que não mostra cortesia ou respeito àqueles que deveriam ter. Eu tenho certeza que você já observou que é um jeito “descolado” no mundo falar de forma rude, e não mostrar respeito às autoridades.

É surpreendente, mas você pode dizer como uma pessoa foi afetada pelo mundo apenas escutando sua maneira de falar. Aqueles que estão sob a influência desse tipo de conversa, de certa maneira, mostram como são em suas almas. É lamentável, mas quando os cristãos tentam falar como o mundo, sem perceber, estão dizendo que procuram pela aceitação deste mundo – embora nunca o admitam. Não que seja errado querer ser aceito, mas por quem nós queremos ser aceitos? Essa é a questão.

Nós realmente precisamos falar à maneira do mundo? Pense no Senhor e na maneira como Ele falou. É dito que os povos se maravilharam “das palavras de graça que saíam da sua boca” (Lucas 4.22). Disseram, “Nunca homem algum falou assim como este homem” (João 7.46). A maneira como se comunicou com os povos era um testemunho claro e brilhante que Ele tinha algo que eles não tinham. E quanto a nós, é realmente uma maneira muito boa de testemunhar o fato de que conhecemos o Senhor como nosso Salvador. As pessoas deveriam ser capazes de dizer pela maneira como nós falamos que não marchamos conforme a batida do ritmo do mundo. Não quero dizer que nós devemos tentar ser estranhos e diferentes, mas que nós vivemos considerando diferentes valores que são divinos e eternos. Sobre Davi é dito que era “prudente em palavras” (1 Samuel 16.18). Esse é um bom testemunho para o jovem ter neste mundo corrupto. Não deixemos o mundo ditar como nós devemos falar. O apóstolo disse, “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Efésios 4.29).

5) Ele Mudou a Dieta dos Jovens

O versículo 5 diz que o rei da Babilônia mudou também a dieta dos jovens. Designou para cada um deles “uma provisão diária das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia” (Daniel 1.5). Quis que aqueles “jovens” comessem o que os babilônicos comiam. De uma maneira similar, o diabo quer nos alimentar com o que as pessoas deste mundo se alimentam, em um sentido moral. As coisas que as pessoas deste mundo digerem, tanto quanto o que sustenta suas vidas, intelectual e socialmente, é o mesmo que o inimigo de nossas almas nos quer alimentar. Eu estou falando sobre a política do mundo, seu entretenimento com música, teatro, esportes, etc. Se o diabo puder nos manter ocupados com essas coisas (alimentar-nos com elas) sabe que enfraquecerá nossa capacidade espiritual. Logo não teremos força espiritual para ficar contra toda a corrupção que nos cerca – e cairemos nela. Se nos alimentarmos de forma imprudente dessa sorte de coisas, seremos totalmente afastados para longe do Senhor. Assim, do ponto de vista de Satã, se ele deve alcançar seu objetivo principal com os filhos de Deus, é importante para ele começar a alimentá-las nas coisas que o homem do mundo se alimenta.

Nós estamos vivendo em dias em que os avanços tecnológicos estão sendo feitos em um ritmo inacreditável. Graças à TV, CDs, Walkmans, Ipods, DVDs, a Internet, e quem sabe o que mais, uma pessoa pode literalmente ter o que quer que ela escolha fluindo deste mundo em sua vida ininterruptamente. Onde quer que você esteja, ou o que quer que você faça, com esses meios você poderá literalmente ter as coisas lançadas em sua alma de manhã à noite. Você pode tê-los quando estiver indo para uma caminhada ou fazendo exercícios, em seu carro, enquanto você trabalha, quando você estiver sentado ou quando estiver deitado. Caros jovens, é extremamente necessário que se diga – nós temos que ter cuidado com o que nos alimentamos. Se tais “brinquedos” forem encontrados em mãos não santificadas eles podem se transformar em ferramentas de Satã para corromper nossas almas.

Tome como exemplo a música pulsante do rock. O diabo está dizendo que nossos jovens têm que ter isso em suas vidas de forma irrestrita. Alguém, libertado disso recentemente, disse-me que 90% das letras têm a ver com sexo, drogas, e rebelião. Eu pergunto, “como isso pode ser bom para sua alma?” E quanto aos filmes? Talvez você esteja dizendo, “o que há de errado em assistir aos filmes?” Você sabe que eu não estou falando sobre “Anne of Green Gables” (clássico da literatura infantil canadense transformado em filme) e afins. Eu não sou tão ingênuo para pensar que os jovens querem ver esse tipo de filme. Vamos ser honestos, tais filmes são os últimos, dos que são anunciados nas revistas especializadas, que eles querem provavelmente ver. Nós todos sabemos que para vender filmes, atualmente e em geral, tem que ter crime, violência, uma cena de sexo, uma cena de perseguição e humor – alguns dos quais não são os mais limpos. As mulheres geralmente se vestem de maneira provocante, a linguagem é frequentemente má, e há geralmente alguma promiscuidade. Como podemos nós possivelmente pensar que, se nos alimentarmos deles, não haverá nenhum efeito em nós?

