O CÂNTICO DOS CÂNTICOS DO NOIVO

 

O CÂNTICO DOS CÂNTICOS DO NOIVO

C. E. Lunden

A criação não seria completa sem a mulher, portanto enquanto Adão dormia, Deus tirou uma costela do seu lado e formou a mulher. Ela se tornou osso de seus ossos e carne de sua carne. Seu nome, Eva, significa mãe de todos os viventes. Cristo em ressurreição é o último Adão, o primogênito da nova criação, e a Igreja se torna Sua noiva. Somos membros do Seu corpo, de Sua carne e de Seus ossos (Efésios 5). O Cristo não será completo até que Sua noiva esteja no seu lugar ao Seu lado, a plenitude dEle que preenche tudo em todos. Ela tomará o lugar da mãe de todos os viventes, e é vista como a santa e celestial Jerusalém, possuindo a glória de Deus. Deus criou o homem com capacidade para os mais elevado gozo que pode ser experimentado por uma criatura. Mas, por causa da entrada do pecado no mundo, o homem pertence agora a uma raça perdida. Por meio de Seu Filho, Deus providenciou um modo pelo qual o homem caído pode ser restaurado a Deus e sua capacidade perdida possa ser recuperada. A base para esta restauração está na morte do Filho de Deus, que derramou Seu sangue vital para pagar a terrível dívida daqueles que crêem na Sua Palavra. A dádiva de Deus é o real desfrutar de Cristo no céu. Ele é a água viva. Deus oferece agora a cada pessoa uma salvação eterna, completa e gratuita. “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9). Havendo terminado sua obra na Terra, Jesus volta para a casa do Pai para Se apresentar, e à Sua obra de redenção, preparando assim um lugar para Sua noiva. Esta é a Igreja de Deus e é composta de todos os crentes que creram e confessaram a Jesus como Senhor. Ela foi formada no dia de Pentecostes quando o Espírito Santo foi dado para habitar em cada crente (Atos 2.4). Por dois mil anos, desde o Pentecostes, Deus tem estado a reunir, em um corpo, “os filhos de Deus que andavam dispersos” (Jo 11.52). Embora aqueles que compõem a Igreja tenham falhado completamente, a Igreja de Deus continua, aos Seus olhos, como era no dia de Pentecostes. O Espírito Santo, habitando no crente e na Igreja, fornece o poder para manter um testemunho para a obra de Cristo apesar do fracasso do homem.

Deus está preparando Seu povo para uma eternidade de êxtase no céu com Cristo. Ele quer que cada um de nós se sinta em casa quando lá chegar. Uma vez que a dignidade do céu é diferente da encontrada na Terra, cada um deve experimentar várias tribulações e passar por muitas lições a fim de se preparar. O exercício de alma através do qual Deus faz passar cada um dos Seus filhos produz a liberdade para que desfrutem da casa do Pai. A união matrimonial de Cristo e Sua noiva, a Igreja, ainda é futura. Agora é o tempo do noivado, e nós, a noiva, somos o real objeto e deleite de nosso Noivo. “Vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (2 Co 11.2). Toda a Divindade está engajada nas comunicações com a noiva. Deus Pai faz a comunicação, por meio do Espírito Santo, entre o Noivo e a Noiva. São estas comunicações que predominam este doce e precioso Cantares de Salomão. Estas comunicações exigem que se tenha entendimento espiritual para suas interpretações. É, na realidade, o cântico dos cânticos do Noivo ao prever o casamento, a ocasião mais feliz que jamais ocorreu ou ocorrerá, seja no céu ou na Terra. Cada crente que ande em verdade possui uma certa medida deste entendimento, o qual aumenta por meio da experiência e da comunhão. Esta comunhão com o Noivo proporciona um gozo constante para a noiva em meio a circunstâncias que, de outro modo, seriam só tristezas e tribulações. Este cântico coloca diante de nós a linguagem mística usada entre o Noivo e a noiva enquanto a noiva ainda está na Terra e o Noivo está no céu. Embora não pronuncie literalmente palavras, o Espírito Santo conduz tanto os pensamentos do Noivo para com a noiva, como a resposta dela a Ele. O crente individualmente necessita desta comunhão com o Noivo e da Sua companhia enquanto aguarda por Sua vinda para toda a noiva. Embora este cântico fale de Cristo e Israel, a noiva terrena, ele apresenta, em tipo, o divino mistério de Cristo e a Igreja – não a doutrina como é encontrada em Efésios, mas a real experiência e comunhão dela com o Noivo, antes de ser levada para o céu.

É um livro de gozo, exatamente o que necessitamos para alegrar nosso espírito à medida que as sombras do ocaso se espalham, enquanto o crepúsculo e as trevas se fecham sobre o cenário terreno. Qual é o seu futuro? Será o seu fim um tempo de gozo extraordinário ao entrar no céu, ou um lugar de infindável tristeza no lago de fogo?

C.E.Lunden

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Os limites da disciplina

Pão e Vinho

https://minutos-finais.blogspot.com.br/2017/01/os-limites-da-disciplina-s-ridout.html?m=1

Os Limites da Disciplina – S. Ridout.

Por “disciplina” queremos dizer o exercício geral de cuidado no governo da casa de Deus, com o qual Ele se comprometeu com seu povo. Isso inclui então as várias formas nas quais esse cuidado se manifesta, desde a mais simples forma de interesse e aconselhamento dos irmãos, a mais pública correção e reprovação na assembleia, assim como a final, algumas vezes necessária, exclusão da comunhão dos santos.  Para melhor compreensão do que foi dito, reuniremos os tópicos em diferentes títulos.

O objeto do presente artigo não é tanto discutir a questão da disciplina em geral, mas sim verificar os limites das escrituras ao que é feito.

