Um só corpo na prática

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Capítulo 1 –

O Corpo de Cristo e Sua Manifestação Prática A verdade do “um só corpo” de Cristo e sua manifestação prática (Ef 4:4) talvez seja uma das menos compreendidas da Bíblia. Mesmo assim, ela é claramente encontrada em quatro epístolas do apóstolo Paulo — Romanos, 1 Coríntios, Efésios e Colossenses. Cremos que esta falta de compreensão resulta do trabalho do inimigo de nossas almas, o diabo, que tem procurado empregar toda a sua energia para afastar da igreja esta bendita verdade. A prática da verdade do “um só corpo” é atualmente um dos mais atacados e deturpados temas da verdade bíblica. Portanto, é com muita dependência do Senhor que sigo adiante tratando deste assunto.

A Formação do “Um Só Corpo” O “corpo de Cristo” engloba os muitos cristãos espalhados por todo o mundo (independente da comunhão denominacional à qual possam estar associados), os quais estão ligados em um só corpo e unidos a Cristo, a Cabeça do corpo no céu. Trata-se de uma união mística (pois não pode ser vista) mantida coesa pela habitação do Espírito de Deus.

Quando e como o “corpo de Cristo” passou a existir?

Quando examinamos as Escrituras descobrimos que o “corpo de Cristo” não existia nos tempos do Antigo Testamento. Na verdade, ele nem mesmo aparece na revelação do Antigo Testamento. O Senhor Jesus Cristo precisava primeiro morrer, ressuscitar e 6 ascender ao céu como um Homem glorificado antes que a igreja pudesse ser formada. Duas coisas eram absolutamente necessárias antes que o “corpo de Cristo” pudesse ser trazido à existência: Cristo precisava ser glorificado e o Espírito Santo precisava ser enviado do céu. Uma das grandes obras do Espírito Santo ao vir ao mundo foi formar a igreja, o corpo de Cristo na terra. Essa obra é chamada de batismo do Espírito. Trata-se de uma ação do Espírito que só ocorreu uma vez (1 Co 12:12-13). Nas Escrituras, ser batizado com o Espírito não é uma experiência individual. Trata-se de uma ação corporativa que ocorreu no dia do Pentecostes em Atos 2 e se estendeu até incluir os gentios em Atos 10.

A partir daí o batismo do Espírito estava completo e válido para todas as épocas. [ver nota] [Nota: Dois erros comuns relacionados ao batismo do Espírito são: 1º) o ponto de vista Pentecostal ou Carismático — de que seja uma experiência pela qual o cristão deveria passar em algum momento depois de sua salvação, quando ele seria cheio do Espí- rito e, por conseguinte, estaria capacitado a falar em línguas ou operar milagres. 2º) O ponto de vista tradicional e não carismático — de que os crentes seriam batizados com o Espírito no momento em que fossem salvos, e que não seria necessária qualquer experiência adicional.

A segunda ideia provavelmente foi inventada por cristãos com boas intenções para combater a primeira. Todavia, ambas estão erradas.] Isto pode ser visto observando-se as sete referências ao batismo do Espírito nas Escrituras. Cinco delas apontavam para uma ação do Espírito ainda futura em relação à época em que foram anunciadas, porém sem especificar quando isso ocorreria (Mt 3:11; Mc 1:8; Lc 3:16; Jo 1:33; At 1:5). A quinta e sexta referências apontam para uma ação do Espírito ocorrida no passado em relação ao tempo atual, que só pode ser o que aconteceu no dia de Pentecostes, quando o Espírito de Deus desceu para formar a igreja e habitar nela.

A sexta, em Atos 11:16, conecta o batismo do Espí- 7 rito com o Pentecostes. A sétima, em 1 Coríntios 12:13, também se refere ao passado, ao dizer: “Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo” (ARA). Quando os cristãos são acrescentados ao corpo? Ao contrário do que pensam muitos cristãos atualmente, os crentes não são acrescentados ao corpo pelo batismo do Espírito, já que a obra do Espírito em batizar está completa e aconteceu de uma vez para sempre no início da história da igreja. Repare com atenção que 1 Coríntios 12:13 não diz, como alguns imaginam, “fomos todos nós batizados no corpo” (acrescentando o artigo “o”, que não faz parte do texto). Se assim fosse, então poderia indicar que as pessoas hoje são acrescentadas individualmente ao corpo pelo batismo do Espírito. O acréscimo do artigo “o” muda consideravelmente o sentido e pressupõe que o corpo já existisse antes mesmo de ocorrer o batismo. Todavia, o versículo diz “…batizados em um só corpo”, significando que foi o batismo que formou o corpo. O Espírito de Deus tomou todos os crentes individuais que estavam naquele cenáculo no dia de Pentecostes e os conectou, por meio de Sua presença, a Cristo, a cabeça que ascendeu ao céu (Atos 2:1-4). J. N. Darby observa que, em 1 Coríntios 12:13, a ação verbal do Espírito ao batizar está no tempo aorista do grego, o que significa uma ação definitiva, feita de uma vez por todas. Portanto, isto mostra que o Espírito não continua executando essa ação, pois a obra da formação do corpo já foi feita.

