Apegar-se à Humildade

APEGAR-SE À HUMILDADE

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Vejamos um incidente na vida e ministério do Senhor Jesus quando surgiu uma disputa entre Seus discípulos. Podemos obter algumas lições muito úteis de nosso Senhor sobre este assunto. Vamos abrir em Marcos 9:33-37:

“E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho? Mas eles calaram-se, porque, pelo caminho, tinham disputado entre si qual era o maior. E Ele, assentando-Se, chamou os doze e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. E, lançando mão de uma criança, pô-la no meio deles e, tomando-a nos Seus braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma destas crianças em Meu nome a Mim Me recebe; e qualquer que a Mim Me receber recebe não a Mim, mas ao que Me enviou”.

Na segunda metade de Marcos 9, o Senhor apontou três grandes causas para a ruptura da paz entre os discípulos e, em seguida, estabeleceu um remédio para cada uma. A primeira coisa é querer ser grande.

Pouco antes disso, no Monte da Transfiguração, os discípulos foram privilegiados por ter um vislumbre do reino vindouro. Ver o Senhor em Sua glória oficial quando Ele reinaria em poder em Seu reino, deu origem a alguns pensamentos e desejos carnais entre os discípulos. Eles especularam sobre quem entre eles teria o maior lugar no reino, mas isso só criou uma disputa.

O desejo de “ser o primeiro” (Mc 9:35) tem sido a causa de muita contenda entre o povo do Senhor ao longo dos anos. Eu compreendo que ninguém nunca vai sair e dizer que quer ser grande ou proeminente entre os seus irmãos, mas suas ações, muitas vezes, irão contar a história. Querer ter supremacia sobre nossos irmãos – tendo um lugar de importância – desperta um espírito de competição, que invariavelmente resulta em ciúme e conflitos, e na ruptura da paz. No fundo está aquele sutil inimigo – orgulho. Provérbios 28:25 diz: “O altivo de ânimo levanta contendas”. E outro provérbio diz: “Da soberba só provém a contenda” (Pv 13:10).

O Sr. C. Koehler costumava dizer que antes de ser salvo ele queria fazer algo de si mesmo no mundo. Então, quando ele foi salvo e veio entre o povo do Senhor queria fazer algo de si mesmo na assembleia. Mas ele disse que tinha que aprender que ambos os desejos estavam errados! Ele teve que aprender que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (1 Pe 5:5). Essa é uma lição que temos que aprender também!

Quando trabalhava na empresa atacadista de materiais de meu pai, havia certo indivíduo que trabalhava numa companhia concorrente que era bem conhecido por se achar importante. Seu nome era Morely Brown. Meu pai tinha cruzado com ele algumas vezes no local de trabalho de um cliente mútuo, e costumava nos contar sobre ele. Ele era uma figura grande e imponente que pensava muito em si mesmo. Eu tinha ouvido histórias sobre ele de outras pessoas também, e tinha curiosidade de conhecê-lo pessoalmente. Mas isso nunca ocorreu. De qualquer modo, basta dizer que sua reputação ia adiante dele. Um dia ouvimos dizer que a empresa para a qual trabalhava faliu. Fizemos contato com a empresa falida e acabamos comprando uma parte do inventário ao preço de 25% e 30% do valor. Num velho armazém havia apenas a pessoa que tinha sido nosso contato e o chefe do armazém que tinha estado na empresa por anos. Enquanto estávamos trabalhando, pensei que esta seria uma boa oportunidade para perguntar sobre Morely Brown. Ele disse: Morely Brown? Todos nós o odiávamos! Tínhamos um apelido para ele que usávamos secretamente. Nós o chamávamos de “O gordo e estufado Brown”! A parte triste é que Morely Brown não sabia que sua arrogante confiança e importância própria faziam dele uma pessoa desagradável. Tenho certeza de que ele ficaria surpreso ao saber que as pessoas não o apreciavam.

Agora, irmãos, pode ser possível que nos comportemos na assembleia de tal maneira que as pessoas digam às nossas costas: “Lá vai o estufado irmão, fulano de tal!” Chegamos ao salão de reuniões com um ar de importância? Não devemos usar a assembleia como um local para exaltar a nós mesmos, mas nossas ações dizem sobre nós, sem percebermos isso. Outros podem ver isso em nós, mas muitas vezes nós não podemos. Lembremo-nos de que “qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc 18: 14).

O Senhor dirigiu-se aos apóstolos que desejavam “ser o primeiro”, dando-lhes uma lição objetiva sobre humildade. Primeiro, “assentando-Se”, os chamou. Tomar um lugar baixo para se dirigir aos discípulos era uma ação simbólica apontando para a necessidade de sujeição e humildade. Ele então “lançando mão de uma criança” e colocando-a em Seu colo disse-lhes para “receber” uma criança em Seu nome. Isso não é lindo? O Senhor Jesus era tão humilde que teve tempo para as crianças! Suponho que receber uma criança significa ajudar a criança de alguma forma, e isso seria uma coisa insignificante aos olhos da maioria das pessoas. Não é algo que faz uma pessoa se destacar publicamente, mas Deus vê isso e aprova tal trabalho. Nisso, o Senhor estava ensinando a Seus discípulos que eles deveriam se contentar em servir fazendo pequenas coisas que poderiam não ser notadas pelos outros.

