A obra do evangelho

obra do Evangelho, A - Charles Stanley

A obra do evangelho

Como Deus me guiou

Charles Stanley
Tradução Mario Persona
Primeira Edição em Português: 1994

A obra do evangelho em PDF

Trecho extraído da Página 32 até 49.

Uma Grande Mudança de Rumo

Chego agora a um acontecimento que mudou totalmente o curso do meu futuro
desde então. Eu tinha ouvido falar que o Capitão W. e alguns outros cristãos se reuniam no primeiro dia da semana para
partir o pão, como faziam os discípulosem  Atos 20. Numa certa manhã do dia do Senhor fui ver o que aquilo poderia significar. Encontrei-os reunidos em uma sala no segundo andar, na Wellington Street, em Sheffield. Sentei-me atrás e, naturalmente, procurei pelo púlpito. Não havia um púlpito, mas uma mesa arrumada, ou coberta com uma toalha branca, e sobre ela o pão e o vinho, em comemoração à morte do Senhor Jesus. Procurei então pelo ministro, ou pelo dirigente, mas não havia tal pessoa. Todos os crentes reunidos estavam sentados ao redor da Mesa do Senhor. Uma impressão profunda e solene caiu sobre mim: “Estas pessoas vieram encontrar-se com o próprio Senhor”. Não tenho dúvida de que foi o próprio Espírito de Deus Quem falou assim comigo. É impossível descrever a sensação que tive, pela primeira vez, de estar na própria presença do Senhor Jesus, em conformidade com Sua Palavra: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí, estou Eu no meio deles.” (Mt 18:20). Eu estava tão inundado pela presença do Senhor que mal podia notar o que estava sendo feito. Ninguém pode fazer ideia do que isto significa, a menos que esteja realmente reunido ao Seu Nome. Que contraste com tudo o que eu havia visto antes e, no entanto, quão simples! Era como voltar ao que era no princípio do cristianismo, antes que se tivesse ouvido falar de qualquer sacerdote oferecendo na igreja um sacrifício para vivos e mortos. Por mais estranho que me pudesse parecer aquela reunião de cristãos para partir o pão, o que mais me surpreendeu foi descobrir que era exatamente o que é encontrado nas Escrituras. Ao invés de um ministro à Mesa do Senhor, encontrei a mesma.

Reunido à Mesa do Senhor

Após algumas semanas fui anunciado como um que desejava obedecer ao Senhor; “Fazei isto em memória de Mim” (1 Co 11:24) e, por graça, tomei meu lugar à Mesa do Senhor, como um redimido para Deus. Certa manhã, pouco tempo depois, enquanto estávamos sentados em silêncio, experimentei algo que nunca tinha conhecido antes — a
direção do Espírito de Deus. Veio como um amável sussurro do Senhor: “Leia 2Coríntios, capítulo 1”. E pensamentos muito preciosos, sobre os versículos 3
ao 5, ocorreram à minha mente. Senti-me agitado, tanto assim, que o suor começou a correr pelo meu rosto e por todo o corpo. Havíamos estado sentados por algum tempo em silêncio. Senti-me guiado a levantar-me e ler, mas não tinha coragem para tanto. Após haver passado algum tempo, o Capitão W., que estava sentado do outro lado da sala, levantou-se e disse: — Vamos ler 2 Coríntios capítulo 1. E então ele ministrou exatamente os mesmos pensamentos que o Espírito havia colocado em meu coração. Foi assim que aprendi, pela primeira vez, acerca da direção do Espírito no meio de cristãos reunidos para Cristo. Isto tem acontecido com frequência ao longo
desses muitos anos e irei relatar algumas
dessas ocasiões. Não podemos ler o livro de Atos sem vermos que, após o Espírito Santo ter formado a igreja, Ele esteve realmente presente para guiar os servos do Senhor. Estou persuadido de que é nossa incredulidade que hoje tanto impede a Sua direção. Algo que fez com que eu fosse mais cuidadoso no falar foi a contínua descoberta de minha espantosa ignorância das Escrituras. Quanto mais a estudava, mais descobria minha ignorância. Suponho que seja sempre assim. Vou relatar como voltei a pregar o evangelho novamente, então com um sentimento cada vez mais profundo da minha ignorância.