  1. Os cuidados gerais com os irmãos

Quando nosso Senhor restaurou Pedro, Sua ovelha errante, o Senhor, por assim dizer, transferiu a expressão da devoção de Pedro por Ele, para amar e cuidar dos Seus cordeiros e ovelhas (Jo. 21:15-17). Quando o bom Samaritano encontrou e ministrou ao homem que foi encontrado entre ladrões, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. Salvação é o abençoado início de um trabalho a ser realizado até sua culminação na volta do Senhor. Este trabalho inclui instrução, cuidado e correção no poder do Espírito Santo, ministrado por Ele por meio de vários membros do corpo de Cristo: “mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros.” (1 Co.12:25).

Podemos dizer que o exercício essencial deste cuidado está na administração de alimentos adequados, sugerido nas palavras do nosso Senhor (Jo. 21:15-17)1, “alimenta meus cordeiros”.  Esses cuidados seguem adiante por meio da proteção do amor sugerida nas palavras, “apascenta as minhas ovelhas”; e para que isto fosse entendido como o único exercício necessário para o bem estar das ovelhas, nosso Senhor retorna, em Sua última resposta a Pedro, à simplicidade da primeira resposta “alimenta meus cordeiros”.

Nota da tradutora – Jo. 21:15-17 (1): na versão Darby diz:  “alimenta meus cordeiros, apascenta minhas ovelhas e novamente apascenta minhas ovelhas”, diferentemente da versão JFA que diz “apascenta meus cordeiros, apascenta minhas ovelhas e novamente apascenta minhas ovelhas”.

Alimentá-las naturalmente é a primeira coisa a fazer. Quando uma alma passou da morte para a vida o primeiro cuidado é ver que ela é fortalecida pelo “leite racional, não falsificado” (1 Pe.2.2). Assim o crescimento está assegurado. Que agradável privilégio é ser permitido exercitar esse cuidado para os amados cordeiros e ovelhas do rebanho de Cristo!  Não podemos cobiçar privilégio mais alto do que ministrar “a tempo a ração” (Lc. 12:42) à casa de Deus – ministério em que a parte mais importante é a obra e a pessoa de nosso Senhor Jesus. É um serviço no qual todos devem participar, enquanto que aqueles que têm dom especial para ensino podem regozijar-se em cumprir seu ministério.

Nas assembleias do povo de Deus precisamos sempre lembrar que este cuidado é a primeira necessidade. Sem isso é quase impossível exercitar a disciplina, mesmo nas suas formas mais simples. Se os santos não são nutridos adequadamente, eles se tornam espiritualmente anêmicos e hipersensíveis à mais branda forma de admoestação ou repreensão pelos irmãos. Eles estão muito fracos para saber da bem aventurança do serviço de João 13 – “vós deveis também lavar os pés uns aos outros”.  Vemos então que há uma completa e constante fonte de suprimento de puro leite da Palavra, no ministério adequado para uma variedade de necessidades dos santos, assim eles são formados na sua mais santa fé e nutridos nas palavras da fé, assim crescendo pelo verdadeiro conhecimento de Deus.

Passamos, agora, da discussão deste item para outro que está em nossos corações,

  1. O exercício dos cuidados fraternais e a vigilância

O jovem crente é exposto a perigos especiais em três direções: da carne, do mundo e de Satanás, que está constantemente procurando fazer uso da carne e do mundo para seduzir a alma da simplicidade de Cristo. Os verdadeiros instintos de amor nos levarão a tratar e nos preocupar com os cordeiros do rebanho. De fato, isto nos tem sido confiado e podemos nos perguntar qual se a razão de mais pessoas não serem acrescentadas aos grupos dos santos reunidos ao nome do Senhor; possa ser a falta do exercício no amor no cuidado para com eles.

O primeiro elemento deste cuidado é sugerido no pensamento da vigilância: “porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas” (Hb. 13:17). Cada pastor cuida das suas ovelhas.  Não agir desse modo deixaria o caminho aberto para o ataque do lobo. O cuidado deve ser tomado em coisas simples, como, por exemplo, comparecimento regular dos santos às reuniões, suas companhias, e outras questões similares. Percebemos de imediato que estamos pisando num terreno delicado que sugere uma limitação com esse tipo de cuidado.

Embora vigilantes, não devemos ser desconfiados. Uma gentil  e amorosa vigilância está longe de um inquieto, questionador e intruso espírito. Não devemos suspeitar da existência do mal sem base adequada e mesmo na relação fraternal aqui sugerida, devemos nos resguardar de imputação por motivos errados ou suspeitas daquilo que não foi manifestado.

Para ser explícito, se um jovem santo está frequentemente ausente das reuniões, claramente não é sábio ou correto suspeitar que a causa seja falta de interesse. Em vez disso, deixe a questão ser abordada em espírito de confiança, no amor que não suspeita mal. Assim, em vez de fazer perguntas impertinentes, a forma amorosa seria manter contato com a pessoa cujo caminhar nos preocupa e procurar ganhar sua confiança.  Isso será suficiente para sugerir em qual espírito toda tipo de cuidado dos irmãos deveria ser exercitada. Não nos debruçaremos mais sobre isso, mas apenas relembramos nosso leitor que estamos propensos a balançar de um extremo a outro – indiferença por um lado, e por outro lado, intrometido naquilo que não temos direito, a menos que primeiro sejamos procurados por aquele que busca ajuda.