Mas tal coisa é contrária à natureza humana. Queremos fazer as coisas para sermos notados, mas precisamos julgar nossos corações sobre isso. Queremos ir a algum país distante para distribuir folhetos, porque isso nos fará notados? Você poderá ter o seu nome no “Notes Of Interest” (publicação bimestral nos Estados Unidos entre os irmãos), mas esta não é a razão porque deveríamos servir o Senhor. Talvez sua assembleia promova alguma atividade; é interessante ver quem é voluntário para os trabalhos que os fazem ser notados! Já vimos irmãos mais novos em conferências querendo orar ou dizer alguma coisa, mas quando chega a hora da oração pelo evangelho na sala dos fundos, eles não estão lá! Não quero desencorajar nenhum de nossos irmãos mais jovens a participar das reuniões, mas pense em como isso será visto. Tal comportamento não ajuda em nada, apenas nos deixa pasmados.

Tivemos o prazer de ter o irmão Cam Wilkin e sua esposa em nossa casa recentemente. Conversamos sobre os irmãos mais velhos que nos passaram um conselho útil. Pedi-lhe que me contasse sobre os conselhos que recebeu. Ele me deu uma joiadigna de nota. Ele disse que o velho irmão Millar (já com o Senhor há muito tempo) disse a ele: “Cameron, mantenha-se pequeno, aqueles que ficam grandes são removidos” – Que bom conselho foi esse!

Quando nos ocupamos com nossa importância, estamos em uma zona de perigo, pois não estamos pensando com sobriedade. Paulo disse: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12:3 – ARA). Eu simplesmente amo o versículo, “não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes”. A tradução de J. N. Darby diz, indo junto com os humildes” (Rm 12:16). Esse é o caminho para nós.

Estivemos lendo o evangelho de Lucas em casa e a única pessoa que encontramos (corrija-me se estiver errado) que o Senhor especificamente entrou em sua casa foi um homem de pouca estatura – Zaqueu. Isso não é significativo? O Senhor habita com aqueles que são de pouca estatura, espiritualmente falando! Isso me faz lembrar Isaías 57:15: Pois assim diz o Altíssimo e Santo que habita a eternidade, e cujo nome é Santo: Eu habito no alto e santo lugar, e com aquele que é de espírito contrito e humilde”(JND). Estas são as duas moradas de nosso Senhor – no “alto e santo lugar” acima, e com os “humildes” e contritos aqui embaixo na Terra. Isso nos mostra que o Senhor não Se identificará com os que são grandes e poderosos. Jeremias disse a Baruque: “Buscas tu para ti mesmo coisas grandes? Não as busques” (Jr 45:5 – TB). Essa é uma boa palavra para nós.

Pedro nos exorta: “E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros” (1 Pe 5:5 – AIBB). Se chegarmos a um impasse na assembleia onde possa haver uma disputa sobre alguma coisa, o remédio é ‘se rebaixar’ – tomar um lugar baixo. Sr. Darby disse: “A submissão é o princípio de cura da humanidade”. Ele também disse: “O orgulho é a causa da divisão e a humildade é o segredo da comunhão”.

Lembro-me de ter ouvido falar de um homem que estava viajando em um desfiladeiro nos Andes com sua mula totalmente carregada. A estrada era extremamente estreita, o suficiente para apenas um viajante de cada vez. A estrada era esculpida na montanha com um precipício íngreme do lado. Ele seguiu em frente, uma curva após outra. Quando chegou a uma curva, o que você acha que ele viu? Outro homem com sua mula totalmente carregada olhando para ele! O que eles iam fazer? Os dois homens discutiram as possibilidades. Perguntaram um ao outro se podiam se lembrar da distância de algum lugar onde o caminho se alargava para que dois pudessem passar. Talvez eles pudessem conduzir os animais até aquele ponto. Outra ideia era descarregar os animais. Mas enquanto os homens discutiam, as duas mulas resolveram o problema. Uma ficou de joelhos e chegou o mais perto possível da montanha, então a outra deu um passo em torno dela! Veja: isso é a própria natureza ensinando você! (1 Co 11:14).

Esta é realmente a resposta para cada impasse que possamos ter na assembleia. Cada um de nós deve descer, estimando o outro superior do que a si mesmo! (Fp 2:3). É a forma como cada assembleia local deve “operar” a sua “salvação com temor e tremor” – que é o verdadeiro significado desse versículo (Fp 2:12). Somos responsáveis por operá-la, imitando o padrão de Cristo que a Si mesmo Se humilhou (Fp 2:5-8). Cada um fazendo isso, a assembleia fica a salvo das invasões do inimigo que está procurando estragar a unidade.

O problema com o orgulho é que não podemos vê-lo em nós mesmos. Assim como Morely Brown, que imaginava ser bem considerado por todos, podemos ser enganados por nossa importância própria. Havia um homem de quem o Sr. Hayhoe costumava nos contar que tinha orgulho de ser humilde! Eram os dias da Grande Depressão e aquele irmão estava criticando outro por gastar dinheiro desnecessariamente. Ele disse: “Eu não vou gastar dinheiro em roupas, eu vou me virar com as roupas que eu tenho!” Quando o irmão dobrava os braços, seu cotovelo podia ser visto através de um buraco em sua camisa. Sr. Hayhoe disse que dava para ver o orgulho saindo através do furo!

Querer ser grande é um sinal claro de que não estamos verdadeiramente vivendo na presença do Senhor, porque nenhuma carne se glorifica em Sua presença (1 Co 1:29). Na verdade, estamos deixando todo mundo saber do nosso estado real – mesmo que nós mesmos não o saibamos. Assim, o remédio para querer ser grande é entrar, de fato, na presença do Senhor e então seremos humildes. O profeta Miqueias disse: “que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6:8).

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