Podemos dizer com toda a certeza que o Espírito não está batizando hoje; se estivesse, isto significaria que Ele estaria formando mais e mais corpos (pois é esta a função do batizar do Espírito). Evidentemente não é o que acontece, pois as Escrituras nos dizem enfaticamente que “há um só corpo” (Ef 4:4). Alguns podem indagar que, se assim for, então por que Paulo teria falado de si e dos coríntios como tendo sido batizados pelo Espírito? Eles nem mesmo estavam salvos quando 8 o Espírito desceu e formou a igreja no dia de Pentecostes! A resposta é que Paulo estava falando de forma representativa. Ele disse: “Nós” — o conjunto de cristãos como um todo — “fomos batizados em um só corpo”, referindo-se à ação passada realizada pelo Espírito no dia de Pentecostes. Se ele estivesse falando especificamente de si e dos coríntios ao dizer “nós”, então isto significaria que apenas eles (Paulo e os coríntios) teriam sido batizados em um só corpo, o que certamente não poderia ser verdade, pois o que dizer então dos santos em Éfeso e em Filipos? O único significado lógico para a declaração de Paulo é que ele estava falando representativamente de todos os membros do corpo. Isto é semelhante à incorporação de uma empresa. Ela é incorporada uma vez — e isso pode ter acontecido há cem anos. Agora que a empresa já foi formada, cada vez que contrata um novo funcionário ela não precisa ser incorporada novamente. Tampouco existe algo como cada novo funcionário na empresa ser incorporado. O novo funcionário é simplesmente acrescentado à empresa que já foi incorporada. Do mesmo modo, quando hoje alguém é salvo, essa pessoa é acrescentada pelo habitar do Espírito em si a um corpo já batizado. Não há um novo batismo para a companhia cristã como um todo, ou para o novo crente em particular. Para ampliarmos um pouco mais nosso exemplo, suponha que ao participarmos de uma das reuniões de diretoria dessa empresa escutamos um dos diretores dizer: “Nós fomos incorporados há 100 anos”. Não teríamos dificuldade alguma em entender o que ele quis dizer. Alguém que não entendesse bem a linguagem poderia até exclamar: “O que ele quer dizer com isso? Ninguém nesta sala tem mais de 60 anos de idade, como poderia falar de ‘nós… há cem anos?’“ Bem, é porque o diretor estava falando representativamente da empresa. Do mesmo modo, em 1 Coríntios 12:13 Paulo falava daquilo que é verdadeiro acerca do corpo de Cristo, do qual ele e os coríntios faziam parte. Imaginando que estivéssemos falando de uma “empresa” quando Paulo, os coríntios e nós fomos salvos e introduzidos no um só corpo ao crermos no evangelho, então estamos todos incluídos no batismo que ocorreu no dia de Pentecostes.

A União Com Cristo e a Unidade no Corpo Como consequência da formação do corpo de Cristo pelo batismo do Espírito existe uma união e também uma unidade. Há uma diferença entre os dois termos. União é aquilo que existe como consequência do Espírito de Deus ter descido do céu conectando os membros do corpo na terra a Cristo, a Cabeça, no céu (1 Co 12:12-13). As Escrituras não falam de união com Cristo em Sua deidade pré-encarnação. Tampouco elas falam de união com Ele em sua Humanidade antes de ir para a cruz. E as Escrituras nunca falam de união com Cristo em Sua morte. Não poderia haver união até que Cristo ressuscitasse de entre os mortos e ascendesse às alturas, e enviasse o Espírito de Deus a este mundo para formar a igreja. Não poderia ter existido o corpo sem antes a Cabeça estar no céu. Isso exigia que Cristo morresse, ressuscitasse, e ascendesse às alturas. Após ressuscitar de entre os mortos, o Senhor soprou nos discípulos dizendo, “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22). Ao fazer isso o Senhor ligou os Seus consigo em ressurreição, comunicando-lhes vida ressurreta — a vida eterna. Mas foi só depois de Ele ter ascendido às alturas e enviado o Espírito que eles foram introduzidos naquela união com Ele. Tampouco devemos pensar que essa união com Cristo existe meramente em nossa fé; ela existe pela real presença do Espírito Santo habitando em nós. O Espírito desceu para unir aquele grupo de crentes ao Homem Cristo Jesus na glória. [W. T. P. Wolston, “The Church, What is it?” p. 109] Unidade, por outro lado, é o que existe entre os membros pela presença do Espírito habitando neles. Não somos exatamente chamados a fazer “a unidade do Espírito”, mas a “guardar a unidade do 10 Espírito” (Ef 4:3).