Se você olhar por trás dessas coisas, tais invenções são realmente o “golpe de mestre” de Satanás. Ele tem realmente enganado os Cristãos levando-os a pensar que necessitam todos esses mais recentes dispositivos. Fazem parte de seu plano mestre para desviar a atenção dos santos para muitas coisas, exceto para Cristo. Desse modo ele nos faz comer sua “carne”. Caros jovens, vocês percebem que essas coisas que o rei da Babilônia está lhes dando para comer são prejudiciais a suas almas? Consumindo sua energia espiritual, estragando seu apetite para coisas divinas, enganando suas almas, e impedindo-os de fazer progresso nas coisas do Senhor. Em toda minha vida eu nunca vi que qualquer um que se alimenta de tais coisas tenha qualquer apetite sério para a Palavra de Deus! Ou faça algum progresso significativo em suas almas! Isso não é uma coincidência: é a prova de que, quem se alimentar daquelas coisas será levado para longe do Senhor e de Suas coisas.

É realmente triste, mas muitos dos nossos jovens aceitaram de todo o coração as ofertas do rei da Babilônia e estão comendo sua “carne.” E os jovens não são os únicos, tampouco! O antigo provérbio que diz, “você é o que você come” é tão verdadeiro em coisas morais e espirituais como em coisas naturais. Aquilo que alimenta vocês intelectualmente dá forma à sua alma. Vocês se transformam moralmente no que vocês contemplam! Esse é um princípio de vida – seja para bem ou para o mal. A Escritura diz “Porque, como imaginou no seu coração, assim é ele” (Provérbios 23. 7). Assim, se aquelas coisas estiverem diante de sua alma, você certamente será afetado por isso – e não será para seu bem espiritual.

6) Ele Mudou os Nomes dos Jovens

Os versículos 6 e 7 dizem-nos que o rei de Babilônia fez uma coisa a mais – ele mudou os nomes deles. Fez isso de modo que a verdadeira identidade deles, como filhos de Israel, fosse escondida. Não queria que fossem reconhecidos, na Babilônia, como israelitas. Por exemplo, se alguém lá perguntasse o nome a um deles e ele dissesse, “Ananias”, seria imediatamente identificado como judeu. Seus nomes judeus eram provas inconfundíveis a respeito deles. Similarmente, hoje, se você encontrar um homem cujo nome seja Sol Goldstein, não precisa perguntar se ele é um judeu!

Da mesma maneira o diabo quer esconder nossa identidade como filhos de Deus. Não quer que nós nos apresentemos como Cristãos – que pertencemos ao Senhor Jesus Cristo. Aplica uma pressão incrível sobre os jovens para conformá-los ao mundo e a suas maneiras e para mantê-los calados. Quer nos misturar de modo que fiquemos parecidos com as pessoas deste mundo e que falemos como eles, e então não haverá nenhuma diferença externa ou visível. O resultado, naturalmente, é que não haverá nenhum testemunho rendido ao Senhor.

O diabo usa a pressão do grupo, por isso, talvez, vocês tenham receio de confessar o Senhor a alguém do grupo, pois, eles rirão de vocês. É completamente possível que isso aconteça. O diabo quer fazê-los sentir tal pressão, pois assim vocês se manterão quietos. Mas lembrem-se do aviso: “O temor do homem armará laços” (Provérbios 29.25). Se você caminhar sob a influência de pessoas mundanas, e não falar de Cristo para eles, você será responsável se cair nos laços de seus caminhos.

Há muitos cristãos “escondidos” hoje. O que eu quero dizer com isso é que há Cristãos que não têm a coragem moral e espiritual de levantar-se e declarar que pertencem ao Senhor. Mantêm seu Cristianismo no seu “esconderijo”. José de Arimateia era esse tipo de pessoa. Dizia que era “… discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus” (João 19.38). Estava receoso de identificar-se publicamente com o Senhor Jesus, assim manteve sua crença para si mesmo. (Compare também João 9.22 e 12.42.) Mas é agradável notar que quando viu o Senhor morrer na cruz, isso o afetou de maneira tão positiva que resolveu não ser mais um covarde espiritual. Saiu de seu “esconderijo” e identificou-se publicamente com o Senhor no enterro dele. Bastou um vislumbre dos sofrimentos de Cristo para que José de Arimateia mudasse seu comportamento. Que os sofrimentos de Cristo façam o mesmo em nós.

Nós nunca devemos recuar na questão de testemunhar para Cristo – nossos rostos brilharão e nós seremos felizes fazendo isso. O apóstolo Pedro disse, “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1 Pedro 4.14). Você provavelmente não notará, mas quando você confessa a Cristo diante de outro “o Espírito da glória e de Deus” repousará em você, e aquele a quem você fala verá um testemunho brilhante e reluzente.