  1. O lavar os pés uns aos outros

Isto nos leva a falar do mais positivo esforço na correção da manifestação de falhas ou fraquezas, sugerido na figura de João 13. “Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e não levarás sobre ti pecado por causa dele” (Lv.19:17), foi a ordem da lei. O que aqui é ordenado, sob a graça, será o esforço para o exercício de um amor verdadeiro. Ai de nós, tão frequentemente ocupados com o mal nos outros sem exercício pessoal; falando deles em vez de falando a eles; tão distante de estar aportando alguma ajuda, alienando-os, fazendo-os ouvir falar deles pelas costas.

A simples coragem do amor irá para o irmão que está em falta, primeiro pelos sussurros da mente do Senhor em oração por ele e nós mesmos.  Depois, no espírito de Gálatas 6 “se um homem chegar a ser surpreendido em algum delito, vós que sois espirituais corrigi o tal com espírito de mansidão”.

A confiança do irmão terá sido ganha; ele não vai pensar que queríamos humilhá-lo ou exaltar-nos.  Nós o traremos  para a simples palavra de Deus, aplicada ao problema em questão – do seu andar, companhias, ou o que quer que seja. Nosso único objetivo é a recuperação dele; e em toda a graça e ânsia de um coração em comunhão com Cristo procuraremos pastorear Sua amada ovelha. Realmente, esta é uma abençoada e a mais delicada obra, requerendo nada menos que a graça de Nosso Senhor para um adequado cumprimento. Isto é o que Ele sugere nas palavras “Ora, se eu, /senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros” Jo 13.14.

Há também aqui limites manifestos para o exercício apropriado dessa responsabilidade. Como dito antes, não devemos suspeitar indevidamente nem desnecessariamente acusar nosso irmão que falhou, que não tenha sido manifestado como tal. Por exemplo, amizades  e companhias prejudiciais podem ter sido iniciadas. Não devemos ir além do que sabemos do fato. Um irmão jovem pode ter sido visto na companhia de jovens ímpios; e nós podemos ficar seriamente preocupados com isso. Nós não seríamos justificados, no entanto, em acusar o irmão de ter ido com eles ao teatro ou coisas do tipo. O limite é claro. Tratamos somente com o que sabemos, apontando os perigos que possam estar envolvidos, e ainda cuidando para não ir além dos fatos como os conhecemos.

Muitas vezes, onde uma alma é assim tratada, com amor fraternal e afetuosa confiança, enquanto não se fala da extensão do seu declínio, o coração será examinado e o julgamento próprio garantido; quando, porém damos voz às nossas suspeitas e o acusamos daquilo que ele realmente não é culpado, ele se ressentiria e poderia usar isso como uma desculpa para continuar no caminho errado.

  1. Apartar-se – tomar distâncias

Passamos agora do exercício do cuidado pessoal e vigilânica dos irmãos para o que é propriamente a disciplina pela assembleia. Enquanto o mal for de uma natureza que haja esperança de recuperação, e o nome do Senhor não está comprometido, nossos esforços particulares para restaurar um irmão errante devem continuar.  Entretanto, quando não nos sentimos mais capazes de falar a ele, nós temos de demonstrar nossa preocupação nos  afastando dele. “Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão”. (2 Ts.3:14-15).  Às vezes um pequeno silêncio de desatenção, do qual ninguém, mas apenas nosso irmão vai perceber, pode ser mais efetivo do que uma admoestação verbal persistente, a qual ele se recusa a ouvir, especialmente quando tal afastamento é acompanhado por sinais de manifesta tristeza, juntamente com manifestação de profundo amor de acordo com a ocasião. Nosso abençoado Senhor deu as melhores porções escolhidas para o prato do pobre coitado que ele sabia estava planejando traí-lo. Certamente, se tivesse havido uma partícula de ternura no coração duro de Judas, teria rendido a tal amor.

Onde alguém foi constrangido a tomar tal atitude de desatenção para com seu irmão, grande cuidado deve ser tomado para que isso seja no caráter particular. Nada que fira o orgulho, especialmente naquele que já está com sua alma afastada de Deus, exposto à vergonha pública.

  1. A disciplina da Igreja

Mas o tempo vem quando o mal é de tal natureza que o próprio amor e a fidelidade ao Senhor são forçados a chamar a atenção dos santos para aquele que não responde mais ao tratamente pessoal.  “Dize-o à Igreja” (Mt.18:17). A conduta do irmão está agora diante da assembleia, que é, além de tudo, responsável pelo exercício das várias etapas que a disciplina requer. Pode haver necessidade evidente de correção. A conduta do irmão é manifestamente errada e mesmo aqui há limites os quais a Escritura evidentemente impõe.  “Quarenta açoites lhe fará dar, não mais; para que, porventura, se lhe fizer dar mais açoites do que estes, teu irmão não fique envilecido aos teus olhos.” (Dt. 25:3).

Temos aqui um princípio que mesmo sob a lei, evitava uma severidade indevida. Quanto mais deveriam aqueles que conhecem a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, temperar a correção com misericórdia!

A disciplina na Assembleia pode ser dividida em três classes gerais: admoestação privada, repreensão pública e a exclusão.

Todo o espírito da Escritura serve para nos guiar, e não somente passagens bíblicas isoladas. Se um indíviduo tem de dizer a um irmão a sua falta “repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt. 18:15), o mesmo espírito deve caracterizar a assembleia em seu agir. Isto está de fato implícito nas palavras da passagem já mencionada: “… se também não escutar a igreja” (vs.17). Neste ponto, a atitude da assembleia é a de Gálatas 6:1 “…vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão”. Igualmente o apóstolo escreve: “Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros…” (1 Ts.5:14).