Sempre que os santos procuram “guardar a unidade do Espírito” na prática, existe uma harmonia maravilhosa entre os membros, a qual resultará em um poderoso testemunho para o mundo (Jo 13:35; 17:21). Vemos esta unidade prática expressada na igreja primitiva (At 2:44; 4:32). O Desejo do Senhor por uma Unidade Visível no Corpo Sabemos pela Palavra de Deus que o desejo do Senhor era “reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos”, para que existisse “um rebanho e um Pastor” (Jo 11:51-52; 10:16). Antes de ir à cruz Ele orou para isso, dizendo: “Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um, assim como Nós”. E também: “Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e eu em Ti; que também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste” (Jo 17:11, 21). Embora estes versículos no evangelho de João não falem diretamente da verdade da unidade do corpo de Cristo, mas sim da unidade na família de Deus, eles mostram claramente qual é o desejo do Senhor para o Seu povo, que todos fossem encontrados juntos em uma unidade visível sobre a terra.

Inicialmente o Senhor revelou em Mateus 18:20 os Seus pensamentos de uma unidade prática e manifesta no Seu povo, quando disse: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles”. Ao dizer “reunidos” o Senhor estava Se referindo a algo muito precioso ao Seu coração — que a comunhão prática entre os santos fosse uma só. Ele desejava que todos os que o Espírito de Deus viesse a congregar ao Seu Nome, onde quer que estejam na terra, estivessem “reunidos”. Isto não significa que todos deveriam estar congregados geograficamente em um mesmo lugar (como era Jerusalém no judaísmo), mas que eles agissem de um comum propósito nas várias localidades onde o Espírito os tivesse congregado, a fim de exprimirem de forma 11 universal o fato de serem um. Apesar de Ele não dizer mais nada acerca do assunto naquela ocasião, o Seu desejo para a assembleia desde o princípio foi que existisse uma comunhão universal dos santos. Mas alguém poderá pensar que estamos enxergando na palavra “reunidos” mais do que ela realmente quer dizer, e isto seria verdade se tivéssemos apenas o versículo de Mateus 18:20 falando de como congregar. Mas quando interpretamos esta passagem à luz do completo teor da revelação cristã contido no livro de Atos e nas epístolas, podemos ver que o Senhor estava indicando a verdade da unidade da igreja.

Em Mateus 18 ela é apenas sugerida, pois os discípulos ainda não tinham o Espírito e seriam incapazes de entendê-la (Jo 14:25-26; 16:12). O Senhor fez o mesmo em diversas ocasiões de Seu ministério, dando apenas a semente da verdade e deixando que ela fosse desenvolvida por intermédio dos apóstolos depois da vinda do Espírito. Além disso, aprendemos de João 10:16 que Ele não queria que o Seu povo fosse encontrado em rebanhos distintos e independentes, mas que existisse “um rebanho”, não importa em que lugar da terra os santos estivessem espalhados. Haveria muitas reuniões, mas um único rebanho. Mais uma vez isto aponta para o fato de que só deveria existir uma comunhão universal de santos sobre a terra. Não era a intenção de Deus que a comunhão fosse apenas local, confinada a um único grupo de crentes em uma cidade ou aldeia. À medida que o evangelho alcançasse muitas regiões e muitos fossem convertidos, haveria naturalmente muitas reuniões espalhadas pelo mundo, mas o Senhor queria que elas ainda assim continuassem a ser uma única comunhão e um único testemunho.

Saiba mais, disponivel para baixar gratuitamente:

http://umcorpo.blogspot.com.br/

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