Assim, nesses versos da abertura do livro de Daniel nós temos uma exposição detalhada das táticas de nosso inimigo com respeito à sua tentativa de tornar-nos inúteis no reino de Deus. O diabo está procurando:

1) Levar-nos para longe de apreciar nossa porção em Cristo.
2) Fazer-nos espiritualmente improdutivos.
3) Fazer-nos desperdiçar nosso tempo e energia edificando este sistema mundano.
4) Fazer-nos falar como as pessoas deste mundo.
5) Alimentar-nos com os entretenimentos deste mundo.
6) Pressionar-nos para não confessarmos a Cristo.


O SEGREDO DE DANIEL PARA VENCER

Como disse antes, eu quero olhar Daniel como um “homem do Deus”, o qual se posicionou acima das condições de seu dia como um vencedor, e como ele foi usado por Deus. Sua vida ilustra como nós devemos vencer em um dia mal. Eu gostaria de olhar algumas qualidades morais que o caracterizaram, fazer dele um modelo de superação e exibi-lo como aquele que nós devemos imitar. Afinal de contas, a Escritura nos encoraja a seguir a fé daqueles que andaram nessa senda antes de nós (Hebreus 13. 7).

1) Ele Teve um Exercício para Manter-se Separado da Corrupção da Babilônia

A primeira coisa que nós lemos sobre Daniel é que ele teve um exercício para não se contaminar com as coisas que o rei de Babilônia ofereceu para ele comer. No versículo 8 diz, “E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar”. Ele sabia pelas Santas Escrituras que aquelas coisas que o rei de Babilônia quis que ele comesse eram impuras e consequentemente proibidas para os filhos de Deus (Levítico 11. 1-47). Assim, agiu em simples obediência à Palavra de Deus, e não se contaminou com as coisas que o rei de Babilônia lhe ofereceu.

Caros jovens, os exercícios de Daniel vieram da vontade dele de agradar ao Senhor. Eu espero que vocês tenham um desejo de agradar ao Senhor em suas vidas. Isso veio do coração dele – é dito que ele “propôs em seu coração”. Todo exercício espiritual começa – no coração. O nosso coração pode ser inclinado de muitas maneiras e para muitas coisas, mas é bonito ver alguém que tem um coração que quer agradar ao Senhor. É bonito ver o Senhor tocar no coração dos jovens (irmão e irmã) e exercitá-los para andar em separação do mundo. 2 Coríntios 6.17-18 diz: “Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo- Poderoso”. Daniel agiu nesse princípio, e Deus o abençoou por isso. Os amigos: esses são os primeiros na questão do controle da separação. Esse exercício fez de Daniel um homem santo.

Vemos também que ele teve coragem de resistir e agir segundo suas convicções. Mas observe, não fez nada de maneira ofensiva, “jogando na cara” do chefe dos eunucos aquilo que cria. Está escrito “pediu”, a fim de que não se contaminasse com “a comida do rei”. Eu menciono isso porque é possível defender aquilo que é correto de uma maneira carnal, e o Senhor não Se identificará com tal atitude (Isaías 65.5). Mas Daniel não se comportou de tal maneira, e isso resultou no fato dele contar com o favor do chefe dos eunucos. Nós necessitamos andar em separação, mas isso não quer dizer que precisamos usar a antipática atitude de repreender.

Daniel teve muitas oportunidades de se justificar se quisesse ceder naquilo que estava em torno dele. Poderia ter usado grande número de argumentos plausíveis para acatar as demandas e os pedidos do rei – acredito que muitos de seus irmãos não o criticariam, porque estavam fazendo tais coisas (versículo 15). Por exemplo, poderia ter usado o argumento que, por terem sido conquistados deveriam se submeter ao rei e fazer o que ele disse. Afinal, Jeremias havia profetizado que quando fossem levados cativos para uma terra distante deveriam “procurar a paz da cidade” (Jeremias 29.7). Consequentemente, ele deveria concordar com aquilo que os babilônicos quisessem. Ou poderia ter argumentado que os princípios na lei de Moisés aplicavam-se, na realidade, somente aos filhos de Israel quando estavam na terra deles. No livro de Deuteronômio, onde Moisés deu várias ordens a respeito de como deveriam viver, diz especificamente, “quando entrares na terra…” E assim, como não estavam na terra deles, não seria necessário manter todas aquelas leis e os estatutos. Poderia ter feito um acordo e dito, “bem, meus irmãos estão fazendo isso (versículo 15), então farei o mesmo que eles e não causarei problemas”. Teria sido a maneira mais fácil de livrar-se, mas Daniel não o faria.