  1. A admoestação reservada

A admoestação reservada está tão proximamente ligada com o trato pessoal que há pouco a ser dito. A assembleia pode estar convencida que um irmão deu causa a isso, então encarrega um ou dois irmãos, sérios, homens piedosos de peso, para ir ao malfeitor, de forma reservada, para admoestá-lo por parte da assembleia. Eles devem adverti-lo de que a conduta de um crente está ligada ao nome do Senhor e ao seu testemunho; que não podem ser identificados de forma nenhuma com isto e rogam que ele julgue a si mesmo, para apartar-se do mal. Os limites aqui são óbvios. Não funcionaria, por exemplo, administrar esta repreensão em público. Isso soaria como pressa e desejo de livrar-se de um assunto desagradável. Ao contrário, cuidado especial deve ser tomado para que nada mais seja feito além da admoestação.

Podemos dizer que talvez alguns na assembleia pudessem pensar que algo mais é necessário, além do trato pessoal em caráter reservado. Eles seriam a favor de uma repreensão pública, ou de fato, insistiriam que aquela pessoa deveria ser colocada para fora de uma vez. Deixe aqueles que são tão inclinados a isso lembrarem-se de que não podem ir além da consciência da assembleia. Muito dano tem sido causado pela insistência de uns poucos por uma disciplina extrema, quando os demais estão convencidos que uma disciplina menos severa deveria ter sido adotada. Um bom cirurgião anseia por poupar um membro. Amputação é seu último recurso.

  1. A admoestação pública

Vamos supor que a admoestação reservada não obteve o resultado esperado. A repreensão pública é o próximo passo indicado. O mal cresceu de tal forma que ninguém pode fechar seus olhos a ele. Há muitas indicações de que vai piorar. O amor agora indica a necessidade de uma ação radical. Se um irmão tem de ser poupado da vergonha e da humilhação de ficar muito tempo fora da comunhão, ele deve ser confrontado com seu erro. Uma admoestação pública será feita na presença de toda a assembleia. “Aos que pecarem, repreende-os na presença de todos, para que também os outros tenham temor” (1 Tm. 5:20). Os santos reunidos ao nome do Senhor, sentindo a santidade de Sua presença, também tocados pela Sua graça, são obrigados a repreender o que cometeu o mal. Naturalmente pensamos que aquele que vai administrar a repreensão deve ser conhecido pela sua delicadeza e docilidade (Fl. 3:18). Limitações naturalmente sugerem-se aqui. Não deve haver demonstração de ira ou ressentimento, nem manifestação de espírito farisaico ou de justiça própria, A tristeza certamente encherá aqueles que se derem conta que não são eles, mas o Senhor deles que foi desonrado na casa de Seus amigos.

Grande cuidado deve ser tomado quando for descrito o caminho do mal desde o seu início, sem exageros, nada que não haja sido completamente baseado em fatos, que devem ser apresentados de tal forma que aquele que cometeu o mal, em vez de mostrar autodefesa, possa somente acenar em concordância com a justiça da admoestação administrada, sentindo que ela está antes abaixo, e não acima do que ele merecia.

Mencionamos em relação a isso, com alguma apreensão, uma prática que tem sido adotada entre alguns do povo de Deus, familiarmente conhecida, que é exigir que a pessoa se “sente atrás”.  Alguns, de fato, assumiram determinar isso sem mesmo consultar a assembleia, dizendo que eles não partiriam o pão se tal pessoa assim não o fizesse. Isto é realmente tirar a disciplina das mãos da assembleia e administrá-la por uma pessoa. O resultado só pode ser o de deixar a assembleia aberta à acusação de ser dirigida por poucos, e talvez efetivamente feche a porta para o que de outra forma teria sido o início da recuperação.

À medida que o caso cresce com menos esperança, nosso cuidado deveria aumentar. Não vamos dizer que não poderá haver casos em que a assembleia sinta que um irmão deva ser “calado”; mas tais casos são raros e são indicados quando há grave suspeita de que o mal seja pior do que é sabido, e o qual é justo ser trazido à luz. Deste modo, um irmão que foi reportado estar em curso de pecado pode apresentar-se numa reunião para partir o pão.  A assembleia poderia requerer ao tal abster-se de fazê-lo até que tenha havido tempo de examinar o caso. Não precisamos dizer que isso precisa ser feito com toda a prontidão. Mas desaprovamos fazer do ato de sentar-se atrás um grau de disciplina.

  1. A exclusão da comunhão

Chegamos agora ao ato final de tirar de comunhão e pedimos ao leitor que observe quantos passos precederam esse ato final. Tememos que muitos de nós tenhamos errado em relação a isso.  Temos negligenciado tão completamente os passos preliminares do cuidado fraternal e vigilância que o pecado público pode ser atribuído pelo menos em parte à nossa negligência, tanto quanto ao que comete o erro. É claro que onde o pecado manifestou-se num caráter tal que não se possa tolerar, como escrito em 1 Coríntios 5, resta apenas um caminho aberto – “Tirai pois dentre vós a esse iníquo”. A razão para tal ato, entretanto, deve ser clara. Não deve haver lugar para suspeita de mera animosidade pessoal, nem a sugestão de que um partido (uma divisão) na assembleia ganhou seu ponto.

O mal para ser tirado deve ser de tal caráter evidente que não levante suspeita nas mentes daqueles que dele ouvirem, de que severidade indevida foi usada. Podemos estar certos de que se a consciência comum dos santos falha em reconhecer uma conduta como imoral, aqueles que procuram infligir tal disciplina deveriam perguntar a si mesmos se eles não estão errados. De fato, não temos aqui uma daquelas garantias que o amor divino deu, pela qual o povo amado de Deus é apto a receber o aviso e conselho de seus irmãos? Muito mais poderia ser dito sobre este ponto. Acreditamos que não há necessidade de dizer mais nada.