Um Segundo Começo na Pregação

Um irmão em Cristo havia chegado de Ackworth. Antes de voltar para casa ele me disse: — Tenho em meu coração a forte impressão de que você deve voltar comigo e pregar o evangelho em Ackworth. — O quê?! — exclamei — Eu ir pregar? Não! Vou levar a vida inteira para desaprender o que está errado, antes de poder pregar o que está certo! Mas ele respondeu com firmeza: — Acredito que você pregará, e o Senhor irá abençoar a mensagem. Tratava-se agora de algo bem diferente. Eu não ousaria duvidar que o Senhor pudesse abençoar a Sua Palavra. Depois de orar, fui, e desde então pude provar que o Senhor pode e quer abençoar a Sua Palavra. Foi este, portanto, o segundo começo na pregação da Palavra, cerca de dez anos depois da primeira vez que preguei, quando era um garoto de 14 anos de idade. Naqueles dias, era raro o Senhor abrir meus lábios pelas cidades e povoados da Inglaterra sem que alguma alma se convertesse. Não que isso ficasse evidente na ocasião, mas pude encontrar os convertidos em todo lugar, dez, vinte, ou trinta anos mais tarde. Como não mantive um relatório, seria impossível mencionar em ordem cada uma daquelas pregações, leituras e conversas que tive durante quarenta e dois anos, em Sheffield, Rotherham, e nos povoados dos arredores; em Hull, York, Wakefield, Scarborough, Malton, Whitby, Redcar, Newcastle e arredores; em várias partes da Escócia; em Manchester, Rochdale, Oldham, Bury, Southport, Liverpool, Llandudno, Stafford, Gnosall, Wolverhampton, Birmingham, Leamington, Banbury, Swindon, Londres e arredores; pelo condado de Kent, em Cheltenham, Malvern, Worcester, Gloucester, Bristol, Clifton, Bath, Taunton, Exeter, Torquay, Plymouth. E depois nos condados ocidentais: em Ipswich, Colchester, Needham Market, Stowmarket, Bury St. Edmunds, Norwich, Grimsby, etc., etc.

CAPÍTULO 3
Pregador e Homem de Negócios

Alguns poderão perguntar como pude pregar toda a minha vida em tantos lugares, e prover o suficiente para minha família. Bem, descobri que não há nada difícil demais para o Senhor. Devo dizer que nunca deixei meus negócios até o Senhor ter-me dado o suficiente para viver; mas meu costume era o de pregar três ou quatro vezes por semana, às vezes mais, e trabalhar o resto do tempo. Na verdade, era comum, após um dia de trabalho viajando a negócios às minhas próprias custas, achar-me, com o Senhor, pregando a Palavra. Com frequência Ele ajudava-me de modo bem extraordinário. Darei dois exemplos de ocasiões em que me senti grandemente necessitado de Sua ajuda.

O Caso do Esmeril

Na época em que eu mantinha uma loja de ferragens e utensílios no comércio de Sheffield, dispunha de apenas um pequeno capital, mas não desejava ter mais do que já possuía. Na verdade, eu havia aprendido que o Senhor toma um cuidado especial dos pequeninos que dependem dele. Certa ocasião, após ter ficado ausente pregando até quase metade de meu horário de trabalho, estava eu em minha loja, andando de um lado para o outro, pensando em uma conta que tinha para pagar na segunda-feira seguinte. Eu entendia que um cristão precisa sempre pagar todas as suas dívidas, mas naquele momento eu não tinha o dinheiro e nem sabia de onde tirá-lo. Elevei meu coração ao Senhor em oração a respeito daquilo e, imediatamente, me veio à mente um grande estoque de esmeril; eu tinha muitas barricas cheias deles, que não conseguia vender. Falei ao Senhor sobre o estoque de esmeril. Ele me disse: “Lançai a rede para a banda direita do barco.” (Jo 21:6). Perguntei, “Senhor, qual é o lado direito do barco?” Imediatamente me veio o pensamento de que é Ele o lado direito — ou o lado certo — do barco. Pedi então ao Senhor que vendesse o esmeril para mim, já que eu não conseguia fazê-lo e o montante da venda seria exatamente o que necessitava. Enquanto estava em oração, um homem entrou em minha loja e perguntou:
— Você tem esmeril para vender?
— Sim, tenho — respondi; e fui buscar uma amostra do grande estoque que tinha, colocando-a em suas mãos. — Sim — disse ele— este é exatamente o que desejo; quantos você  ?Disse a ele o número de barricas (em toda a minha vida eu não havia vendido nem um vigésimo daquela quantidade); e ele disse: — Vamos ficar com tudo pelo preço que pediu; envie para nossa firma amanhã. Costumamos pagar por tudo o que compramos na segunda-feira de manhã. Eu disse: — Farei o que me pede; mas, diga-me, como foi que você veio até aqui e para quê precisa deste tipo de esmeril? Tentei vendê-lo e não o consegui em lugar nenhum; na verdade, estava mesmo para devolvê-lo ao fornecedor, pois me foi enviado por engano. Ele respondeu: — Foi um amolador quem me disse que você teria uma boa quantidade para venda, e nós precisamos muito deste tipo, portanto vim vê-lo. É bem provável que você não consiga vendê-lo a outro, pois somos a única indústria que usa este tipo em particular: nós os usamos para amolar serras para exportação. Enviei o estoque, e recebi exatamente o dinheiro de que necessitava.

A OBRA DO EVANGELHO
Como o Senhor me guiou
Charles Stanley
Tradução Mario Persona
Primeira Edição em Português: 1994