Nos versículos de 11 a 14 vemos que quando o exercício começou com Daniel, outros foram afetados. “Hananias, Misael e Azarias” tomaram coragem e juntaram-se a Daniel no exercício. Isso mostra que se nos levantarmos para o Senhor, Deus nos dará coragem para agir e pessoas com quem poderemos andar nessa senda. Isso mostra que nossas vidas afetam a outros seja para o bem ou para o mal. Independente de quão insignificantes possamos nos sentir, nossas vidas afetam outras de alguma maneira. Em Romanos 14.7 diz: “Porque nenhum de nós vive para si e nenhum morre para si”. Você pode não acreditar, mas sua vida está tendo um efeito sobre alguém! E eu pergunto: “Isso é para o bem ou para o mal?”

Nos versículos 15 a 20 vemos que Deus recompensou o exercício deles que se abstinham “da comida do rei,” o que se tornou evidente a todos. Primeiramente, a saúde deles ficou melhor. “Eles estavam mais gordos” do que todos os outros jovens que tinham se comprometido. Isso nos ensina que se abstendo da alimentação das coisas do mundo e se alimentando das coisas divinas, sua saúde espiritual – seu estado espiritual – será próspero. Em segundo lugar, Deus os recompensou com “conhecimento e habilidade” mais do que a todos os outros na Babilônia, e Daniel teve uma especial “compreensão em todas as visões e sonhos”. Isso significa que fizeram grandes ganhos espirituais. E eu ouso dizer que você ganhará espiritualmente também – tanto quanto for seu interesse intelectual nas coisas divinas.

Essas coisas eram preparatórias para Daniel ser usado pelo Senhor em Babilônia. Queridos jovens irmãos ou irmãs, o Senhor quer usá-los (as) em Seu serviço, e o início é o que vimos aqui. Você necessitará ter esse exercício que Daniel e seus três amigos tiveram. Em 2 Timóteo 2.19-21 diz: “Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade. Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra”. Essa passagem nos mostra que antes de sermos usados pelo nosso Mestre temos que nos purificar das coisas que representam uma desonra para Ele. Há, naturalmente, mais o que fazer além disso, como veremos nas características que se seguem e que marcaram a vida de Daniel, mas tudo começa por essa purificação.

2) Ele se Associou com Bons Companheiros

No capítulo 2 há o relato de uma crise no reino. Todos os profetas e adivinhos seriam mortos se o sonho de Nabucodosor não fosse tornado conhecido. Nos versículos 17 e 18 diz: “Então, Daniel foi para a sua casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, para que pedissem misericórdia ao Deus dos céus sobre este segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia”. Vemos que Daniel teve outra coisa que foi importante para vencer em um dia em que a massa do povo de Deus estava comprometida – isto é, tinha “companheiros” que tinham um exercício similar.

No capítulo 1 nos foi dito que a vida de Daniel tinha afetado outros jovens, mas agora lemos que eles passaram a ser “seus companheiros”. Ele buscou bons companheiros e andou com eles. É muito bom ter aqueles com quem vocês podem andar e em quem podem confiar. Todos querem ter amigos, mas o tipo de amigos que a Bíblia nos diz para ter são aqueles que estão interessados em viver de acordo com os princípios da palavra de Deus. No Salmo 119.63 diz: “Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos”. Há duas coisas nesse versículo que qualificam o tipo de companheiros que devemos ter. Primeiramente, deve haver “temor” de Deus em nossas vidas. Isto será evidente se queremos estar distantes do pecado. Provérbios 14.16 diz, “O sábio teme e desvia-se do mal”. No primeiro capítulo nós vimos que os companheiros de Daniel deram provas disso ao recusar a comida do rei. Se você souber de jovens que estão fazendo coisas erradas, isso é um sinal indicador de que eles não têm temor de Deus em suas vidas. As Escrituras são claras a respeito dessa questão quando fala que não devemos ser seus companheiros. E não pensem que vocês só encontram o pecado no mundo. A Palavra Deus diz, “No meio da congregação e da assembleia foi que eu me achei em quase todo o mal” (Provérbios 5.14). Podemos encontrar tal coisa entre o povo do Senhor! Lembrem-se, estamos em dias de ruína da profissão cristã. Então, a segunda coisa que deve marcar alguém que seria um bom companheiro é que ele terá um exercício para manter os “preceitos” da Palavra de Deus. Os preceitos são os menores detalhes de Sua Palavra. Isso aponta para uma obediência rigorosa à Palavra de Deus. Se virem essas duas coisas em um crente, podem estar certos que ele será um bom companheiro para vocês. Agora posso lhes perguntar: “Que tipo de companheiros vocês têm? São aqueles que os ajudarão a seguir adiante? Ou são os que representam um impedimento mais do que qualquer outra coisa?” E posso ainda perguntar, “que tipo de companheiro temos sido para nossos amigos?”


Há boas e positivas razões pelas quais vocês devem procurar bons companheiros, e eu gostaria de mencionar algumas delas.