Uma pessoa pecadora que é tirada de comunhão não perde apenas o direito de partir o pão, mas os santos devem separar-se de sua companhia; e ainda, mesmo neste caso há certos limites para a disciplina que sugerimos. Como quem pecou é membro de um lar cristão, um marido ou irmão, seria um erro aplicar literalmente as palavras “com o tal nem ainda comais” (1 Co. 5:11). Uma esposa não deveria recusar sentar-se à mesa com seu marido que está em disciplina. Ela manifesta a sua recusa de comunhão de outras maneiras. Seria uma mera perseguição insistir em que ela deixasse de cumprir seus afazeres domésticos.

Podemos ainda mencionar que quando uma pessoa foi tirada de comunhão, é bom de vez em quando ir vê-la, na esperança de que Deus esteja trabalhando sua alma; mesmo a exclusão tem a recuperação como objetivo.

Com relação a este assunto acrescentamos algumas palavras quanto ao aspecto coletivo da disciplina. Temos de insistir que a verdade de um só Corpo e o esforço para manter a unidade do Espírito requer que a verdade da disciplina exercida por uma assembleia seja aceita e aplicada por todas as outras assembleias. Falhar em fazer isto seria independência do mais evidente caráter; mas isto só enfatiza a necessidade de que a disciplina deve ser tal como indicamos, com caráter apropriado conforme a Escritura.

Como já dito, se a ação disciplinar foi tão extrema que suscita dúvidas à consciência dos santos de outros lugares, a assembleia local pode questionar se não cometeu um erro. Em tal situação deveria buscar a comunhão com irmãos de outras localidades que sentem alguma inquietude e apresentar seus exercícios e sua ação disciplinar.  Se estivermos conscientes que agimos para o Senhor, podemos estar confiantes que nossos irmãos, nos quais confiamos na integridade espiritual, após conhecerem os fatos, chegarão à mesma conclusão nossa. Também podemos, com a desconfiança em nós mesmos, que vai junto com a real certeza, pedir conselhos complementares e buscar a comunhão daqueles que estão igualmente ligados a nós pelo ato da disciplina.

Ah, quantas divisões do passado resultaram da falha em reconhecer o princípio do que acabamos de falar! Atos extremos de disciplina foram forçados sobre o povo de Deus de tal forma que não lhes foi permitido questionar a justiça de tais atos, mas foram obrigados a concordarem ou então retirar-se da comunhão com a assembleia que exerceu a disciplina.

Não precisamos ser mais específicos aqui, porque, ah, nossos corações estão feridos em pensar nas nossas falhas neste sentido! Deveríamos apenas perguntar, não há mais remédio? Não podemos esperar, em alguma medida pelo menos, reformular  nossos passos; e se cremos que severidade indevida foi usada na ação da disciplina, não deveríamos nós, no temor de Deus e em toda simplicidade, concordar e desfazê-la na medida em que podemos?

Este assunto tão importante foi, em alguma medida, apenas tocado superficialmente. Concluindo, animemo-nos mutuamente a praticá-lo em todos os seus vários detalhes. Que haja um despertar entre os santos, uma verdadeira restauração da graça em nossos corações, a qual, enquanto busca cumprir apropriadamente toda disciplina, cuidadosamente observa os limites que a palavra de Deus coloca em cada estágio; e possa nos guardar dos perigos aqui apontados.

S. Ridout.

Extraído de:

https://minutos-finais.blogspot.com.br/2017/01/os-limites-da-disciplina-s-ridout.html?m=1

http://www.stempublishing.com/authors/S_Ridout/SR_Disciplines_Limits.html

Tradução: Rosimeri Fauth Martins, revisão Paulo Martins.

Não estejais inquietos por coisa alguma

Pão e Vinho

 

“Não estejais inquietos por coisa alguma”

H.Smith, “Seven Exortations”, pág. 10.

Filipenses 4:6

A exortação do apóstolo aqui tem em vista as circunstâncias desta vida. Ele não desconhece que, em um mundo de tristezas e enfermidades, de necessidades e preocupações, haverá tribulações para se enfrentar e fardos para se carregar; mas, não deveríamos torturar nosso pobre coração com coisas assim. O próprio apóstolo escreve de uma prisão, e havia sofrido necessidades, havia tido um companheiro e colaborador doente à beira da morte; mas nessas circunstâncias tão tristes ele foi elevado acima de todo cuidado e ansiedade, e por isso podia dizer a outros: “Não estejais inquietos por coisa alguma”.

Talvez tenhamos que enfrentar tribulações em nossa família, tribulações em nosso serviço, tribulações entre o povo do Senhor; tribulações provenientes de doenças, tristezas por passarmos necessidade, pesares pelo que ocorre aos santos, coisas estas que nos oprimem como um grande fardo. Como disse alguém, “Com que frequência um fardo acaba tomando conta da mente de uma pessoa até que, quando esta tenta em vão lançá-lo fora, ele acaba voltando para preocupá-la”.

Como é então que podemos encontrar alívio? Como é possível não estarmos inquietos com coisa alguma? É para nossa bênção que o apóstolo revela o modo de sermos libertos, não necessariamente da tribulação em si, mas do fardo da tribulação, de modo que este não mais sobrecarregue o espírito com preocupação e ansiedade. Ele diz: “Antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças” (Fp 4:6). É só assim que encontraremos alívio. “Em tudo”, não importa que tribulação possa ser, pequena ou grande, leve-a ao conhecimento de Deus em oração; e diga a Ele exatamente o que você deseja, “as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus”. As petições podem não ser para nosso bem, podem não estar de acordo com o pensamento de Deus; podem ser até tolices, mas devemos levá-las ao conhecimento de Deus.