1) Encorajamento.

Em 1 Samuel 14.6 – 7 diz, “Disse, pois, Jônatas ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura, operará o SENHOR por nós, porque para com o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos. Então, o seu pajem de armas lhe disse: Faze tudo o que tens no coração; volta, eis-me aqui contigo, conforme o teu coração”. Aqui temos um exemplo de como um amigo pode nos ser um encorajamento. Jônatas desejou fazer um trabalho para o Senhor e para a libertação de Seu povo. Saiu com seu pajem a fim de impedir a entrada dos filisteus em sua terra. Mas quando estava a ponto de pôr seu plano em ação, teve, aparentemente, outro pensamento, e considerou desistir dele. Foi quando seu pajem o pressionou e o incentivou a ir adiante. Isso é o que os bons companheiros farão para vocês.

2) Preservação.

Em 1 Samuel 25.14 – 16 diz, “Porém um dentre os jovens o anunciou a Abigail, mulher de Nabal, dizendo: Eis que Davi enviou mensageiros desde o deserto a saudar o nosso amo; porém ele se lançou a eles; Todavia, aqueles homens têm-nos sido muito bons, e nunca fomos agravados deles, e nada nos faltou em todos os dias que conversamos com eles, quando estávamos no campo: De muro em redor nos serviram, assim de dia como de noite, todos os dias que andamos com eles apascentando as ovelhas”.

Essa é parte de uma história dos feitos de Davi e de seus homens poderosos. Davi é um tipo de Cristo. Aqueles que viveram e andaram com ele são uma figura dos crentes fiéis que andam na companhia do Senhor Jesus Cristo. São esses tipos de companheiros que devemos ter. Os moços de Nabal concluíram que ao manter a companhia dos moços de Davi estariam seguros dos perigos no deserto. Relataram a Abigail que os moços de Davi eram como “um muro” para eles. Um muro nas Escrituras fala de separação e de proteção. A lição aqui é que se nós nos cercarmos com bons companheiros -aqueles que andam com Senhor- seremos preservados dos perigos do mundo. Há proteção na companhia de cristãos fiéis e piedosos.

Ter amigos como os homens de Davi será definitivamente uma ajuda em sua vida espiritual. Por exemplo, vocês podem ser tentados a fazer algo errado num assim chamado “momento de fraqueza”, mas os bons companheiros os ajudarão a agir de forma correta. Ou, se forem levados pela correnteza e andarem fora dos trilhos, seus companheiros piedosos os alcançarão e os avisarão dos perigos para os quais vocês estão sendo levados. Alguém que seja verdadeiramente amigo não os deixarão ir até o fim sem um aviso. Diz nas Escrituras: “Leais são as feridas feitas pelo amigo” (Provérbios 27.6). Essa é uma proteção que faltará se vocês andarem com companheiros descuidados.

3) Ajuda e Instrução Espirituais.

Em Josué 14.12-13 lemos: “Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou aquele dia; pois naquele dia tu ouviste que estavam ali os anaquins, e grandes e fortes cidades. Porventura o SENHOR será comigo, para os expulsar, como o SENHOR disse. E Josué o abençoou, e deu a Calebe, filho de Jefoné, a Hebrom em herança”. E no capítulo 21.12 – 13 diz: “Porém o campo da cidade, e as suas aldeias, deram a Calebe, filho de Jefoné, por sua possessão. Assim aos filhos de Arão, o sacerdote, deram Hebrom, cidade do refúgio do homicida, e os seus arrabaldes, Libna e os seus arrabaldes”. Os filhos de Israel deram a Calebe a oportunidade de ter a parte da herança que quis, e ele escolheu “Hebrom”. Hebrom significa comunhão. Isso não é encantador? No capítulo 21 nós aprendemos que Hebrom era a cidade onde os sacerdotes viveram! Os sacerdotes eram aqueles que viviam e trabalhavam na presença do Senhor no santuário. Quando estavam fora de seus deveres no tabernáculo (e mais tarde no templo), viviam nessa cidade. Isso significa que Calebe esteve cercado literalmente por sacerdotes. Essa, pois, é a boa companhia para se ter por perto! Isso mostra que ele teve um exercício para andar na companhia de sacerdotes!

Todos têm necessidade de companheiros deste tipo – que possam ser uma ajuda espiritual. A Bíblia diz: “Como o ferro com ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo” (Provérbios 27.17). Isso significa que a troca de pensamentos e exercícios entre amigos que querem andar nos caminhos do Senhor, nos tornam mais afiados em nossa espiritualidade e também mais equilibrados em nossas vidas.

4) Suporte em Tempos de Provação.

Em Jó 6.14 nós lemos: “Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão”. Este é outro grande benefício que temos em ter bons companheiros – solidariedade e suporte em época de provação! Jó se queixava de que seus amigos não lhe davam isso, e no capítulo 42. 7-9 nós aprendemos que estavam definitivamente no erro. Certamente é uma ajuda positiva ter companheiros piedosos – que compreendem as nossas provas da fé e tudo o que estamos passando – aqueles em quem podemos confiar. O perigo na provação é ficarmos tão para baixo que nossa fé pode falhar até o ponto de querermos desistir. Mas que bom é ter companheiros que podem nos levantar num sentido espiritual! Assim, o que eu estou dizendo aqui, amigos, é que vocês devem se cercar de outros cristãos que têm esse desejo de caminhar com o Senhor. Isso será uma ajuda e uma bênção na vida de vocês. Se a separação do mal fez de Daniel um homem santo, o bom companheirismo fez dele um homem feliz.


3) Dedicou Tempo Ficando a Sós com o Senhor em Oração

No sexto capítulo de Daniel vemos outra característica na vida de Daniel que foi essencial para ele vencer – dedicou tempo sozinho em oração. Diz em Daniel 6.10, “Daniel, pois, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa (ora havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer”. Isso mostra que Daniel teve uma vida secreta de oração que o sustentou nessa terra ímpia. O fato que era “… como antes costumava fazer” indica que era um hábito em sua vida. Que bom ter esse tipo de hábito! O salmista disse, “De tarde e de manhã e ao meio dia orarei; e clamarei, e ele ouvirá a minha voz” (Salmos 55.17). Ele orava três vezes ao dia, assim como Daniel! Talvez Daniel tenha aprendido com esse salmo a respeito da oração, o que nos mostra que ele era um homem dependente.

A oração é baseada no privilégio de ter interesses comuns com Deus. É a expressão da nossa dependência Nele para todas as nossas necessidades. Diz em Mateus 6.8, “…vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes”. Ele sabe exatamente o que nós necessitamos, mas quer que tenhamos comunhão com Ele a respeito de todas as coisas que tocam nossas vidas. Quer que nós “derramemos” nosso coração diante Dele e contemos a Ele como nos sentimos a respeito de tudo o que passamos (Salmos 62.8). Propagandas das operadoras de telefonia alardeiam ter as melhores conexões wireless. Mas isso não é verdade, pois a oração é a melhor conexão wireless! Triste dizer que alguns cristãos parecem não acreditar nisso, pois usam a oração como um extintor de fogo: “Para uso de emergência somente!” Mas essa não é a intenção de Deus. Há uma história de um menino pequeno a quem foi perguntado se tinha orado naquele dia. Ele respondeu, “Não”. Quando lhe perguntaram por que, ele disse, “eu não precisei de nada”. Alguns de nós somos como ele: vamos ao Senhor somente quando necessitamos algo. Entretanto, a oração é muito mais do que apenas pedir coisas. É o recurso vital para nossa comunhão com o Senhor. Ele é o melhor Amigo que você terá sempre! E sendo assim, você irá querer passar tempo com Ele.

Nós necessitamos olhar para o Senhor todos os dias de nossas vidas buscando Sua ajuda. O próprio Senhor é nosso exemplo. Ele orava todos os dias, “Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio” (Salmos16.1). Se sairmos cada dia sem orar e sem confiar nosso caminho ao Senhor, podemos estar certos que cometeremos erros na vida, pois, necessitamos a ajuda do Senhor. Devemos sentir nossa fraqueza e nossa necessidade Dele, e olhar para Ele para nossa orientação.

O cristão que vive sem orar está sem comunhão. Pode não dizê-lo, mas confia em suas próprias habilidades de orientar-se a si mesmo através da vida e não acredita que necessita entregar seu caminho ao Senhor. Nos caminhos de Deus terá que ser ensinado quanto à dependência no Senhor. E isso provavelmente envolverá uma queda permitida por Deus, de modo que experimente uma amarga tristeza ligada ao fato de andar em seus próprios caminhos.

É triste, mas parece que muitos cristãos não pensam que a oração é tão importante. Se você não acreditar, tudo o que você tem que fazer é verificar o comparecimento em reuniões de oração programadas e você saberá o que quero dizer. Acontece o mesmo através de todo o país – nas denominações e com aqueles reunidos ao nome do Senhor, e todo cristão reunido entre eles – reuniões de oração são pouco frequentadas. Aparentemente os cristãos de hoje não pensam na importância que é ir a tais reuniões e derramar seus corações de forma coletiva, o que mostra o estado de fraqueza da igreja.