Qual será o resultado? Irá Ele atender os pedidos? Irá Ele afastar a tribulação? Talvez Ele veja que atender o pedido, ou remover a tribulação não seria para o nosso bem. Naquilo que diz respeito à tribulação, Ele irá agir em perfeita sabedoria para o nosso bem, em conformidade com Seu perfeito amor. Mas há algo que Deus certamente fará: Ele aliviará nosso coração do fardo da tribulação. Se derramarmos nossa alma diante dEle, Ele derramará a Sua paz em nossa alma – aquela paz de Deus que excede todo o entendimento.

Há muito tempo Ana descobriu isso, quando, em sua amarga tribulação, pôde dizer: “Tenho derramado a minha alma perante o Senhor”. Como resultado, lemos que “o seu semblante já não era triste” (1 Sm 1:15-18). Contudo, naquele momento, suas circunstâncias continuavam exatamente as mesmas. É verdade que depois o Senhor mudou as suas circunstâncias, mas primeiro Ele mostrou que tinha o poder de mudar Ana. Da dor de coração e amargura de alma ela foi levada a uma grande paz – a paz de Deus que excede todo o entendimento – por ter levado seus pedidos ao conhecimento de Deus.

H.Smith, “Seven Exortations”, Pág. 10.

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Reuniões de estudo em áudio

Pão e Vinho

 Reuniões de Leitura da Palavra:

www.pensamentosdapalavra.blogspot.com.br

Posso causar contendas por ensinar a verdade?

http://www.respondi.com.br/2010/05/posso-causar-divisao-por-ensinar.html?m=1

Você está em dúvida se deve ou não ensinar o que tem aprendido da Palavra de Deus a irmãos da denominação da qual você saiu, que o procuram pedindo esclarecimentos. Seu receio é ser um instrumento do diabo ao causar contendas entre irmãos, algo que Deus abomina.

Prv 6:16-10 “Estas SEIS coisas aborrece o Senhor, e a SÉTIMA A SUA ALMA ABOMINA: (1) olhos altivos, e (2) língua mentirosa, e (3) mãos que derramam sangue inocente, e (4) coração que maquina pensamentos viciosos, e (5) pés que se apressam a correr para o mal, e (6) testemunha falsa que profere mentiras, e (7) O QUE SEMEIA CONTENDAS ENTRE IRMÃOS“.

Sua preocupação procede, principalmente quando entendemos que muita gente que pertence a uma denominação religiosa não está ali no caráter de lobo, mas de ovelha. São irmãos amados em Cristo e você deve ter todo o cuidado para não escandalizá-los ou ser uma pedra de tropeço para eles.

Inclusive existe o risco de você agora ser procurado por lobos que buscam apenas um argumento válido para destruir o rebanho. Neste caso você ingenuamente se tornaria mentor de um que pode estar buscando fazer exatamente aquilo que você quer a todo custo evitar: semear contenda entre irmãos.

Se você entrar na lista de vídeos do “Evangelho em 3 minutos” verá que o mais visto é o No.18, no qual falo dos falsos profetas e dos pregadores que vivem pedindo dinheiro na TV. Neste momento o vídeo No. 18 está com 33.963 views, enquanto o segundo lugar tem pouco mais de 18 mil, mas este não serve como comparação por ser o No. 1 da série (as pessoas costumam começar sempre pelo No. 1). O melhor é comparar com os que vêm a seguir, com 12 mil e 9 mil respectivamente.

O que quero dizer com isto? Que você sempre encontrará 4 vezes mais pessoas interessadas em ouvir falar do erro do que do acerto. No jornalismo existe uma máxima: “Se não sangrar, não dá audiência”. Neste sentido devemos também ser “prudentes como as serpentes e símplices como as pombas”, para não darmos “aos cães as coisas santas, nem aos porcos as vossas pérolas; para que não as pisem e, voltando-se, vos despedacem”; “e não dêem ocasião ao adversário de maldizer”. Mt 10:16; 7:6; 1 Tm 5:14.

Dia desses precisei escrever ao autor de um blog para tirar esse mesmo vídeo No. 18 de seu blog. O rapaz é testemunha de Jeová e estava usando meu vídeo como munição contra o povo de Deus.

É sempre uma tentação muito grande eu usar os vídeos do “Evangelho em 3 minutos” para descer a lenha na cristandade, por duas razões: dá muito IBOPE e me faz sentir muito bem. Primeiro, porque todos nós seres humanos gostamos mesmo é de ver o pau comer. Segundo, porque sempre que detectamos um erro nos outros, batemos no peito e sentimos um certo prazer por estarmos livres daquilo.

“Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo” Lc 18:11.

Então o jeito é eu me policiar para me concentrar mais no evangelho das boas novas do que nas más notícias; mais na VERDADE do que na mentira; mais em JESUS do que nas obras dos homens. A técnica é: quando você vir um cachorro agarrado a um osso, não tente tirar o osso da boca dele. Mostre um filé mignon e ele largará o osso.

A passagem de Hb 13 nos fala de sairmos A CRISTO fora do arraial, nesta ordem. Não basta ser REPELIDO pelo erro; é preciso ser ATRAÍDO a Jesus. Portanto, minha sugestão é que não deixe de ensinar TODA A VERDADE àqueles que procurarem por você, mas se policie para sempre procurar levar os pensamentos cativos à obediência de Cristo.

Ats 20:20 como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas,

Se simplesmente fizer as pessoas entenderem o erro e se afastarem dele, isso não irá automaticamente levá-las à Verdade. Enquanto muitos pregavam a verdade da salvação pela fé em Cristo Jesus, durante séculos existiu um “evangelho protestante” que nada mais era do que denunciar a idolatria católica. Mas ainda que alguém abandone a idolatria, isso não o salva.