As Condições Morais para a Resposta da Oração

Uma boa consciência (Hebreus 13.18; 1 João 3.19-22). Nós mantemos uma boa consciência confessando e abandonando todo o pecado conhecido (1 João 1.9; Provérbios 28.13). Comunhão (João 15.7). O Senhor disse, “Se vós estiverdes em mim… pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. Na medida em que andamos em comunhão com o Senhor, nós discerniremos o que está em Seu coração e o que Ele está prestes a fazer, e nossa oração será adequada. Inteligência (João 15.7). O Senhor disse, “Se… as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. Enquanto lemos a Palavra de Deus aprendemos Seus princípios, e assim, oraremos de acordo com Sua vontade (1 João 5.14-15). Confiança (Fé) (Mateus 21.22). O Senhor disse, “E, tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis”. Muitas vezes oramos, mas não acreditamos que teremos a resposta (Tiago 1.6-7; Atos 12.5,12-17). Precisão (Lucas 11.5). Nós precisamos ser específicos. Muitas vezes nossas orações são muito vagas. O homem que foi a seu vizinho disse: “Amigo, empresta-me três pães”. Importunação (Lucas 11.8). O que é urgente e feito com seriedade. Porque nós esperamos a resposta, Deus usa esse exercício para humilhação de nosso espírito e para corrigir nossas atitudes, se for necessário (Daniel 10.12). Perseverança (Efésios 6.18). Nós desistimos muito rapidamente, mas precisamos “perseverar em oração” (Colossenses 4.2). Paulo falou sobre o combate juntos em oração. Eu penso que nós não sabemos muito sobre o que isso significa (Rom.15.30). Neemias perseverou em oração por 4 meses antes de ver uma resposta (Neemias 1. 1, 5; 2. 1-8).

Coisas sobre as Quais Podemos Orar

Para o perdão dos pecados – se você não for salvo (Salmos 32. 5-6).

Para que a vontade de Deus seja feita na terra de acordo com Seu propósito (Lucas 11.2). Para expressar nossa dependência de Deus por causa das nossas necessidades diárias (Lucas 11.3).

Para que não entremos em tentação (Lucas 11.4; 22.40).

Para o perdão governamental, para nós mesmos (Lucas 11.4) e para outros (2 Timóteo 4.16-17), se eles ou nós falharmos, que haja restauração (1 João 1.9).

Para sabedoria, orientação e ajuda em assuntos práticos na senda da fé (Tiago 1.5).

Para o crescimento da compreensão dos santos e o progresso prático na verdade (Efésios 1.15-20; 3.14-21; Col.1. 9-12).

Para aqueles que estão doentes e sofrendo (Tiago 5.14). Para que o Senhor da seara envie obreiros (Mateus.9. 38).

Para os servos do Senhor que pregam o evangelho (Efésios 6.18-20).

Para misericórdia em suas viagens (Marcos 13.18). Para os reis e todos aqueles que tenham autoridade (1Timóteo 2.1-2).

Para aqueles que nos acusam falsamente (Lucas 6.28). Para paz no centro divino de comunhão (Salmos 122.6; Mateus 18.20).

Para um reavivamento do interesse entre o povo do Senhor (Salmos 81.3 4).

O tempo que Daniel passou sozinho com o Senhor em oração deu a ele, mais do nunca, uma profunda convicção, pois fez dele um homem devotado. Deu-lhe força para sair e falar corajosamente ao rei, como podemos ver no capítulo 5.13 – 28. Saiu da presença secreta do Senhor e falou ao rei sem nada amenizar. Disse ao rei da Babilônia, de forma direta, a verdade do julgamento que pairava sobre seu reino.

4) Ele Era um Estudante da Palavra de Deus

No capítulo 9.1 – 2 está escrito: “No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos”. Isso nos diz que Daniel era um estudante da Palavra. Essa é outra coisa que é essencial para vencer – a compreensão da palavra de Deus. Isso não acontece de um dia para o outro, mas vem somente através da busca diária na palavra de Deus, e nos lembramos de Bereia onde “foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17.11).

Lendo os escritos do profeta Jeremias, Daniel aprendeu algumas coisas valiosas que lhe deram uma compreensão dos tempos em que viveu. As três passagens que leu foram: Jeremias 24.5 – 10; 25.9-14; 29.10-14. Daniel aprendeu que “setenta anos” se completariam e seria o fim do cativeiro, quando então os judeus poderiam retornar à sua terra. Era “o primeiro ano de Dario” quando aprendeu isso, e era o 68º ano do cativeiro. Isso significava que haveria dois anos ainda até que os judeus estivessem livres do cativeiro na Babilônia. Assim, ao ler as Escrituras, Daniel soube que Deus estava a ponto de fazer algo a favor de Seu povo. Isso fez de Daniel um homem esclarecido.

Ter compreensão dos tempos em que vivemos é muito importante para vencer. Nós necessitamos saber sobre o dia em que vivemos, assim, não estamos em tempos de Pentecostes, mas estamos no fim da dispensação do dia do graça, não no começo. As coisas no testemunho Cristão estão em ruína, e não ficarão melhor. Paulo disse a Timóteo que nos últimos dias “…os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3.13).

Nós vivemos nos últimos dias do testemunho, havendo ainda um pequeno testemunho na terra da verdade de como os cristãos devem se reunir para a adoração e o ministério. Nós necessitamos buscar na Palavra para ver a ordem de Deus para a adoração e o ministério, fazendo dela nosso guia. Quando nós comparamos a ordem de Deus nas Escrituras com o que vemos em torno de nós hoje no mundo cristão, nós veremos claramente que não há muita coisa de acordo com a Palavra. E, se estivermos exercitados sobre estar onde Deus quer que estejamos, tanto quanto em tudo o que diga respeito a isso, acredito que Deus lhes mostrará. Eu tenho ouvido que alguns dizem: “eu não sou um leitor” – como se isso os absolvesse da leitura da Palavra de Deus ou de qualquer outro ministério escrito. Bem, Daniel o vencedor, era certamente um leitor! Se vocês quiserem ser vencedores nestes dias, precisam começar a ler a Palavra também. Eu espero que vocês estejam lendo a Palavra diariamente. Se estiverem tendo problemas com falta de concentração e de interesse, eu acredito que se perseverarem, Deus aumentará sua vontade para ler mais. Aprofundará seu interesse e sua compreensão, e vocês crescerão nas coisas divinas. Também os fará eficazes no serviço do Senhor. Há muito que está sendo feito hoje para Deus, mas isso não é de Deus. O que eu quero dizer é que muito do serviço que está sendo conduzido hoje é feito na ignorância dos propósitos de Deus. Alguns deles são contraproducentes. Pode ser bem feito, mas não está de acordo com Sua Palavra. Paulo disse: “Se um homem também milita, não é coroado se não militar legitimamente” (2 Timóteo 2.5). Isso significa que nós devemos trabalhar no serviço do Senhor de acordo com o plano divino – a Palavra de Deus – se nós estivermos indo obter uma recompensa. Se vocês aplicarem seu tempo aprendendo a verdade, serão muito mais eficazes no serviço ao Senhor (Atos 18.24 – 28).

5) Ele Teve a Glória de Deus Final Diante de Sua Alma

Mais adiante, no capítulo 9, vemos que Deus deu a Daniel uma compreensão de suas futuras atividades com seu povo Israel no que foi chamado as “setenta semanas” de Daniel. Nós não o leremos agora, mas isso está nos versículos 20-27. Os estudantes da Bíblia dedicaram um estudo profundo a esses versículos e aprenderam muito sobre o futuro deste mundo – em particular, a Grande Tribulação. Nós faríamos bem em estudá-los também.

Essas coisas permitiram a Daniel ver o final glorioso que Deus dará a Seu povo Israel e tudo o que lhe diz respeito. Teve uma visão, por assim dizer, diante de sua alma que lhe deu energia para continuar na senda da fé por muitos anos, sendo um testemunho fiel do Senhor. E isso o fez um homem útil.

Nós necessitamos também ter, diante de nossas almas, esse final glorioso que virá de Deus. Certamente, o propósito de Deus para Israel e para a igreja é completamente diferente um do outro, mas nós devemos ainda ter nossos pensamentos projetados no futuro e ver o final glorioso que Deus dará para a Igreja, e então, servirmos a Ele até o fim. Qual é o propósito de Deus para a Igreja? É glorificar a Cristo no dia de Sua vinda visível, conhecido como o Milênio. Naquele dia, Deus mostrará a glória de Cristo diante deste mundo através da Igreja! (2 Tessalonicenses.1.10; Apocalipse 21.9 – 22.5) A Igreja no seu glorioso estado transmitirá a glória de Cristo para a terra – e eu ouso dizer, para todo o universo. E Deus será glorificado em Cristo nas duas esferas – no céu e na terra (Efésios1.10).

Se nós tivermos esse final diante de nossas almas, e tudo o que lhe pertence, acredito que teremos, agora, energia no serviço do Senhor. Há muito a fazer, ajudando e instruindo aos santos, edificando-os “na santíssima fé”, etc. Deus os quer tomando parte de Seu trabalho, mas se vocês forem vencidos pelas coisas que os cercam e absorverem essas coisas, vocês serão completamente inúteis em Seu serviço. Por outro lado, se vocês tiverem as características morais de Daniel em suas vidas, serão vencedores em todo o sentido da palavra – e vocês serão usados pelo Senhor em Seu serviço hoje. Possa Deus dar a vocês a graça para agir assim.


RESUMO DOS EXERCÍCIOS MORAIS DE DANIEL

1. O exercício para manter-se separado da contaminação da Babilônia o fez um homem santo.
2. Cercar-se de bons companheiros que eram “da mesma fé preciosa” o fez um homem feliz.
3. Criar o hábito de orar ao Deus do céu o fez um homem dependente.
4. Ser um estudante da palavra de Deus o fez um homem esclarecido.
5. Ter o final glorioso das coisas de Deus diante de sua alma o fez um homem dinâmico e útil.

 

B. Anstey
(Adaptado)
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