O mesmo raciocínio vale aqui. Ainda que alguém abandone os erros da cristandade institucional, isso não o coloca no terreno divino de reunião, não o leva a ocupar-se com Cristo.

Este versículo poderá ajudar:

2Co 10:3-5 “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo

Lembre-se sempre de que muitos que estão nas denominações (inclusive pastores e líderes) estão sinceramente buscando servir a Deus e simplesmente não entendem que existe uma alternativa. É preciso ter em mente que um dia nós também fomos sinceros dentro dos limites de nosso entendimento, para com isso evitarmos a soberba.

Portanto, o perigo não está apenas em se criar confusão na mente de irmãos mais jovens e gerar brigas com os que permanecem na denominação. O perigo está também em nossos corações, quando começamos a nos achar alguma coisa por termos recebido entendimento em algumas verdades que antes estavam igualmente embaçadas para nós.

1Co 4:6, 7 ” E eu, irmãos, apliquei essas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós, para que, em nós, aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro. Porque quem te diferença [ou faz diferente]? E que tens tu que não tenhas recebido [por graça]? E, se o recebeste, por que te glorias como se não o houveras recebido [por graça e não por mérito*]?” (*acréscimos meus)

Lembre-se sempre de que antes de Deus enviou Moisés para libertar Seu povo da tirania de Faraó, Ele precisou ensinar a Moisés uma lição. Ordenou que Moisés enfiasse a mão no próprio peito, a qual saiu dali leprosa. O servo de Deus devia entender que, ainda que estivesse na missão de libertar seu povo, ele próprio tinha pecado em seu interior (a lepra é uma figura do pecado).

Mário Persona.

http://www.respondi.com.br/2010/05/posso-causar-divisao-por-ensinar.html?m=1

Mateus 18, 19, 20

Pão e Vinho

Mateus 18, 19, 20

Chapter a day

Norman Berry

http://www.stories.org.br/mt_p.html

MATEUS 18

O capítulo 18 conecta-se ao capítulo 16, pois o capítulo 17 ainda não aconteceu. Lembre-se de que Jesus estava sendo rejeitado e dirigindo-se para a cruz. Tudo, portanto, está mudando. Aqui eles estão sendo ensinados de como deveriam agir nesta nova situação… um real contraste com suas velhas maneiras judaicas.

Mt 18:1-6 A humildade nos ensina que devemos ser como crianças.

Mt 18:7-14 O ego é causa de muitos problemas. O Senhor mostra aqui que se quisermos aprender dEle, devemos estar dispostos a nos humilharmos.

Mt 18:15-20 Instruções para quando um outro crente lhe ofender. O primeiro passo não é ficar falando mal dele, mas ir tratar diretamente com ele. Quantas tristezas evitaríamos que seguíssemos esta instrução. Quanta restauração haveria entre os crentes! A assembléia aqui significa aqueles crentes que estão reunidos pelo Espírito de Deus para o nome do Senhor Jesus, como efetivamente aconteceu quando Ele, o Espírito Santo, desceu ao mundo (Atos 2:1-4 e 1 Co 12:13). Quanta desobediência vemos hoje quando a igreja encontra-se dividida em centenas de denominações. Acaso não se trata da mesma incredulidade que temos visto nos discípulos neste Livro de Mateus? Há poder no meio de até mesmo dois ou três reunidos assim. As decisões podem não ser sempre corretas, mas a autoridade está ali.

Mt 18:20 O nome para o qual estamos reunidos. Não diz que “nos reunimos”, pois não se trata de uma associação voluntária. O Espírito de Deus nos reúne. A pergunta é, estamos dispostos a crer nisto e deixá-Lo agir?

Mt 18:20-22 Deus estava querendo perdoar Israel, mesmo depois de terem crucificado Seu Filho amado – Atos 3:19:21. Se Deus está perdoando assim, não deveríamos fazer o mesmo?

Mt 18:23-35 Uma ilustração do que foi dito acima. Se convertermos aquele dinheiro em moeda de hoje, entendemos do que se trata. O primeiro homem devia cerca de dez milhões de dólares. Uma figura da dívida do nosso pecado para com Deus, que Ele graciosamente nos perdoou. O segundo homem devia vinte dólares. Como as dívidas que temos uns para com os outros.

#707

Não existe um gozo no céu do qual não experimentemos seu gosto agora, exceto no que se refere ao corpo glorificado.

MATEUS 19

Mt 19:1-12 Em resposta a esta pergunta, o Senhor Jesus os leva direto à instituição original do casamento estabelecido por Deus. Ele reconhece que Deus havia permitido a Moisés dar cartas de divórcio por causa da dureza do coração deles. Mas nós crentes agora sabemos, de passagens como Ef 5:22-33, que Deus tinha um propósito ainda mais glorioso ao estabelecer o matrimônio. Era para ser uma figura da união que nunca, jamais, será quebrada – a união de Cristo e Sua noiva, a Igreja, ou assembléia. Trata-se de uma união espiritual. Ela foi possível pela morte de Cristo na cruz. Portanto deste modo o Espírito de Deus, através de Cristo, dá ao crente um poder que é maior que o da natureza.

Mt 19:13-15 A criação de Deus era muito boa (Gn 1:31). Apesar de grande parte dela ter sido arruinada pelo pecado, muita coisa ainda permanece. As crianças são um exemplo daquela primeira criação. Amamos as crianças, uma dádiva de Deus para nós. Vemos aqui o valor que Deus dá a elas, pois quando cremos nos tornamos como crianças. 1 João 3:1-2.

Mt 19:16-22 Este homem, que ter com Jesus, havia guardado os relacionamentos da vida. O que mais precisava? Paulo, antes de ser salvo, era tão irrepreensível quanto este homem. Mas o coração estava longe de Deus. Não temos o evangelho aqui, pois Jesus ainda não havia morrido. Mas isto mostra um Judeu tentando encontrar vida com seu velho coração, e não pode. Assim ele vai-se embora triste.

Mt 19:23-30 Os discípulos também precisavam de instruções. No Antigo Testamento, as riquezas haviam sido um sinal da bênção de Deus. Mas já não seria assim. Agora a bênção está no coração.

Mt 19:27-30 A vida eterna é conseqüência de crer que Cristo morreu para levar meus pecados para longe da vista de Deus para sempre; e não de guardar a lei. Lembre-se de que Jesus ainda não havia morrido e ressuscitado. Agora Romanos 6:23 deixa tudo claro e simples para hoje. Todavia as pessoas ainda hoje tentam seguir os ensinos de Cristo sem aceitá-Lo como seu Salvador.

#708

É preciso alguém que já esteja fora – separado – do mundo para resgatar as pessoas dele, e mostrar até para o pior, a graça de Deus.

MATEUS 20

Mt 20:1-16 Acerca das recompensas. (Para o crente, recompensa não é oferecida por Deus como conseqüência de algo, mas para nos encorajar à persistência. Fique firme! É tudo pela graça, não pela lei). Aqueles que concordaram com seu pagamento, receberam seu pagamento. Aqueles que confiaram no senhor da vinha, receberam de acordo com seu coração. O que é melhor? Este senhor é uma figura de Cristo, que é sempre bondoso em seu tratamento para conosco.

Mt 20:17-19 Aqui temos a terceira vez em que o Senhor fala de Sua morte.

Mt 20:20-28 O Senhor Jesus assume o lugar mais humilde ao ensinar Seus discípulos.

Mt 20:22 Os dois tipos de sofrimento… “o cálice”, o sofrimento interior; “batismo” é um tipo dos sofrimentos exteriores. No versículo 28 termina a seção que começou no capítulo 18:1. Diríamos dizer que o capítulo era para terminar aqui, pois o restante pertence na verdade ao capítulo 21.

Mt 20:20-34 O Senhor começa Sua jornada final a Jerusalém e para a morte. Maravilhosa história. Os homens cegos enxergam melhor do que os que o cercam, pois vêem o Rei (vers. 31).

#709

Nos apossamos da força na mesma proporção em que deixamos de confiar no ego. 2 Coríntios 12:9-10.

 

Mateus 18, 19, 20

Chapter a day

Norman Berry

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Você não conhece nem a metade

Leitura Mateus 5:17:26

Jesus não veio abolir a lei, veio cumpri-la. Mas de que lei ele está falando? Deus deu a Moisés os dez mandamentos e mais uma centena de preceitos que compõem a lei de Deus. Você os encontra principalmente nos cinco primeiros livros da Bíblia.

As pessoas deviam cumprir todos os mandamentos, mas alguns logo perceberam que não seria possível. Ainda que você não mate, não roube ou não cometa adultério, há um mandamento que diz: “Não cobiçarás”.

Oras, a cobiça acontece na mente, no coração, antes mesmo de você partir para a ação. E é disso que Jesus está falando aqui. A lei dizia “Não matarás”, mas Jesus diz que basta sentir raiva de alguém pra isso valer como homicídio. A lei dizia “Não adulterarás”, mas Jesus diz que basta cobiçar uma mulher para você ser culpado de adultério.

Bem, se você é daqueles que lêem o sermão da montanha e acham tudo lindo, provavelmente não entendeu o que diz ali. Você está lendo sua sentença de morte. Ou vai querer dizer que nunca sentiu raiva de alguém, nunca adulterou em pensamento ou mentiu, tentando parecer o que não é…

Então tá todo mundo perdido? Exatamente, e é isso que o apóstolo Paulo explica em sua carta aos romanos. Deus deu a lei como um cala-boca, uma forma de mostrar que todos são pecadores, todos são transgressores, todos réus culpados aguardando a aplicação da pena.

Mas tem um problema aí. A pena para o pecado é a morte. Advogado nenhum pode livrar você dessa, mas Jesus pode. Acompanhe meu raciocínio.

No Antigo Testamento, quando um israelita transgredia a lei, quando pecava, era preciso sacrificar um animal inocente, um cordeiro por exemplo, em seu lugar. Detalhe: o cordeiro precisava ser sem defeito.

Jesus, por ser sem pecado, foi o único capaz de obedecer a lei, o único que não tinha pensamentos impuros como nós temos. Apesar de humano, ele não herdou a natureza pecaminosa que nós herdamos de Adão.

Por que você acha que Jesus foi chamado de “Cordeiro de Deus” por João Batista? Exatamente. Porque ele veio para ser sacrificado no lugar do pecador, para cumprir a lei. Quando você vê um ladrão sendo julgado e condenado, você diz que cumpriu-se a lei. O raciocínio é o mesmo.

Lembra de Adão? Pois é, pela desobediência de um só, muitos se tornaram pecadores. Deus quis fazer o caminho inverso. Pela obediência de um só, Jesus, e pela sua morte, muitos podem ser salvos.

Crer em Jesus como seu substituto é a única condição para você ser salvo. Ou acha que vai chegar lá cumprindo a lei? Impossível. Aos olhos de Deus você é um adúltero, ladrão e mentiroso. E como deve estar me odiando por eu dizer isso, acrescente homicida à lista.

Mas, se você realmente se reconhecer um pecador que depende da graça de Deus para ser salvo, depois de me escutar esculhambando com você, provavelmente irá dizer:

“Mario, você não conhece nem a metade do que realmente sou”.

Mário Persona.